Pietro Albuquerque: vida e morte do guri que virou lei | Jornal Já - Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Pietro Albuquerque: vida e morte do guri que virou lei


19/03/09

Por Renan Antunes de Oliveira *

Anote o nome: Pietro. Pietro Albuquerque. Com certeza você ainda vai ouvir falar deste jovem classe média alta da Zona Sul. Morto de leucemia mielóide poucos dias antes de fazer 20 anos, ele já tem um lugar na história: em sua homenagem a Câmara Federal aprovou a “Lei Pietro”.

A proposta foi do pai dele, o deputado federal do PSB gaúcho Beto Albuquerque, apresentada em dezembro de 2007, logo depois do filho ter sido diagnosticado com a doença – o pai deputado sentiu as dificuldades do brasileiro comum para tratar leucemia pelo SUS.

A lei designa de 14 a 21 de dezembro “Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea” – como transplante é a única chance de cura, a lei transformou a dor da família Albuquerque em esperança para milhares de pessoas na mesma situação.

O projeto se arrastou um ano na Câmara – ao mesmo tempo a doença ia consumindo Pietro. Para tratar-se, ele recorreu a bancos de doadores em Paris e Nova York. Um dia depois de sua morte, em 3 de fevereiro, os parlamentares se deram conta do drama do colega e aprovaram a lei.

O mérito da proposta é mobilizar a sociedade para conseguir doadores no país: “Se meu pai não fizer mais nada no mandato, já terá feito muita coisa por muita gente”, diz Rafael, publicitário, 23 anos, irmão de Pietro.

É um elogio ao pai, mas também um fato: segundo estatísticas do Ministério da Saúde, todo ano quase 10 mil pessoas contraem leucemia. O Brasil tem 300 mil doadores cadastrados. É pouco: cada doente tem só uma chance em 100 mil para encontrar alguém compatível.
 
Entre os vários tipos da doença, a mielóide é a mais difícil de curar, mata oito de cada 10 pacientes. Na maioria das vezes ataca homens adultos, dos 50 pra cima, embora tenha acertado Pietro na flor da juventude, aos 18.

Em 14 meses de luta contra a doença, ele usou todo arsenal médico disponível. Era beneficiário da mãe no plano de saúde do Banco do Brasil e se tratou no melhor hospital brasileiro, o das Clínicas, em São Paulo.

Foi preciso mudar de cidade porque não havia leito do SUS para pacientes da doença na base eleitoral do deputado: “Porto Alegre só tem sete ou oito leitos especiais para essa doença. Tentei outros lugares públicos mais próximos, mas também não consegui lugar para ele”, disse Beto – e se foi difícil para um dos líderes do governo, imagine-se para o cidadão comum.

Pietro teve apoio de pai, mãe, irmãos, madrasta, avós. Teve todo dinheiro necessário para todas as despesas. Fez quimioterapia e radioterapia. Foi mantido em quartos isolados para evitar contaminação. Tentou até o transplante de cordão umbilical, a última moda em soluções mágicas.

Quando nem os bancos de medula no exterior ajudaram, os médicos tentaram transplante de medula com material doado pela mãe. Esta cartada final da medicina também não funcionou.

Por todos os relatos, o Pietro que se foi era um cara na dele, muito tranqüilo. Nasceu em Passo Fundo, veio pequeno para Porto Alegre. Gostava de garotas, de ler, de música, de Floripa, de cinema, do Colorado, do gato Tinkleydison.

Olhando para trás, ele parecia saber que estava marcado para morrer cedo. Aos 16, publicou um livro com título premonitório: “Dias Contados”.

A obra saiu durante a Jornada Nacional de Literatura da Universidade de Passo Fundo. No texto de apresentação a professora Tânia Rosing escreveu que “Pietro de Albuquerque terá longa vida como escritor” – ela não teve a menor intuição do que estava por vir.

O livro é muito bom, ainda mais considerando que foi escrito quando o guri tinha 15. E são 296 páginas – uma façanha nestes tempos em que adolês falam por email e torpedos.

“Dias Contados” é sobre o cotidiano de quatro personagens meio autobiográficos: Yuri, Caíque, Cecília e Priscila. Seriam ele mesmo, seu irmão e duas primas. O irmão diz que muito do que está escrito é da vivência, “ele era muito observador”, mas que também há coisas inventadas porque “ele era muito criativo”.

No texto, o personagem Yuri se descreve como “um garoto bem sociável, nada tímido, mas também não muito extrovertido. Ao mesmo tempo em que gosta de dar uns beijos sem importância, é muito romântico”.

