{"id":11367,"date":"2012-01-27T16:44:52","date_gmt":"2012-01-27T19:44:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11367"},"modified":"2012-01-27T16:44:52","modified_gmt":"2012-01-27T19:44:52","slug":"livro-mapeia-a-violencia-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/livro-mapeia-a-violencia-no-campo\/","title":{"rendered":"Livro mapeia a viol\u00eancia no campo"},"content":{"rendered":"<p>Com a presen\u00e7a da ministra Maria do Ros\u00e1rio, da Secretaria dos Direitos Humanos, foi lan\u00e7ado nesta manh\u00e3, no Memorial do Rio grande do Sul, a segunda edi\u00e7\u00e3o do livro Retrato da Repress\u00e3o Pol\u00edtica no campo- Brasil 1962-1985, das jornalistas e pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ana Carneiro e Marta Cioccari, publicado pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio (MDA).<br \/>\nEsta nova edi\u00e7\u00e3o tr\u00e1s algumas corre\u00e7\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es de dados, e introduz novas refer\u00eancias num trabalho que, em mais de trezentas p\u00e1ginas, torna p\u00fablico a viol\u00eancia, a censura e demais arbitrariedades perpetradas contra os trabalhadores do campo.<br \/>\nPara a realiza\u00e7\u00e3o do livro, as jornalistas \u2013 entre agosto e novembro de 2010 \u2013 fizeram um ampla pesquisa onde \u2013 al\u00e9m de contar com o apoio de uma rede de acad\u00eamicos e pessoas ligadas aos problema fundi\u00e1rios \u2013 viajaram por todo o Brasil recolhendo depoimentos das v\u00edtimas, familiares, e outros testemunhos. O resultado, al\u00e9m de chocar pelas atrocidades apuradas, comprovou que a repress\u00e3o no campo n\u00e3o ocorreu somente no per\u00edodo da ditadura militar.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/FST2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-11372\" title=\"FST2\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/FST2-150x112.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"112\" \/><\/a>Trata-se tamb\u00e9m, segundo a co-autora, Marta Cioccari, \u201cde uma homenagem a saga de homens e mulheres que ergueram a bandeira da reforma agr\u00e1ria e lutaram pelos direitos dos trabalhadores da terra\u201d. Agora, tamb\u00e9m patrocinado pelo MDA e pela Secretaria dos Direitos Humanos, elas dar\u00e3o continuidade ao trabalho publicando biografias individuais sobre os \u201cher\u00f3is da luta pela reforma agr\u00e1ria no Brasil\u201d.<br \/>\nEntre os homenageados, presentes no lan\u00e7amento, estavam o cearense Francisco Blaudes de Souza Barros \u2013 filho de Pio Nogueira, um falecido l\u00edder campon\u00eas \u2013 e Jo\u00e3o Altair do Santos, filho de Jo\u00e3o Machado dos Santos, o Jo\u00e3o Sem Terra.<br \/>\nBlaudes, como \u00e9 conhecido, sobreviveu ao conflito que ficou conhecido como a \u201cchacina de Japuara\u201d, ocorrida em Canind\u00e9, Cear\u00e1, em 1971, na qual foram mortos quatro agricultores. Para ele: \u201cmais do que relembrar as injusti\u00e7as, os sofrimentos, as humilha\u00e7\u00f5es feitas por latifundi\u00e1rios, jagun\u00e7os, pistoleiros, e agentes governamentais da repress\u00e3o, o livro tamb\u00e9m \u00e9 um espelho de pessoas corajosas, um legado para as novas lutas de hoje\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 para Jo\u00e3o Altair dos Santos, cuja hist\u00f3ria do pai j\u00e1 foi retratada no livro A saga do Jo\u00e3o Sem Terra, de Carlos Wagner \u2013 a narrativa de um homem perseguido e torturado pela ditadura, cujo auto-ex\u00edlio durou 25 anos \u2013, este nova publica\u00e7\u00e3o ajuda a superar o trauma moral que, para ele, iniciou na inf\u00e2ncia, quando ainda n\u00e3o tinha defesas ou respostas. Santos conta que: \u201cera proibido falar o nome do meu pai. Ele se escondeu no interior de Goi\u00e1s, mudou de nome, casou novamente, assim como a minha m\u00e3e. Os dois j\u00e1 faleceram e, infelizmente, meu n\u00facleo familiar original nunca mais se reagrupou\u201d.<br \/>\nPresente tamb\u00e9m a oficina do FST \u2013 Direito a mem\u00f3ria, a verdade e a justi\u00e7a e o acesso as informa\u00e7\u00f5es \u2013 que antecedeu ao lan\u00e7amento do livro, a ministra Maria do Ros\u00e1rio salientou que o trabalho de Ana Carneiro e Marta Cioccari enfatiza li\u00e7\u00f5es de vida e trabalho, e que os camponeses, na luta pela terra e pela participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ainda n\u00e3o tiveram por parte do estado a aten\u00e7\u00e3o devida. Segundo a ministra:<br \/>\n\u201cterra e poder sempre estiveram associados no Brasil. A repress\u00e3o contra os trabalhadores rurais ocorre desde o per\u00edodo colonial. Este modo de agir, que persegue l\u00edderes sindicalistas, ainda esta em vig\u00eancia, principalmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, mas n\u00e3o s\u00f3 l\u00e1. S\u00e3o m\u00e9todos que continuam a desafiar a democracia no Brasil. Mas n\u00e3o permanecer\u00e3o. O povo tamb\u00e9m tem suas formas de enfrentamento. E o poder judici\u00e1rio precisar ser mais efetivo em suas a\u00e7\u00f5es contra a impunidade\u201d.<br \/>\n<em>Por Francisco Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a presen\u00e7a da ministra Maria do Ros\u00e1rio, da Secretaria dos Direitos Humanos, foi lan\u00e7ado nesta manh\u00e3, no Memorial do Rio grande do Sul, a segunda edi\u00e7\u00e3o do livro Retrato da Repress\u00e3o Pol\u00edtica no campo- Brasil 1962-1985, das jornalistas e pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ana Carneiro e Marta Cioccari, publicado pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[1334,1335,1398],"class_list":["post-11367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-forum-social-tematico","tag-fst-2012","tag-retrato-da-repressao-politica-no-campo-brasil-1962-1985"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-2Xl","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}