Agressão a jornalistas em Alegrete repercute em todo o país

Diretor do jornal Em Questão, Paulo de Tarso (à dir.) denunciou as agressões cometidas por dois brigadianos contra ele e um repórter. Foto Alex Stanrlei/Em Questão

O diretor do jornal Em Questão, Paulo de Tarso Pereira, e o repórter Alex Stanrlei, prestaram depoimentos nesta quarta-feira na Comissão de Direitos Humanos, da Câmara Municipal de Alegrete, pela manhã, e na unidade da Brigada Militar, à tarde.

O coronel Pedro Burgel, comandante Regional da Fronteira-Oeste da BM,  informou ao JÁ que as circunstâncias em que ocorreram as agressões estão sendo apuradas e que o Inquérito Policial Militar será concluído dentro de 20 dias. “Não compactuamos em hipótese alguma com condutas violentas e, caso fiquem comprovados, os policiais responderão pelos abusos praticados”, afirmou.

Os profissionais foram agredidos física e verbalmente por dois brigadianos em frente à Delegacia de Plantão e Pronto Atendimento de Alegrete. Os fatos ocorreram na noite de quinta-feira, 19 de junho.

Militares do Exército e da Brigada Militar, de Rosário do Sul, estavam registrando uma ocorrência sobre abigeato na delegacia de Alegrete quando Stanrlei começou a tirar fotos de um caminhão boiadeiro militar estacionado defronte à delegacia.

Os militares impediram o registro e o repórter, então, gravou um vídeo para relatar o trabalho de combate ao roubo de gado.

Marcas no pescoço de Paulo

Foi quando um dos soldados da BM tomou a máquina fotográfica e obrigou o repórter a permanecer sentado na calçada. Após a chegada do diretor do jornal, que se identificou e pediu para que liberassem Stanrlei, o PM se negou alegando que a CNH do repórter não estava em dia. E negou também que o repórter entrasse na delegacia.

Alex ficou com as pernas esfoladas

Paulo de Tarso conta o que ocorreu a partir daí: “Quando eu passei a gravar a forma acintosa e prepotente com que o caso estava sendo conduzido, os PMs visivelmente alterados saltaram em mim, sendo que um deles me deu uma forte gravata, me faltando o ar. Fui derrubado e chutado. Alex, na tentativa de impedir que a agressão covarde continuasse, também foi imobilizado e de repente os dois PMs o derrubaram e o arrastaram. Um deles permaneceu sobre as costas, quando Alex já estava imobilizado e algemado. Depois, no interior da DPPA, o PM Santo André continuou com provocações e humilhações contra nós”.

O diretor de Em Questão diz que seu advogado ingressou com ações na Corregedoria da Brigada Militar e no Ministério Público Militar, com o pedido da instauração de um IPM para apurar crime de abuso de autoridade. “Foi um ato isolado, mas que serve de alerta, porque estamos certos que nem a BM e nem o Exército comungam com tais práticas”, ressaltou o jornalista.

Registro policial

Entidades repudiam violência contra jornalistas

A Associação Riograndense de Imprensa (ARI) repudiou os atos de violência policial contra os profissionais Paulo de Tarso Pereira e Alex Stanrlei, que, sem justificativa, receberam ordem de prisão, foram algemados e agredidos.

A ARI espera a apuração isenta dos fatos, com a consequente responsabilização dos agressores. Assinam a nota o presidente da ARI, Luiz Adolfo de Souza, e o presidente do Conselho Deliberativo da ARI, Batista Filho.

A Associação dos Jornais do Interior do Rio Grande do Sul, Adjori-RS, ressaltou que os jornalistas agredidos estavam no cumprimento de suas atividade de informar a sua comunidade, e além de serem impedidos de executar sua tarefa, foram injustificadamente agredidos e detidos.

“Os jornalistas não são marginais, nem vagabundos e não foram autuados em flagrante delito, estavam simplesmente cobrindo uma pauta jornalística. A imagem de nossa Brigada Militar não pode ser denegrida por atos de violência de alguns de seus membros contra trabalhadores e diretores da imprensa”, destacou o presidente da entidade, Jair Francisco de Souza.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), através de sua Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, solicita às autoridades competentes a imediata apuração dos fatos e a devida responsabilização dos agressores. Assinam a nota Cid Benjamin e Vilson Romero.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) ressaltou que além de ofenderem e atacar a integridade física dos repórteres, os integrantes da Brigada Militar atentaram contra o direito dos cidadãos de serem livremente informados.

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