{"id":85268,"date":"2024-06-21T10:26:59","date_gmt":"2024-06-21T13:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/?p=85268"},"modified":"2024-06-25T22:26:22","modified_gmt":"2024-06-26T01:26:22","slug":"velocidade-do-guaiba-na-enchente-comprova-que-ele-e-um-rio-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/velocidade-do-guaiba-na-enchente-comprova-que-ele-e-um-rio-diz-pesquisador\/","title":{"rendered":"Velocidade do Gua\u00edba na enchente comprova que ele \u00e9 um rio, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p class=\"assina\">Cleber Dioni Tentardini<\/p>\n<p>Nos dias 5 e 6 de maio deste ano, no pico da enchente, uma equipe de pesquisadores dos Institutos de Geoci\u00eancias (IGEO) e de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediu a velocidade da corrente de \u00e1gua no Gua\u00edba, pr\u00f3ximo \u00e0 Usina do Gas\u00f4metro, em quatro metros por segundo, e uma vaz\u00e3o de mais de 30 milh\u00f5es de litros por segundo, ou 30 mil metros c\u00fabicos por segundo.<\/p>\n<p>Um dos coordenadores do trabalho, o ge\u00f3logo e professor El\u00edrio Toldo J\u00fanior, disse que s\u00f3 no rio Amazonas encontrou aquela velocidade. O normal, quando um rio est\u00e1 correndo muito, \u00e9 de um metro por segundo.<\/p>\n<p>A equipe da Universidade voltou \u00e0s \u00e1guas do Gua\u00edba no dia 13 de junho. T\u00e9cnicos, professores e um aluno embarcaram equipados para coletar amostras, verificar sedimentos e medir a vaz\u00e3o e n\u00edvel das \u00e1guas em um trecho de 800 metros, do mesmo ponto pr\u00f3ximo \u00e0 usina at\u00e9 a Ilha da Pintada.<\/p>\n<p>O jornal J\u00c1 acompanhou o trabalho e conversou com o professor El\u00edrio, sobre as implica\u00e7\u00f5es de os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos continuarem monitorando o Gua\u00edba como um lago, e n\u00e3o um rio.<\/p>\n<p><strong>Rio ou lago Gua\u00edba, qual a relev\u00e2ncia dessa discuss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Isso faz toda a diferen\u00e7a. Desde as leis que regulam a ocupa\u00e7\u00e3o das cidades, manejo ambiental, extra\u00e7\u00e3o de areia, por exemplo, at\u00e9 as medidas de controle das \u00e1guas. O lago tem menos prote\u00e7\u00e3o ambiental. Do ponto de vista econ\u00f4mico, o lago \u00e9 melhor porque pode construir pr\u00f3ximo \u00e0s margens.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as evid\u00eancias de que o Gua\u00edba \u00e9 um rio?<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, vem se falando muito na imprensa que o Gua\u00edba \u00e9 um lago. Mas quem sustenta essa tese n\u00e3o apresenta evid\u00eancias da circula\u00e7\u00e3o lacustre, ou bidimensional, que ocorre apenas na superf\u00edcie da \u00e1gua, de margem a margem e de Norte a Sul. Essas s\u00e3o as duas dimens\u00f5es de um lago. At\u00e9 hoje nunca li alguma publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que aponte o funcionamento do Gua\u00edba como lago. A circula\u00e7\u00e3o lacustre \u00e9 controlada pelo vento. A for\u00e7ante \u00e9 o vento. Isso foi colocado no papel de forma inconsequente, sem sustenta\u00e7\u00e3o alguma, conclus\u00f5es de gabinete.<\/p>\n<p>Os estudos que fizemos em v\u00e1rios pontos do Gua\u00edba mostram que a circula\u00e7\u00e3o \u00e9 tridimensional, de margem a margem, de Norte a Sul e da superf\u00edcie at\u00e9 o fundo. Esse escoamento \u00e9 fluvial tanto no Gas\u00f4metro como na Ponta do Dion\u00edsio ou l\u00e1 na Ponta Grossa e em outras sess\u00f5es do Gua\u00edba. Todas apresentam o mesmo padr\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o fluvial. Registramos isso com instrumentos. A vaz\u00e3o \u00e9 a mesma nos diferentes pontos, o que muda \u00e9 a velocidade das \u00e1guas, de acordo com a dist\u00e2ncia entre as margens. Na frente do Gas\u00f4metro, onde essa dist\u00e2ncia \u00e9 menor, cerca de 800 metros, as \u00e1guas passam mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"85274\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/velocidade-do-guaiba-na-enchente-comprova-que-ele-e-um-rio-diz-pesquisador\/20240613_095858\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858.jpg\" data-orig-size=\"2469,1319\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;2.2&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;SM-F415F&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1718272738&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;1.42&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;40&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0011&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"20240613_095858\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-1024x547.jpg\" class=\"alignnone size-large wp-image-85274\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-1024x547.