{"id":10987,"date":"2011-12-13T22:28:28","date_gmt":"2011-12-14T01:28:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=10987"},"modified":"2011-12-13T22:28:28","modified_gmt":"2011-12-14T01:28:28","slug":"midia-nao-sabe-o-que-fazer-com-privataria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/midia-nao-sabe-o-que-fazer-com-privataria\/","title":{"rendered":"Midia n\u00e3o sabe o que fazer com &quot;privataria&quot;"},"content":{"rendered":"<p id=\"yui_3_2_0_1_1323830352645112\">Um curioso esp\u00edrito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ningu\u00e9m fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de \u201cvaca amarela\u201d entre senhores e senhoras respeit\u00e1veis. Como ficar\u00e3o as listas dos mais vendidos, escancaradas por jornais e revistas? Ignorar\u00e3o o fato de o livro ter esgotado 15 mil exemplares em 48 horas?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma batata quente na agenda nacional. A m\u00eddia e o PSDB ainda n\u00e3o sabem o que fazer com A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr. A c\u00fapula do PT tamb\u00e9m ignora solenemente o assunto, assim como suas principais lideran\u00e7as.<br \/>\nO presidente da legenda, Rui Falc\u00e3o, vai mais longe: abriu processo contra o autor da obra, por se sentir atingido em uma hist\u00f3ria na qual teria passado informa\u00e7\u00f5es \u00e0 revista Veja. O objetivo seria alimentar intrigas internas, durante a campanha presidencial de 2010. A frente m\u00eddia-PSDB-PT pareceria surreal meses atr\u00e1s.<br \/>\nTr\u00eas parlamentares petistas, no entanto, , nesta segunda, para falar do livro. S\u00e3o eles Paulo Pimenta (RS), Claudio Puty (PA) e Amaury Teixeira (BA). O delegado Prot\u00f3genes Queiroz (PCdoB-SP) come\u00e7a a colher assinaturas para a constitui\u00e7\u00e3o de uma CPI sobre os temas denunciados no livro. J\u00e1 o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) indagou: <em>&#8220;Nenhum jornal\u00e3o comentou o procurad\u00edssimo livro A privataria tucana. Reportagens sobre corrup\u00e7\u00e3o t\u00eam crit\u00e9rios seletivos?\u201d<\/em><br \/>\n<span class=\"intertit\">O sil\u00eancio dos coniventes <\/span><br \/>\nO sil\u00eancio maior, evidentemente, fica com os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Desde o in\u00edcio da semana passada, quando a obra foi para as livrarias, um manto de sil\u00eancio se abateu sobre jornais, revistas e TVs, com a honrosa exce\u00e7\u00e3o de CartaCapital.<br \/>\nAs grandes empresas de m\u00eddia adoram posar de campe\u00e3s da liberdade de express\u00e3o. Acusam seus advers\u00e1rios \u2013 aqueles que se batem por uma regulamenta\u00e7\u00e3o da atividade de comunica\u00e7\u00e3o no Brasil \u2013 de desejarem a volta da censura ao Brasil.<br \/>\nO mutismo sobre o lan\u00e7amento mais importante do ano deve ser chamado de que? De liberdade de decidir o que ocultar? De excesso de cuidado na edi\u00e7\u00e3o?<br \/>\nUm curioso esp\u00edrito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ningu\u00e9m fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de \u201cvaca amarela\u201d entre senhores e senhoras respeit\u00e1veis. Que acordo foi selado entre os grandes meios para que uma das grandes pautas do ano fosse um n\u00e3o tema, um n\u00e3o-fato, algo inexistente para grande parte do p\u00fablico?<br \/>\n<span class=\"intertit\">Comiss\u00e3o da verdade <\/span><br \/>\nPrivatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema sens\u00edvel em toda a Am\u00e9rica Latina. No Brasil, uma pesquisa de 2007, realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Instituto Ipsos detectou que <a href=\"http:\/\/www.anabb.org.br\/mostraPaginaCorpo.asp?codPagina=26727&amp;codServico=4&amp;tituloPagina=ECONOMIA%20-%20Maioria%20%E9%20contra%20privatiza%E7%F5es,%20aponta%20pesquisa\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">62% da popula\u00e7\u00e3o era contra a venda de patrim\u00f4nio p\u00fablico<\/a>. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2006, o assunto foi decisivo para a vit\u00f3ria de Lula (PT) sobre Geraldo Alckmin (PSDB).<br \/>\nQue a imprensa discorde do conte\u00fado do livro, apesar da farta documenta\u00e7\u00e3o, tudo bem. Mas a obra \u00e9, em si, um fato jornal\u00edstico. Revela as v\u00edsceras de um processo que est\u00e1 a merecer tamb\u00e9m uma comiss\u00e3o da verdade, para que o pa\u00eds tome ci\u00eancia das reais motiva\u00e7\u00f5es de um dos maiores processos de transfer\u00eancia patrimonial da Hist\u00f3ria.<br \/>\nComo ficar\u00e3o as listas dos mais vendidos, escancaradas por jornais e revistas? Ignorar\u00e3o o fato de o livro ter esgotado 15 mil exemplares em 48 horas?<br \/>\nO expediente n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito. H\u00e1 12 anos, outra investiga\u00e7\u00e3o sobre o mesmo tema \u2013 o cl\u00e1ssico <em>O Brasil privatizado<\/em>, de Aloysio Biondi \u2013 alcan\u00e7ou a formid\u00e1vel marca de 170 mil exemplares vendidos. Nenhuma lista publicou o feito. O pretexto: foram vendas diretas, feitas por sindicatos e entidades populares, atrav\u00e9s de livreiros aut\u00f4nomos. O que valeria na contagem seriam livrarias comerciais.<br \/>\nE agora? A privataria tucana faz \u00f3tima carreira nas grandes livrarias e magazines virtuais.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Deu no New York Times <\/span><br \/>\nO cartunista Henfil (1944-1988) costumava dizer, nos anos 1970, que s\u00f3 se poderia ter certeza de algo que sa\u00edsse no <em>New York Times<\/em>. Not\u00edcias sobre pris\u00f5es, torturas, crise econ\u00f4mica no Brasil n\u00e3o eram estampadas pela m\u00eddia local, submetida a r\u00edgida censura. Mas dava no NYT. Ali\u00e1s, esse era o t\u00edtulo de seu \u00fanico longa metragem, Tanga: deu no New York Times, de 1987. Era a hist\u00f3ria de um ditador caribenho que tomava conhecimento dos fatos do mundo atrav\u00e9s do \u00fanico exemplar do jornal enviado ao seu pa\u00eds. As informa\u00e7\u00f5es eram sonegadas ao restante da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHoje quem sonega informa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 a pr\u00f3pria grande m\u00eddia, numa esp\u00e9cie de censura privada. O t\u00edtulo do filme do Henfil poderia ser atualizado para \u201cDeu na internet\u201d. As redes virtuais furaram um bloqueio que parecia inexpugn\u00e1vel. E deixam a m\u00eddia bem mal na foto&#8230;<br \/>\n<span class=\"assina\">Por Gilberto Maringoni *(Carta Maior)<em><strong><strong><br \/>\n<\/strong><\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um curioso esp\u00edrito de ordem unida baixou sobre a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e outros. Ningu\u00e9m fura o bloqueio da mudez, numa sinistra brincadeira de \u201cvaca amarela\u201d entre senhores e senhoras respeit\u00e1veis. Como ficar\u00e3o as listas dos mais vendidos, escancaradas por jornais e revistas? 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