{"id":1033,"date":"2006-02-06T16:46:35","date_gmt":"2006-02-06T19:46:35","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=1033"},"modified":"2006-02-06T16:46:35","modified_gmt":"2006-02-06T19:46:35","slug":"por-que-o-hamas-venceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/por-que-o-hamas-venceu\/","title":{"rendered":"Por que o Hamas venceu?"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">M\u00e1rio Maestri*<\/p>\n<p align=\"justify\">\n\u00c9 dif\u00edcil imaginar algo pior para os governos de Israel e dos Estados Unidos do que o pronunciamento democr\u00e1tico da popula\u00e7\u00e3o palestina, nas elei\u00e7\u00f5es de 25 de janeiro, que conferiu 74 deputados para o Hamas e apenas 45 para o Fatah de Abu Abbas, num parlamento de 132 cadeiras. Para n\u00e3o falar da terceira coloca\u00e7\u00e3o da Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, intransigente defensora\u00a0 da luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o, de origem marxista.<\/p>\n<p align=\"justify\">O explosivo resultado eleitoral, que desmentiu igualmente as j\u00e1 habituais manipula\u00e7\u00f5es dos ibopes da vida [anunciou-se a vit\u00f3ria do Fatah por uns cinco pontos de diferen\u00e7a], desorganizou implacavelmente toda a pol\u00edtica de aniquilamento da resist\u00eancia palestina empreendida, nos \u00faltimos anos, com indiscut\u00edvel sucesso, pela administra\u00e7\u00e3o Bush, em estreita colabora\u00e7\u00e3o com o governo israelense e a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s o trauma causado ao mundo \u00e1rabe e \u00e0 Palestina pela invas\u00e3o anglo-estadunidense do Iraque, celebrada\u00a0 precipitadamente por Bush em primeiro de maio de 2003, a morte de Yasser Arafat, em 11 de novembro de 2004, certamente por envenenamento, constituiu o primeiro grande movimento da ambiciosa opera\u00e7\u00e3o. Como assinalou a m\u00eddia ocidental, quase festejando, a elimina\u00e7\u00e3o do velho lutador abria caminho para a entroniza\u00e7\u00e3o no Fatah e na OLP de dire\u00e7\u00e3o flex\u00edvel que permitisse a imposi\u00e7\u00e3o da paz israelo-estadunidense na regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Candidato do imperialismo<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O segundo passo da ambiciosa opera\u00e7\u00e3o foi a elei\u00e7\u00e3o de Abu Abbas, de 69 anos, antigo guerrilheiro ganho \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o, primeiro como dirigente do Fatah e, em 9 de janeiro de 2005, como presidente da Autoridade Nacional Palestina \u2013 ANP \u2013, o arremedo de governo permitido pelos israelenses aos palestinos sob ocupa\u00e7\u00e3o. Primeiro ministro em in\u00edcios de 2003, Abu Abbas renunciou por opor-se a Arafat. Com pouco prest\u00edgio entre os palestinos, foi um duro cr\u00edtico da segunda \u201cIntifada\u201d e defensor do fim dos ataques a Israel.<\/p>\n<p align=\"justify\">A elei\u00e7\u00e3o de Abu Abbas foi facilitada pelo seq\u00fcestro, em 2002, e condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua, a seguir, pelo Estado de Israel, do popular, carism\u00e1tico e combativo Marwan Barghuti, dirigente do Fatah na Cisjord\u00e2nia. Hoje com 46 anos, Barghuti foi um dos principais organizadores, em 1987-93, da primeira \u201cIntifada\u201d,\u00a0 a guerra dos Davids armados de pedras contra os Golias encerrados em blindados, e tem sido igualmente cr\u00edtico implac\u00e1vel da corrup\u00e7\u00e3o e dos excessos da\u00a0 ANP.<\/p>\n<p align=\"justify\">A terceira e \u00faltima etapa pol\u00edtica do ambicioso plano do imperialismo constitu\u00eda a vit\u00f3ria eleitoral total, nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 25 de janeiro, dos seguidores da Fatah de Abu Abbas. Para tal, manipulou-se vergonhosamente as listas de candidatos daquele movimento, marginalizando os nomes comprometidos com a resist\u00eancia e privilegiando aqueles que se esbaldavam na colabora\u00e7\u00e3o e no usufruto privado das escassas verbas cedidas pelos USA e pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia para financiar a ANP.