{"id":84491,"date":"2023-04-04T07:10:56","date_gmt":"2023-04-04T10:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/?p=84491"},"modified":"2023-04-11T17:22:25","modified_gmt":"2023-04-11T20:22:25","slug":"entrevista-brasil-precisa-da-antartica-tanto-quanto-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/entrevista-brasil-precisa-da-antartica-tanto-quanto-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Brasil precisa da Ant\u00e1rtica tanto quanto da Amaz\u00f4nia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva, glaci\u00f3logo ga\u00facho explica a interdepend\u00eancia entre os p\u00f3los e os tr\u00f3picos<\/p>\n<p><strong>Por M\u00e1rcia Turcato<\/strong><\/p>\n<p>Jefferson Cardia Sim\u00f5es, 64 anos, \u00e9 glaci\u00f3logo, estuda o gelo. Foi o primeiro brasileiro a ter essa especializa\u00e7\u00e3o, ainda na d\u00e9cada de 80, quando o Brasil vivia uma ditadura.<\/p>\n<p>Longe de ser um pesquisador caricato, daqueles que aparecem em filmes, Sim\u00f5es \u00e9 conversador e \u00e9 um entusiasta da populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, por isso sempre oferece exemplos cotidianos para explicar seu trabalho. Ele \u00e9 casado h\u00e1 40 anos com Ingrid Lorenz Sim\u00f5es, tem dois filhos e dois netos e \u00e9 natural de Porto Alegre.<\/p>\n<p>Foi em sua sala de vice-Pr\u00f3-Reitor de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que me recebeu por mais de duas horas para falar de seu trabalho mais recente.<\/p>\n<p>O professor retornou dia nove de janeiro da Ant\u00e1rtica, uma expedi\u00e7\u00e3o iniciada no \u00faltimo dia quatro de dezembro. Ele viaja ao Polo Sul desde os anos 90 e tamb\u00e9m j\u00e1 esteve no \u00c1rtico e em outras regi\u00f5es geladas do planeta. O trabalho consiste, basicamente, na realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises qu\u00edmicas da atmosfera e na coleta de testemunhos de gelo, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de paleontologia glacial, ou t\u00e9cnica palio clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>De acordo com Sim\u00f5es, \u201co Brasil precisa parar de achar que \u00e9 um pa\u00eds tropical isolado, isso n\u00e3o existe, \u00e9 uma fantasia, foi uma fantasia geopol\u00edtica das d\u00e9cadas de 50 e 60. Para o meio ambiente global, as regi\u00f5es polares s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto os tr\u00f3picos\u201d.<\/p>\n<p>O professor salienta \u201cque n\u00e3o ter\u00edamos clima se n\u00e3o houvesse essa diferen\u00e7a de temperatura entre os tr\u00f3picos e os p\u00f3los. Centrar a vis\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia, evidentemente est\u00e1 errado&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A quest\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u00e9 mais ampla porque \u00e9 territ\u00f3rio nacional, tem a biodiversidade de fauna e flora e tem popula\u00e7\u00e3o humana, mas n\u00f3s tamb\u00e9m temos responsabilidade na Ant\u00e1rtica\u201d.<\/p>\n<p>Sim\u00f5es explica que do ponto de vista ambiental, a Ant\u00e1rtica e a Amaz\u00f4nia s\u00e3o regi\u00f5es interdependentes e que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sempre ocorreram e v\u00e3o continuar ocorrendo, \u201cmas a estrat\u00e9gia que precisamos adotar \u00e9 de a\u00e7\u00f5es mitigadoras e de adapta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O professor Sim\u00f5es tem gradua\u00e7\u00e3o em Geologia pela UFRGS. Isso em 1983, quando recebeu uma bolsa do CNPq, e foi estudar Glaciologia em Cambridge, na Inglaterra, onde ficou por seis anos. Chegou a trabalhar no Servi\u00e7o Ant\u00e1rtico Brit\u00e2nico. Naquela \u00e9poca o Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro &#8211; Proantar, era recente, e precisava de especialistas. \u201cEu cheguei no momento certo e as coisas se encaixaram\u201d.