{"id":1001,"date":"2005-04-29T16:04:52","date_gmt":"2005-04-29T19:04:52","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=1001"},"modified":"2005-04-29T16:04:52","modified_gmt":"2005-04-29T19:04:52","slug":"relho-e-palmatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/relho-e-palmatoria\/","title":{"rendered":"Relho e Palmat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>O idioma nacional, que herdamos de Portugal compulsoriamente, sem direito de escolha, \u00e9 um milagre de sobreviv\u00eancia em raz\u00e3o dos assassinatos di\u00e1rios de que \u00e9 v\u00edtima. E a origem dos assassinos n\u00e3o est\u00e1 apenas nas camadas populares, que mal tiveram tempo para adentrar as salas de aula. Muita gente boa, que freq\u00fcentou a universidade e ostenta o diploma no lugar mais vis\u00edvel do escrit\u00f3rio, deve ser processada e julgada por assassinar diariamente o idioma nacional. Incluem-se no grupo de celerados at\u00e9 mesmo jornalistas de razo\u00e1vel prest\u00edgio, que escrevem mal, numa incompatibilidade visceral com a grafia e a gram\u00e1tica. Nem perco meu tempo referindo um grande n\u00famero de pol\u00edticos, eleitos com expressiva vota\u00e7\u00e3o, que jamais se arriscaram na travessia das p\u00e1ginas de um livro, com medo de cair de quatro e n\u00e3o levantar mais. A verdade \u00e9 que o idioma p\u00e1trio vive numa situa\u00e7\u00e3o da mais absoluta orfandade, sem que se note qualquer mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade para defend\u00ea-lo. A anarquia tomou conta do peda\u00e7o. S\u00f3 para que os amigos tenham uma id\u00e9ia. H\u00e1 poucos dias, faixa colocada na frente de uma loja na Azenha anunciava uma \u201cenchurrada de bons pre\u00e7os\u201d, assim mesmo como o amigo est\u00e1 lendo. E, ao que consta, ningu\u00e9m foi preso. Nem o celerado que pintou a faixa, nem o propriet\u00e1rio da loja que consentiu na exposi\u00e7\u00e3o daquela barbaridade. Uma enxurrada de inj\u00farias \u00e9 o que esses caras merecem. Explico porque o assunto est\u00e1 me cutucando com vara curta. \u00c9 que a Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros acaba de organizar um comit\u00ea, objetivando desencadear uma cruzada simplificadora da linguagem usada no cotidiano por ju\u00edzes, promotores e advogados. Nada contra. A linguagem rebuscada e o latin\u00f3rio que alguns profissionais da \u00e1rea do direito usam no trato com pessoas simples resulta da mais antip\u00e1tica ostenta\u00e7\u00e3o erudita, com a finalidade de humilhar nossos semelhantes iletrados. Mas eu gostaria de ver em a\u00e7\u00e3o grupos que se dispusessem a defender o idioma nacional da sanha dos seus agressores. E que esses grupos n\u00e3o ficassem confinados aos sal\u00f5es das academias e universidades. Que sa\u00edssem \u00e0s ruas, com relhos e palmat\u00f3rias, para castigar severamente a enxurrada de inimigos declarados do idioma nacional que, na fala cotidiana ou na escrita, praticam horrores p\u00e9rfidos, com o objetivo consciente ou inconsciente de fazer com que o finado Cam\u00f5es se revolva na tumba. S\u00f3 n\u00e3o me candidato para integrar ao menos um desses grupos porque minhas m\u00e3os n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia no uso do relho e da palmat\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O idioma nacional, que herdamos de Portugal compulsoriamente, sem direito de escolha, \u00e9 um milagre de sobreviv\u00eancia em raz\u00e3o dos assassinatos di\u00e1rios de que \u00e9 v\u00edtima. E a origem dos assassinos n\u00e3o est\u00e1 apenas nas camadas populares, que mal tiveram tempo para adentrar as salas de aula. 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