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-1024x547.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-300x160.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-768x410.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-1536x821.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-2048x1094.jpg 2048w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-095858-1200x641.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe \u00e1gua parada no Gua\u00edba?<\/strong><\/p>\n<p>Parece estar parada entre os canais, justamente onde se nota mais polui\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a troca da \u00e1gua no Gua\u00edba \u00e9 de uma semana, em m\u00e9dia. Durante as enchentes, foi menos de um dia. Se fosse lago, seria muito mais demorado porque a for\u00e7ante seria o vento, como ocorre na Lagoa dos Patos. No Gua\u00edba, \u00e9 a gravidade que acelera a troca. Do Navegantes at\u00e9 Itapu\u00e3, o Gua\u00edba tem a declividade de dois metros. Imaginar o Gua\u00edba como um lago, com \u00e1guas paradas, j\u00e1 teria se tornado uma gigantesca fossa, com ac\u00famulo de esgoto cloacal. Ele s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o polu\u00eddo por causa da renova\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. O canal que atravessa o fundo do Gua\u00edba controla o escoamento das \u00e1guas. O problema \u00e9 que o esgoto est\u00e1 sendo empurrado para a Lagos dos Patos e, depois, para o oceano.<\/p>\n<p>O Gua\u00edba \u00e9 um local de tr\u00e2nsito das \u00e1guas e dos sedimentos da chuva que cai no Planalto, por exemplo, ent\u00e3o, essa \u00e1gua vai ficar pouco tempo no Gua\u00edba. N\u00f3s medimos nos dias 5 e 6 de maio, durante o pico das enchentes, o volume de \u00e1gua descomunal cruzando o Gua\u00edba: foram mais de 30 milh\u00f5es de litros por segundo. A m\u00e9dia de vaz\u00e3o aqui \u00e9 entre 1 e 2 milh\u00f5es de litros por segundo. Portanto, o Gua\u00edba n\u00e3o \u00e9 um reservat\u00f3rio de \u00e1gua, mas um curso h\u00eddrico.<\/p>\n<p>Nas cataratas do Igua\u00e7u, o rio Igua\u00e7u \u00e9 semelhante ao tamanho da bacia do rio Gua\u00edba. L\u00e1 tem 82 mil km\u00b2 e a mesma regi\u00e3o clim\u00e1tica. E o m\u00e1ximo j\u00e1 medido de vaz\u00e3o foi de 24 milh\u00f5es de litros por segundo. O Gua\u00edba s\u00f3 n\u00e3o tem as cataratas porque as caracter\u00edsticas do terreno s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p><strong>Se a superf\u00edcie d\u2019\u00e1gua no Gua\u00edba apresenta declividade, basta manter apenas uma r\u00e9gua fixa para monitorar o n\u00edvel de \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p>A r\u00e9gua da SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente), apenas uma para monitorar o n\u00edvel de \u00e1gua, \u00e9 um equ\u00edvoco. Manter um ponto de monitoramento para todo o Gua\u00edba como se fosse um lago, \u00e9 um negacionismo absurdo. A r\u00e9gua que estava na altura da Rodov0i\u00e1ria inundou, e ficou inutilizada, embaixo da \u00e1gua. Agora tem uma na frente do Gas\u00f4metro. A SEMA transferiu a cota do Cais para a Usina, usando o conceito do plano horizontal da superf\u00edcie d\u2019\u00e1gua. Um erro que a Secretaria n\u00e3o reconheceu at\u00e9 agora. Ora, se a superf\u00edcie \u00e9 inclinada, como um ponto apenas vai ser suficiente para monitorar o n\u00edvel? Isso explica porque algumas regi\u00f5es da cidade inundaram mais que outras. Um aumento de tr\u00eas metros do n\u00edvel do Gua\u00edba \u00e9 bem maior no in\u00edcio do declive do que no final. Ent\u00e3o, o n\u00edvel do Gua\u00edba ficou mais alto na Zona Norte do que na