<\/p>\n<p>O gelo ant\u00e1rtico tem at\u00e9 2 km de espessura, s\u00e3o cerca de 27 milh\u00f5es de km c\u00fabicos de gelo na Ant\u00e1rtica, o suficiente para cobrir o Brasil com um manto de gelo de 3 km de espessura em toda a sua extens\u00e3o. O territ\u00f3rio brasileiro tem 8,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Para chegar na Ant\u00e1rtica, o custo da viagem de Sim\u00f5es \u00e9 de 800 mil d\u00f3lares, enquanto pesquisadores de outros pa\u00edses viajam por cerca de um milh\u00e3o de d\u00f3lares e \u00e0s vezes at\u00e9 o triplo desse valor.<\/p>\n<p>A \u00faltima expedi\u00e7\u00e3o do brasileiro contou com parcerias financeiras do CNPq, National Geographic e Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do RS- Fapergs.<\/p>\n<p>As pesquisas feitas pelo Brasil alcan\u00e7aram um per\u00edodo de tr\u00eas mil anos e as amostras coletadas est\u00e3o guardadas no Instituto de Mudan\u00e7as do Clima, no Maine, nos Estados Unidos, na temperatura de 20 graus cent\u00edgrados negativos.<\/p>\n<p>Cem metros de perfura\u00e7\u00e3o no gelo equivalem a 400 anos de tempo. As informa\u00e7\u00f5es contidas no gelo coletado mostram qual \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, is\u00f3topos, minerais e outros elementos.<\/p>\n<p>Com isso, os cientistas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de avaliar como era o clima e a vida naquele per\u00edodo, comparar com outras \u00e9pocas e fazer proje\u00e7\u00f5es, por exemplo.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes na Ant\u00e1rtica indicam que o gelo continha tra\u00e7os de contamina\u00e7\u00e3o por ur\u00e2nio, resultado de uma mina a c\u00e9u aberto na Austr\u00e1lia no s\u00e9culo 19. Tamb\u00e9m foram encontrados tra\u00e7os de cobre no gelo, por conta de minas no Chile, mas que diminu\u00edram gra\u00e7as a interven\u00e7\u00e3o recente do governo de Gabriel Bori\u0107\u00a0 que adotou medidas de mitiga\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisadores da Fran\u00e7a e da It\u00e1lia j\u00e1 alcan\u00e7aram testemunhos de gelo de 800 mil anos na Ant\u00e1rtica, com perfura\u00e7\u00f5es de 3.200 metros na \u00e1rea do Domo C, tamb\u00e9m conhecido como Dome Circe, Dome Charlie ou Dome Concordia, que est\u00e1 a uma altitude de 3.233 metros acima do n\u00edvel do mar, \u00e9 um dos v\u00e1rios cumes ou c\u00fapulas do manto de gelo ant\u00e1rtico.<\/p>\n<p>Em breve, pesquisadores da China, em parceria com europeus, pretendem alcan\u00e7ar 1,5 milh\u00e3o de anos no Domo A, perfurando 4 mil metros no meio do continente Ant\u00e1rtico com uma temperatura de\u00a0 93 graus cent\u00edgrados negativos durante o inverno.<\/p>\n<p>A \u00e1gua do oceano austral est\u00e1 ficando acidificada por excesso de\u00a0 CO2, cerca de 30% dele j\u00e1 foi parar nos oceanos desde a primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial no s\u00e9culo 18, e isso altera toda a flora e fauna dos mares, pode modificar correntes mar\u00edtimas, mudar a temperatura na costa e tem efeito sobre o clima nos continentes.<\/p>\n<p>&#8220;As regi\u00f5es polares s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e elas nos d\u00e3o sinais do que est\u00e1 acontecendo&#8221;, explica o professor. O derretimento das geleiras exp\u00f5e as rochas e elas aquecem a regi\u00e3o porque propagam calor.