Tag: imprensa

  • Campanha tenta estancar crise dos jornais

    A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lançou uma campanha de valorização do jornal como veículo de informações e anúncios.
    A ideia em si, de uma campanha de marketing, para fazer frente à grave crise que atinge os jornais com a perda compulsiva de leitores e anunciantes, já revela o equívoco.
    As primeiras peças que começaram a ser veiculadas nos jornais na quinta feira, 21, não deixam dúvida.
    A ANJ acredita que o jornal ainda é o centro do universo informativo e que se souber valorizar isso pode ser beneficiado com as novas mídias. Como? Com uma campanha mostrando para as pessoas como o jornal é importante na vida delas.
    Ou seja, a ANJ faz questão de continuar ignorando que jornal vem se tornando irrelevante para as pessoas desde muito antes da internet.
    A crise, na base de tudo, é de um modelo de jornal sustentado pelos anunciantes que chegou ao seu esgotamento, com a crescente submissão do noticiário aos interesses do anunciante, em detrimento do leitor.
    A necessidade de controles estritos levou a uma hierarquia rígida e a uma homogenização das redações. Jornalistas confiáveis, que não ficam furungando assuntos inconvenientes, têm ascensão garantida.
    E o resultado é que os jornais cheiram mal nas bancas, de tão velhos. A profundidade de suas matérias e opiniões é tal que, como diria Nelson Rodrigues, “uma formiguinha atravessa com a água pela canela”.
    A “imprensa nanica” já escancarou esse quadro na década de 1970, mas os jornalões contaram com a obsequiosa colaboração do regime militar para esmagar aquela semente de jornalismo independente, que se esgueirava pelas frinchas da ditadura e entre os dedos de uma imprensa acomodada.
    A docilidade foi bem recompensada e seguiu-se um longo e generoso ciclo de crescimento para os grupos escolhidos. Esse é o ciclo que chega ao fim.
    Se há chance para os jornais, ela exige uma revolução de método, na maneira de apurar e transmitir a informação, na organização das redações, para chegar a um novo conteúdo.
    Sem isso, que só seria possível dentro de outro “modelo de negócio”, as campanhas de marketing têm o efeito de um esparadrapo num talho infeccionado. (E.B)

  • Portal Terra demite a Redação de Porto Alegre

    Em meio à crise da RBS, onde avançam as demissões, os jornalistas gaúchos perderam hoje mais uma possibilidade de trabalho. O portal Terra demitiu hoje toda a redação da Capital: 15 jornalistas.
    O anúncio foi feito hoje pelo site Coletiva.net, especializado no mercado de comunicação. Em todo o Brasil, os desligamentos, em diversas áreas, devem atingir 140 funcionários, sendo cerca de 60 deles profissionais de imprensa.
    Na capital gaúcha, um jornalista não foi demitido, porque está em licença médica. Também foram mantidos dois profissionais em cargos de editor de capa, que atuam de forma integrada à redação de São Paulo, e um chefe de reportagem.
    Os funcionários foram informados de que a operação não estava alcançando o resultado esperado e que as dispensas eram necessárias para adequação de estrutura e recursos da empresa, que passa por pressões de mercado e de acionistas.
    Até o momento, em sua única manifestação oficial, o portal afirma: “Visando adequar a estrutura e recursos da empresa, o Terra alinhou suas unidades de negócios e fez uma reestruturação em todas as áreas. O Terra agradece os seus colaboradores por toda sua dedicação e trabalho”.