Pietro balançou um pouco, lá pelos 10 anos, quando os pais se divorciaram. “Foi surpreendente, inesperado, pois para todo mundo parecia um conto de fadas”, diz Rafael. “Pietro ficou muito pra dentro”, dando no ponto em que o brother se tornou introvertido.

Os dois ficaram vivendo com a mãe, dona Débora. Logo estabeleceram uma rotina sem o pai, que só viam nos fins de semana e datas especiais – o deputado, sempre ocupado em Brasília, casou de novo e tem mais uma filha, Nina, pequena.

Muitas das estrepolias contadas no livro foram a maneira que Pietro encontrou para lidar com a separação. A primeira frase: “O menino era muito parecido com o pai, embora tivesse alguns traços da mãe”.

Quando fala dele, o pai tenta não se emocionar muito: “O Pietro era um menino muito envolvido com a cultura”, disse, em entrevista, algumas semanas depois da morte.

Ele lia Josué Guimarães, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Lima Barreto, Umberto Eco. “Eram autores que ele tinha que ler para o vestibular, mas que acabou gostando e indo adiante”, conta Rafael.


Beto e Pietro: nos bons tempos.

O deputado agora está lendo o segundo livro do filho, “Quem tem coragem”, uma obra inédita que Pietro escreveu no hospital e deixou na memória de seu notebook. O texto tem uma leve marca da tragédia que se aproximava:

Agora, ele já podia comemorar aliviado o seu feito. Havia completado a sua missão. Havia terminado o que antes não havia conseguido. Restava-lhe esperar. Esperar por um juízo. Nunca fora de acreditar em destino, mas talvez os acontecimentos mais primordiais de sua vida o fizessem repensar. Era até irônico. Mais atrás, às suas costas, quatro homens de arma em punho vinham na sua direção sedentos por vingança. “Achar vai ser fácil, o difícil é conseguir sair”. E riu, preferindo nem olhar para o que lhe aguardava. E tirou do bolso o seu amuleto. Coragem, rapaz, coragem.

Até ser diagnosticado com a doença, Pietro vinha se dando bem na vida. Fotos mostram que ele não era de se botar fora. Não tinha namorada, mas era um “ficante” que “honrava as tradições” – é a linguagem de Rafael para descrever o irmão namorador.

Pietro queria ser escritor e roteirista de cinema. Já doente, passou no vestibular para cinema na federal de Santa Catarina.

Outra paixão era a praia do Campeche, em Floripa, onde vivem as duas primas do livro. Ia seguido pra lá. No álbum da família ele aparece em fotos na praia, saudável, sorridente, como se nada pudesse lhe acontecer.

Pietro não era do tipo consumista – seus gastos quase nunca eram maiores do que a pensão de 200 reais que recebia do pai. O programa preferido era ver filmes com a mãe e o irmão. O último foi Na Natureza Selvagem, a história amarga de um jovem andarilho americano morto no Alasca.

Ele queria muito viajar. Tinha ido pra Disney quando pequeno, conhecia um pouco Uruguai, Paraguai e Argentina, mas sonhava com lugares exóticos. Um plano maluco era mudar-se para Valetta ou Birkirkara, cidades de Malta, uma ilha do Mediterrâneo.

Parece 100 por cento garantido que ele planejava mesmo mudar-se para lá quando desse, tanto que o projeto estava no Orkut dele – e se está no Orkut é pra valer.

Outros sonhos ? Andar de trenó. Abrir uma padaria em sociedade com a prima Yve – ela também adoradora de Malta, país cuja característica mais notável foi ter sido cristianizado por São Paulo em pessoa.

Pietro acreditava em Deus, mas a última vez que pisou numa igreja foi na primeira comunhão, lá pelos 10 anos. Não acreditava em política. “Acho que é porque sempre vivemos com a política na família, ele acabou indiferente”, conta Rafael – um tio deles, Francisco Turra, também é deputado federal e cordial adversário do pai.

No Orkut ele se definia como quem “narra a vida na terceira pessoa”, além de ouvinte da banda Coldplay. Fotografava a si mesmo nas situações mais hilárias, como se dando um tiro imaginário quando rodou no vestiba da URGS.

Já minado pela doença, mantinha o bom humor na web, onde tinha 454 amigos. Estava ligado na comunidade “Doe Medula Óssea”. Na parte onde os internautas buscam namoradas ele só pedia como companheira ideal “uma medula nova bem fresquinha”.