<\/p>\n<p>A temperatura subiu no \u00c1rtico 3 graus, em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 1900. A navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima \u00e9 afetada com o degelo no mar, surgem novos portos, novas rotas comerciais, nova geopol\u00edtica e at\u00e9 militariza\u00e7\u00e3o em novas fronteiras.<\/p>\n<p><strong>A expedi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o mais recente de Sim\u00f5es chegou \u00e0 Ant\u00e1rtica no dia 4 de dezembro de 2022, como parte de projetos de redes de pesquisa internacionais. O grupo contribuiu com estudos que monitoram a resposta do gelo da Ant\u00e1rtica \u00e0s mudan\u00e7as globais e busca\u00a0 conex\u00f5es entre o clima do Brasil e o do continente.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o onde o grupo ficou recebe sua precipita\u00e7\u00e3o de dois mares, o de Amundsen, com uma camada de gelo que pode chegar a tr\u00eas metros de espessura, e o de Bellingshausen.\u00a0 Nesses dois mares se formam grande parte das frentes frias que chegam ao Brasil.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o foi liderada por Sim\u00f5es, com os colegas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Luiz Fernando Magalh\u00e3es Reis, 65 anos; Ronaldo Torma Bernardo, 54 anos, e Filipe Ley Lindau, 35 anos. Integram o grupo Ellen de Nazar\u00e9 Souza Gomes, 50 anos, da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e Jandyr de Menezes Travassos, 70 anos, da Coppe\/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>O grupo ficou acampado na geleira da Ilha Pine, no meio do manto de gelo da Ant\u00e1rtica Ocidental. O objetivo era obter um testemunho de gelo dos \u00faltimos 400 a 500 anos da hist\u00f3ria clim\u00e1tica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Um outro grupo ficou encarregado de fazer a manuten\u00e7\u00e3o do m\u00f3dulo Criosfera 1, o laborat\u00f3rio latino-americano mais ao Sul na Terra, a 640 km ao Norte do P\u00f3lo Sul Geogr\u00e1fico. O m\u00f3dulo mede dados meteorol\u00f3gicos, concentra\u00e7\u00e3o de micropart\u00edculas, composi\u00e7\u00e3o da atmosfera, estudos sobre a concentra\u00e7\u00e3o de gases e raios c\u00f3smicos.<\/p>\n<p>Faz tamb\u00e9m estudos de micro-organismos encontrados na neve. Todas as pesquisas s\u00e3o essenciais para entender o impacto das mudan\u00e7as ambientais na Ant\u00e1rtica e como elas se refletir\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Essa equipe foi liderada por Heitor Evangelista, 59 anos, f\u00edsico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e contou com os pesquisadores Heber Passos, 60 anos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Franco Nadal Junqueira Villela, 46 anos, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).<\/p>\n<p>Um terceiro grupo chegou \u00e0 Ant\u00e1rtica no dia 9 de dezembro para complementar a instala\u00e7\u00e3o do m\u00f3dulo Criosfera 2, o segundo laborat\u00f3rio remoto brasileiro no interior da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>Participantes da equipe: o professor Sim\u00f5es, que se juntou ao grupo no dia 30 de dezembro, os ga\u00fachos Francisco Eliseu Aquino, ge\u00f3grafo e climatologista, 52 anos, professor da UFRGS; a ge\u00f3grafa Venisse Schossler, 46 anos, p\u00f3s-doutora da UFRGS; o ge\u00f3grafo Isa\u00edas Ullmann Thoen, 40 anos, t\u00e9cnico em geoqu\u00edmica e eletr\u00f4nica, da UFRGS; e o chileno Marcelo Arevalo, 62 anos, engenheiro mec\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>Amaz\u00f4nia\u00a0 e gelo<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos p\u00f3los (Ant\u00e1rtica e \u00c1rtico), Sim\u00f5es tamb\u00e9m faz pesquisas em outras regi\u00f5es geladas, como na cordilheira dos Andes. Ele coletou amostras na maior calota de gelo da Am\u00e9rica do Sul, a Quelccaya, no Peru, em perfura\u00e7\u00f5es de 120 metros, a 5.700 metros de altitude, para avaliar como se d\u00e1 a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica na amaz\u00f4nia e conhecer como era o clima antes dos portugueses e do espanh\u00f3is chegarem \u00e0 Am\u00e9rica. O Peru concentra 70% do gelo tropical do mundo.