{"id":11663,"date":"2012-03-11T12:53:26","date_gmt":"2012-03-11T15:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11663"},"modified":"2012-03-11T12:53:26","modified_gmt":"2012-03-11T15:53:26","slug":"teatro-ultima-apresentacao-de-inimigos-de-classe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/teatro-ultima-apresentacao-de-inimigos-de-classe\/","title":{"rendered":"Teatro: \u00daltima apresenta\u00e7\u00e3o de Inimigos de Classe"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-11664\" title=\"Inimigos de Classe 2\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><br \/>\nO p\u00fablico porto-alegrense, ou em tr\u00e2nsito pela capital, ter\u00e1 \u2013 neste domingo (11\/03), \u00e0s 18h, no Teatro S\u00e3o Pedro \u2013 a \u00faltima oportunidade para assistir <em>Inimigos de Classe<\/em>, de Nigel Williams, dirigida por Luciano Alabarse.<br \/>\nO texto, violent\u00edssimo \u2013 originalmente ambientado numa escola p\u00fablica da periferia da Londres de 1978, em plena efervesc\u00eancia do <em>punk<\/em> ingl\u00eas \u2013 narra o microcosmo de um grupo alunos confinados numa degradada sala de aula a espera de sua nova v\u00edtima: o professor. Enquanto ele n\u00e3o chega fazem um ins\u00f3lito jogo: cada um dever\u00e1 dar uma li\u00e7\u00e3o aos outros. O melhor leva um pote de gel\u00e9ia.<br \/>\nNada vai bem no ensino p\u00fablico do mundo ocidental. Entre 1978 e 2012, apenas uma constata\u00e7\u00e3o: tudo piorou. Crise de autoridade, professores desestimulados, alunos cada vez mais violentos. Drogas, amea\u00e7as, brigas, crimes, massacres. A escola n\u00e3o \u00e9 imune a nada, e a viol\u00eancia est\u00e1 dentro dos seus dom\u00ednios, de suas salas de aula.<br \/>\nAo perceber a atualidade do tema, Luciano Alabarse, que j\u00e1 havia dirigido a pe\u00e7a em 1988, topou o desafio de encen\u00e1-la novamente: \u201co texto de <em>Inimigos de Classe<\/em> \u00e9 mais relevante hoje do que na \u00e9poca em que foi escrito. Recentemente, foi montado na B\u00f3snia, como um reflexo da educa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-guerra. \u00c9 um texto rico e se alguma coisa piorou foi \u00e0 sociedade. E n\u00e3o se trata apenas de situa\u00e7\u00f5es de periferia\u201d, explica o diretor.<br \/>\nAlabarse tamb\u00e9m salienta que a tem\u00e1tica de <em>Inimigos de classe<\/em> transcende a fal\u00eancia da escola e a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o social dos personagens, e coloca algumas perguntas b\u00e1sicas como: \u201cque mundo \u00e9 esse? Que sociedade \u00e9 essa que estamos oferecendo as novas gera\u00e7\u00f5es? E dentro destas quest\u00f5es a abordagem sobre a fal\u00eancia do sistema escolar p\u00fablico\u201d.<br \/>\n<em>Inimigos de classe<\/em>, em tempo real, narra cerca de 90 minutos da vida de Ferro (Marcelo Adams), Bola (Denis Gosch), Anjo (Eduardo Steinmetz), Colosso (Fabrizio Gorziza), Espinha (Gustavo Susin), e Portuga (Fernando Zugno).<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-11665\" title=\"Inimigos de Classe 1\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-1-150x100.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"100\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-thumbnail wp-image-11666\" title=\"Inimigos de Classe 4\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Inimigos-de-Classe-4-150x100.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"100\" \/><\/a><br \/>\nTodos vizinhos de um bairro miser\u00e1vel, de lares desestruturados onde grassa o desemprego, o alcoolismo, o abandono. Dos pais, ou do pa\u00eds, n\u00e3o herdaram nenhum tipo de orgulho ou esperan\u00e7a. S\u00f3 h\u00e1 trauma e raiva. N\u00e3o conversam, agridem-se atrav\u00e9s de di\u00e1logos onde, de cada dez palavras, sete s\u00e3o palavr\u00f5es. E qualquer banalidade \u00e9 motivo para desafio, mas n\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o, pois, a princ\u00edpio, sabem que est\u00e3o na merda e nela permanecer\u00e3o. Qualquer sonho \u2013 como a li\u00e7\u00e3o de jardinagem proposta por Espinha, ou aula de culin\u00e1ria de Bola \u2013 \u00e9 logo transformado em chacota, principalmente por Ferro, o l\u00edder alfa da turma.