A medula dele deixou de produzir sangue normal em algum momento no final de 2007. Os primeiros sintomas foram tonturas e náuseas. Um dia ele desmaiou durante uma aula no cursinho Unificado. No Hospital Mãe de Deus, os médicos diagnosticaram uma anemia profunda e pediram mais exames – em poucos dias a terrível doença foi descoberta.

A mãe estava com ele na hora do diagnóstico e foi sua enfermeira até o fim: “Os dois eram muito apegados, ficaram mais ainda”, lembra Rafael.

Dali pra frente a rotina da família virou de pernas para o ar. Pietro começou a fazer quimioterapia. Um mês no hospital, uma semana em casa. Em maio, depois de quatro meses de quimio, a traiçoeira doença parecia ter desaparecido: “Pensamos que ele se enquadraria entre os que conseguem se dar bem apenas com tratamento”, conta o pai – agora o deputado dedicava todos os fins de semana para estar junto com o filho.

A pequena melhora deu esperanças à família. Beto comemorou levando Pietro para Gramado e Canela, dias de brincadeiras com Nina. Ele ainda teve condições de ir pra Maceió com a mãe.

Em junho, o drama recomeçou. Ele começou a sentir-se mal outra vez. Testes confirmaram o pior. Foi aí que médicos e família começaram a procurar um doador de medula compatível – não adianta ser da família, tem muito a ver com o tipo de sangue e outras variáveis. Basta ver que o irmão era 80% compatível, mas ao mesmo tempo não era melhor do que os 65% de compatibilidade da mãe.

O transplante só é solução se é encontrado um doador cedo. Pietro demorou 10 meses para o primeiro e 13 para o segundo, quando então já estava muito debilitado. O que faltou ? Justamente pessoas cadastradas como doadoras.

Até no exterior, a busca por um doador compatível foi infrutífera – isto que o banco americano de medula tem 15 milhões de doadores. Em agosto, os médicos tentaram a nova técnica de usar cordões umbilicais.

Eles encontraram um na França e outro nos Estados Unidos. Sangue 80% compatível com o de Pietro. Mas era puro risco: até ali, só 500 transplantes assim tinham feitos no mundo. Por questões burocráticas, o transplante de cordão demorou até novembro, o que não ocorreria se o país tivesse um bom banco do material – como Pietro já tava mal, piorou mais.

O ano em São Paulo foi duro também para a família, mas ela se uniu em torno dele. Rafael conta que houve “entrega total de todo mundo. Ninguém media esforços. O pai era bom na tomada de decisões sob pressão. Cada um tinha um papel diferente. A mãe sempre dormia com o Pietro no hospital”.

Rafael ainda encontra tempo para dizer que a doença o fez descobrir de novo o pai em Beto: “Me reaproximei dele, fiquei com uma admiração imensa por quem ele é, pelo que ele fez”.

Os médicos iam fazendo o que podiam por Pietro. Rafa acha que “a medicina em São Paulo está cinco anos na frente de Porto Alegre em agilidade e remédios”, mas ela não faz milagres.

O transplante de material genético obtido dos cordões umbilicais do exterior pareceu dar certo. A medula pegou no tranco. Chegou a produzir sangue saudável, mas isto durou pouco. Pietro ganhou uma quase alta em São Paulo. Passava algumas horas por dia no ambulatório do HC e o resto do tempo num flat com a família – era o máximo possível de normalidade.

Exatos 85 dias depois, justo no Natal, a doença voltou. A tentativa seguinte foi o transplante de medula da mãe – a segunda chance para dona Débora Gelatti lhe dar a vida.

Para fazê-lo, é necessário que o paciente passe por pesadas sessões de quimioterapia e radioterapia – isto rala o corpo, com o objetivo de zerar a imunidade para não rejeitar o material doado.

Pietro enfrentou esta barra, mas foi para o transplante nas últimas energias. A operação caiu no dia 6 de janeiro, aniversário de Beto – se alguma coisa isto significa, que outros busquem o sentido: medula da mãe, no dia do pai.

O deputado apelou até para seu santo de devoção: “Se desse certo, nós iríamos visitar a terra de São Francisco, na Itália”.

Dali pra frente o quadro se complicou de vez. Ele teve uma sinusite que virou pneumonia, que virou infecção pulmonar, que virou Síndrome de Angústia Respiratória de Adulto, tudo isso em 16 dias após o transplante.