<\/p>\n<p>Esse trabalho \u00e9 recente, come\u00e7ou em setembro de 2022 e deve trazer muito conhecimento \u00e0 tona. Quelccaya tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como a maior geleira tropical do mundo, tem 17 km de extens\u00e3o, uma \u00e1rea de 44 km quadrados e est\u00e1 apenas 5,1 km da cidade de Cusco, mas o acesso \u00e9 muito dif\u00edcil e exige preparo f\u00edsico. <span style=\"font-size: 1.5rem\">A temperatura m\u00e9dia na regi\u00e3o \u00e9 de zero grau. \u00c9 um lugar muito procurado por turistas praticantes de montanhismo.<\/span><\/p>\n<p>A calota de gelo de Quelccaya \u00e9 a maior \u00e1rea glaciar dos tr\u00f3picos, cobrindo aproximadamente 44 km\u00b2 nos Andes peruanos. Desde 1978, Quelccaya perdeu 20% de seu tamanho, fen\u00f4meno que costuma ser citado por pesquisadores como um sinal das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, existe a d\u00favida se o derretimento do glaciar \u00e9 consequ\u00eancia do aquecimento global ou de alguma outra altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, como a diminui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o de neve.<\/p>\n<p>Glaci\u00f3logos de outros pa\u00edses estudam Quelccaya desde 1970 e j\u00e1 perceberam um forte derretimento do glaciar e um consequente aumento do volume de \u00e1gua dos riachos locais, o que pode at\u00e9 provocar inunda\u00e7\u00f5es no futuro.<\/p>\n<p><strong>O futuro<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMilagrosamente \u00e9 preciso dizer que o Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (Proantar) sempre foi muito apoiado pelos governos\u201d, revela o professor, explicando que no primeiro governo do presidente Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva (2003 a 2006) os recursos para pesquisas chegavam por interm\u00e9dio do ent\u00e3o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente\/Ibama e depois pelo Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o\u00a0 (MCTI). O Proantar \u00e9 administrado pela Secretaria da Comiss\u00e3o Interministerial para Recursos do Mar.\u00a0 No entanto, o \u00faltimo edital para pesquisas do Proantar \u00e9 de 2018, \u201cestamos esperando a publica\u00e7\u00e3o de um novo edital para breve\u201d, diz Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que a quest\u00e3o do meio ambiente \u00e9 global e que os p\u00f3los est\u00e3o inseridos na nossa vida, assim como a Amaz\u00f4nia, h\u00e1 uma interdepend\u00eancia.\u00a0 Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sempre existir\u00e3o, mas \u00e9 necess\u00e1rio reduzir o impacto sobre a sociedade. Mesmo que parassem todas atividades que geram impacto sobre o clima agora, mesmo assim o n\u00edvel do mar subir\u00e1 30 cm at\u00e9 o ano 2100.<\/p>\n<p>Para Sim\u00f5es, \u201cos pesquisadores precisam ter mais intera\u00e7\u00e3o com o Poder Legislativo porque \u00e9 l\u00e1 que as leis s\u00e3o feitas, a comunidade cient\u00edfica n\u00e3o pode ficar isolada. O reconhecimento ao trabalho cient\u00edfico n\u00e3o vem sozinho, o cientista precisa ir \u00e0 sociedade e falar.\u00a0 Precisamos inserir a ci\u00eancia na linha de produ\u00e7\u00e3o mas, veja, ainda h\u00e1 trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o no Brasil. Estamos muito atrasados.