{"id":85969,"date":"2026-03-22T21:29:04","date_gmt":"2026-03-23T00:29:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/?p=85969"},"modified":"2026-03-25T11:23:49","modified_gmt":"2026-03-25T14:23:49","slug":"centenario-de-flavio-lewgoy-um-gigante-na-defesa-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/centenario-de-flavio-lewgoy-um-gigante-na-defesa-do-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de Fl\u00e1vio Lewgoy: um gigante na defesa do meio ambiente"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Qu\u00edmico, professor e pesquisador, um dos ativistas ambientais mais atuantes do Brasil, Fl\u00e1vio Lewgoy nasceu em Porto Alegre no dia 30 de janeiro de 1926.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1974, uniu-se ao grupo que fundou a Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Especialista em gen\u00e9tica, criou a cadeira de Ecogen\u00e9tica na UFRGS, onde lecionou por muitos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um dos respons\u00e1veis pela reda\u00e7\u00e3o das leis estadual (1982) e federal (1989) dos agrot\u00f3xicos, que ele classificou de forma pioneira como mutag\u00eanicos e cancer\u00edgenos na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Tamb\u00e9m participou da campanha contra as usinas que queimam carv\u00e3o e atuou na luta contra os transg\u00eanicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos que lideraram a campanha de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e1brica de celulose Borregaard, nos anos 70, em Gua\u00edba, e, depois, \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o da Riocell, na d\u00e9cada de 90, projeto que j\u00e1 havia sido aprovado pelo governo estadual e, gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o dos ecologistas, teve que ser adiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Lewgoy acreditava possuir o dever de usar os conhecimentos cient\u00edficos para sustentar suas posi\u00e7\u00f5es na milit\u00e2ncia ambiental e percebia esta atua\u00e7\u00e3o como um compromisso \u00e9tico, uma retribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, por sua forma\u00e7\u00e3o, realizada em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Morreu aos 89 anos, em Porto Alegre, em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano do centen\u00e1rio de seu nascimento, o jornal J\u00c1 traz uma entrevista que Lewgoy concedeu \u00e0 professora e pesquisadora Elenita Malta Pereira,&nbsp;do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual do Centro-Oeste, no Paran\u00e1, no dia 26 de setembro de 2014. Um registro atemporal, que ainda demonstra o quanto devemos aprender.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A ci\u00eancia a servi\u00e7o da sa\u00fade humana e ambiental<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Elenita Malta Pereira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em Porto Alegre, Fl\u00e1vio Lewgoy (1926-2015) graduou-se em qu\u00edmica industrial pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1948, onde foi professor de 1959 a 1992. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1959 e 1960, cursou especializa\u00e7\u00e3o em gen\u00e9tica na Universidade do Texas, em Austin, nos EUA, como bolsista da Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller. <\/p>\n\n\n\n<p>Foi professor titular de qu\u00edmica e pesquisador na \u00e1rea de gen\u00e9tica na UFRGS, e ali fundou a disciplina de ecogen\u00e9tica, em 1990. <\/p>\n\n\n\n<p>Lewgoy ainda foi respons\u00e1vel pelo laborat\u00f3rio do Instituto de Criminal\u00edstica do Rio Grande do Sul e pioneiro na introdu\u00e7\u00e3o da qu\u00edmica forense no estado. Desvendou in\u00fameros crimes a partir da an\u00e1lise de vest\u00edgios de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ambientalista, Fl\u00e1vio Lewgoy envolveu-se em diversas lutas. Tornou-se membro da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan) em 1974, entidade a partir da qual construiu uma milit\u00e2ncia ambiental durante 41 anos. <\/p>\n\n\n\n<p>A Agapan foi fundada em 27 de abril de 1971, foi a primeira entidade ambientalista brasileira, indo al\u00e9m de propostas conservacionistas anteriores, defendidas por entidades como a Associa\u00e7\u00e3o de Defesa da Flora e da Fauna (Adeflora), criada em 1956, em S\u00e3o Paulo, e a Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (FBCN), fundada em 