{"id":1108,"date":"2007-12-09T14:48:08","date_gmt":"2007-12-09T17:48:08","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=1108"},"modified":"2007-12-09T14:48:08","modified_gmt":"2007-12-09T17:48:08","slug":"politicas-indigenistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/politicas-indigenistas\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas Indigenistas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fernando Ernesto Baggio Di Sopra, estudante de Geografia da UFRGS<\/strong><br \/>\nEnquanto na Bol\u00edvia as l\u00ednguas Guarani, Quechua e Aymara s\u00e3o consideradas oficiais pelo Estado, no Brasil o \u00edndio n\u00e3o \u00e9 nem ser humano apto a ocupar cargos p\u00fablicos: pela nossa legisla\u00e7\u00e3o os ind\u00edgenas encontram-se sob tutela da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, que administra o or\u00e7amento destinado a eles. Supondo que a verba anual da FUNAI seja 5 milh\u00f5es de reais, qual ser\u00e1 o percentual desse dinheiro que realmente chega at\u00e9 as aldeias e quanto \u00e9 gasto desnecessariamente com burocracias e cargos pol\u00edticos? Nos \u00faltimos tr\u00eas anos o ex-presidente da FUNAI realizou 235 viagens de avi\u00e3o representando o governo e, dentre essas, 16 foram para pa\u00edses europeus e somente 12 foram para reservas ind\u00edgenas. O montante gasto por ele com passagens de avi\u00e3o, nestes tr\u00eas anos, foi de 252 mil reais provindos dos cofres p\u00fablicos. Por qu\u00ea, ent\u00e3o, o governo brasileiro n\u00e3o repassa essa verba diretamente aos caciques das aldeias?<br \/>\nAssim como hoje ainda ocorre no Brasil, os membros da etnia dominante Han negavam, antes da Revolu\u00e7\u00e3o Cultural, a multirracialidade na China, denominando todos os seus habitantes de chineses. Entretanto, Tibetano \u00e9 Tibetano, Tibetano n\u00e3o \u00e9 Han. Do mesmo modo, Kaingang n\u00e3o \u00e9 Tupinamb\u00e1. Tanto \u00e9, que tamb\u00e9m h\u00e1 kaingangs na Argentina e no Paraguai. \u00c9 deprimente perceber que o Brasil n\u00e3o considera oficial nem a l\u00edngua nem a cultura dos povos origin\u00e1rios do continente americano. Xavante n\u00e3o \u00e9 Charrua, que n\u00e3o \u00e9 Guarani, que n\u00e3o \u00e9 Tapuia, que n\u00e3o \u00e9 Xokleng&#8230;<br \/>\nNa China h\u00e1 o Instituto das Minorias, onde cidad\u00e3os das 54 minorias \u00e9tnicas matriculam-se para estudar e manter sua cultura, gratuitamente. Na Bol\u00edvia, o Google \u00e9 tamb\u00e9m disponibilizado na l\u00edngua Quechua. Mas, como garantir a igualdade cultural? Atrav\u00e9s do registro burocr\u00e1tico e institucional? Atrav\u00e9s de teses acad\u00eamicas de antropologia? Fazendo document\u00e1rios para exibir na televis\u00e3o? Na China, independente do percentual da popula\u00e7\u00e3o e da etapa de desenvolvimento s\u00f3cio-econ\u00f4mico em que se encontrem, as minorias \u00e9tnicas passaram a participar ativamente do governo. Seria o mesmo que se no Brasil escolh\u00eassemos um deputado entre os euro-descendentes, um entre os afro-descententes, um da etnia J\u00ea, outro da Tupi, outro da Guaycuru&#8230;<br \/>\nApesar de significar certa justi\u00e7a hist\u00f3rica, a lei das cotas raciais \u00e9 absurda sob a seguinte perspectiva: substituir brancos por negros significa o mesmo que substituir as monoculturas de eucalipto pelas de pinus. Ora, as duas s\u00e3o culturas estrangeiras que ocupam o espa\u00e7o onde naturalmente existiriam pitangueiras, jabuticabeiras, arauc\u00e1rias, erva-mate&#8230; Em vez de classificar os humanos em negros e brancos, dever\u00edamos resgatar o modo de vida dos primeiros habitantes da Am\u00e9rica. Claro, isso se o or\u00e7amento da FUNAI fosse diretamente repassado \u00e0s aldeias, e n\u00e3o mais \u00e0s sup\u00e9rfluas viagens dos burocratas aos pa\u00edses europeus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Ernesto Baggio Di Sopra, estudante de Geografia da UFRGS Enquanto na Bol\u00edvia as l\u00ednguas Guarani, Quechua e Aymara s\u00e3o consideradas oficiais pelo Estado, no Brasil o \u00edndio n\u00e3o \u00e9 nem ser humano apto a ocupar cargos p\u00fablicos: pela nossa legisla\u00e7\u00e3o os ind\u00edgenas encontram-se sob tutela da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, que administra o or\u00e7amento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":1108,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-hS","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}