<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #cc3333\"><strong>Reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas<br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Previa-se que, com o apoio do imperialismo e de Israel, senhor inconteste da ANP, o novo governo implementaria a repress\u00e3o daqueles que se opusessem a uma paz emasculada e ao abandono das reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas palestinas: liberdade dos milhares de prisioneiros pol\u00edticos; devolu\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios ocupados na guerra de 1967; direito de retorno das popula\u00e7\u00f5es expulsas pelas armas; independ\u00eancia do setor oriental de Jerusal\u00e9m; constitui\u00e7\u00e3o de Estado palestino soberano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em nome da paz, o governo palestino liderado por Abu Abbas aceitaria a constitui\u00e7\u00e3o de um Estado fantoche e desmiling\u00fcido, formado pela faixa de Gaza, rec\u00e9m-desocupada; por alguns enclaves territoriais na Cisjord\u00e2nia, cercados por possess\u00f5es israelenses, \u00e0 semelhan\u00e7a dos bantust\u00e3os do finado regime racista sul-africano. Em vez de uma na\u00e7\u00e3o palestina independente, um protetorado israelense, sem capital, sem unidade territorial, sem autonomia econ\u00f4mica, sem autoridade sobre suas pol\u00edticas, fronteiras, finan\u00e7as, ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esperava-se que a repress\u00e3o implac\u00e1vel das for\u00e7as que se opunham dentro e fora da OLP \u00e0 rendi\u00e7\u00e3o vergasse a disposi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o, criando as condi\u00e7\u00f5es para uma reorganiza\u00e7\u00e3o geral da sociedade e da economia palestina, sob o r\u00edgido controle de Israel. A nova realidade criaria base social palestina m\u00ednima para o sepultamento da luta hist\u00f3rica por territ\u00f3rios e Estado independentes.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Raio em c\u00e9u sereno<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A vit\u00f3ria do Hamas desorganizou sem piedade a trama urdida pela administra\u00e7\u00e3o Bush. Ela n\u00e3o foi, por\u00e9m, em nenhum caso, raio riscando inesperadamente um c\u00e9u sereno, como proposto pela grande m\u00eddia mundial. Nas semanas anteriores \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, prevendo a derrota, Abu Abbas procurou se servir das dificuldades impostas pelos israelenses \u00e0s elei\u00e7\u00f5es para retard\u00e1-las e obter mais tempo para impor seus candidatos.\u00a0 Dias antes do pleito, assustado com o avan\u00e7o eleitoral do Hamas, o governo de Israel permitiu que Barghuti, candidato da lista eleitoral do Fatah, fosse entrevistado na pris\u00e3o, para que desviasse votos do Hamas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar de todos os sinais, a administra\u00e7\u00e3o Bush exigiu o cumprimento dos prazos eleitorais, esperando conquistar, na Palestina, alguns dos muitos pontos que perdeu junto \u00e0 opini\u00e3o publica mundial e estadunidense, devido ao Iraque. A vit\u00f3ria do Abu Abbas e a repress\u00e3o da resist\u00eancia palestina por for\u00e7as palestinas mostrariam a corre\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es de cartas marcadas, de governos enfeudados ao imperialismo, como tem ocorrido, com mais ou menos sucesso, no Afeganist\u00e3o, no Iraque e ocorrer\u00e1, proximamente, no Haiti, com o apoio do governo brasileiro de Lula da Silva.<\/p>\n<p align=\"justify\">A popula\u00e7\u00e3o palestina desarmou inexoravelmente a trama ardilosamente tecida deslocando simplesmente grande parte do apoio que concedera ao Fatah, de Yasser Arafat, para o Hamas, de Ismail Haniya.\u00a0 Retirou, assim, sem complac\u00eancia, o apoio dado \u00e0 Abu Abbas, h\u00e1 um ano, devido a sua rendi\u00e7\u00e3o ao imperialismo e ao sionismo. Isolou e enfraqueceu profundamente o presidente palestino e seus aliados, ao colocar no cora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo governo organiza\u00e7\u00e3o execrada como terrorista pelo governo estadunidense, ao igual que o IRA, as FARC, o Hesbolah,\u00a0 etc.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 ledo engano definir os resultados eleitorais de 25 de janeiro como um simples deslocamento do apoio eleitoral da popula\u00e7\u00e3o, de uma administra\u00e7\u00e3o do Fatah, corrupta e incapaz, para um Hamas visto como \u00edntegro e competente. A popula\u00e7\u00e3o palestina \u00e9 uma das mais politizadas do Oriente M\u00e9dio. A corrup\u00e7\u00e3o, antiga realidade nas filas do Fatah, foi realidade minimizada pela popula\u00e7\u00e3o, enquanto segmentos do Fatah prosseguiam na luta e o velho combatente resistia, aos 75 anos, com as m\u00e3os j\u00e1 tr\u00eamulas, entrincheirado nos escombros de ex-pal\u00e1cio