  • Demissões na RBS: a ponta do iceberg (2)

    Reconheço que a metáfora é gasta e, talvez, exagerada: a midia nativa, como um Titanic em rota de colisão com um iceberg, do qual se vê apenas uma ponta, à flor d’água.
    Insisto, porém, já que uma metáfora não é uma verdade, mas um artifício, uma redução, uma tentativa, às vezes forçada, de síntese.
    No caso, a dita “mídia nativa”, expressão cunhada por Mino Carta, é um pequeno e poderoso grupo de corporações empresariais (meia dúzia, não mais) que ainda controlam a produção e distribuição de informações no Brasil.
    No conjunto e na aparência formam um reluzente e bem-sucedido setor empresarial com influência sobre todos os níveis da vida nacional.
    Inabaláveis, se atentarmos para a maneira como se comportam e como acham que podem dispor dos fatos para favorecer seus pontos de vista e seus interesses.
    Na realidade são o quê? Um corpo balofo, cevado no autoritarismo, que não consegue esconder seu mal estar com a nova realidade da democracia.
    Fizeram a “mala” puxando o saco dos militares, enquanto eles estavam no poder e podiam lhes garantir benefícios incalculáveis.
    Agora, são remanescentes de uma ordem arcaica que o pais rejeitou.
    Claro, ainda continuarão mantendo a pose por algum tempo. A orquestra continua tocando e ainda ha muito uisque a bordo.
    Mas o iceberg da realidade é incontornável.

  • Demissões na RBS: a ponta do iceberg

    O que apareceu até agora das mudanças na RBS é a face mais visível de um plano estratégico, que não é coisa da cabeça do Duda Melzer.
    Ele mesmo diz, em sua desastrada nota, que foi trabalho de um ano.
    Com certeza, envolveu toda a cúpula da empresa e teve a influência de altas e renomadas consultorias externas.
    As demissões, que não devem se limitar às 130 já anunciadas, apenas revelam o aspecto mais agressivo, mais impactante do processo. Não o essencial, certamente.
    “Otimizar custos” é o sentido claro do corte de pessoal. Centralizar a produção de certos conteúdos, comuns aos diversos jornais impressos, como foi anunciado, é o caminho óbvio nessas circunstâncias.
    Nada disso, porém, toca no essencial. São paliativos ante a questão central para a qual eles não têm resposta: como manter a hegemonia num “mercado” que se altera rápida e inevitavelmente.
    Em seu diagnóstico,  cita-se apenas a internet como o agente das mudanças, o responsável pelos “novos hábitos de consumir de mídia”, como diz Duda Melzer.
    O buraco é mais em cima. Não é só a tecnologia que determina as mudanças.
    Há uma sociedade cuja qualidade política se altera, há um processo de organização e participação que avança na contra-mão dessa dominação dos meios informativos.
    As grandes corporações de mídia não estão perdendo terreno porque fazem mal o que fazem (embora isso também seja verdadeiro, quando se trata de jornalismo).
    A questão é que essas gigantescas e esclerosadas estruturas não dão mais conta das novas demandas por informação e diversidade que a sociedade hoje apresenta.
    Esse jornalismo faccioso, sustentado por grandes anunciantes, não engana mais ninguém. Não adianta mudar de plataforma.
    A crise na RBS é a ponta de um iceberg rumo ao qual navega impávido o Titanic de toda a dita “mídia nativa”, cevada na ditadura.