Zona Sul. O desn\u00edvel entre esses dois pontos \u00e9 da ordem de dois metros. Essa vari\u00e1vel n\u00e3o foi ponderada para avalia\u00e7\u00e3o dos impactos das enchentes. Portanto, ele n\u00e3o pode ter a mesma cota de inunda\u00e7\u00e3o em todos os pontos devido \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie da \u00e1gua. Mas, as autoridades n\u00e3o nos ouvem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"85273\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/velocidade-do-guaiba-na-enchente-comprova-que-ele-e-um-rio-diz-pesquisador\/20240613_093426\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-scaled.jpg\" data-orig-size=\"1183,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;SM-F415F&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1718271266&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;5.23&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;20&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0015060240963855&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"20240613_093426\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-473x1024.jpg\" class=\"alignleft wp-image-85273 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-139x300.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-139x300.jpg 139w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-473x1024.jpg 473w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-768x1663.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-710x1536.jpg 710w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-946x2048.jpg 946w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-1200x2598.jpg 1200w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-093426-scaled.jpg 1183w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/> <img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"85275\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/velocidade-do-guaiba-na-enchente-comprova-que-ele-e-um-rio-diz-pesquisador\/20240613_101515\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-scaled.jpg\" data-orig-size=\"1183,2560\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;SM-F415F&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1718273715&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;5.23&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;20&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.0025510204081633&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"20240613_101515\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-473x1024.jpg\" class=\"alignleft wp-image-85275 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-139x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"479\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-139x300.jpg 139w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-710x1536.jpg 710w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-101515-scaled.jpg 1183w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de lago, se falou que o Gua\u00edba seria um estu\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>O Gua\u00edba s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 um estu\u00e1rio porque a Lagoa dos Patos \u00e9 de \u00e1gua doce. O Gua\u00edba \u00e9 um rio em evolu\u00e7\u00e3o. O rio que completou o ciclo de crescimento, amadurecimento e se tornou um rio das nascentes at\u00e9 a foz \u00e9 o Camaqu\u00e3. O Gua\u00edba est\u00e1 crescendo. Esses canais entrela\u00e7ados que t\u00eam aqui no porto, est\u00e3o descendo em dire\u00e7\u00e3o a Itapu\u00e3. Quando chegarem a Itapu\u00e3 daqui a centenas ou milhares de anos, l\u00e1 ser\u00e1 constru\u00eddo um delta como o Camaqu\u00e3 fez.<\/p>\n<p><strong>A proibi\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o da atividade de extra\u00e7\u00e3o de areia do rio Jacu\u00ed pode provocar assoreamento e contribuir com as cheias?<\/strong><\/p>\n<p>O Jacu\u00ed tem uma minera\u00e7\u00e3o de areia hist\u00f3rica. A extra\u00e7\u00e3o de areia altera a estabilidade das margens, do talude, cria desequil\u00edbrios e retira a identidade do rio, que \u00e9 o canal. Perde a configura\u00e7\u00e3o do canal no formato em \u2018v\u2019, portanto mais profundo na parte central. E passa para a configura\u00e7\u00e3o em \u2018u\u2019. O fundo fica achatado. E isso tem implica\u00e7\u00f5es no escoamento, mas n\u00e3o tenho dados para associar isso \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es nas margens do Jacu\u00ed.