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Em quê mesmo que a gente vai votar?

A discussão sobre o “Pontal do Estaleiro” se tornou esquisofrênica.

Por quê?

Pra começar, não existe um projeto para o terreno que pertenceu ao falido Estaleiro Só, a conhecida Ponta do Melo.

O que se conhece é uma maquete e um material de divulgação, ilustrativo, no máximo um pré-projeto. Os dados apresentados dão idéia da grandiosidade do empreendimento, mas são estimativas. O próprio autor do projeto disse que são “números aproximativos”.

Não existe tampouco um compromisso formal do empreendedor de realizar o empreendimento.

Tanto que, depois de aprovada mudança da lei para viabilizar o projeto, ele deu uma declaração pública de que não pretende mais construir prédios de apartamentos (o “projeto” original previa 216 apartamentos de luxo).

Com essa declaração, negou o argumento que deu origem à toda a mobilização para mudar a lei: de que sem prédios residenciais o empreendimento era inviável.

Assim como ele desistiu dos prédios de apartamentos, sem explicações, pode desistir também do resto do projeto. E ninguém poderá dizer nada. A iniciativa privada não deve explicações, sua lógica é a dos negócios..

Já o prefeito, o vice e os vereadores, de repente, terão que explicar porque estão nos levando a votar em algo que não está claro para ninguém, nem pra eles, talvez.

Eu vou dizer NÃO a tudo isso. (Elmar Bones).

Extraído da Edição Especial do Jornal JÁ.

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