1958, no Rio de Janeiro. No Rio Grande do Sul, houve tamb\u00e9m a Uni\u00e3o Protetora da Natureza (UPN), que atuou entre 1955 e 1963 sob a lideran\u00e7a de Henrique Luiz Roessler, conjugando preservacionismo e conservacionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o grupo de fundadores da Agapan, havia professores de biologia da UFRGS e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), jornalistas, advogados, engenheiros-agr\u00f4nomos e antigos membros da UPN de Roessler. Na primeira gest\u00e3o da entidade, a presid\u00eancia coube a Jos\u00e9 Lutzenberger (1926-2002), e a secretaria, a Augusto Carneiro (1922-2013). <\/p>\n\n\n\n<p>Lutzenberger era engenheiro-agr\u00f4nomo, havia trabalhado durante 13 anos para a multinacional Basf, atuando na Alemanha, na Venezuela e no Marrocos, entre outros pa\u00edses. Quando a empresa entrou no ramo dos agrot\u00f3xicos, no final dos anos 1960, uma crise de consci\u00eancia o levou a uma virada na trajet\u00f3ria: voltou para o Brasil e tornou-se ambientalista, atuando justamente como um dos primeiros e principais combatentes do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil. Ocupou o cargo de secret\u00e1rio de Meio Ambiente durante o governo Collor (1990-1992) e recebeu diversos pr\u00eamios internacionais em reconhecimento por sua luta pela natureza. Foi presidente da Agapan de 1971&nbsp;a 1983.<\/p>\n\n\n\n<p>O escopo de variadas lutas em que a Agapan se envolveu atraiu a aten\u00e7\u00e3o de Lewgoy, em especial o questionamento da polui\u00e7\u00e3o provocada pela sociedade industrial, ponto relacionado \u00e0s suas pesquisas em qu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<p>Lewgoy foi um dos cr\u00edticos \u00e0 Celulose Borregaard, instalada na cidade de Gua\u00edba, \u00e0s margens do lago de mesmo nome, de onde exalava um cheiro de ovo podre que se alastrava por toda a Porto Alegre at\u00e9 a regi\u00e3o metropolitana. Uma campanha que envolveu pol\u00edticos, jornalistas e ambientalistas levou ao fechamento da f\u00e1brica por cem dias entre 1973 e 1974. A empresa, atual CMPC, mudou de donos e de nome v\u00e1rias vezes (entre eles, o mais lembrado at\u00e9 hoje \u00e9 \u201cRiocell\u201d), mas Lewgoy se manteve como um de seus principais opositores at\u00e9 o fim da vida.&nbsp;Foi ele quem embasou a cr\u00edtica da Agapan \u00e0 duplica\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, em 1992, e \u00e0 quadruplica\u00e7\u00e3o, entre 2013 e 2015. O principal argumento era a poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do lago Gua\u00edba pelos efluentes da f\u00e1brica, que poderiam conter as dioxinas, part\u00edculas organocloradas que se formariam em decorr\u00eancia do uso de cloro no branqueamento da celulose.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"662\" data-attachment-id=\"85968\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/flavio-lewgoy-1_acervo-agapan\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-scaled.jpg\" data-orig-size=\"2560,1654\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;1.8&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;SM-F415F&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1774006533&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;5.23&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;500&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.041666666666667&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Borregard-flavio-lewgoy 1_acervo agapan\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-1024x662.jpg\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-1024x662.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85968\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-1024x662.jpg 1024w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-768x496.jpg 768w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-1536x992.jpg 1536w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-1-acervo-agapan-2048x1323.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Celulose Borregaard, instalada na cidade de Gua\u00edba, de onde exalava um cheiro de ovo podre, chegou a ser fechada gra\u00e7as \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de ambientalistas e da sociedade civil. Foto Arquivo\/Agapan<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Lewgoy tamb\u00e9m foi um dos protagonistas da luta contra os agrot\u00f3xicos no Rio Grande do Sul. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 1981, Lewgoy foi um dos principais articuladores da CPI Estadual dos Agrot\u00f3xicos, que trouxe a p\u00fablico os problemas causados por esses produtos: uso al\u00e9m das quantidades recomendadas pelos agr\u00f4nomos, intoxica\u00e7\u00e3o de agricultores (incluindo crian\u00e7as) e animais, contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Gua\u00edba, entre outros. A partir da publica\u00e7\u00e3o desses problemas na imprensa ga\u00facha, criou-se o ambiente prop\u00edcio, em 1982, para a aprova\u00e7\u00e3o da Lei Estadual dos Agrot\u00f3xicos, cujo texto foi escrito com a ajuda de Lewgoy e de seus colegas ambientalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra luta em que Lewgoy se envolveu foi a cr\u00edtica aos organismos geneticamente modificados (OGMs), chegando a publicar artigo sobre sua posi\u00e7\u00e3o em\u00a0<em>Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade \u2013 Manguinhos<\/em>. Naquele texto, elencou argumentos contr\u00e1rios \u00e0 libera\u00e7\u00e3o dos transg\u00eanicos; entre eles, a limita\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o genoma humano, as poss\u00edveis falhas no processo de inser\u00e7\u00e3o de exogenes, as cr\u00edticas aos registros desses produtos (muitos manifestavam graves falhas nos testes de toxicidade apresentados pelas empresas), o\u00a0<em>lobby<\/em>\u00a0das multinacionais junto aos \u00f3rg\u00e3os de registro e regulamenta\u00e7\u00e3o e os riscos ambientais envolvidos, como a contamina\u00e7\u00e3o de plantas n\u00e3o transg\u00eanicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrevistei Lewgoy em 26 de setembro de 2014, em sua casa, no bairro Santa Cec\u00edlia, em Porto Alegre. Fui encontr\u00e1-lo com o intuito de conversar sobre sua rela\u00e7\u00e3o com Jos\u00e9 Lutzenberger, cuja trajet\u00f3ria foi meu objeto de estudo no doutorado.&nbsp;Entretanto, a entrevista foi muito al\u00e9m do tema previsto, felizmente, e Lewgoy falou de sua pr\u00f3pria atua\u00e7\u00e3o como presidente da entidade (entre 1983 e 1987), as lutas em que se envolveu, especialmente contra os agrot\u00f3xicos, e a import\u00e2ncia de sua forma\u00e7\u00e3o como qu\u00edmico e geneticista na milit\u00e2ncia ambientalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis, abaixo, a entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p> <strong>&#8211; Como foi sua entrada na Agapan e como conheceu Jos\u00e9 Lutzenberger?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Sou qu\u00edmico, e meu objeto de pesquisa eram metais t\u00f3xicos, elementos de tra\u00e7os, que s\u00e3o elementos cuja concentra\u00e7\u00e3o no organismo \u00e9 inferior a 0,001%, mas que apesar disso s\u00e3o muito importantes, inclusive porque t\u00eam tamb\u00e9m a\u00e7\u00e3o t\u00f3xica no meio ambiente, principalmente o carv\u00e3o e produtos da combust\u00e3o do carv\u00e3o que, naquela \u00e9poca, como hoje, estavam em grande evid\u00eancia. Era professor da UFRGS, e comecei a me dedicar ao assunto como mat\u00e9ria acad\u00eamica, porque gostava da tem\u00e1tica. A\u00ed come\u00e7ou a surgir na imprensa a figura do Lutz [apelido de Lutzenberger] e a Agapan, que eram tratados como algo meio folcl\u00f3rico junto \u00e0 discuss\u00e3o sobre ecologia. Notei que realmente o que eles diziam fazia sentido. Aos poucos, aproximei-me do Lutz, da Agapan, mas s\u00f3 fui me associar mesmo alguns anos depois da funda\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o fui fundador. Tornei-me seu vice-presidente (1982-1983) e depois presidente (1983-1987).<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio, eu s\u00f3 me interessava por carv\u00e3o e metais t\u00f3xicos. \u00c0 medida que fui travando contato com o Lutzenberger e com a Agapan, fui ganhando maior aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Est\u00e1vamos em plena ditadura militar, quando dar uma entrevista era uma situa\u00e7\u00e3o de risco, mas por algum motivo os militares n\u00e3o viam os ecologistas como subversivos, embora efetivamente f\u00f4ssemos, uma vez que odi\u00e1vamos o sistema militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrei na Agapan e me tornei s\u00f3cio por volta de 1974. Imediatamente fui nomeado conselheiro, e no come\u00e7o dos anos 1980, vice-presidente. Como o Lutz viajava muito, eu estava sempre em exerc\u00edcio da presid\u00eancia. At\u00e9 que decidiram rever aquilo, pois todos os anos a assembleia de elei\u00e7\u00e3o renovava Lutzenberger como presidente e eu como vice. Um dia, a diretoria da Agapan em peso me cercou e me obrigou a aceitar a <a>presid\u00eancia, alegando que na pr\u00e1tica eu j\u00e1 a exercia, <\/a>em virtude da aus\u00eancia constante do Lutz. Eles n\u00e3o sa\u00edram da minha casa enquanto eu n\u00e3o concordei.