{"id":11415,"date":"2012-01-30T16:53:32","date_gmt":"2012-01-30T19:53:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11415"},"modified":"2012-01-30T16:53:32","modified_gmt":"2012-01-30T19:53:32","slug":"personalidades-no-fst-futurivel-ou-a-baianidade-2-0-do-compositor-gilberto-gil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/personalidades-no-fst-futurivel-ou-a-baianidade-2-0-do-compositor-gilberto-gil\/","title":{"rendered":"Personalidades no FST: Futur\u00edvel ou a baianidade 2.0 do compositor Gilberto Gil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Gil-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-11416\" title=\"Gil 2\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/01\/Gil-2-150x100.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"100\" \/><\/a>Convidado para falar no Conex\u00f5es Globais 2.0, evento que tamb\u00e9m integrou o F\u00f3rum Social Tem\u00e1tico 2012, Gilberto Gil, compositor e ex-ministro da Cultura, fez uma exposi\u00e7\u00e3o \u2013 quarta-feira, 25, na Travessa do Cataventos da Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana \u2013 complexa sobre a sociedade atual, tomando como refer\u00eancia a Primavera \u00c1rabe.<br \/>\nNa sua fala, lembrou uma composi\u00e7\u00e3o sua, Futur\u00edvel, feita quando, em 1969, foi prisioneiro da Ditadura Militar, e que traz versos como: [&#8230;] \u201cSeu corpo vai se transformar\/Num raio vai se transportar\/ No espa\u00e7o vai se recompor\/ Muitos anos-luz al\u00e9m\/ Al\u00e9m daqui\u201d.<br \/>\nOu, mais adiante: [&#8230;] \u201cSeu corpo ser\u00e1 mais brilhante\/ A mente, mais inteligente\/ Tudo em superdimens\u00e3o\/ O mutante \u00e9 mais feliz\/ Feliz porque\/ Na nova muta\u00e7\u00e3o\/ A felicidade \u00e9 feita de metal\u201d.<br \/>\nGilberto Gil \u00e9 uma das antenas do povo brasileiro. A cultura baiana \u00e9 s\u00f3lida e l\u00edquida, e gasosa, claro. De Greg\u00f3rio de Matos a Castro Alves, de Jorge Amado a Glauber Rocha, de Jo\u00e3o Gilberto a Gil e Caetano, l\u00e1 se v\u00e3o quatro s\u00e9culos de uma exuber\u00e2ncia que mesclou Gr\u00e9cia e \u00c1frica, projeto que Alexandre, o grande, j\u00e1 havia tentado alguns s\u00e9culos antes de Cristo. L\u00e1 n\u00e3o deu certo.<br \/>\nEm Conex\u00f5es Globais Gil dividiu o palco de debates com Vinicius Wu, coordenador do gabinete Digital do Governo RS; o jornalista Ant\u00f4nio Martins, do site Outras palavras, e, via web, de Madri, Olga Rodrigues, escritora e jornalista especializada em Oriente M\u00e9dio.<br \/>\nGil trajava um conjunto de roupas claras e leves que, combinadas as suas humildes sand\u00e1lias, mais seu insepar\u00e1vel Mac book, davam ao bardo nordestino um ar zen de mochileiro das gal\u00e1xias, pronto para dividir suas id\u00e9ias com o p\u00fablico que na tarde morna, quase fresca, empilhava-se na Travessa dos Cataventos para escut\u00e1-lo.<br \/>\nA fala de Gil \u2013 na verdade, pensamentos falsamente avulsos, ou brain storm, como diria um velho publicit\u00e1rio \u2013 resumiu-se num discurso composto de frases curtas, que remetem a conceitos que, exceto uma cita\u00e7\u00e3o de Heidegger, integram-se ao mainstream global e digital, e que ele define como a sua \u201cfilosofia barata, feita em casa\u201d, diante da dificuldade em saber o que est\u00e1 dentro ou fora do sistema.