Autor: Elmar Bones

  • JUIZ AUTORIZA BLOQUEIO ON-LINE NAS CONTAS DOS SÓCIOS DO JÁ

    O juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15a.Vara Civel de Porto Alegre, autorizou bloqueio on line das contas bancárias dos jornalistas Elmar Bones e Kenny Braga, sócios da Já Porto Alegre Editores, que edita o jornal JÁ.
    O objetivo da medida é garantir indenização à familia do ex-governador, hoje candidato ao Senado, Germano Rigotto. A Já Editores foi condenada numa ação por dano moral , por causa de reportagem publicada pelo JÁ em 2001.
    A indenização, inicialmente estipulada em R$ 17 mil reais, hoje está na casa dos R$ 100 mil.
    A reportagem, alvo do processo, envolveu quatro repórteres e o editor Elmar Bones e tem como personagem Lindomar Rigotto, irmão do ex-governador.
    Foi premiada pela Associação Riograndense de Imprensa.
    Lindomar, assassinado em Capão da Canoa há dez anos, era apontado como o operador de um esquema que fraudou duas licitações da Companhia Estadual de Energia Elétrica, em 1987.
    O prejuízo causado à estatal, apurado numa Ação Civil Pública, chega aos R$ 800 milhões em valores atualizados.
    O processo que apura as responsabilidades na fraude envolve 11 empresas e 22 pessoas físicas, além de Lindomar Rigotto. Tem 110 volumes, vai completar 15 anos em fevereiro de 2011. Ainda está em primeira instância e protegido pelo segredo de justiça.

  • Psicanalista diz que suicídio não foi "golpe de mestre" de Vargas

    Ao suicidar-se, na manhã do dia 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas deu um “golpe de mestre” nos inimigos que queriam tomar-lhe o poder, deixando-os desorientados.
    Esta é a conclusão da maioria dos historiadores e analistas políticos a respeito do episódio que 56 anos depois permanece como o maior enigma da política brasileira.
    Pois essa tese está sendo contestada pelo psicanalista João Gomes Mariante, no livro “Três no Divâ” lançado recentemente, em que o autor traça um perfil psicológico de Vargas e de seus dois companheiros da Revolução de 30, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha.
    Para Mariante, especialista em profilaxia do suicídio, que conheceu Getulio pessoalmente, o ex-presidente desde cedo revelara fortes tendências suicidas e ao recorrer ao “gesto extremo”, levado por impulsos doentios, cometeu um grande erro que macula a sua fama de mestre do xadrez político.
    Aos 92 anos, em plena atividade, o dr. João Mariante diz que Vargas ao dar o tiro no coração fez exatamente o que seus inimigos queriam. “Se alguém tivesse dito isso a ele, provávelmente ele não teria se matado”. Perturbado, ele se deu o tiro pensando que estava matando em si mesmo seus inimigos.

  • Os maiores assaltantes a gente nem percebe

    QUEM NÃO TEM OLHOS PARA VER, TEM QUE TÊ-LOS PARA CHORAR
    Edson Oliveira
    Outro dia, entrei num supermercado para comprar orégano e adquiri uma
    embalagem (saquinho) do produto, contendo 3 g, ao preço de R$ 1,99.
    Normalmente esse tipo de produto é vendido nos supermercados em
    embalagens que variam de 3 g a 10 g .
    Cheguei em casa e resolvi fazer os cálculos e constatei que estava pagando R$ 663,33 pelo kg do produto.
    VEJAM OUTRO ABSURDO: Você sabe o que custa quase R$ 13.575,00 o litro ?
    Resposta: TINTA DE IMPRESSORA! VOCÊ JÁ TINHA FEITO O CÁLCULO?
    “Grande Sacada” dos fabricantes: oferecer impressoras cada vez mais e mais baratas, e cartuchos cada vez mais e
    mais caros.
    Nos casos dos modelos mais baratos, o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora.
    Olhe só o cúmulo: pode acontecer de compensar mais trocar a impressora do que fazer a reposição de cartuchos.
    VEJA ESTE EXEMPLO:
    Uma HP DJ3845 é vendida, nas principais lojas, por aproximadamente R$170,00.. A reposição dos dois cartuchos (10 ml o preto e 8 ml o
    colorido), fica em torno de R$ 130,00.
    Você vende a sua impressora semi-nova, sem os cartuchos, por uns R$ 90,00 (para vender rápido) junta mais R$ 80,00, e compra uma nova impressora e com cartuchos originais de fábrica.
    Os fabricantes fingem que nem é com eles; dizem que é caro por
    ser “tecnologia de ponta”.
    Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de tinta (mantendo o preço).
    Um cartucho HP, com míseros 10 ml de tinta, custa R$ 55,99. Isso dá R$ 5,59 por mililitro.
    Só para comparação, a Espumante Veuve Clicquot City Travelle custa, por mililitro, R$ 1,29.
    Só acrescentando: as impressoras HP 1410, HP J3680 e HP3920, que usam os cartuchos HP 21 e 22, estão vindo somente com 5 ml de
    tinta!
    A Lexmark vende um cartucho para a linha de impressoras X, o cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida, por R$75,00.
    Fazendo as contas: R$ 75,00 / 5.5ml = R$ 13,63 o ml. > R$ 13,63 x 1000ml = R$ 13.636,00
    Veja só: R$ 13.636,00 , por um litro de tinta colorida.
    Com este valor, podemos comprar, aproximadamente:
    – 300 gr de OURO;
    – 3 TVs de Plasma de 42′;
    – 1 UNO Mille 2003;
    – 45 impressoras que utilizam este cartucho;
    – 4 notebooks;
    – 8 Micros Intel com 256 MB. Ou seja, um assalto !
    Está indignado?
    Então, repasse este postl adiante, pois os fabricantes alegam que o povo brasileiro não reclama de nada.