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"366\" data-attachment-id=\"85967\" data-permalink=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger_acervo-agapan\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger-acervo-agapan.jpg\" data-orig-size=\"500,366\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger_acervo agapan\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger-acervo-agapan.jpg\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger-acervo-agapan.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-85967\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger-acervo-agapan.jpg 500w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-e-jose-lutzenberger-acervo-agapan-300x220.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fl\u00e1vio Lewgoy e Jos\u00e9 Lutzenberger, s\u00edmbolos da luta ambientalista no Brasil. Foto Arquivo\/Agapan<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Foi dif\u00edcil para o senhor tomar a decis\u00e3o de se candidatar a presidente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Foi, mas ao final aceitei. Fiquei at\u00e9 concluir aquele mandato (1983) e acabei sendo reeleito (1984-1987). Mas o Lutz n\u00e3o encarou aquilo muito bem, achou que foi um golpe (risos). At\u00e9 falou para um jornalista, que veio me interpelar: \u201cComo voc\u00eas deram um golpe no Lutz?\u201d Tive de explicar para ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O Augusto Carneiro ficou com essa impress\u00e3o, de que foi um golpe\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> O Carneiro foi basicamente o sustent\u00e1culo do Lutz: foi tesoureiro da Agapan, e todo o dinheiro arrecadado \u2013 a Agapan sempre foi pobre \u2013 era para pagar a secret\u00e1ria do Lutz, sobrava muito pouco. A Agapan n\u00e3o tinha recursos para coisas b\u00e1sicas, como editar um livro ou pagar funcion\u00e1rio, que nunca teve. At\u00e9 hoje, tudo l\u00e1 \u00e9 volunt\u00e1rio. Tampouco teve uma sede, vivia se mudando. Quando algu\u00e9m cedia uma sede, tempo depois era reclamada e tinha de mudar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Depois da sua elei\u00e7\u00e3o, o Lutz n\u00e3o voltou mais para a Agapan\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> O Lutz ficou bastante chateado. De certa forma, procurei compensar aquilo propondo numa assembleia que ele fosse declarado presidente de honra, inclusive defendendo que fosse o primeiro e \u00faltimo da entidade. Mais tarde, propuseram que eu fosse presidente de honra, contrariando minha indica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu disse: \u201cAvisei que a Agapan s\u00f3 ia ter um presidente de honra\u201d (risos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como foi ser presidente da Agapan?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Foi tremendo. Naquela \u00e9poca, a Agapan era apenas uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental. A primeira entidade realmente ecologista do Brasil, porque, at\u00e9 ent\u00e3o, o que havia eram entidades conservacionistas, o que \u00e9 bem diferente das ecologistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> &#8211; Qual a diferen\u00e7a entre ecologista e conservacionista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Se olhares a hist\u00f3ria do Brasil, o primeiro conservacionista foi Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva. Ele defendeu as florestas, era contra o desflorestamento. Vamos al\u00e9m disso, pois, al\u00e9m de sermos conservacionistas, consideramos importante a preserva\u00e7\u00e3o da flora e da fauna (o meio ambiente \u00e9 isso, flora e fauna \u2013 o nosso Pampa est\u00e1 sendo aos poucos devastado, como a pr\u00f3pria Mata Atl\u00e2ntica). O conservacionismo \u00e9 importante, mas n\u00e3o basta por si s\u00f3, \u00e9 preciso uma atitude mais combativa, de cunho pol\u00edtico. Como o pr\u00f3prio Lutz dizia, a Agapan \u00e9 apartid\u00e1ria, mas n\u00e3o \u00e9 apol\u00edtica. Ela \u00e9 uma entidade pol\u00edtica, pois atua politicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O senhor foi professor por muitos anos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Fui, mas n\u00e3o quis continuar dando aula ap\u00f3s a aposentadoria, como muitos. Preferi me dedicar \u00e0 quest\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong> &#8211; Nos anos 1970 havia alguma repress\u00e3o da ditadura \u00e0s atividades da Agapan?