Nesta etapa ele já estava todo ligado em tubos e diferentes aparelhos. “Apesar de tudo, Pietro sempre foi muito confiante. O cara estava a fim de viver. Quando a gente falava o que estava fazendo, ele só dizia ‘beleza, vamos tentar’”.

E aí, entre 22 de janeiro a 3 de fevereiro foi só sofrimento. Pietro caiu na inconsciência, da qual não mais voltaria. Fazia gestos de sim com a cabeça, apertava a mão do interlocutor, mas já era pura agonia. Beto resume tudo: “Pietro foi um guerreiro”.

Na tarde do dia 3 os médicos avisaram a família que o menino deles estava em seus últimos momentos – ele morreria horas depois, mansamente, na madrugada. “Ali choramos tudo o que tínhamos, eu, meu pai e minha mãe”, lembra Rafael, agora tranqüilo. Um padre esteve no quarto e lhe deu a extrema-unção.

Recuperado e também sereno, o deputado diz que o filho lhe deixou uma tarefa: “Quero evitar que outros pais passem o que eu passei”.

Pietro foi enterrado no Jardim da Paz. Presentes, 17 deputados, o presidente da Câmara Michel Temer e o ministro das Relações Institucionais José Múcio, representando o presidente Lula.

A família retomou sua rotina. Na casa da Zona Sul, nada de culto a Pietro. Seu computador e a TV ainda estavam no mesmo lugar no início de março, mês em que ele faria 20 anos, mas as roupas já foram doadas para os pobres. A cama estava feita, embaixo escondia-se o gato Tinkleydison.

Fotos dele continuam nas paredes. Sobre a mesa, dois recuerdos do Pietro que se foi. Uma engraçada caneca imitando seio feminino. E um pequeno jipe feito com massa de modelar, envernizado e colorido, com pranchas de surf na capota – tipo coisa sonhada para seus dias na ilha de Malta.
*Com reportagem de Daiane Menezes

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18 comentários


18 comentários até agora ↓

  • 1 Thiago Machado // mar 19, 2009 at 21:09

    Fantástica a matéria. Uma história que deveria ser contada assim, com emoção e verdade. Parabéns a todos do Jornal Já, por trazer a público a vida e o drama do guri Pietro.

  • 2 antonio candido // mar 20, 2009 at 9:48

    ainda hoje me emociono com esse drama vivido pelos familiares, mais creio que a missão foi cumprida.

  • 3 Fernando Variani // mar 20, 2009 at 11:32

    Ao ler o relato não consegui conter a emoção, pois conhecia este menino desde o nascimento, assim como conheço e convivo com seu pai.

    O relato feito também, de certa forma, me envolve e me faz lembrar da convivência que com Ele – Pietro – tive, pois esta viagem à Disney estava junto e muito bem me lembro da criança alegre, brincalhona e feliz que era, assim como de seu talento desde muito cedo.

    Tenham certeza, fará falta à nós todos, pois tinha muito potencial e era um menino muito talentoso e de muito bom coração.

    Deixa saudades, mas também deixa ensinamentos.

    Fernando Variani

  • 4 Eliane Chaves // mar 20, 2009 at 15:41

    gostaria que informassem junto à matéria como e onde é possível se cadastrar como doador de medula óssea…

  • 5 Antônio Elisandro // mar 22, 2009 at 12:10

    Parabéns pela matéria, que além de fazer um relato bastante fiel e detalhado do acontecido, também desempenha importante papel na divulgação da campanha em favor da doação de medula óssea, o que com certeza o Pietro gostará de saber que está acontecendo… a solidariedade a outras pessoas na mesma situação, que chegam a 10mil por ano só no Brasil.
    Para quem acompanhou de perto essa história, não há como não se emocionar.. Não tive com o Pietro em muitos momentos, mas o que convivi com ele pude perceber que se tratava de um menino a frente do nosso tempo, que publicou um livro e deixou outro escrito, com requintes e detalhes literários difíceis de serem concebidos na só na sua idade, mas inclusive para autores adultos.
    Tomara que sua vida tenho sido mesmo uma missão, um anjo que veio para salvar vidas e que, para isso, assim como outros na história, teve de doar a sua própria.

  • 6 Nelson Buis Sonntag // mar 26, 2009 at 16:33

    Eu sou portador de um tipo de leucemia chamada de Linfoma linfoblástico de células T precursoras, estou vivendo um drama parecido, uma vida absolutamente normal até sentir os primeiros sintomas e lutar contra o tempo e em busca de informações e tratamento adequado. conheci a história de pietro pela mídia e me comovi muito, pois sei como e quanto é difícil se manter forte por periodos turbulentos. O que posso dizer é que ele foi e será sempre um exemplo de luta e amor a vida, que a sua jornada em busca da cura não se perca e se perpetue afim de gerar uma esperança geral e comover as pessoas a se tornarem mais que doadoras de medula e sim doadores da vida. um grande abraço a todos e muita força.