  • SINAIS DE PÂNICO NA CAMPANHA TRAZEM SIMON A PORTO ALEGRE

    O senador Pedro Simon vai baixar em Porto Alegre neste fim de semana para tentar exorcizar o pânico que já se instala nas hostes da candidatura Fogaça, diante dos resultados das últimas pesquisas.
    Vendo o candidato petista, Tarso Genro, distanciar-se na liderança, e a governadora Yeda Crusius, candidata à reeleição pelo PSDB, aproximar-se lenta mas firmemente, os estrategistas da chapa PMDB/PDT dão sinais de que perdem o rumo.
    Nesse embalo, Fogaça ameaça repetir seu correligionário, Germano Rigotto, que arrancou favorito na eleição passada, e acabou fora do segundo turno.
    Muitas reuniões marcadas vão tomar todo o fim de semana e os primeiros dias da semana seguinte. Simon, o velho comandante do MDB, vem com sua bússola privilegiada tentar corrigir a rota errática de seus pupilos.
    Segundo uma das lideranças do partido, hoje prefeito, mais do que as pesquisas, o que acendeu o sinal vermelho na campanha foi o envolvimento dos prefeitos peemedebistas pelo vice-Michel Temer, interpretado como um primeiro passo para a adesão à candidatura de Dilma Roussef à presidência.

  • POR QUE OS JORNALISTAS ESTÃO ADOECENDO MAIS

    Por Elaine Tavares*
    O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem.
    O trabalho ouviu dezenas de profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa.
    E, apesar da amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho – evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país.
    Segundo Heloani a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista.
    Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour.
    A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Deixa claro que, assim como a absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!
    Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão.
    Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem sucedida também viram foco de doença.
    Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas.
    Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões adoram, porque eles não dão trabalho”.
    Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não tem toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas.
    Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. “É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado”.
    Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando a profissão.
    Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc…
    A jornada de trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso.
    Para os mais velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade” há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de “plano B”, o que pode causa muitos danos a saúde física e mental.
    Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”.
    O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. “Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas”.
    Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes.
    Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química”.
    O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro 93% dos jornalistas já não tem carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse.
    Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não tem tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é conseqüência natural.
    O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos.
    No mais das vezes estes trabalhadores não tem vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho.
    Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados tem estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho.
    Doenças como síndrome do pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens.
    O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes.
    Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia”, diz Roberto.
    Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro”.
    Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo isso”. Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos a pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a de alguns jornais catarinenses, que não tem qualquer empregado. Todos são transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão”.
    *Jornalista

