LOURENÇO CAZARRÉ/ Esperando o caos anunciado

O Brasil parou para que possamos nos preparar melhor para o colapso do nosso sistema de saúde que ocorrerá dentro de um mês, ou menos, por causa do coronavírus.

Todas as atividades foram suspensas para que a curva de crescimento da epidemia seja suavizada de modo que tenhamos mais tempo de nos prepararmos para o caos anunciado.

E quais seriam esses preparativos?

A depreender do noticiário internacional, devemos aumentar exponencialmente nossa capacidade de enfrentar a doença treinando de uma hora para outra alguns milhares de pessoas que vão atuar na linha de frente e dobrando ou triplicando nossos leitos de UTI e nossos respiradores artificiais.

Na sua maioria, dentro de suas possibilidades, os brasileiros estão fazendo sua parte: recolhidos em casa, esperam o tsunami. Cabe então a pergunta: e o poder público, está cumprindo seu papel?

Numa esclarecedora entrevista, concedida neste sábado (21), graduados funcionários do Ministério da Saúde garantiram que todos os esforços estão sendo feitos, sim. Ótimo. Mas cabe ao cidadão indagar de novo: serão suficientes?

Isso nós só saberemos depois.

O que intriga no noticiário nervoso sobre a pandemia é o pouco destaque dado a algumas informações importantes. Como, por exemplo, a impressionante vitória da Alemanha sobre o covid-19.

Li em jornais europeus que os germânicos treinaram 35 mil para-médicos na primeira semana da epidemia e mais 100 mil na seguinte e aplicaram testes em massa: 160 mil em uma semana.

Li também que terão em poucos dias mais 10 mil respiradores artificiais, fabricados por uma empresa local. Além disso, os hospitais alemães possuem quatro ou cinco vezes mais leitos de UTI do que os ingleses ou franceses.

Assim, a taxa de mortalidade por coronavírus – que é de 8 por cento na Itália e 4 por cento na Espanha – fica em apenas 0,3 na Alemanha.

É óbvio que não podemos traçar paralelos entre a situação brasileira e a de um dos países mais ricos do mundo. Mas temos que nos concentrar no que fazem os alemães. Precisamos tentar imitá-los.

Macron sintetizou melhor que todos os políticos o momento que vivemos: estamos em guerra. Mas uma guerra diferente: todos os países unidos contra um inimigo que só pode ser vislumbrado em microscópio.

Aceita a hipótese de Macron e acatada a idéia do isolamento social, resta-nos, aos brasileiros, nos prepararmos para a grande batalha, que está logo à nossa frente.

O Brasil – onde as obras públicas se arrastam por décadas – precisa criar em poucos dias milhares de leitos (em hospitais de campanha ou em prédios adaptados). O Brasil – cujas compras de alfinetes devem ser submetidas a intrincadas licitações que se estendem por anos – precisa adquirir em poucos dias milhares de respiradores artificiais.

Como nos sairemos?

É uma boa pergunta para nos fazermos enquanto observamos a curva de crescimento da pandemia.

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