  • 7 Leandro Jorge // mar 26, 2009 at 19:32

    Sem palavras para tornar grande uma vida apesar da pouca idade. Um jovem. Pietro! Um Homem ! Um Ser Humano imenso. Que estejas bem.

    Parabéns pela matéria. Um grande abraço.

  • 8 Eduardo Freitas // mar 26, 2009 at 19:52

    Parabéns pela matéria, realmente tocante.

    Não conhecia a história deste garoto, nem de seu pai, e fiquei emocionado ao ler a matéria.

    Parabéns mais uma vez, e para o Dep. digo que, continue sua luta, infelizmente no Brasil, algumas coisas só funcionam depois de sofrermos com ela.

    Abraços.

  • 9 Cariuxa // mar 26, 2009 at 22:38

    Já minado pela doença, mantinha o bom humor na web, onde tinha 454 amigos. Estava ligado na comunidade “Doe Medula Óssea”.

    Eu era um desses 454 amigos =(~~

    Saudade eterna!

  • 10 Rafael de Albuquerque // mar 27, 2009 at 15:44

    Olá pessoal do Jornal Já. Aqui é o Rafael de Albuquerque, irmão do Pietro, como vai?

    Bom, achei que seria bacana para vocês que eu desse a crítica sobre a
    reportagem referente ao meu irmão. Eu, sinceramente, não gostei.

    Por uma razão óbvia: acho que o Renan não precisava ter me entrevistado para
    escrever aquilo. Aliás, a impressão que tive é que ele chegou aqui em casa
    querendo vender a idéia de que meu irmão era um cara “ativo”, “pegador” como
    grande parte das pessoas da sua idade. Coisa que ele não era. O problema é
    que ele era muito mais que isso, não precisava desses fatos para afirmar-se
    enquanto ser humano. Ele, com 19 anos, tinha visto que beber, pegar mulher
    por pegar e falar merda a toa não tem nenhum objetivo pessoal além de
    vangloriar-se socialmente. Além de ignorar os dizeres com relação aos
    livros, que não representavam a vida pessoal, e sim, valiam-se da sua
    observação e as erratas quanto ao nome da prima que ele tinha mais contato,
    entre outros. Achei que a reportagem tentou deixar a vida do meu irmão tão
    familiar e próxima de todos que acabou por perder a familiaridade com a
    história dele, coisa que prezo por ele até o fim da minha vida.

    Lógico que para a consciência de que é preciso ser doador, creio que a
    reportagem atinge seu objetivo. A minha única pulga atrás da orelha foi a
    tentativa de dar pessoalidade a redação mas não dar ouvidos ao que é
    singular e relevante referente a vida pessoal dele. Quanto a lei, a
    divulgação, tudo certo.

    Gostaria de deixar a minha posição,
    até para uma maior reflexão sobre posicionamentos pessoais em uma
    reportagem. Fiquei um pouco mais descrente quanto ao ofício de um
    jornalista.

    Meu pai e seus familiares gostaram da reportagem. Eu, por valorizar a vida
    dele e conhecê-lo de perto, discordo dessa opinião.

    Um abraço,
    Rafael de Albuquerque

  • 11 José Corrrêa // abr 17, 2009 at 20:35

    Gostei muito da matéria. Bem escrita e cativante. Parabéns. Não possuía informações sobre a pessoa do filho do Beto, o Pietro. Que lástima ele ter falecido tão jovem. Só não entendi a carta de seu irmão Rafael. Parece ser um chato.

  • 12 Angelo Poletto // jul 9, 2009 at 17:19

    Daqui há alguns anos, certamente Rafael repensará sua crítica acerca da reportagem. Matérica impecável, tocante, uma verdadeiro tributo à memória do jovem morto em circunstãncias tão tristes.

