{"id":11374,"date":"2012-01-28T09:21:22","date_gmt":"2012-01-28T12:21:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11374"},"modified":"2012-01-28T09:21:22","modified_gmt":"2012-01-28T12:21:22","slug":"para-boaventura-a-esquerda-deixou-de-pensar-faz-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/para-boaventura-a-esquerda-deixou-de-pensar-faz-tempo\/","title":{"rendered":"Para Boaventura a esquerda deixou de pensar faz tempo"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura de Souza Santos afirmou que \u00e9 fundamental mudar o ativismo pol\u00edtico, a democracia e o desenvolvimento social para um modelo de autodetermina\u00e7\u00e3o. Um modelo ecologicamente sustent\u00e1vel que n\u00e3o \u00e9 a economia verde. \u201cO capitalismo nunca ser\u00e1 verde exceto nas notas de d\u00f3lar dos Estados Unidos\u201d, ironizou. Para ele, alguns podem acreditar que tudo n\u00e3o passa de uma utopia.<br \/>\n\u201cNo entanto, todas as utopias t\u00eam seu hor\u00e1rio, que vem da crise, das oportunidades que as tornam poss\u00edvel. Esse \u00e9 o hor\u00e1rio das utopias realistas para a transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Nesse hor\u00e1rio n\u00e3o podemos faltar\u201d, disse Santos.<br \/>\nPara ele, as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas j\u00e1 n\u00e3o satisfazem as aspira\u00e7\u00f5es dos cidad\u00e3os, mas existe algo mais do que isso. Entende que \u00e9 um momento de crise profunda das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, que pode levar a uma nova forma de barbarismo, mas de oportunidades tamb\u00e9m. \u201cComo construir esse novo momento n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil porque a democracia representativa virou as costas para as popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA esquerda social democr\u00e1tica esqueceu-se da distin\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita. Assim, n\u00e3o nos surpreende que o anarquismo seja a \u00fanica tradi\u00e7\u00e3o europeia que ainda sobreviva no movimento dos indignados, que os movimentos dos ind\u00edgenas e dos quilombolas nesse Continente nos perguntem qual a diferen\u00e7a entre esquerda e direita se ambas os golpeiam da mesma forma.\u201d<br \/>\nSegundo Santos, o continente americano \u00e9 o \u00fanico local que se pode falar de socialismo no s\u00e9culo 21. \u201cEm nenhum outro Continente se fala disso hoje. Mas \u00e9 tamb\u00e9m aquele Continente onde o DNA da esquerda continua sendo o extrativismo, a destrui\u00e7\u00e3o da nossa terra m\u00e3e. Isso golpeia pequenos agricultores, ind\u00edgenas e quilombolas e a destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais grave e mais s\u00e9ria.<br \/>\nPortanto, temos que encontrar outro modelo e n\u00e3o pode ser de maneira leviana. Hoje 60% na economia do Equador, por exemplo, \u00e9 do extrativismo. N\u00e3o pode mudar de um dia para outro. Precisamos de uma nova teoria de transi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Contra teorias elitistas<\/span><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o do feudalismo para o capitalismo, absorvido pelos movimentos de esquerda e teoria marxista.\u201d Souza acredita numa transi\u00e7\u00e3o do desenvolvimento insustent\u00e1vel para um modelo que n\u00e3o \u00e9 de desenvolvimento, mas de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos a n\u00edvel local, regional e nacional. Uma forma de defesa da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal.<br \/>\nPara isso, a sociedade ter\u00e1 v\u00e1rias tarefas pela frente, conforme ele. A primeira \u00e9 um novo ativismo pol\u00edtico do s\u00e9culo 21, contra teorias elitistas de democracia. Para ele, a maioria esmagadora dos cidad\u00e3os \u00e9 da sociedade civil n\u00e3o organizada, desprezada pelos movimentos sociais durante muito tempo.<br \/>\n\u201cOs \u00fanicos espa\u00e7os p\u00fablicos que n\u00e3o est\u00e3o colonizados pelo capitalismo financeiro s\u00e3o as pra\u00e7as, as ruas da Europa, do norte da \u00c1frica e Estados Unidos. Sabemos que neste momento a alternativa n\u00e3o \u00e9 de partidos e movimentos sem o envolvimento das presen\u00e7as coletivas nos espa\u00e7os p\u00fablicos para mostrar que a democracia em muitos pa\u00edses est\u00e1 nas m\u00e3os de falsos democratas. Portanto, temos que encontrar outras formas de refundar a democracia e o pr\u00f3prio estado.<br \/>\nA grande maldi\u00e7\u00e3o da esquerda no s\u00e9culo 20 foi transformar os militantes em funcion\u00e1rios. Por isso, temos que pensar na refunda\u00e7\u00e3o dos partidos e da democratiza\u00e7\u00e3o interna dos movimentos sociais. Ou a democracia come\u00e7a dentro dos movimentos sociais e dos partidos ou n\u00e3o come\u00e7a nunca. A direita n\u00e3o precisa pensar porque o sistema econ\u00f4mico mundial pensa por ela, mas a esquerda tem que pensar e deixou de pensar j\u00e1 h\u00e1 algum tempo.\u201d<br \/>\nBoaventura de Souza Santos participou do debate Os Sentidos da Democratiza\u00e7\u00e3o, na sexta-feira, 27, no teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa, com a presen\u00e7a do governador Tarso Genro; ministro da Secret\u00e1ria-Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Gilberto Carvalho; diretor geral do Le Monde Diplomatique e um dos construtores do F\u00f3rum Social Mundial, Bernard Cassen; representante Comit\u00ea Internacional do FSM, Francisco Whitaker, e o deputado estadual do PT, Ad\u00e3o Villaverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo portugu\u00eas Boaventura de Souza Santos afirmou que \u00e9 fundamental mudar o ativismo pol\u00edtico, a democracia e o desenvolvimento social para um modelo de autodetermina\u00e7\u00e3o. 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