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Sim. Havia um espi\u00e3o permanente nas reuni\u00f5es da Agapan, um tal de H\u00e9rcules. Ele tinha uma express\u00e3o s\u00e9ria, entrava calado e sa\u00eda mudo. O pessoal gozava da cara dele, todo mundo sabia quem ele era. Ele s\u00f3 ficava l\u00e1 parado, escutando, vendo se sa\u00eda alguma coisa contra o regime. \u00c0s vezes diz\u00edamos umas barbaridades, s\u00f3 para gozar da cara dele (risos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Ele nunca fez uma den\u00fancia de voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> N\u00e3o, nunca, porque os militares n\u00e3o acreditavam que f\u00f4ssemos \u201csubversivos\u201d, eles n\u00e3o ligavam. Eu, ali\u00e1s, fazia cr\u00edticas a a\u00e7\u00f5es governamentais, sa\u00eda no jornal, mas n\u00e3o me acontecia nada (risos). O SNI mandou a gente prestar depoimento na UFRGS. Uma vez mandaram uma mo\u00e7a, que se fingiu de jornalista. Ela queria saber o que fazia a Agapan. Eu disse: \u201cA Agapan parece que tem grande poder, mas isso \u00e9 um mito, somos apenas uma entidade ecologista\u201d. A\u00ed ela disse: \u201cO senhor me ajudou muito\u201d. E eu: \u201cAh, imagino\u201d (risos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como foi a campanha contra os agrot\u00f3xicos nos anos 1970?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Essa sim foi memor\u00e1vel. Dei v\u00e1rias entrevistas naquela \u00e9poca. Como n\u00e3o havia muitos dispostos a falar na \u00e9poca da ditadura militar, eu era muito procurado, o telefone n\u00e3o parava. Eu n\u00e3o tinha medo de falar, porque mesmo que procurassem, n\u00e3o iam encontrar nenhuma associa\u00e7\u00e3o minha; embora eu fosse esquerdista, nunca fui membro do partido comunista. Teve quem me denunciou como comunista, mas nunca encontraram provas disso. E como eu trabalhava na pol\u00edcia, era perito criminal\u00edstico, a\u00ed era dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei dos agrot\u00f3xicos [estadual] teve impulso na \u00e9poca da ditadura. O secret\u00e1rio de Sa\u00fade, Germano Bonow, deu-nos uma grande ajuda: quando foi divulgada a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua do Gua\u00edba, houve quem considerasse inconstitucional esse tipo de declara\u00e7\u00e3o, mas ele contrap\u00f4s: \u201cInconstitucional \u00e9 ter agrot\u00f3xicos na \u00e1gua, contaminando a \u00e1gua pot\u00e1vel do Gua\u00edba\u201d. Conseguimos a aprova\u00e7\u00e3o da lei dos agrot\u00f3xicos, que depois inspirou muitos estados brasileiros a fazer leis similares, e teve repercuss\u00e3o internacional, porque as multinacionais, descontentes, fizeram protestos, dizendo que havia interfer\u00eancia no com\u00e9rcio internacional. Mas a lei passou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211;  Mas as ind\u00fastrias agroqu\u00edmicas queriam vender, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Queriam, como querem at\u00e9 hoje, infelizmente, apesar da lei nacional dos agrot\u00f3xicos, que tamb\u00e9m ajudei a formular. Passei uma semana em Bras\u00edlia. Colaborei na aprova\u00e7\u00e3o da lei, porque fui falar com cada um dos integrantes da comiss\u00e3o respons\u00e1vel. Havia, por exemplo, representantes dos fabricantes de produtos veterin\u00e1rios, que tinham medo que a lei fosse afet\u00e1-los. Convenci-os a votar conosco, justificando que a lei n\u00e3o era propriamente contra os produtos veterin\u00e1rios. Tamb\u00e9m tinha um representante dos fazendeiros do Pantanal, que n\u00e3o sabia bem do assunto, e a quem tamb\u00e9m expliquei que a lei n\u00e3o os afetaria. Dessa forma, conquistamos maioria na comiss\u00e3o e aprovamos a lei nacional dos agrot\u00f3xicos. Essa \u00e9 uma das coisas de que eu gosto de me lembrar, da qual eu penso que, afinal, minha vida n\u00e3o passou em v\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 s\u00e3o mais de 40 anos de luta. Nunca pensei em ser ecologista, o meu neg\u00f3cio era ser pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Nunca houve conflito na universidade pelo fato de o senhor ser ecologista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> N\u00e3o, apenas me cobravam, \u00e0s vezes, por aparecer muito [na imprensa]. Apesar disso, consegui que a universidade tolerasse minha atua\u00e7\u00e3o como ambientalista, sem que isso me prejudicasse. Meus colegas acabaram entendendo. Hoje em dia todo mundo \u00e9 ecologista, n\u00e3o \u00e9? Naquela \u00e9poca era quase um ET (risos).