presidencial de Ramallah, cercado por tropas israelenses, como bandeira viva dos sofrimentos e da firmeza dos palestinos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">P\u00e1tria para todos<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A vit\u00f3ria tamb\u00e9m n\u00e3o foi uma surpresa para o Hamas. Desde sua recente funda\u00e7\u00e3o, em 1987, no in\u00edcio da primeira Intifada, esse movimento integralista isl\u00e2mico vem ampliando seu prest\u00edgio entre a popula\u00e7\u00e3o, sobretudo devido \u00e0 associa\u00e7\u00e3o de luta sem quartel e, n\u00e3o raro, sem limites, ao Estado de Israel e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma vasta rede de assist\u00eancia social.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Hamas promoveu sem pejo o terrorismo individual, como resposta ao terrorismo do Estado israelense. Mahmoud al-Zahar, dirigente do Hamas, chegou a propor: &#8220;A morte de civis tem que ser punida com a morte de civis&#8221;. Em retalia\u00e7\u00e3o a assassinatos israelenses, em fevereiro-mar\u00e7o de 1996, o Hamas lan\u00e7ou atentados suicidas que ceifaram a vida de mais de meia centena de israelenses. Essas a\u00e7\u00f5es puseram fim ao mito de uma guerra em que s\u00f3 morriam palestinos; conquistaram apoio entre uma popula\u00e7\u00e3o ferida e humilhada; debilitaram o fr\u00e1gil movimento pacifista israelense e fortaleceram a direita, facilitando a elei\u00e7\u00e3o de Binyamin Netanyahu.<\/p>\n<p align=\"justify\">O apoio ao Hamas cresceu igualmente devido a sua rede assistencialista de escolas, refeit\u00f3rios, ambulat\u00f3rios, etc., que assumiu singular import\u00e2ncia ap\u00f3s a elimina\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel das lideran\u00e7as, das associa\u00e7\u00f5es, das institui\u00e7\u00f5es, etc. da Autoridade Nacional Palestina\u00a0 pelo governo israelense comandado por Ariel Sharon. Como assinalado, essa pol\u00edtica almejava cortar os profundos la\u00e7os do Fatah de Yasser Arafat com a popula\u00e7\u00e3o, permitindo a ascens\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o desvinculada com as reivindica\u00e7\u00f5es nacionais palestinas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O desenvolvimento do integralismo isl\u00e2mico no mundo \u00e1rabe, atrav\u00e9s de escolas alcor\u00e2nistas e rede assistencialista, \u00e9 uma antiga pol\u00edtica dos anglo-brit\u00e2nicos, implementada ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra, para fazer frente ao crescimento do movimento nacionalista e socialista pan-\u00e1rabe que se expressou na nacionaliza\u00e7\u00e3o do canal de Suez, por Nasser; do petr\u00f3leo, no Iraque, pela Revolu\u00e7\u00e3o de 1958; na derrocada da monarquia, no Afeganist\u00e3o, etc.\u00a0 Essa pol\u00edtica foi e \u00e9 tradicionalmente financiada pela Ar\u00e1bia Saudita e pelos emirados t\u00edteres isl\u00e2micos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Fundamentalismo isl\u00e2mico<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Assim como os talib\u00e3s, no Afeganist\u00e3o; a Qaeda, no Mundo \u00c1rabe; o Hesbolah, no L\u00edbano; os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos, no Egito, etc., o Hamas \u00e9 um descendente, mais ou menos direto, da reorienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do fundamentalismo isl\u00e2mico fomentado e apoiado inicialmente pelo imperialismo anglo-estadunidense.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com a vit\u00f3ria hist\u00f3rica do capital sobre o trabalho, em fins dos anos 1980, e a forte perda de prest\u00edgio e de atra\u00e7\u00e3o do marxismo, do socialista, do racionalismo, do laicismo, etc., a oposi\u00e7\u00e3o ao imperialismo e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista passou a expressar-se, no mundo \u00e1rabe, em forma confusa, atrav\u00e9s de fundamentalismo isl\u00e2mico combatente que associa a rejei\u00e7\u00e3o\u00a0 ao imperialismo e ao capitalismo \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m consciente de seu crescente poder eleitoral, o Hamas abandonou sua tradicional negativa \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no jogo eleitoral, jogando-se de corpo inteiro nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares gerais de janeiro desse ano. Para tal, manteve, por mais de um ano, tr\u00e9gua com Israel, apesar da covarde execu\u00e7\u00e3o do fundador e l\u00edder espiritual do movimento, Ahmed Yassin, de 67 anos, cego, parapl\u00e9gico, entravado em cadeira de rodas, executado atrav\u00e9s de ataque de m\u00edsseis de helic\u00f3pteros, em 22 de mar\u00e7o de 2004, ao sair de uma mesquita.