  • Entre os demitidos no Grupo RBS, 40 são jornalistas

    Corte de profissionais resultou em enxugamento de equipes e fechamento de sucursais
    Nesta semana, pela primeira vez em sua história, o Grupo RBS anunciou, com 48 horas de antecedência, que promoveria mais de uma centena de demissões. Os cortes foram feitos nesta quarta-feira, 6, e, junto com o clima de apreensão entre os profissionais, trouxeram mudanças em veículos, como o fechamento de sucursais de Zero Hora e o enxugamento de equipes em jornais menores. Das cerca de 130 demissões realizadas, 40 foram de jornalistas, segundo informação da diretora de Comunicação Corporativa da organização, Anik Suzuki. Conforme apurado por Coletiva.net, os demais desligamentos atingiram equipes de jornaleiros, que perdeu 45 profissionais, e da área administrativa, tanto na Capital como no interior do Estado e em Santa Catarina.
    Entre os profissionais que deixaram o grupo estão Klécio Santos, editor-chefe da sucursal em Brasília; Alexandre Bach, que atuava como editor-chefe do Diário Gaúcho; André Feltes, editor de Fotografia do jornal; Clever Moreira, editor de Cidades do Pioneiro; Sérgio Negrão e André Pinheiro, editor-chefe e editor assistente do jornal Hora de Santa Catarina; Sicilia Vechi, editora de Geral do Diário Catarinense; e o gerente executivo das rádios de Santa Catarina, Gabriel Fiori. Demissões também ocorreram nas áreas de reportagem e arte de veículos como A Notícia e Jornal de Santa Catarina.
    Na redação de Zero Hora, os cortes foram reduzidos, uma vez que já vinham acontecendo quase que semanalmente havia meses. O alerta para um movimento maior, no entanto, veio em meados de julho, com as demissões de Ricardo Stefanelli, que estava como diretor de Redação do Diário Catarinense, e de Eduardo Gerchmann, que era diretor Comercial. A partir de então, ganharam força informações de que uma série de dispensas estaria por ocorrer, podendo atingir um expressivo percentual na área de jornais do grupo. Em seguida, também foram confirmados os desligamentos do gerente executivo e do coordenador de produto da Tvcom, Marco Gomes e José Pedro Villalobos, respectivamente, e de produção e reportagem, como Karina Chaves, Maysa Bonissoni e Daniela Azeredo.
    A empresa também deve anunciar nos próximos dias alterações em sua diretoria executiva, com a confirmação da ida de Marcelo Rech, diretor executivo de Jornalismo, para Brasília. Ele deve concentrar os postos até então exercidos por Alexandre Kruel Jobim, vice-presidente Jurídico e de Relações Governamentais, que deixa o grupo, e Klécio Santos. É provável que o atual cargo de Rech seja extinto e que algumas de suas atribuições passem a Marta Gleich, que recentemente passou de diretora de Redação de Zero Hora a diretora de Redação dos Jornais do Grupo RBS.
    (Coletiva.net)

  • Cortes na RBS podem chegar a 250

    Este texto resume diversas conversas com jornalistas da RBS que, por razões óbvias, preferem não ser identificados:

    1.  A crise na RBS começou a dar sinais mais evidentes há um mês, com movimentos internos que mostravam aos editores e repórteres que se formava uma tormenta no horizonte.
    2.  Decisões que eram vendidas externamente como cases de sucesso, internamente viravam pesadelos empresariais. O melhor exemplo é o da TV Rural. Começou mal, com uma turbulenta negociação com Nizan Guanaes, e acabou ainda pior, sendo vendida a preço de banana para a Friboi do Joesley Batista, hoje mais conhecido como o marido da Ticiana Villas Boas.
    3.  A atual leva de demissões, 130 agora, terá uma segunda onda, de mais 120 em novembro. O número mágico de 250 degolas é o patamar estabelecido pelos mestres da tesoura da RBS, que precisam fazer caixa. Quedas de tiragem nos jornais do grupo, incluindo ZH e Diário Gaúcho, recomendam as demissões.
    4.  A degola só não chegou a 250, agora, por conta das eleições. Era preciso mão-de-obra agora para enfrentar os desafios de uma campanha pesada. Fechadas as urnas, mais 120 serão sacrificados. Ordens da matemática financeira.
    5.  A ordem para economizar centrou fogo no time de executivos, funcionários que, além dos altos salários, acumulavam bônus de rendimento ou gratificações que chegavam a 5 ou 10 salários extras no ano. Como a ideia é fazer caixa, mandaram fogo nos caixa-alta.
    6.  A demissão dos dois comandantes de dois jornais importantes, Alexandre Bach (Diário Gaúcho) e Ricardo Stefanelli (Diário Catarinense) confirmam esta orientação.
    7.  O corte dos dois cargos maiores da mais importante sucursal da RBS – o diretor corporativo Alexandre Kruel Jobim, filho de Nelson Jobim, e Klécio Santos, editor-chefe da empresa – reforça a informação.
    8.  Além da economia com os dois executivos de Brasília, a RBS vai economizar com a remoção de Porto Alegre do diretor de Jornalismo, Marcelo Rech, que ocupou a vaga de Augusto Nunes na direção da redação quando o paulista deixou o jornal.
    9.  Rech deve assumir, em Brasilia, a dupla função de Jobim e Klécio.
    10.  O Diário Gaúcho, que já trabalhava no osso com apenas 20 jornalistas na redação, agora ficará reduzido a 12.
    11.  O nome em ascensão na empresa é o de Fábio Bruggioni, que comanda a louvada e.Bricks, decantada por Duda em sua nota de Pandora como a saída de futuro para a RBS.
    12.  Na nova ordem, ganha força a atual diretora de redação, Marta Gleich, que agora paira sobre o Diário Gaúcho e o Diário Catarinense. Os editores de ZH suspeitam que o desenho da degola foi rascunhado por Marta e seu marido, Cézar Freitas, homem forte da RBS TV e que está voltando para a rádio Gaúcha, uma das poucas unidades que dá lucro na organização.
    13.  Os cortes só não foram maiores na base, na redação, porque os salários já são muito baixos, por volta de R$ 2 mil em Porto Alegre.
    14.  O clima na RBS é de estarrecimento, com a fórmula desastrada para anunciar os cortes. Uma vídeo-conferência e uma nota oficial anunciando na segunda-feira o corte iminente de 130 postos para a quarta-feira. Criou-se um clima de terror durante 48 horas sobre uma comunidade de 6 mil pessoas, desinformadas sobre quem seria ou não demitido.
    15.  Na vídeo-conferência, Duda chegou a responder perguntas anônimas. Uma delas indagava porque a comida nos restaurantes da casa era “ruim e fria”, arrancando gargalhadas em meio à tensão.
    16.  Num certo momento, traindo a irritação, Duda reclamou dos boatos que infestavam a RBS pela ‘rádio corredor’, que sempre entra no ar em momentos de crise: “Isso não monetiza nada”, reclamou.
    17.  No embalo da insensibilidade, Duda misturou o drama das demissões com os mirabolantes projetos do futuro, incluindo as estimativas otimistas sobre os negócios de vinho e cerveja, pouco comuns a empresas de comunicação. “Espero que vocês se tornem sócios da Wine”, conclamou Duda, sem qualquer senso de oportunidade, tentando vender ações da empresa a pessoas atormentadas pela demissão iminente.
    18.  Para culminar, a nota oficial do presidente-executivo do grupo e vídeo-conferencista  Eduardo Sirotsky Melzer era assinada informalmente por ‘Duda’, com um sentido íntimo e fofo que não cabe num documento assustador.
    19.  O vexame de comunicação da RBS, ao anunciar de forma tão desastrada seus ajustes financeiros e seu drama trabalhista, quebra a imagem nacional do grupo como uma empresa modelar, moderna, pujante, inovadora. Num único dia, a alta direção da RBS escancarou sua fragilidade, sua desorientação estratégica e sua desumana política trabalhista.
    20.  As demissões de hoje e de novembro próximo lançam uma sombra sobre o futuro do maior grupo de comunicação do sul do país.
  • RBS "desapega" do jornalismo para continuar crescendo

    O presidente da RBS, Eduardo Melzer, está certo: mudar não é opcional, é questão de sobrevivência para os grupos empresariais que têm origem nos meios tradicionais de comunicação – rádio, tevê e jornal.

    Ante as “transformações radicais” provocadas pela internet, os meios precisam se reinventar, sem dúvida.

    As dúvidas começam quando se tenta ver os rumos da mudança, que envolve a maior empresa de comunicação do Sul do país

    Em sua carta aos funcionários, Melzer menciona “os ajustes que precisam ser feitos para continuarmos crescendo”. Aí estaria incluida a demissão de 130 funcionários, “principalmente da operação dos jornais”.  Se a maioria forem jornalistas, como se diz, sinaliza uma direção.

    Melzer diz, com razão, que “os modelos tradicionais estão altamente desafiados”. Não diz, mas se presume: os jornais impressos, mais que tudo.

    Por outro lado, há um “mundo novo” conformado pelo  “avanço tecnológico e a forma de consumir mídia” quenunca geraram tantas oportunidades e tanta abertura para a inovação”.