\u201d<\/p>\n<p>E completa:\u00a0 \u201cprecisamos inserir a ci\u00eancia no Ensino M\u00e9dio. A crise ambiental faz parte de uma crise civilizat\u00f3ria. H\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o de renda, trabalho escravo, mas o planeta \u00e9 finito, n\u00e3o pode ser explorado como se estivesse numa linha de produ\u00e7\u00e3o. O futuro de qualquer pa\u00eds \u00e9 o investimento massivo em ci\u00eancia e tecnologia, n\u00e3o concentrar renda e ter qualidade na educa\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o professor, toda a comunidade cient\u00edfica est\u00e1 esperando mais recursos e que o Fundo Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia, criado para financiar a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, seja de fato implementado com a publica\u00e7\u00e3o de editais.<\/p>\n<p>Sim\u00f5es diz que o Brasil precisa financiar projetos inovadores tanto para ci\u00eancias b\u00e1sicas como para ci\u00eancia aplicada para o uso de tecnologia na ind\u00fastria, no agroneg\u00f3cio e na agricultura e pecu\u00e1ria em geral, em diferentes escalas, ter um ensino m\u00e9dio que tenha ci\u00eancia na sua grade curricular e, para isso, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio acabar com essa reforma rid\u00edcula que o governo passado fez, que destruiu a educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O professor Jefferson Cardia Sim\u00f5es \u00e9 titular de Glaciologia e Geografia Polar da UFRGS, \u00e9 vice-Pr\u00f3-Reitor de Pesquisa da UFRGS, Comendador da Ordem Nacional do M\u00e9rito Cient\u00edfico e \u00e9 pioneiro da Ci\u00eancia Glaciol\u00f3gica no Brasil. Atualmente \u00e9 Vice-Presidente do Scientific Committee on Antarctic Research\/Conselho Internacional de Ci\u00eancias (SCAR\/ISC), com sede em Cambridge, Inglaterra. Ele obteve seu PhD pelo Scott Polar Research Institute, University of Cambridge, em 1990. \u00c9 p\u00f3s-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et G\u00e9ophysique de l\u2019Environnement (LGGE) du CNRS\/Fran\u00e7a e pelo Climate Change Institute (CCI), University of Maine, EUA. Leciona e orienta alunos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Geoci\u00eancias e Geografia.<\/p>\n<p>Toda sua carreira foi dedicada \u00e0s Regi\u00f5es Polares, tendo publicado 210 artigos cient\u00edficos, principalmente sobre processos criosf\u00e9ricos. Pesquisador do Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro (PROANTAR), \u00e9 consultor ad-hoc da National Science Foundation \u2013 NSF (Office of Polar Programs).<\/p>\n<p>Sim\u00f5es participou de 28 expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u00e0s duas regi\u00f5es polares, criou o Centro Polar e Clim\u00e1tico da UFRGS, a institui\u00e7\u00e3o que lidera no Brasil a pesquisa sobre a neve e o gelo. Ele coordena a participa\u00e7\u00e3o brasileira nas investiga\u00e7\u00f5es de testemunhos de gelo ant\u00e1rticos e andinos e faz parte do comit\u00ea gestor da iniciativa International Partnerships in Ice Core Sciences (IPICS). Recebeu o Pr\u00eamio Pesquisador Destaque da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS) por sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa ant\u00e1rtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva, glaci\u00f3logo ga\u00facho explica a interdepend\u00eancia entre os p\u00f3los e os tr\u00f3picos Por M\u00e1rcia Turcato Jefferson Cardia Sim\u00f5es, 64 anos, \u00e9 glaci\u00f3logo, estuda o gelo. Foi o primeiro brasileiro a ter essa especializa\u00e7\u00e3o, ainda na d\u00e9cada de 80, quando o Brasil vivia uma ditadura. 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