  • Portais da Cidade: pesquisa recomenda troca do nome

    A rede de transporte coletivo planejada para Porto Alegre, batizada de “Portais da Cidade”, pode trocar de nome.
    Os técnicos, desde o início, consideram o nome inadequado, porque não dá a idéia de mobilidade.
    Agora uma pesquisa com formadores de opinião indicou que os usuários não fazem relação da palavra “portal” com transporte coletivo, mas com turismo e até Internet.
    A troca do nome, ainda à espera de decisão política, não altera a essência do projeto.
    O modelo está em discussão desde 2005 e foi consagrado e ampliado nas decisões sobre a Copa de 2014. É o BRT (Bus Rapid Transit), a rede de vias expressas para ônibus.
    O sistema BRT, que pode ser traduzido como Transporte Rápido por Ônibus, foi desenvolvido originalmente em Curitiba, durante a gestão do prefeito Jaime Lerner.
    Hoje é consagrado internacionalmente como alternativa mais barata, mais versátil e mais eficiente do que o metrô para cidades de porte médio. É o metrô sobre rodas.
    Está implantado em mais de uma centena de cidades em todo o mundo.
    O sistema de Porto Alegre está na fase inicial do planejamento.
    Por enquanto saiu dinheiro apenas para desenvolvimento do projeto, 1 milhão de dólares financiados pela Corporação Andina de Fomento, uma fundação que investe em projetos de sustentabilidade.
    A empresa Rogitrans, do Paraná, já está contratada para detalhar o projeto operacional, que é a base de todos os outros. Já estão trabalhando também a Profill, nas questões de meio ambiente, e a Pública, para comunicação e marqueting. Foi a Pública que fez a pesquisa sobre o nome.
    A grande indefinição no projeto ainda é o centro da cidade. A idéia inicial, que deu nome ao projeto, de três grandes portais de transbordo no entorno do centro, está questionada, junto com o nome. Pergunta-se: como as linhas de ônibus vão cruzar o centro?.
    Abrir ao tráfego na Esquina Democrática (cruzamento da avenida Borges de Medeiros com a rua da Praia)?. Vai se estabelecer um sistema binário com a Marechal Floriano, ou uma linha que contorne o centro da rodoviária até o Gasômetro?
    São perguntas ainda sem resposta.
    O projeto é bastante complexo. Envolve as prefeituras de toda a região metropolitana, as empresas de transporte de passageiros, toda uma legislação a ser criada para permitir a integração com o sistema metropolitano.
    O custo de implantação dos sete corredores expressos* (alguns adaptações a penas) com os novos ônibus articulados e os pontos de integração, chega a 210 milhões de dólares. Essa Corporação Andina de Fomento, entra com 100 milhões de dólares. O restante vem de empréstimos da prefeitura junto à Caixa Econômica Federal.
    * Sertório, Farrapos, Centro, Zona Sul,
    Assis Brasil, Protasio Alves e Bento Gonçalves.

  • No Divã do doutor Mariante

    Numa manhã de agosto, um tiro no coração mata o presidente do país.
    O peso do inconsciente nas decisões pessoais e políticas, a coerência da trajetória do suicida, estão no livro Três no Divã, que o psicanalista João Gomes Mariante autografa hoje, a partir das 19 horas, no auditório da Guarida Imóveis (rua Sete de Setembro, 1087).
    Mariante observa, com a lente da psicanálise, o comportamento e os processos mentais inconscientes nas personalidades de três importantes políticos: Getulio Vargas, Oswaldo Aranha e Flores da Cunha. Três homens com os quais conviveu.
    Abaixo, entrevista do autor ao editor Elmar Bones, publicada na edição de abril do JÁ Bom Fim.

    João Mariante, 92 anos de idade, 60 de Pasicanálise
    João Mariante, 92 anos de idade, 60 de Psicanálise