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Acha que a conscientiza\u00e7\u00e3o hoje em dia melhorou?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> A conscientiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 boa, s\u00f3 a milit\u00e2ncia \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1. As pessoas est\u00e3o muito passivas. Est\u00e3o aceitando as coisas. Mas tem algumas exce\u00e7\u00f5es. Hoje em dia ningu\u00e9m vai cortar uma \u00e1rvore sem que algu\u00e9m se levante e proteste.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; E a quadruplica\u00e7\u00e3o da antiga Riocell (atual CMPC)?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211; <\/strong>Isso eu vou combater at\u00e9 a morte. Estamos tentando barr\u00e1-la. Entramos com processo contra isso. Estou esperando a ocasi\u00e3o para entrar de sola contra a quadruplica\u00e7\u00e3o, porque eu tenho dados concretos. \u00c9 despejada uma tonelada di\u00e1ria de sal no Gua\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Eles ainda usam o cloro para branquear o papel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Ainda usam o cloro, na forma do di\u00f3xido de cloro, que julgam menos poluente, mas poluem a atmosfera com toneladas de clorof\u00f3rmio. Aquelas lagoas de decanta\u00e7\u00e3o deles liberam clorof\u00f3rmio no ar, que vai atingir a zona sul de Porto Alegre, transportado pelos ventos. Infelizmente as esta\u00e7\u00f5es de monitoramento do ar est\u00e3o desativadas. Tem trabalhos que mostram que antes da quadruplica\u00e7\u00e3o o efluente da f\u00e1brica j\u00e1 produzia m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o em peixes. Um professor da UFRGS chamado Malabarba detectou deformidades em milhares de peixes que estavam pr\u00f3ximos do cano de descarga dos efluentes da Riocell.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos o Minist\u00e9rio P\u00fablico, que tem um grande poder. Basta apresentarmos dados para eles, e eles atuam. Mas os representantes da Riocell sempre vinham com o argumento de que eram quantidades \u00ednfimas de poluente; picogramas, mil vezes menos que nanogramas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Em 1992, o professor Peter Krauss, da Alemanha, coletou \u00e1gua do Gua\u00edba, na sa\u00edda dos rejeitos da empresa, mas n\u00e3o achou dioxinas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Pode ser at\u00e9 que ele n\u00e3o tenha achado nada al\u00e9m de quantidades infinit\u00e9simas. Acontece que n\u00e3o queremos infinit\u00e9simos, n\u00f3s queremos n\u00edvel zero de poluentes. At\u00e9 porque isso \u00e9 constante, cumulativo. No Rio Grande do Sul, h\u00e1 determinados tipos muito comuns de c\u00e2ncer que est\u00e3o diretamente relacionados com problemas ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O tratamento da \u00e1gua adianta para esse tipo de contamina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> O m\u00e9todo usado no tratamento da \u00e1gua \u00e9 o cl\u00e1ssico, que p\u00f5e carv\u00e3o ativado s\u00f3 quando tem florescimento de algas, que provoca um gosto desagrad\u00e1vel na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Do que mais se orgulha de todos esses anos de lutas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> N\u00e3o posso dizer que eu me orgulhe. S\u00e3o recorda\u00e7\u00f5es boas. Acho que eu n\u00e3o fiz mais do que uma esp\u00e9cie de retribui\u00e7\u00e3o, por ter estudado em col\u00e9gio p\u00fablico (J\u00falio de Castilhos), em universidade p\u00fablica (UFRGS). Sou a favor do servi\u00e7o civil. Quem cursa uma universidade p\u00fablica n\u00e3o paga praticamente nada pelo curso, a n\u00e3o ser em coisas como livros, por exemplo. Depois de formado, o cidad\u00e3o monta seu escrit\u00f3rio, seu consult\u00f3rio, e pronto. Mas, e o curso pago com o