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s a vit\u00f3ria do Hamas, o governo dos USA, de Israel e das grandes na\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia buscaram entrincheirar-se \u2013 e, assim, conquistar tempo e f\u00f4lego para reorganizar suas pol\u00edticas \u2013 por de tr\u00e1s da negativa\u00a0 de negocia\u00e7\u00e3o com um governo do Hamas. Pouco respeitadores das regras democr\u00e1ticas, prometeram, igualmente, o corte dos recursos da ANP, dos quais dependem mais de cem mil funcion\u00e1rios e boa parte da popula\u00e7\u00e3o, caso a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u201creconhe\u00e7a\u201d o Estado de Israel e \u201cn\u00e3o abandone o terrorismo\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Paz e justi\u00e7a<br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O Hamas vem mantendo, h\u00e1 mais de um ano, como assinalado, tr\u00e9gua com Israel, o que constitui, nos fatos, um reconhecimento daquele Estado. Imediatamente ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral, prop\u00f4s, explicitamente, \u00abtr\u00e9gua de longo prazo\u00bb, e, implicitamente, reconhecimento de Israel, desde que os israelenses se retirem para as fronteiras de 1967, como exige igualmente a ONU, e liberte todos\u00a0 os prisioneiros palestinos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A proposta do Hamas como organiza\u00e7\u00e3o terrorista e irracional, totalmente estranha \u00e0 pol\u00edtica, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da m\u00eddia manipulada pelo imperialismo. Em 2002, o sucessor de Ahmed Yassin, Abdelaziz al-Rantissi, tamb\u00e9m assassinado pelos israelenses, declarou \u00e0 BBC inglesa que o &#8220;principal objetivo da Intifada\u201d era a \u201clibera\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m, e nada mais\u201d. J\u00e1 que n\u00e3o havia \u201cfor\u00e7a para liberar toda a nossa terra&#8221;. Reiteradas vezes, a dire\u00e7\u00e3o do Hamas lembrou que a derrota de Israel, que possui amplo arsenal nuclear, \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"justify\">Israel e o imperialismo estadunidense e europeu exigem simplesmente que o Hamas aceite a rendi\u00e7\u00e3o palestina e abandone a luta por um Estado soberano, nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusal\u00e9m Oriental. Reivindica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de serem alcan\u00e7adas apenas com a unifica\u00e7\u00e3o geral da resist\u00eancia palestina, apoiada pelo movimento pacifista israelense e antiimperialista mundial.<\/p>\n<p align=\"justify\">A vit\u00f3ria eleitoral do Hamas pode favorecer a necess\u00e1ria unifica\u00e7\u00e3o da luta palestina. Sobretudo se o movimento compreende o verdadeiro sentido do apoio eleitoral recebido e abandone o projeto de islamiza\u00e7\u00e3o da sociedade palestina, com propostas de leis, como as anunciadas, de separa\u00e7\u00e3o dos estudantes de ambos os sexos e o uso obrigat\u00f3rio do v\u00e9u pelas mulheres.<\/p>\n<p align=\"justify\">No longo combate contra o imperialismo e o sionismo, as elei\u00e7\u00f5es de 25 de janeiro, assim como a desocupa\u00e7\u00e3o parcial da faixa de Gaza, foram dois combates vencidos pelos palestinos, em uma guerra talvez ainda dolorosamente longe de sua conclus\u00e3o. Vit\u00f3rias parciais que se materializam, mais e mais, na Palestina, no Iraque, no Afeganist\u00e3o, na Venezuela, na Bol\u00edvia, diante dos olhos at\u00f4nitos dos poderosos que haviam anunciado exultantes o fim da constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria pelos povos.<\/p>\n<p align=\"justify\">*Historiador<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Maestri* \u00c9 dif\u00edcil imaginar algo pior para os governos de Israel e dos Estados Unidos do que o pronunciamento democr\u00e1tico da popula\u00e7\u00e3o palestina, nas elei\u00e7\u00f5es de 25 de janeiro, que conferiu 74 deputados para o Hamas e apenas 45 para o Fatah de Abu Abbas, num parlamento de 132 cadeiras. Para n\u00e3o falar da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-1033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-gF","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1033\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}