    Entrevista: João Gomes Mariante

    -O senhor é um porto alegrense da gema…
    -Nasci na rua Mariante com a Castro Alves. Mas toda minha formação até o ginásio foi no Rio, no Colégio Pedro II. Depois fiz Medicina em Niterói, me formei na turma de 1946. Era o único gaúcho, em meio a muitos paulistas, cariocas e nordestinos…
    -Sua familia foi para o Rio, é isso?
    -Não.Fui sozinho, para estudar. Lá casei e fiquei mais de 20 anos. Depois voltei para o Rio Grande, depois retornei ao Rio, onde me especializei na psiquiatria. De lá fui para Buenos Aires onde morei oito anos. Terminei minha formação psicanalítica lá e retornei para São Paulo, onde trabalhei por 26 anos. Fui professor na Faculdade de Ciências Médicas e várias instituições de São Paulo.
    -E sua experiência como jornalista?
    -Trabalhei em jornais no Rio, onde conheci o Café Filho, de quem fui assessor mais tarde. Dirigi três revistas médicas em São Paulo. “Medicina Social”, “Imprensa Médica e “Anais de Higiene Mental”. Peguei o virus. Dizem que jornal é uma cachaça…É pior que o crack, não se larga mais.
    -Por que o livro Três no Divã?
    -Quis conciliar essas duas experiência, da psicanálise com o jornalismo. Os três personagens do livro eu conheci pessoalmente, privei com os três…
    Aranha, GV,Mariante
    -Tem uma foto sua com Getúlio e Oswaldo…
    -Aquilo foi num churrasco. Vou explicar. O dr. Armando Alencar, então presidente do Superior Tribunal Federal era gaúcho de Rio Pardo, era meu padrinho de casamento. Eu me dava muito com ele, com os filhos dele. O dr. Armando a cada três ou quatro meses convidava o Getulio para um churrasco, e eu era hóspede permanente, passava os fins de semana no sítio dele em Itaipava. Aí fiz conhecimento com o Getúlio…
    -Falava com ele?
    -Sim, sim. Tinha até uma foto aí com ele, tomando o chimarrão, eu estava alcançando a cuia para ele. Era um painel, queimou no incêndio que destruiu meu consultório…
    -Incêndio, como foi?
    -Perdi quase tudo o que eu tinha. Estava no apartamento em que morava na Anita Garibaldi, fui avisado pela Regina Flores da Cunha, mas ela demorou para me encontrar. Quando vim para cá, isso estava um metro de lodo e cinza, os bombeiros também demoraram muito por causa do trânsito, mas quando cheguei já haviam apagado. Mas nada se salvou, um quadro do Portinari, um bom dinheiro que eu tinha guardado, de umas terras que vendi… Já tinha alugado uma caixa num banco, mas deixei para o dia seguinte, estava muito cansado, fui para casa… aconteceu. Faz oito anos, mas ainda estou pagando as dívidas…
    -Porque o senhor voltou para Porto Alegre?
    -Tinha uma herança para receber aqui, no fim terminei indo mal, não gosto nem de falar nisso…
    -Seguiu, então, trabalhando aqui?
    -Sim, em um mês que havia chegado não tinha mais horário. Analisei muita gente: reitor de universidade, professores, juizes, desembargadores…
    -Como o senhor conheceu o Oswaldo Aranha?
    -Fui colega do filho dele no quartel, servimos no Forte Copacabana, nos tornamos muito amigos. Quando voltei para o Rio Grande, logo depois de formado, o Oswaldo Aranha me vendeu um jipe, vendeu por uma bagatela, só para não dizer que tinha me dado. Botei um reboque no jipe, coloquei minha mudança dentro e vim. Naquele tempo praticamente não tinha estrada, levei oito dias, em muitos trechos tinha que descer para retirar os galhos da estrada.
    -Veio para Porto Alegre?
    -Não, para Porto Mariante, terra da minha familia. Lá comecei. Tinha uma clínica, fazia de tudo: clinica geral, pediatria, quando via que não dava, levava para o hospital em Taquari ou Venâncio Aires…
    -E o Flores, conheceu como?
    -Conheci quando ele era deputado federal. Eu estava de volta ao Rio fazendo minha especialização, morava no mesmo hotel em que ele ficava. Um dia no elevador eu o cumprimentei. Ele disse: “Pelo jeito, tu és do Rio Grande”. Perguntou o que eu fazia no Rio, quando disse que era médico ele falou: Então vou te pedir para me fazer umas injeções na veia”. Aí, eu ia todos os dias ao quarto dele fazer a injeção. Fizemos amizade, ele me deu um revólver de presente.
    -Ele era falante…
    -Mas não se abria muito, não…
    -E o suicídio do Getulio? Chegaram a dizer que foi assassinato…
    -Isso é mito, lenda. Queriam culpar alguém. Foi suicídio. O suicida não se mata, ele mata alguém dentro dele. Quem ele quis matar? seus inimigos da UDN, o Carlos Lacerda, as multinacionais…
    -De qualquer forma, a morte dele é um enigma…
    -Ele sempre se moveu entre enigmas. O mito é algo que ninguém viu. É eterno e perene. O herói é perene, mas não é eterno. O mito é eterno, Getulio se mitificou para a eternidade…
    -Mas as verdadeiras causas…
    -Muitas dessas coisas são inconscientes. Não se pode provar nada nessa área. Tem que trabalhar com hipóteses e a hipótese para ter alguma validade tem que ser um pouco arrojada…
    -O senhor estava no Rio quando ele se matou?
    -Sim. Fui ao Catete quando correu a notícia, quando cheguei ninguém sabia direito o que tinha acontecido. O Euclides Aranha já estava lá e disse: “Senta aí, o presidente está morto”. Na familia ninguém acreditava que ele fosse se matar…
    -Mas ele tinha tendências suicidas?
    -Eu mostro no livro que ele sempre foi um suicida em potencial. Tem uma cena na noite em que foi deflagrada a Revolução de 30. Era uma correria danada, todo mundo agitado. A esposa do Osvaldo Aranha, dona Vindinha, contava que entrou no gabinete, o Getulio estava sentado, alisando um gato no seu colo. Ela perguntou o que ele pensava em fazer, ele tirou o revolver da cintura mostrou e continuou alisando o gato…Ele já estava sinalizando: em último caso tinha uma bala…
    -Ele era realmente um manipulador?
    -Ele era frio, gelado, tudo era estudado, falso, até o riso imotivado. Ele ria por qualquer coisa. Sempre foi mais preocupado com a tradição, a posteridade, do que com a própria vida. Se poderia dizer que ele amou mais a morte do que a vida.
    -Ele amava o poder…
    -Sabe qual era a biblia dele? O Principe, do Machiavel. Mas tinha influências do positivismo de Augusto Comte, seguia a cartilha castilhista-borgista. Nesse livro, não tive preocupação com a parte histórica, tanto que quase não cito datas. O objetivo era fazer um estudo profundo da personalidade de cada um, algo que ninguém fez até hoje…
    -O que o senhor constata, por exemplo?
    -A hipomania do Oswaldo Aranha. É uma manifestação branda do que hoje se chama de sindrome bipolar… O Flores tinha surtos epileptiformes, não quer dizer que fosse epilético, tinha rajadas epilépticas. Aquela investida dele no combate do Ibirapuitã, enfrentando de peito aberto a metralhadora, é sintomática. É um comportamento suicida…É inconsciente, porque a reação consciente é sempre de defesa, de preservação.
    -É a coisa do heroísmo…
    -O aspirante à heroicidade prefere morrer como herói do que viver como um cidadão comum… Erico Veríssimo diz no Retrato: “Cambará macho não morre na cama”.
    -Pode-se dizer que o senhor é um freudiano?
    -Eu sou um kleiniano (de Melanie Klein), mas não desprezo o Freud. Não há nada na psicanálise que Freud não tenha abordado, às vezes com outras palavras, mas nada escapa dele.