    Como o grupo vai enfrentar a crise anunciada dos jornais? A medida concreta é o corte de custos. O jornal Zero Hora passou por uma reforma radical recentemente, mudou até o nome para ZH. Graficamente, ficou mais limpo, mais simétrico, mas com menos espaço para as notícias (a coluna política foi reduzida em quase um terço).

    A prometida qualificação do conteúdo não ocorreu, a não ser pontualmente. O grau de independência aos interesses comerciais e políticos também não aumentou.

    Embora proclame diariamente nos editoriais sua disposição para a imparcialidade, o noticiário é usualmente engajado.

    A reforma da Zero Hora começa agora a ser replicada em outros jornais do grupo “Nesta quarta-feira, 6,  Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina entram também nessa nova fase”. O grupo tem dez títulos impressos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O que não é dito: a crise do jornalismo impresso não decorre só da internet.  É mais ampla: é também a crise de um modelo de negócio, em que o jornalismo é sustentado pela publicidade. Desfazer-se do papel, não vai alterar o desgaste desse tipo de jornalismo num universo em que a palavra vai ser: credibilidade. E na televisão, onde a RBS é lider inconteste há décadas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina?  “Teremos nesse ano as 18 emissoras com equipamentos totalmente renovados e tecnologia de última geração, cobrindo com sinal digital o Rio Grande do Sul e Santa Catarina antes do prazo determinado pelo governo federal”. E no rádio, origem do grupo? “Em rádio, nosso alcance cresceu com o lançamento da Gaúcha Serra, da Gaúcha Santa Maria e da Gaúcha Zona Sul. O rádio também tem feito um excelente trabalho na internet”. Melzer faz profissão de fé “no jornalismo de qualidade, na comunicação e no desejo cada vez maior por conteúdo de entretenimento diferenciado”. A decisão, diz ele,  é “investir em atividades e negócios que geram resultados positivos e deixando de fazer o que não agrega para nossa empresa e para o mercado”.

    Melzer faz questão de dizer que a RBS “não passa por uma crise financeira”. Os investimentos visam um “redesenho da nossa operação”, buscando “velocidade e despreendimento”, qualidades que nem sempre favorecem o jornalismo de qualidade. Provavelmente favorecem o “conteúdo de entretenimento diferenciado”.

    As decisões não são impensadas, obviamente. Há um ano o grupo analisa e propõe caminhos para seus “negócios e atividades”, segundo diz Melzer. “Eu me envolvi pessoalmente nesse processo. A partir do que vimos, fizemos investimentos importantes que ajudam a deixar clara a nossa crença no negócio”.

    A opção é explícita: “Dobramos as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicamos os investimentos nesta área. Até o fim do ano, só no Tecnopuc, em Porto Alegre, teremos quase 100 profissionais trabalhando exclusivamente na criação de soluções digitais para nossos produtos, em especial para os jornais”.

    A e.Bricks, lançada em São Paulo há três anos, marcou a aposta da RBS no negócio digital: “Lançamos o Early Stage, um fundo para impulsionar ideias em tecnologia – um negócio contemporâneo que atrai empreendedores em busca de parceria para crescer. O fundo deve chegar ao final do ano com 16 empresas no portfólio”.

    Através da e.Bricks, opera a Wine, “que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional”.

    Muitos funcionários da RBS são sócios da Wine, “agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo”.

    Segundo Melzer, “dois exemplos de inovação e empreendedorismo que marcam a nossa gestão” são: 1) O HypermindR, um centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que vai desenvolver softwares para medir hábitos do consumidor. E o segundo diz respeito ao nosso modelo de gestão de pessoas, baseado na meritocracia. As ferramentas que desenvolvemos para dar mais transparência aos planos de carreira tornaram-se benchmark para muitas empresas e agora serão disponibilizadas ao mercado através da Appus, um negócio que nasceu aqui, dentro do RH”.

    ,Segundo Melzer a situação exige “coragem, energia e desapego para deixar de fazer coisas que não agregam e investir no que pode nos fazer crescer”. 

