{"id":10706,"date":"2011-11-14T01:43:10","date_gmt":"2011-11-14T04:43:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=10706"},"modified":"2011-11-14T01:43:10","modified_gmt":"2011-11-14T04:43:10","slug":"imprensa-sempre-lerda-na-hora-de-corrigir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/imprensa-sempre-lerda-na-hora-de-corrigir\/","title":{"rendered":"Imprensa: sempre lerda na hora de corrigir"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha<\/span><br \/>\nA imprensa sempre critica, sob aplausos gerais, a lentid\u00e3o da Justi\u00e7a. Mas merece vaias quando posterga decis\u00f5es justas que poderiam melhorar a qualidade da informa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Juristas e jornalistas se reuniram em outubro, em Porto Alegre, num semin\u00e1rio para discutir o v\u00e1cuo jur\u00eddico criado pela revoga\u00e7\u00e3o em 2009 da Lei de Imprensa, um entulho produzido em 1967 pela ditadura e removido sem deixar saudades.<br \/>\nComo sempre, houve divis\u00e3o quanto \u00e0 recria\u00e7\u00e3o de uma nova lei. Os jornalistas continuam contra, enquanto os ju\u00edzes defendem uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para regular a m\u00eddia. O principal foco da discord\u00e2ncia \u00e9 o direito de resposta, que os ve\u00edculos s\u00f3 concedem por inst\u00e2ncia final da Justi\u00e7a, sempre mais tolerante com o direito do outro lado ser ouvido, sem demora.<br \/>\nO pr\u00f3prio consultor jur\u00eddico da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornais (ANJ), Alexandre Jobim, admite: \u201cAinda se percebe uma falta de iniciativa dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao direito de resposta\u201d. \u00c9 uma opini\u00e3o relevante, j\u00e1 que a ANJ re\u00fane 155 dos mais importantes jornais brasileiros, respons\u00e1veis por 90% da circula\u00e7\u00e3o de jornais pagos no pa\u00eds, que chegam a 4,3 milh\u00f5es de exemplares di\u00e1rios.<br \/>\nO jornalista e deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) d\u00e1 a receita mais simples e direta: \u201cO melhor que pode acontecer \u00e9 o jornal aceitar o pedido de resposta por livre e espont\u00e2nea vontade, porque ali tamb\u00e9m h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o. O recurso \u00e0 Justi\u00e7a s\u00f3 deve ser feito em \u00faltimo caso\u201d. O vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Benedito Felipe Rauen Filho, ecoa: \u201cO direito de resposta deve ser imediato, atendido logo ap\u00f3s ser solicitado, para que cumpra seu papel\u201d.<br \/>\nAs chicanas jur\u00eddicas que retardam a resposta de quem se acha atingido pela m\u00eddia acabam desgastando os pr\u00f3prios ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, que passam ao p\u00fablico uma imagem de intoler\u00e2ncia e prepot\u00eancia que desconsidera a liberdade de express\u00e3o de quem tamb\u00e9m consome a informa\u00e7\u00e3o. E, como todos sabem, a imprensa precisa dar e o leitor merece receber a informa\u00e7\u00e3o mais precisa e verdadeira \u2014 sempre.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Capricho sem desculpa<\/span><br \/>\nO vi\u00e9s autorit\u00e1rio ainda \u00e9 forte no pa\u00eds. Respondendo a uma pergunta do jornal Zero Hora sobre a eventual proibi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de publica\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias, o juiz Teori Zavascki, ministro do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) e professor de Direito da UnB, conseguiu vacilar: \u201c\u00c9 dif\u00edcil responder.<br \/>\nA regra \u00f3bvia \u00e9 que n\u00e3o deve haver proibi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es-limite em que pode ser necess\u00e1rio, como num caso reiterado de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. O deputado Miro Teixeira ensina: \u201c\u00c9 censura deslavada. Primeiro, se publica a mat\u00e9ria. Depois, se for necess\u00e1rio, se postula direito de resposta e indeniza\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nApesar de tanto bom senso, a ANJ concedeu um ano de prazo para os jornais aderirem a um programa de autorregulamenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um capricho indesculp\u00e1vel. Basta copiar agora, j\u00e1, o CONAR que rege a publicidade brasileira, aplicando imediatamente a regula\u00e7\u00e3o que protege a informa\u00e7\u00e3o, os ve\u00edculos e seus leitores.<br \/>\nA imprensa n\u00e3o demanda tanto tempo, tanta hesita\u00e7\u00e3o, para corrigir seus erros.<br \/>\nUma imprensa que se respeite deve cobrar de si mesma a imediata, inadi\u00e1vel corre\u00e7\u00e3o que exige dos outros.<br \/>\nO distinto p\u00fablico s\u00f3 ter\u00e1 a agradecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Cl\u00e1udio Cunha A imprensa sempre critica, sob aplausos gerais, a lentid\u00e3o da Justi\u00e7a. Mas merece vaias quando posterga decis\u00f5es justas que poderiam melhorar a qualidade da informa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. 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