{"id":77528,"date":"2019-09-17T11:38:53","date_gmt":"2019-09-17T14:38:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=77528"},"modified":"2019-09-17T11:38:53","modified_gmt":"2019-09-17T14:38:53","slug":"human-rights-watch-denuncia-violencia-na-amazonia-encorajada-pelo-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/human-rights-watch-denuncia-violencia-na-amazonia-encorajada-pelo-governo\/","title":{"rendered":"Human Rights Watch denuncia viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia &#039;encorajada&#039; pelo governo"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada denunciando a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, Osvalinda e Daniel Pereira encontraram duas covas com duas cruzes de madeira no quintal de casa, no assentamento Areia, pr\u00f3ximo a Trair\u00e3o (oeste do Par\u00e1), em junho do ano passado.<br \/>\nDepois de denunciar ao Minist\u00e9rio P\u00fablico o desmatamento ilegal, Gilson Temponi, presidente de uma associa\u00e7\u00e3o de agricultores em Placas (PA), foi executado a tiros em casa em dezembro de 2018.<br \/>\nEm mar\u00e7o deste ano, criminosos mataram a ativista Dilma Ferreira da Silva no assentamento Salvador Allende, na regi\u00e3o de Tucuru\u00ed (PA), e mais cinco pessoas, segundo a pol\u00edcia a mando de um fazendeiro envolvido em extra\u00e7\u00e3o ilegal que temia ser denunciado.<br \/>\nCasos como esses de amea\u00e7as e assassinatos est\u00e3o compilados no relat\u00f3rio \u201cM\u00e1fias do Ip\u00ea: como a viol\u00eancia e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira\u201d, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Human Rights Watch.<br \/>\nO documento detalha a a\u00e7\u00e3o de redes criminosas na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, seu custo ambiental e humano e como a\u00e7\u00f5es do governo Bolsonaro prejudicam essa situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSegundo a organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch, a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira na Amaz\u00f4nia \u00e9 \u201cimpulsionada por redes criminosas que t\u00eam a capacidade log\u00edstica de coordenar a extra\u00e7\u00e3o, o processamento e a venda de madeira em larga escala, enquanto empregam homens armados para proteger seus interesses.\u201d<br \/>\nOs agentes ambientais da regi\u00e3o apelidaram esses grupos de \u201cm\u00e1fias dos ip\u00eas\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de madeira dessas \u00e1rvores tidas como \u201cdiamante da Amaz\u00f4nia&#8221;.<br \/>\n&#8220;Os criminosos respons\u00e1veis por uma grande parte da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia est\u00e3o usando da intimida\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as, ataques e assassinatos para continuar suas atividades il\u00edcitas. H\u00e1 um n\u00edvel de viol\u00eancia vinculado ao desmatamento, que \u00e0s vezes as pessoas n\u00e3o percebem&#8221;, diz C\u00e9sar Mu\u00f1oz, autor do relat\u00f3rio e pesquisador da ONG.<br \/>\nCitando dados da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, ligada \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, a organiza\u00e7\u00e3o afirma que houve mais de 300 assassinatos na \u00faltima d\u00e9cada envolvendo conflitos pelo uso da terra e de recursos naturais. O documento detalha 28 desses assassinatos.<br \/>\nUm dos casos citados \u00e9 o do assentamento Terra Nossa, pr\u00f3ximo a Novo Progresso (sudoeste do Par\u00e1). Em janeiro do ano passado, um agricultor local, Romar Roglin, conhecido como \u201cPolaquinho\u201d, avisou a uma lideran\u00e7a local que relataria o desmatamento ilegal \u00e0 pol\u00edcia. Foi morto 20 dias depois.<br \/>\nSeu irm\u00e3o, Ricardo Roglin, come\u00e7ou a investigar o assassinato por conta pr\u00f3pria. Ele foi morto em julho daquele ano.