<\/p>\n<p><strong>E circulam muitos sedimentos?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 12 anos, quando come\u00e7amos a estudar a carga de sedimentos que a Bacia do Gua\u00edba carrega para o mar, do ponto de vista geol\u00f3gico, interessa saber quanto vai de areia. Come\u00e7amos a investigar o Jacu\u00ed porque esse rio produz um volume fenomenal de areia, sempre produziu, milh\u00f5es de anos. Sempre contribuiu para constru\u00e7\u00e3o da plataforma continental.<\/p>\n<p>Quando a carga de sedimentos chega na Lagoa dos Patos, ela se dispersa porque n\u00e3o tem mais aquele direcionamento de jato que adquire no Gua\u00edba. Na Lagoa, a taxa de deposi\u00e7\u00e3o dessa lama \u00e9 muito alta, cerca de seis metros. Uma parte menor fica no Gua\u00edba, sendo que seu canal est\u00e1 preservado.<\/p>\n<p>O rio Jacu\u00ed termina de trazer sedimentos para a zona costeira em Itapu\u00e3. As evid\u00eancias geol\u00f3gicas s\u00e3o incontest\u00e1veis. Isso \u00e9 un\u00e2nime na nossa equipe de trabalho. Quando a gente come\u00e7ou a fazer as conex\u00f5es desses rios, na d\u00e9cada de 80, iniciamos pela Lagoa dos Patos. E mais recentemente entramos no Gua\u00edba, que \u00e9 a parte final de um sistema h\u00eddrico que leva sedimentos para a zona costeira, a Lagoa dos Patos. Portanto, a inten\u00e7\u00e3o de separar o Gua\u00edba da bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 um problema.<\/p>\n<p><strong>Onde come\u00e7a a Bacia Hidrogr\u00e1fica do Gua\u00edba?<\/strong><\/p>\n<p>O local mais distante s\u00e3o as cabeceiras do rio Jacu\u00ed, na regi\u00e3o de Soledade, Passo Fundo. Ele desce e encontra os rios Taquari, Ca\u00ed, Sinos e Gravata\u00ed. Essa rede de drenagem que chega ao Gua\u00edba tem mais de 80 mil km\u00b2. Toda gota de chuva vai parar no Gua\u00edba. A Bacia \u00e9 que controla o volume e o tipo de sedimentos que atravessa o Gua\u00edba. Depende de onde est\u00e1 chovendo. Se chove no Planalto, vai vir uma grande carga de sedimentos, e quando chove na \u00e1rea central e nos afluentes da margem direita do Jacu\u00ed, vem menos sedimentos. Devido ao tipo de rocha. Ent\u00e3o, aquele conceito de lago, que o Gua\u00edba tem vida pr\u00f3pria, n\u00e3o \u00e9 verdade, ele reflete tudo o que acontece na Bacia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni Tentardini Nos dias 5 e 6 de maio deste ano, no pico da enchente, uma equipe de pesquisadores dos Institutos de Geoci\u00eancias (IGEO) e de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediu a velocidade da corrente de \u00e1gua no Gua\u00edba, pr\u00f3ximo \u00e0 Usina do Gas\u00f4metro, em quatro metros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85272,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-85268","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2024\/06\/20240613-085836-scaled.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":79902,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/comite-aponta-riscos-ambientais-do-projeto-da-mina-guaiba\/","url_meta":{"origin":85268,"position":0},"title":"Comit\u00ea aponta riscos ambientais do projeto Mina Gua\u00edba","author":"Geraldo Hasse","date":"11 de dezembro de 2019","format":false,"excerpt":"O Comit\u00ea de Combate \u00e0 Megaminera\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul (CCMRS) lan\u00e7ou na noite de ter\u00e7a-feira (10) no audit\u00f3rio da Faculdade de Economia da UFRGS o livro Painel de Especialistas \u2013 An\u00e1lise Cr\u00edtica do Estudo de Impacto Ambiental da Mina Gua\u00edba, projeto de minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o em uma \u00e1rea\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/category\/ambiente-geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":85578,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/calor-de-30-graus-no-everest-e-enchente-no-sul-emergencia-climatica-e-global\/","url_meta":{"origin":85268,"position":1},"title":"Calor de 30 graus no Everest e enchente no Sul: emerg\u00eancia clim\u00e1tica \u00e9 global\u00a0","author":"Elmar Bones","date":"19 de maio de 2025","format":false,"excerpt":"M\u00e1rcia Turcato Um ano se passou da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul. Mas a emerg\u00eancia clim\u00e1tica n\u00e3o foi cancelada. Ao contr\u00e1rio, ela continua deixando suas marcas por onde passa. Dia 12 de maio, no Campo 4 do Monte Everest, a cerca de sete mil metros de altitude, a\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/category\/ambiente-geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/05\/everest.