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  • RBS anuncia 130 demissões

    O presidente da RBS, Duda Melzer, enviou aos funcionários na tarde desta segunda-feira a seguinte carta:
    Caros colegas,
    Escrevo para reforçar a mensagem que compartilhei com vocês nesta segunda-feira, em videoconferência, e para detalhar minha visão em relação ao futuro da nossa empresa, pois quero manter entre nós um ambiente de clareza e transparência.
    As transformações radicais e a velocidade impressionante pelas quais a indústria da comunicação tem passado exigem energia e dedicação para entender o momento e também coragem para promover os ajustes que precisam ser feitos para continuarmos crescendo.
    Mudar não é opcional. É vital para o nosso projeto empresarial.
    O cenário atual apresenta realidades paradoxais. Por um lado, os modelos tradicionais estão altamente desafiados. Por outro, o avanço tecnológico e a forma de consumir mídia nunca geraram tantas oportunidades e tanta abertura para a inovação como nos dias de hoje. Aquelas empresas que têm a coragem de se posicionar no mundo novo sairão fortalecidas.
    Nesse sentido, acredito muito na relevância dos nossos produtos, no jornalismo de qualidade, na comunicação e no desejo cada vez maior por conteúdo de entretenimento diferenciado. As necessidades continuarão existindo. O que muda é a forma como serão atendidas. Se queremos continuar crescendo temos de nos reinventar imediatamente, investindo em atividades e negócios que geram resultados positivos e deixando de fazer o que não agrega para nossa empresa e para o mercado.
    Quero convidar todos vocês a romper paradigmas, quebrar barreiras e colocar a RBS cada vez mais no grupo das empresas vencedoras, daquelas empresas que constroem oportunidades de mercado para se posicionar e conquistar a liderança.
    Teremos uma semana intensa pela frente, pois na quarta-feira faremos cerca de 130 demissões, de um universo de 6 mil pessoas, com o objetivo de buscar produtividade e maior eficiência. São cortes que precisam acontecer, principalmente na operação dos jornais. Não estou de forma alguma insensível ao impacto que demissões geram na vida das pessoas e da própria empresa, porém acredito que tanto os profissionais quanto as empresas precisam repensar o modo como atuam.
    O Grupo RBS emprega milhares de pessoas. Não promover mudanças seria uma irresponsabilidade com estes profissionais, um erro com todos vocês, além de um descaso com nossos clientes e com o nosso projeto de futuro, que já está em andamento.
    É importante destacar que a RBS não passa por uma crise financeira. Ao contrário. Estamos investindo e redesenhando a nossa operação, buscando velocidade e desprendimento que são vitais para a preservação do nosso projeto empresarial.
    Fizemos, nos últimos 12 meses, uma análise muito detalhada de todos os nossos negócios e atividades. Eu me envolvi pessoalmente nesse processo. A partir do que vimos, fizemos investimentos importantes que ajudam a deixar clara a nossa crença no negócio.
    Dobramos as equipes dedicadas ao digital, tanto nas redações quanto no Tecnopuc, e triplicamos os investimentos nesta área. Até o fim do ano, só no Tecnopuc, em Porto Alegre, teremos quase 100 profissionais trabalhando exclusivamente na criação de soluções digitais para nossos produtos, em especial para os jornais.
    Os 50 anos de Zero Hora marcaram o início de uma grande renovação do jornal, que agora começa a ser replicada em outros veículos. Inovamos na organização do conteúdo e criamos novos espaços para fortalecer o vínculo com o leitor. A partir de amanhã, Diário Catarinense, A Notícia e Jornal de Santa Catarina entram também nessa nova fase.
    Na TV, teremos nesse ano as 18 emissoras com equipamentos totalmente renovados e tecnologia de última geração, cobrindo com sinal digital o Rio Grande do Sul e Santa Catarina antes do prazo determinado pelo governo federal.
    Em rádio, nosso alcance cresceu com o lançamento da Gaúcha Serra, da Gaúcha Santa Maria e da Gaúcha Zona Sul. O rádio também tem feito um excelente trabalho na internet.
    Na e.Bricks, nossa empresa digital criada há três anos em São Paulo, lançamos o Early Stage, um fundo para impulsionar ideias em tecnologia – um negócio contemporâneo que atrai empreendedores em busca de parceria para crescer. O fundo deve chegar ao final do ano com 16 empresas no portfólio.
    Também na e.Bricks, ampliamos a operação da Wine, que já é a maior empresa de vinhos online do mundo, tanto que estamos agora preparando sua entrada no mercado internacional. E muitos de vocês que já são sócios da Wine agora poderão também ser da Have a Nice Beer, o maior clube online de cervejas da América Latina, que está vindo para o Grupo.
    Gostaria ainda de citar dois exemplos de inovação e empreendedorismo que marcam a nossa gestão. O primeiro é o HypermindR, um centro de pesquisa no Rio de Janeiro, que vai desenvolver softwares para medir hábitos do consumidor. E o segundo diz respeito ao nosso modelo de gestão de pessoas, baseado na meritocracia. As ferramentas que desenvolvemos para dar mais transparência aos planos de carreira tornaram-se benchmark para muitas empresas e agora serão disponibilizadas ao mercado através da Appus, um negócio que nasceu aqui, dentro do RH.
    Temos apoio dos acionistas nas nossas decisões e temos também pessoas qualificadas e comprometidas, recursos financeiros, solidez de caixa, coragem, energia e desapego para deixar de fazer coisas que não agregam e investir no que pode nos fazer crescer.
    Na próxima sexta-feira, vou apresentar aos líderes da empresa a Carta Diretriz, um documento que reforça na RBS princípios como simplicidade, produtividade e eficiência, qualidade, inovação, crescimento sustentável e meritocracia. Tenho dito que somos uma empresa em beta. Isso significa que nosso processo de transformação será contínuo e permanente.
    Como presidente, tenho compromisso com os acionistas, com a história da nossa empresa, com o nosso público e os nossos clientes.
    Estou motivado, principalmente, pela grande confiança que tenho no trabalho e no comprometimento de cada um de vocês.
    Vamos em frente!
    Duda