<br \/>\nBola e Ferro s\u00e3o os dois grandes oponentes em torno dos quais giram os demais. Isso n\u00e3o representa fidelidade, pois, ao contr\u00e1rio da trama desenvolvida em <em>O senhor das Moscas<\/em>, de William Golding, n\u00e3o se trata de um conflito entre civiliza\u00e7\u00e3o e o retorno a barb\u00e1rie. Trata-se, em <em>Inimigos de Classe<\/em>, da atualiza\u00e7\u00e3o da segunda op\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo final, entre o choro do ensang\u00fcentado Bola, e o urro sofrido da animalidade de Ferro, contrap\u00f5e-se o desprezo moral e institucional representado na fala do diretor da escola. N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a, pois, s\u00e3o inadapt\u00e1veis e furiosos e, sendo assim, como poder\u00e3o servir ao sistema? Contudo, eles continuam a esperar o professor.<br \/>\nAl\u00e9m de Golding, \u00e9 poss\u00edvel ligar Williams \u2013 que al\u00e9m de romancista, dramaturgo, tamb\u00e9m \u00e9 roteirista, tendo trabalhado na adapta\u00e7\u00e3o de sua pe\u00e7a no filme de Peter Stein \u2013 ao cineasta Ken Loach que, em 1969, atrav\u00e9s do filme <em>Kes<\/em>, fez um belo retrato da classe oper\u00e1ria inglesa, contando a hist\u00f3ria de um garoto que faz da arte da falconaria uma escada para tentar escapar de uma vida com poucas perspectivas.<br \/>\nD\u00e1 para fazer um paralelo entre o falc\u00e3o de <em>Kes<\/em> e o ger\u00e2nio de Espinha, ou a alm\u00f4ndega (um <em>pudding<\/em> no texto original) de Bola. Em contraponto: o orgasmo em quebrar vidra\u00e7as, de Portuga; o desejo de sexo <em>full-time<\/em> de Anjo; o preconceito contra os americanos (racial no texto original) de Colosso; e o fetiche sanguin\u00e1rio de Ferro que, em sua aula de defesa pessoal ensina que: \u201c\u00e9 preciso deixar o advers\u00e1rio no ch\u00e3o, pisotear o est\u00f4mago do inimigo\u201d.<br \/>\nNa livre adapta\u00e7\u00e3o proposta por Alabarse temos uma dire\u00e7\u00e3o segura, e a convincente interpreta\u00e7\u00e3o do grupo de atores, que vestem bem seus personagens. O cen\u00e1rio, apesar da atualiza\u00e7\u00e3o e regionaliza\u00e7\u00e3o do texto \u2013 cita-se, rapidamente, AIDS, inform\u00e1tica, m\u00fasica sertaneja \u2013 mant\u00e9m o d\u00e9cor dos anos 1970. A luz \u00e9 correta e a trilha sonora, composta integralmente por can\u00e7\u00f5es de Tom Waits, cria uma atmosfera melanc\u00f3lica e l\u00edrica.<br \/>\nNa apresenta\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado, 10\/03, a produ\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de parcerias, disponibilizou aparelhos \u2013 os mesmos utilizados em tradu\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas \u2013 para que pessoas com defici\u00eancia visual pudessem, atrav\u00e9s de uma \u00e1udio descri\u00e7\u00e3o, ter acesso ao conte\u00fado visual do espet\u00e1culo.<br \/>\nTrata-se de uma bela iniciativa, afinal, algu\u00e9m, ao contr\u00e1rio de Ferro e turma, precisava merecer um pote de gel\u00e9ia.<br \/>\nPor Francisco Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O p\u00fablico porto-alegrense, ou em tr\u00e2nsito pela capital, ter\u00e1 \u2013 neste domingo (11\/03), \u00e0s 18h, no Teatro S\u00e3o Pedro \u2013 a \u00faltima oportunidade para assistir Inimigos de Classe, de Nigel Williams, dirigida por Luciano Alabarse. 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