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/05\/everest.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/05\/everest.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/05\/everest.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/05\/everest.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":85599,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/veneno-de-cobra-para-curar-cancer-e-o-que-cientistas-gauchos-estao-pesquisando\/","url_meta":{"origin":85268,"position":2},"title":"Veneno de cobra para curar c\u00e2ncer? \u00c9 o que cientistas ga\u00fachos est\u00e3o pesquisando","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"29 de junho de 2025","format":false,"excerpt":"Por M\u00e1rcia Turcato Veneno de cobra como medicamento para combater o c\u00e2ncer. \u00c9 exatamente isso que a farmac\u00eautica Eliz\u00e2ndra Braganhol est\u00e1 fazendo com a verba de um edital p\u00fablico lan\u00e7ado com o objetivo de desenvolver novas tecnologias no Rio Grande do Sul. Professora da UFCSPA- Universidade Federal de Ci\u00eancias da\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/category\/ambiente-geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/pesquisadora-da-ufcsa.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/pesquisadora-da-ufcsa.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/pesquisadora-da-ufcsa.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/06\/pesquisadora-da-ufcsa.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":77345,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/pesquisa-revela-contaminacao-por-antibioticos-em-rios-paranaenses\/","url_meta":{"origin":85268,"position":3},"title":"Pesquisa revela contamina\u00e7\u00e3o por antibi\u00f3ticos em rios paranaenses","author":"Carlos Matsubara","date":"12 de setembro de 2019","format":false,"excerpt":"\u00a0 A descoberta dos antibi\u00f3ticos no in\u00edcio do s\u00e9culo XX causou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na sa\u00fade. Os medicamentos \u201cmilagrosos\u201d, como eram chamados na \u00e9poca, possibilitaram a cura de doen\u00e7as at\u00e9 ent\u00e3o fatais, como pneumonia, tuberculose e febre reum\u00e1tica. Milh\u00f5es de vidas foram e ainda s\u00e3o salvas gra\u00e7as a eles. O\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/category\/ambiente-geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":80206,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/relatorio-libera-praias-de-lami-e-belem-novo-para-banho\/","url_meta":{"origin":85268,"position":4},"title":"Orla do Guaiba: Lami e Bel\u00e9m Novo est\u00e3o liberadas para banho","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"27 de dezembro de 2019","format":false,"excerpt":"Saiu nesta sexta-feira, 27, o relat\u00f3rio de balneabilidade das praias do Lami e de Bel\u00e9m Novo, na orla sul do Guaiba.. Os dados indicam que todos os pontos est\u00e3o pr\u00f3prios para banho. Os resultados s\u00e3o baseados nas cinco an\u00e1lises realizadas pelo Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos (Dmae), entre 20\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA&quot;","block_context":{"text":"Ambiente J\u00c1-MAT\u00c9RIA","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/category\/ambiente-geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbKnZo-mbi","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85268"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85268\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85289,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85268\/revisions\/85289"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}