  • Comissão da Verdade: militares alegam "erro histórico" para não falar

    A imprensa teve que sair a pedido dos depoentes, mesmo assim eles não responderam nenhuma da perguntas dos membros da Comissão Nacional da Verdade.
    Seriam ouvidos o general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira e os capitães Jacy e Jurandyr Ochsendorf, todos defendidos pelo advogado Rodrigo Roca, que orientou seus clientes a ficarem em silêncio.
    “A questão não é colaborar, nem se defender. É evitar que erros históricos se repitam e acabem virando uma verdade”, disse o advogado, afirmando que a comissão foi induzida a um “erro histórico” ao divulgar uma foto do acidente em que morreu a estilista Zuzu Angel, na qual aparece o coronel Freddie Perdigão.
    A imagem foi entregue à CNV pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Claudio Guerra. “Com esse engano, causou-se um transtorno muito grande, acredito eu, para os parentes e para os companheiros de farda [do coronel Perdigão]. Quem declarou isso a Vossa Excelência, ou se enganou, ou te enganou, que é pior ainda”, disse o advogado ao coordenador da CNV, Pedro Dallari.
    Dallari classificou a justificativa de incoerente: “Se há erro, o erro só pode ser corrigido com depoimentos, com elementos e com documentos. Não com silêncio. A declaração de que [o convocado ou convidado]  não vai se manifestar sobre um assunto não ajuda na investigação”, disse Dallari. Ele ressaltou que a foto do acidente foi recebida de uma testemunha de grande credibilidade, que participou ativamente dos eventos. “Não podemos aceitar que haja contestação das informações por quem se nega a prestar depoimento, porque aí seria uma inversão da própria lógica do processo de investigação.”
    Apesar de lamentar, o coordenador da comissão, no entanto, minimizou: “É claro que, para a CNV, seria muito importante que houvesse mais colaboração, mas eu diria que já temos elementos suficientes. A fala deles era importante do ponto de vista do direito de defesa, de eles poderem apresentar a sua versão dos fatos. Para mim, essa estratégia pode fazer sentido juridicamente, embora, do ponto de vista da imagem, seja péssima, porque quem fala que não tem nada a declarar em geral é quem é culpado. Se eles fossem inocentes, apresentariam a sua versão dos fatos.”
    O general Nilton Cerqueira comandava a Polícia Militar do Rio de Janeiro na época do atentado do Riocentro, em 1981, e há um ofício em seu nome que pede a retirada do policiamento no dia doshow em que ocorreria o atentado. Em outra audiência pública sobre o caso, a CNV apontou essa estratégia como uma das formas de contribuir com o clima de terror no episódio, em que a bomba acabou explodindo no carro com os militares dentro. A participação de Nilton também é apontada no Araguaia e na Operação Pajuçara, em que foi morto o líder militante Carlos Lamarca, na Bahia. “Ele esteve relacionado diretamente a esses eventos. É protagonista de eventos dramáticos da história do Brasil”.
    Mais de dez perguntas foram feitas a Nilton, e nenhuma foi respondida. De acordo com a advogada Rosa Cardoso, integrante da CNV, ele disse apenas que pediu para os jornalista deixarem o salão porque “a imprensa distorce tudo” e afirmou “que era um absurdo a comissão investigar o fato 30 anos depois”.