<br \/>\nPouco antes, em maio, Antonio Rodrigues dos Santos, o Bigode, que vivia no mesmo assentamento, amea\u00e7ou denunciar um fazendeiro que ocupou cerca de 800 hectares de uma reserva florestal. Ele est\u00e1 desaparecido desde ent\u00e3o. Caso parecido aconteceu em outubro, ainda no Terra Nossa, com o agricultor Aluisio Sampaio, conhecido como Alenquer.<br \/>\nA Human Rights Watch aponta o grave problema de impunidade, que piora o clima de viol\u00eancia na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, das 300 mortes relatadas pela Pastoral da Terra, apenas 14 foram a julgamento.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o entrevistou policiais envolvidos na investiga\u00e7\u00e3o de seis assassinatos. Em dois casos, os investigadores nem sequer foram \u00e0 cena do crime. Em cinco casos, n\u00e3o houve aut\u00f3psia do cad\u00e1ver.<br \/>\nO relat\u00f3rio ainda cita a viol\u00eancia contra agentes p\u00fablicos de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Em julho, em Rond\u00f4nia, bandidos queimaram um caminh\u00e3o-tanque que levaria gasolina a helic\u00f3pteros do Ibama, destru\u00edram pontes e derrubaram \u00e1rvores sobre uma estrada. O \u00f3rg\u00e3o federal precisou cancelar a opera\u00e7\u00e3o. No mesmo m\u00eas, criminosos queimaram duas pontes da Transamaz\u00f4nia pr\u00f3ximo ao munic\u00edpio de Placas (PA), em retalia\u00e7\u00e3o contra uma opera\u00e7\u00e3o do mesmo \u00f3rg\u00e3o.<br \/>\nA Human Rights Watch entrevistou 170 pessoas, a maior parte de comunidades ind\u00edgenas e de comunidades locais que t\u00eam sofrido com amea\u00e7as, al\u00e9m de policiais, promotores, advogados, membros de \u00f3rg\u00e3os do governo (como Ibama, ICMBio e Funai), representantes de ONGs e acad\u00eamicos.<br \/>\nA pesquisa foi feita entre 2017 e julho de 2019.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o faz cr\u00edticas contundentes ao governo Jair Bolsonaro (PSL). Embora reconhe\u00e7a que os epis\u00f3dios de viol\u00eancia come\u00e7aram antes do atual governo, a entidade afirma que Bolsonaro \u201cretrocedeu na aplica\u00e7\u00e3o das leis de prote\u00e7\u00e3o ambiental, enfraqueceu as ag\u00eancias federais respons\u00e1veis, al\u00e9m de atacar organiza\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos que trabalham para preservar a floresta&#8221;.<br \/>\n&#8220;A viol\u00eancia rural na Amazo\u00f4nia \u00e9 um problema cr\u00f4nico, que o Brasil nunca respondeu adequadamente. Mas piorou desde janeiro, porque quando voc\u00ea enfraquece o ICMBio e outros \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 d\u00e1 carta branca para os criminosos destru\u00edrem a floresta. Eles se sentem livres para atacar qualquer um que entre no caminho deles&#8221;, afirma Mu\u00f1oz \u00e0 Folha.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o faz algumas recomenda\u00e7\u00f5es ao governo brasileiro. Segundo a Humans Right Watch, o Ministro da Justi\u00e7a deveria elaborar e implementar, junto a autoridades federais e estaduais, um plano de a\u00e7\u00e3o para desmantelar as redes criminosas e reduzir os atos de viol\u00eancia e intimida\u00e7\u00e3o; o procurador-geral da Rep\u00fablica deveria fazer do combate \u00e0 viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia uma de suas prioridades e o Congresso Nacional deveria criar uma CPI para apurar o desmatamento ilegal e os atos de viol\u00eancia.<br \/>\nA Human Rights Watch afirma ainda que o governo Bolsonaro deveria se pronunciar de forma clara em apoio aos defensores da floresta, estabelecendo mecanismos para que as comunidades possam denunciar o desmatamento ilegal ou atos de intimida\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(Com informa\u00e7\u00f5es da Folha de S\u00e3o Paulo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada denunciando a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, Osvalinda e Daniel Pereira encontraram duas covas com duas cruzes de madeira no quintal de casa, no assentamento Areia, pr\u00f3ximo a Trair\u00e3o (oeste do Par\u00e1), em junho do ano passado. 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