dinheiro dos impostos, n\u00e3o acha que deve alguma coisa? Acho que devia ter o servi\u00e7o civil, para pelo menos devolver esse curso que ele ganhou com o dinheiro dos impostos. A pessoa se formou numa federal, e acha que est\u00e1 tudo bem. Para mim, n\u00e3o est\u00e1 tudo bem. Voc\u00ea est\u00e1 devendo [\u00e0 sociedade], n\u00e3o em dinheiro, mas em servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O senhor acha que colocou o seu conhecimento como qu\u00edmico, como geneticista, a servi\u00e7o do p\u00fablico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Sim, acho que n\u00e3o fiz mais do que a minha obriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o preciso me orgulhar disso, fiz o que tinha de fazer. E gostei de fazer, de modo que a satisfa\u00e7\u00e3o que eu tive foi recompensa suficiente. Recebi diversos t\u00edtulos, fui eleito para a Academia Rio-grandense de Qu\u00edmica (risos). Ganhei uma placa do Conselho Estadual de Sa\u00fade, que tamb\u00e9m ajudei a constituir, ou seja, tudo isso \u00e9 para mim recompensa suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Em qual das lutas acha que mais conseguiu contribuir?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> As duas leis dos agrot\u00f3xicos. Essas foram as que mais me deram satisfa\u00e7\u00e3o, por eu ter dado uma contribui\u00e7\u00e3o importante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Nelas, o senhor conseguiu aplicar seus conhecimentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Sim, e foi uma vit\u00f3ria, minha e de muitos outros que militaram, como o [engenheiro-agr\u00f4nomo] Sebasti\u00e3o Pinheiro. At\u00e9 hoje o Sebasti\u00e3o \u00e9 um lutador incans\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava l\u00e1, o problema estava l\u00e1, e eu tinha condi\u00e7\u00f5es de trabalhar, ent\u00e3o trabalhei. E a UFRGS me permitiu. Eu tinha na verdade dois empregos: um emprego de t\u00e9cnico e outro de professor. Hoje, a aposentadoria me permite pagar o condom\u00ednio caro deste edif\u00edcio onde moro, o supermercado, e ajudar os amigos, de vez em quando (risos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Queria muito agradecer pela entrevista, foi um privil\u00e9gio conversar com o senhor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lewgoy &#8211;<\/strong> Imagina, enquanto eu estiver por aqui\u2026 estou com 88 anos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Infelizmente, Lewgoy faleceu pouco mais de um ano ap\u00f3s o nosso encontro, em 7 de novembro de 2015, v\u00edtima de um c\u00e2ncer. Estava com 89 anos, e, conforme o leitor pode perceber na entrevista, em um balan\u00e7o pessoal, entre vit\u00f3rias e derrotas, parecia estar satisfeito com o que realizou na vida. Acreditava no compromisso \u00e9tico e social do cientista. Ele percebia sua atua\u00e7\u00e3o como militante ambientalista, por meio da qual utilizava seu conhecimento em qu\u00edmica e gen\u00e9tica em prol da sa\u00fade humana e do ambiente, como uma esp\u00e9cie de \u201cpagamento\u201d social dos estudos financiados \u201cpelos impostos pagos pelo povo\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lewgoy foi um dos respons\u00e1veis pela reda\u00e7\u00e3o das leis estadual (1982) e federal (1989) dos agrot\u00f3xicos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":85981,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[4,3],"tags":[],"class_list":["post-85969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ambiente-geral","category-manchete-do-site"],"aioseo_notices":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2026\/03\/flavio-lewgoy-4-fotocleberdionitentardini-scaled-e1774205623588-1.jpg","jetpack-related-posts":[{"id":79613,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ambiente\/oleo-que-aparece-em-praias-do-rio-nao-e-o-mesmo-que-atingiu-o-nordeste\/","url_meta":{"origin":85969,"position":0},"title":"\u00d3leo que aparece em praias do Rio n\u00e3o \u00e9 o mesmo que atingiu o Nordeste","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"29 de novembro de 2019","format":false,"excerpt":"Os pequenos fragmentos de \u00f3leo encontrados nas praias das Conchas e do Per\u00f3, em Cabo Frio, na Regi\u00e3o dos Lagos, no Rio de Janeiro, n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com os que apareceram em praias do Nordeste. 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