    jurandir
    Jurandyr Ochsendorf |Tânia Rêgo/Agência Brasil)

    Os irmãos Jacy e Jurandyr são apontados como participantes da farsa montada para sustentar a versão de que o deputado Rubens Paiva foi resgatado por guerrilheiros e fugiu, encobrindo o fato de ter sido torturado e morto.
    “Estavam vinculados ao DOI-Codi e participaram diretamente da operação de simulação da fuga de Rubens Paiva. Depois, a comissão apurou que Rubens Paiva não fugiu, foi executado no DOI-Codi, e o que se fez foi forjar a fuga do parlamentar. Os capitães Jacy e Jurandyr tiveram participação direta no evento, como foi relatado por um colega deles.”
    Antes do depoimento de Jurandyr, membros da CNV chegaram a insistir que ele falasse, e, se não fosse falar, que a imprensa pudesse acompanhar  as perguntas. Em resposta, o militar respondeu apenas que “permaneceria calado” e que “preferia a ausência da imprensa”.
    O jurista João Paulo Cavalcanti Filho, que pediu a permanência da imprensa, classificou a posição de uma “deselegância”, já que os jornalistas tiveram que sair do salão no início de cada depoimento. Cinegrafistas e fotógrafos foram impedidos pela segurança pela Polícia Federal de fazer imagens do embarque dos dois últimos depoentes, Jacy e Jurandyr, em carros no pátio interno do Arquivo Nacional.
    Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil     Edição: Nádia Franco

  • Imprensa: lição da Copa não serviu para nada

    A reunião do BRICS esta semana, em Fortaleza, serviu para mais uma demonstração da grave crise que vive a imprensa monopolista brasileira.
    A cobertura foi pífia, as análises medíocres, preconceituosas e orquestradas. Todos disseram praticamente a mesma coisa.
    O banco, criado pelo Brasil, China, India e África do Sul, como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial (dominados pelos Estados Unidos), não passa de “uma ilusão de emergentes”.
    Os 32 acordos comerciais que a presidente Dilma Rousseff assinou com o presidente chinês, que podem envolver negócios de 30 bilhões, são “manifestações de neo-colonialismo”.
    As manchetes dos principais jornais  preferiram destacar as pesquisas de intenção de voto a quatro meses da eleição, quando a campanha nem começou.
    Ou, então, os “números preocupantes da economia” que, na verdade, não trazem novidade nenhuma.
    A lição da Copa do Mundo, quando previu uma catástrofe e foi clamorosamente desmentida pela realidade, não serviu para nada.
    A imprensa brasileira segue desdenhando dos fatos, quando eles não se encaixam na sua maneira de pensar, no discurso pré-pronto que confunde o governo, do qual não gosta, com o país, pelo qual deveria ter mais respeito. (EB)