  • Panacéia reformista

    Vilson Antonio Romero (*)
    Panacéia era uma deusa da mitologia greco-romana, filha de Esculápio (ou Asclépio), o deus da medicina. Panacéia representava a cura e uma de suas irmãs era Higia, a deusa da boa saúde. Os três – pai e duas filhas – são citados no juramento de Hipócrates, feito pelos médicos na formatura – “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas…”
    Atualizando o significado, panacéia significa um “remédio para todos os males” e é usada em sentidos diversos da medicina.
    A proximidade das urnas incentiva a elocubração e a panacéia reformista.
    No Brasil, falar em reformas virou chavão repetitivo e desgastado que recrudesce em cada momento onde se pretenda repensar o Estado nacional, em especial nos momentos e debates pré-eleitorais.
    O cenário atual em nada distoa disto, pois os programas de governo estão sendo elaborados e como diz o professor José Pastore: “Ano eleitoral é sempre tempo de muito ilusionismo. Promete-se tudo o que os eleitores querem ouvir”.
    É óbvio que, com a faixa presidencial no peito e a caneta na mão, os novos mandatários, a cada início de governo apresentam suas “inovadoras” propostas, algumas tão requentadas que até o mais humilde e desinformado cidadão afirma que “este filme já vi”.
    Há inúmeras pressões partidárias, além das oriundas dos financiadores de campanha que sempre exigem comprometimento com algumas teses, auscultadas entre seus segmentos.
    O cardápio reformista é amplo. A reforma trabalhista, defendida por 55% de entrevistados em pesquisa recente da consultoria MCI, é entendida como essencial “para o progresso do Brasil”. Com a aplicação de diversas medidas, pretende-se reduzir o custo da contratação de mão-de-obra.
    O que não se sabe ainda se às custas da queda de contribuições e tributos incidentes sobre a folha de salários (o que dificilmente encontrará guarida nos guardiões dos cofres públicos) ou do corte de direitos e vantagens dos trabalhadores (o que revoltará as centrais sindicais e os trabalhadores em geral).
    Na alardeada reforma do paquiderme tributário nacional, cantada em prosa e verso há algumas décadas, uma das propostas mais singelas pretende a redução de um ponto percentual da carga tributária ao ano, até chegar ao patamar de 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas há diversos outros projetos que passam pelo Imposto sobre Valor Agregado, unificação de impostos, etc. A briga maior é entre os entes federativos (União, Estados, Municípios), temerosos de perder substância arrecadatória.
    Na reforma previdenciária, com mais apelo midiático, já começam a aumentar os alardes de rombos e insuficiências financeiras dos sistemas de aposentadoria e pensão de trabalhadores privados e públicos. Enquanto que para estes pretendem estabelecer uma idade mínima, sem que haja consenso sobre qual patamar etário, para aqueles a complementariedade por ocasião do jubilamento segue em pauta.
    No leque, ainda se fala em reforma fiscal, sindical, agrária. E por aí vai a panacéia reformista, como se com todas estas mudanças a vida dos cidadãos em geral possa ser modificada e melhorada. Muito pelo contrário, a maioria das mudanças em debate é sempre restritiva, redutora de direitos e vantagens ao trabalhador, à trabalhadora e à sociedade em geral. Na hora de votar temos que refletir sobre isto. O momento se aproxima.
    ………………….
    (*) jornalista, auditor fiscal da RFB, diretor de Direitos Sociais e Imprensa Livre da Associação Riograndense de Imprensa, da Fundação Anfip de Estudos da Seguridade Social e presidente do Sindifisco Nacional em Porto Alegre. vilsonromero@yahoo.com.br – 51-91992266