  • 13 fabiane vilarinho // ago 13, 2009 at 16:15

    Fiquei surpreendemente tocada pela historia de vida de Pietro e por sua coragem ao encarar todo este drama ,sempre confiando!
    Seu sonho de ser escritor se tornou real,pois mesmo depois de sua partida conseguiu deixar a muitos uma bela historia de vida e insentivo aqueles que talvez hoje esperam por doaçao de medula, dando assim oportunidades a tantos outros atraves da lei PIETRO.
    Fica minha profunda admiração por esta familia guerreira e de muita luz ,pessoas que foram capazes de reverter sua dor em vontade de ajudar aqueles que ainda continuam na árdua luta pela vida!!!!
    Acredito em DEUS e tenho certeza que se ele enviou esta missão a PIETRO é porque realmente ele foi apenas um anjo para ajudar a abrir os olhos da sociedade para a doação de medula ossea!!!

  • 14 Vera Menezes // out 13, 2009 at 18:25

    Linda a vida de Pietro ,eu como voce “mãe do Pietro”perdemos os filhos queridos ,eu perdi minha filha Greice Caroline ,com 23 anos ,tambem nascida em Passo Fundo ,em 1996 viemos para Porto Alegre ,aqui sonhavamos com uma vida melhor ,minha filha trabalhava e estudava e tinha planos para seu futuro ,mas um acidente de carro a tirou de seus irmãos ,de mim sua mãe ,dos primos ,tios ,amigos e seu namorado ,o qual estava com ela e que adormeceu na direção de seu carro,a vida é mesmo uma caixinha de surpresa ,quando menos se espera pode acontecer algo assim e no meu íntimo alguma coisa grita mais forte “OBEDIENCIA”nossos filhos as vezes se tornam auto suficientes ,querem comandar suas vidas ,mesmo sendo responsavel pelos seus atos ,não custa nada acatar as palavras dos pais ,quase sempre temos razão ,minha filha não morreu por doença ,mas por uma coisa que poderia ter sido evitada ,mas eles querem sempre fazer do seu jeito. Pietro e Greice estão nos braços de DEUS,tenho certeza ,ele precisa de pessoas ou anjos do seu lado.Vera

  • 15 Vera Menezes // out 13, 2009 at 18:34

    Ao Beto Albuquerque e sua família ,minha solidariedade pela perda do Pietro ,meu conterraneo Passofundense ,meu pai foi amigo do vô do Pietro ,da oficina mecânica na qual Beto trabalhava com o pai,lembro minhas idas a oficina junto com meu pai ,Beto um guri ,hoje um Homem com muito respeito,meu abraço e do meu pai (in memoria)Octacilio Dias de Menezes,Vera

  • 16 Amanda // out 29, 2009 at 21:24

    Olá Renan,

    Acabo de ler seu texto e as lágrimas rolam no meu rosto…cada palavra lida, já senti profundamente. Há apenas dois meses perdi o amor da minha vida por essa mesma terrível doença…e ele também era um guerreiro, como o Pietro…E isso dói tanto…machuca a alma…

    Me pergunto todos os dias se essa dor vai passar…mas ela permanece aqui…muito latente

    Parece um livro, com uma leitura intensa, a vida das pessos que se encontram na luta contra essa doença…

    Mas quando eu era criança, os livros tinham final feliz…Que pena que temos que crescer…

    Parabéns pelo seu artigo!

  • 17 GELSON ALBUQUERQUE // fev 3, 2010 at 22:29

    Hoje fazem 365 dias que Pietro se foi. A saudade é imensa e sempre me lembrarei dele como um guri bom, sem maldades, um cara muito na dele, que nos deixou livros escritos e um exemplo a ser seguido. Já li estas matérias várias vezes, pois tento encontrar uma resposta do porque ele se foi! Talvez jamais saiba ou encontre a resposta! Podemos criar histórias, estórias…mas a vida dele foi muito própria. E tudo o que falarmos ou escrevermos, JAMAIS refletirá quem ele o foi.

  • 18 Mika // fev 4, 2010 at 6:39

    DEMAGOGO. PQ ESTE DEPUTADO NÃO PENSOU NA TAL LEI, ANTES DO EPISÓDIO DA MORTE DE SEU FILHO? PQ NÃO SE PREOCUPOU, ANTES, COM AS OUTRAS PESSOAS QUE PADECIAM DO MESMO MAL?
    VAI VER NÃO TEVE TEMPO, PQ ESTAVA OCUPADO DEFENDENDO O GOVERNO MAIS CORRUPTO DA HISTÓRIA DO BRASIL.
    ESSE É O (PÉSSIMO) EXEMPLO DO OPORTUNISTA POLÍTICO BRASILEIRO. SÓ FALTA USAR O TRISTE DRAMA FAMILIAR EM SUA CAMPANHA ELEITORAL. ALGUÉM DUVIDA?

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