<br \/>\nVejamos algumas p\u00e9rolas: \u201cos relatos s\u00e3o elaborados no pr\u00f3prio centro da luta. Foi assim em toda a hist\u00f3ria da humanidade. Os significados das lutas do passado flutuam no presente e projetam o futuro. Vivemos um processo fragment\u00e1rio, um tempo acelerado e m\u00faltiplo. H\u00e1 um choque de valores e paradigmas caem por terra. No caso da Primavera \u00e1rabe \u2013 com suas imagens avermelhadas, difusas, dram\u00e1tica \u2013, assistiu-se a uma ades\u00e3o a plataforma ocidental em quest\u00f5es como democracia, direitos da mulher. Trata-se de um processo antropof\u00e1gico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura ocidental, pois, ao mesmo tempo, h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o e uma rebeldia contra ela\u201d.<br \/>\nE continua: \u201cmundo qu\u00e2ntico. Forma\u00e7\u00f5es h\u00edbridas, revoltas fragment\u00e1rias. Minimalismo acelerador de part\u00edculas que virou a civiliza\u00e7\u00e3o. Proto-utopia, uma nova utopia. Revezamento das elites. O erro est\u00e1 em querer restaurar um mundo totalizante. H\u00e1 um jogo global de xadrez jogado a muitas m\u00e3os. A internet pode se tornar uma atualiza\u00e7\u00e3o de conceitos. O sentimento de v\u00e1rios poss\u00edveis\u201d.<br \/>\nO mano Caetano, caso estivesse presente, talvez inclu\u00edsse, ao final da fala de Gil, a singela e filos\u00f3fica senten\u00e7a: \u201cou n\u00e3o!\u201d<br \/>\nDepois de toda esta energia digital e barroca, Vinicius Wu, smartphone em punho, falou, entre outras elucubra\u00e7\u00f5es, sobre a \u201cgaseifica\u00e7\u00e3o\u201d do poder, e da nova vanguarda, representada pelos hackers que, cumprindo a profecia de Marx, \u201cs\u00e3o os coveiros do capitalismo\u201d. J\u00e1 Ant\u00f4nio Martins, entusiasmado, pregou uma jihad digital em prol da \u00e9tica do bom jornalismo. Tudo sob o atento e reflexivo olhar do escritor e atual Secret\u00e1rio de Cultura do RS, Luis Ant\u00f4nio de Assis Brasil, que, sentado em sua cadeirinha, talvez procurasse relacionar aquelas falas com as dos personagens do s\u00e9culo XIX de sua fic\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO contraponto vinha do outro lado do Atl\u00e2ntico, onde uma bela e contida Olga Rodrigues, limitou-se a fazer explana\u00e7\u00f5es pontuais sobre a Primavera \u00c1rabe, da import\u00e2ncia da internet como ferramenta de resist\u00eancia em regimes ditatoriais, das redes sociais para organizar e difundir mensagens para o mundo inteiro, salientando que no mundo \u00e1rabe apenas 20 por cento da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a web, \u201cmas \u00e9 sempre uma minoria que faz as coisas\u201d.<br \/>\nAo final do debate, diante da possibilidade de hecatombe de todos os sistemas, devido ao excesso de velocidade, pelo menos virtualmente, Gil, sabiamente, ponderou que \u201ca eternidade n\u00e3o se manifesta num momento, ocorre atrav\u00e9s dos tempos. A mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 permanente. A luta continua\u201d.<br \/>\nAinda mentalmente conectado, o p\u00fablico ao deixar o local do encontro e seguir pela Rua da Praia, deparou-se com a vida anal\u00f3gica e prosaica de gente tomando a sua cervejinha, comendo batatinhas e outros petiscos. No dia seguinte, em Canoas, boa parte se juntou as outras seis mil pessoas que prestigiaram o show do baiano, o da Refazenda e seu abacateiro, afinal, Gil estava em Porto Alegre, terra onde nascem os melhores abacates do mundo. Ou n\u00e3o?<br \/>\n<em>Por Francisco Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convidado para falar no Conex\u00f5es Globais 2.0, evento que tamb\u00e9m integrou o F\u00f3rum Social Tem\u00e1tico 2012, Gilberto Gil, compositor e ex-ministro da Cultura, fez uma exposi\u00e7\u00e3o \u2013 quarta-feira, 25, na Travessa do Cataventos da Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana \u2013 complexa sobre a sociedade atual, tomando como refer\u00eancia a Primavera \u00c1rabe. 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