{"id":1107,"date":"2007-12-03T14:47:29","date_gmt":"2007-12-03T17:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=1107"},"modified":"2007-12-03T14:47:29","modified_gmt":"2007-12-03T17:47:29","slug":"ha-200-anos-a-corte-portuguesa-fugia-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ha-200-anos-a-corte-portuguesa-fugia-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"H\u00e1 200 Anos a Corte Portuguesa fugia para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 1793, a Coroa lusitana\u00a0 participara da primeira coaliz\u00e3o contra a Rep\u00fablica Francesa revolucion\u00e1ria, vista pelos liberais portugueses com grande esperan\u00e7a. Em 1796, ap\u00f3s a burguesia francesa conservadora apoderar-se do poder e reprimir as massas populares, Portugal abandonara a coaliz\u00e3o, mantendo dif\u00edcil neutralidade quanto ao confronto anglo-franc\u00eas. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ingleses e franceses exigiam que Portugal tomasse partido. Uma decis\u00e3o dif\u00edcil. Optar pela Fran\u00e7a significava perder o Brasil, pois a Inglaterra apoiaria a independ\u00eancia da col\u00f4nia. Apoiar os ingleses era selar a invas\u00e3o de Portugal pelos franceses, senhores do continente. Portugal seguiu saltando nos dois p\u00e9s. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 1807, Napole\u00e3o Bonaparte ordenou a ocupa\u00e7\u00e3o e desmembramento do reino portugu\u00eas. Lisboa tratou secretamente com os ingleses o apoio naval \u00e0 transfer\u00eancia da Fam\u00edlia Real e de parte da nobreza ao Rio de Janeiro, medida apoiada pelos brit\u00e2nicos pois significava a liberdade plena para seu com\u00e9rcio com o Brasil.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A mudan\u00e7a para o Brasil era id\u00e9ia antiga. Os Di\u00e1logos das grandezas do Brasil j\u00e1 registravam a profecia de astr\u00f3logo do rei dom Manuel, o Venturoso, de que o col\u00f4nia serviria, um dia, &#8220;de ref\u00fagio e abrigo da gente portuguesa&#8221;. A aristocracia lusitana tinha consci\u00eancia de que vivia sobretudo das rendas brasileiras e que o sistema colonial entrava em crise.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em A utopia do poderoso imp\u00e9rio, Maria de Lourdes Viana Lyra lembra que os reformistas portugueses propunham antecipar-se \u00e0 independ\u00eancia da col\u00f4nia criando novo relacionamento pol\u00edtico que permitisse a &#8220;emancipa\u00e7\u00e3o&#8221; do Brasil, com Portugal como centro europeu e mercantil, no seio de um imp\u00e9rio portugu\u00eas reconstru\u00eddo. A transmigra\u00e7\u00e3o para o Rio de Janeiro foi tamb\u00e9m desesperada resposta a eventual movimento emancipacionista da col\u00f4nia.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em 26 de novembro de 1807, ao escafeder-se para o Brasil, dom Jo\u00e3o lan\u00e7ou pat\u00e9tico manifesto:\u00a0 &#8220;Tendo procurado por todos os meios poss\u00edveis conservar a neutralidade [&#8230;] vejo que pelo interior do meu Reino marcham tropas do imperador dos franceses [&#8230;] querendo eu evitar as funestas conseq\u00fc\u00eancias [&#8230;]contra minha real pessoa e [crendo] que meus leais vassalos ser\u00e3o menos inquietados, ausentando-me eu deste Reino.&#8221;<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Na manh\u00e3 de 29 de novembro, sob a escolta inglesa, partiam do rio Tejo oito naus, quatro fragatas, tr\u00eas brigues, uma escuna e outras embarca\u00e7\u00f5es. Dez mil pessoas carregando o que podiam levar \u2013 m\u00f3veis, objetos de arte, lou\u00e7aria, livros, arquivos&#8230; \u00c0 cabe\u00e7a da debandada: o pr\u00edncipe regente dom Jo\u00e3o; dona Maria Carlota, sua espanhola e em todos os sentidos n\u00e3o muito fiel esposa; dona Maria I, a rainha enlouquecida.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Portugal foi abandonado as fr\u00e1geis e mal-aparelhadas tropas invasoras. Uma resoluta resist\u00eancia dos ex\u00e9rcitos lusitanos, apoiados pela popula\u00e7\u00e3o, impediria certamente a invas\u00e3o. Mas a mobiliza\u00e7\u00e3o popular assustava mais a aristocracia do que os franceses. Quando da partida, dom Jo\u00e3o ordenara aos governadores que ficavam que muito bem recebessem, aquartelassem e assistissem os franceses. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Para muitos liberais, os soldados de Napole\u00e3o entraram em Portugal como libertadores. A coroa e a aristocracia lusitana temiam que os liberais portugueses fizessem o mesmo que o Terceiro Estado fizera na Fran\u00e7a. A fam\u00edlia real escapava tamb\u00e9m das tropas francesas e da revolu\u00e7\u00e3o burguesa que estremecia a Europa desde 1789. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A transfer\u00eancia da Fam\u00edlia Real n\u00e3o constituiu apenas fuga diante das tropas invasoras e do liberalismo europeu. Migrando para o Rio de Janeiro, a aristocracia lusitana fazia virtude da necessidade, transferindo a sede da administra\u00e7\u00e3o real para a &#8220;melhor parte&#8221; do imp\u00e9rio lusitano. Em uma das mais ol\u00edmpicas demonstra\u00e7\u00f5es de falta de ra\u00edzes e sentimentos nacionais, a grande aristocracia abandonava a terra p\u00e1tria para melhor defender privil\u00e9gios sociais e econ\u00f4micos. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Ap\u00f3s parada em Salvador da Bahia, o comboio real chegou, meio desgarrado, ao Rio de Janeiro, a 7 de mar\u00e7o de 1808, onde o pr\u00edncipe dom Jo\u00e3o teria dito ao representante do governo ingl\u00eas que considerava &#8220;muito pouco prov\u00e1vel&#8221; seu retorno a Lisboa. Voltaria, treze anos mais tarde, acuado pela revolu\u00e7\u00e3o liberal portuguesa de 1820.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">M\u00e1rio Maestri, historiador e professor do PPGH da UPF. E-mail: maestri@via-rs.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1793, a Coroa lusitana\u00a0 participara da primeira coaliz\u00e3o contra a Rep\u00fablica Francesa revolucion\u00e1ria, vista pelos liberais portugueses com grande esperan\u00e7a. Em 1796, ap\u00f3s a burguesia francesa conservadora apoderar-se do poder e reprimir as massas populares, Portugal abandonara a coaliz\u00e3o, mantendo dif\u00edcil neutralidade quanto ao confronto anglo-franc\u00eas. Ingleses e franceses exigiam que Portugal tomasse partido. 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