  • SMOV diz que reforma do tunel começa em agosto

    Segundo a assessoria de imprensa da SMOV, a reforma do túnel Conceição vai mesmo começar na primeira quinzena de agosto, embora a data certa ainda não esteja marcada.
    Vai depender do prefeito José Fortunatti, que pretende reunir a imprensa para divulgar os detalhes da obra, a maior desde que foi construído o túnel, há 40 anos.
    Na EPTC, no entanto, a possibilidade de adiamento não foi descartada, embora todas as obras preparatórias já estejam concluídas.
    “Pelo que sabemos, o prefeito pretende fazer o anúncio nos próximos dias, mas ainda se discute se o momento é o mais oportuno”, disse uma fonte.
    A reforma será executada pela EPT Engenharia, empresa com sede em São Paulo, que venceu a licitação e já assinou o contrato com a Secretaria de Obras.
    O custo da obra está estimado em R$ 2,6 milhões e sua conclusão pode demorar até 18 meses dependendo de diversos fatores, inclusive as chuvas.
    A reforma exigirá a interdição parcial do túnel e terá impacto em regiões de grande movimento, como o entorno da Rodoviária, o complexo Santa Casa, a UFRGS e parte do centro.
    A necessidade da reforma foi apontada há dez anos, quando uma inspeção técnica detectou problemas na estrutura de concreto do túnel.

  • Reforma do túnel pode ficar para depois da eleição

    O motivo certamente não será declarado, mas a reforma do Túnel da Conceição pode ser adiada para depois das eleições. A necessidade de reparos foi apontada há dez anos numa inspeção que constatou problemas graves na estrutura do túnel.
    A obra deve durar mais de um ano e vai causar grandes transtornos numa das regiões mais movimentadas de Porto Alegre, com implicações no trânsito de todo o centro da cidade.
    O plano da reforma, inclusive com as mudanças no trânsito, está pronto e já foi apresentado ao prefeito José Fortunatti no mes de junho. A previsão inicial era dar a partida nas obras em agosto.
    Mas agora ninguém sabe informar. Na Secretaria de Obras e na EPTC os assessores informam que depende do prefeito. Na assessoria do gabinete, informa-se que “ainda não há data marcada”.
    Em reunião nesta quarta-feira, 15, os conselheiros do Forum Regional de Planejamento 1 (RP1) convidaram representantes da SMOV e da EPTC para esclarecimentos. Mas ninguém compareceu e nem foi dada qualquer explicação.
    Será a maior reforma em 40 anos, desde a construção do túnel e das elevadas que desafogaram o centro. Vai custar R$ 2,6 milhões.
    As mudanças temporárias atingirão todo o sistema viário nas imediações da Estação Rodoviária, da Santa Casa e no bairro Bom Fim, que será o mais atingido.
    Está tudo preparado e a EPTC inclusive já executou algumas obras necessárias para as mudanças no trânsito.