{"id":11675,"date":"2012-03-13T02:43:30","date_gmt":"2012-03-13T05:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11675"},"modified":"2012-03-13T02:43:30","modified_gmt":"2012-03-13T05:43:30","slug":"o-triste-fim-do-irreverente-terrorista-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-triste-fim-do-irreverente-terrorista-da-internet\/","title":{"rendered":"O triste fim do irreverente terrorista da internet"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Renan Antunes de Oliveira<\/span><br \/>\n<strong>Ilustra\u00e7\u00e3o de Enio Squeff | Fotos de Celso Martins e TV UFSC<\/strong><br \/>\n<span class=\"capitular\">A <\/span><br \/>\nporta j\u00e1 estava aberta quando o padre Elizandro procurou pelo blogueiro Mosquito na rua dos Maracan\u00e3s. Ele entrou e deu de cara com o corpo dele pendurado na escada, enforcado num len\u00e7ol. A cena parecia de suic\u00eddio.<br \/>\nEram quase cinco da tarde da ter\u00e7a 13 de dezembro. Em minutos a not\u00edcia da morte do destemido e temido jornalista catarinense de 52 anos caiu na blogosfera. Tornou-se trending topic no Twitter antes das 10 da noite. A suspeita de assassinato bombou na internet.<br \/>\nA morte dele encerrou a era do &#8220;terror midi\u00e1tico&#8221; imposta pelo blog &#8216;Tijoladas do Mosquito&#8217; \u00e0 pol\u00edtica catarinense desde 2008.<br \/>\nAs tijoladas eram cr\u00edticas irreverentes e desbocadas disparadas contra tudo e todos por qualquer motivo e at\u00e9 sem motivo &#8211; Mosquito gostava de se apresentar como sendo &#8220;o primeiro terrorista midi\u00e1tico&#8221; da internet.<br \/>\nNesta semana, 87 dias depois da morte de Amilton Alexandre, apelidado Mosquito, o Instituto de Per\u00edcias de SC confirmou a tese inicial de suic\u00eddio. Amigos e familiares acreditam que ele se matou por temer a pris\u00e3o depois da segunda condena\u00e7\u00e3o por difama\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/ilustra\u00e7ao.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"316\" \/><br \/>\nO Tijoladas conduzia uma feroz campanha moralista contra autoridades, pol\u00edticos e empres\u00e1rios. Muitas das den\u00fancias eram frias, mas os textos tinham irrever\u00eancia, humor e bastantes palavr\u00f5es. Ofendeu ga\u00fachos, negros, judeus \u2013 e at\u00e9 os vizinhos da rua Maracan\u00e3s, no condom\u00ednio onde foi encontrado morto, o Pedra Branca, na pacata Palho\u00e7a, Grande Floripa.<br \/>\nSeus maiores alvos foram a hoje ministra das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais Ideli Salvatti, o ex-governador Leonel Pavan, o prefeito de Floripa D\u00e1rio Berger e Fernando Marcondes de Mattos, dono do resort Cost\u00e3o do Santinho. Na pol\u00edtica nacional deu uns pitacos, agredindo a presidente Dilma com baixarias impublic\u00e1veis &#8211; Bras\u00edlia fez vista grossa.<br \/>\n&#8220;Ele acertava na dimens\u00e3o universal de seus ataques contra poderosos, privilegiados e sacanas&#8221;, diz o soci\u00f3logo Remy Fontana, professor da UFSC, amigo dele por 33 anos. &#8220;Mas, algumas vezes foi inconsequente e injusto, expondo reputa\u00e7\u00f5es \u00e0 execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d<strong>.<\/strong><br \/>\nO blog tinha como lema &#8220;jamais se calar&#8221;. A opera\u00e7\u00e3o toda era apenas Mosquito, um netbook Asus e um modem da Claro. N\u00e3o tinha anunciantes. Ele postava de uma mesa do bar Kibel\u00e2ndia, a central de fofocas da Ilha, onde garimpava not\u00edcias entre bebuns e barnab\u00e9s fora do expediente.<br \/>\nPela distribui\u00e7\u00e3o das tijoladas Mosquito enfrentou 22 processos e a invas\u00e3o de hackers. O delegado Hudson Queiroz lhe deu uns sopapos e amea\u00e7ou mat\u00e1-lo. Os demais preferiram processos por cal\u00fania, com pedidos de indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro.<br \/>\n<span class=\"intertit\">MANEZINHO<\/span><br \/>\nAmilton Alexandre era nativo, descendente dos colonizadores a\u00e7orianos. O pai, seu Amadeu, tinha \u00edndole mansa. Criou quatro filhos consertando refrigeradores. Mosquito, agitado desde pequeno, foi o primeiro dos Alexandre com diploma universit\u00e1rio. Fez Administra\u00e7\u00e3o na UFSC.<br \/>\nEm 1979, no epis\u00f3dio conhecido por &#8220;Novembrada&#8221;, virou her\u00f3i dos manezinhos: imagens dele liderando a passeata de estudantes de Floripa contra a ditadura militar apareceram no Jornal Nacional.<br \/>\nEle e mais seis foram presos pela Pol\u00edcia Federal. Dez dias de cana, um ano de processo na Auditoria Militar de Curitiba e a apote\u00f3tica absolvi\u00e7\u00e3o dos sete estudantes catarinenses o transformaram numa celebridade local.<br \/>\nNo epis\u00f3dio, o papel dele foi de mero agitador, sob ordens dos comunistas do Partid\u00e3o. \u00a0Um dirigente queria sua participa\u00e7\u00e3o reexaminada por psic\u00f3logos. Alguns companheiros o acusaram de ter colaborado com a pol\u00edcia, mas o ex-senador Nelson Wedekin, advogado no hist\u00f3rico processo, garante que n\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/mosquito2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-20657\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/mosquito2.jpg\" alt=\"mosquito2\" width=\"300\" height=\"334\" \/><\/a><br \/>\nA redemocratiza\u00e7\u00e3o tirou um pouco do brilho popular dele. Magrinho e el\u00e9trico na juventude, da\u00ed o &#8220;Mosquito\u201d, virou obeso na vida adulta. Conseguiu seu primeiro emprego p\u00fablico na prefeitura do PMDB, gest\u00e3o Edson Andrino. Cuidava de um projeto de cinema na periferia, com expediente nos findis &#8211; fosse outro, na certa seria chamado de funcion\u00e1rio fantasma pelo blog Tijoladas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">FAVORECIDO<\/span><br \/>\nEm 1987 Mosquito obteve do ent\u00e3o senador Jaison Barreto (do Partid\u00e3o, no PMDB) uma ajudinha pra comprar uma casa de tr\u00eas andares no Centro Hist\u00f3rico.<br \/>\nA bancada do PMDB-SC em Bras\u00edlia intermediou o pedido \u00e0 Caixa de financiamento habitacional fora das regras para o her\u00f3i da luta contra a ditadura. Foi maracutaia. Fosse outro o beneficiado e teria levado uma tijolada daquelas.<br \/>\nCom o dinheiro Mosquito montou o bar Havana &#8211; point dos anos 80 e 90 com pouca pol\u00edtica, boa m\u00fasica, excelentes feijoadas e carnavais memor\u00e1veis. L\u00e1, rompeu com os amigos do PMDB.<br \/>\nO diploma de administrador n\u00e3o lhe serviu para muita coisa. Todos os neg\u00f3cios em que se meteu fracassaram. Transformou a casa da Caixa num sebo de livros. Depois restaurante, loja de inform\u00e1tica, mais tarde em loja tem\u00e1tica do time do Ava\u00ed &#8211; no fim, era s\u00f3 um cafofo para as namoradas.<br \/>\nBolava promo\u00e7\u00f5es avan\u00e7adas demais para Floripa, como vender computadores na feira livre. Fazia bicos. Durante elei\u00e7\u00f5es usava as suas capacidades de agitador profissional &#8211; chegava nas cidades do interior antes dos candidatos, armava o palanque e esquentava o eleitorado.<br \/>\nEle era um solteir\u00e3o convicto. Seu relacionamento mais duradouro foi com Elaine, 17 anos mais nova. Em 2000, tiveram J\u00falia. Ele sumiu por seis meses, at\u00e9 reaparecer e se dizer pronto para uma fam\u00edlia.<br \/>\nN\u00e3o estava. Sumiu de novo. Foi e voltou por 11 anos. Elaine disse que era louca por ele, mas que n\u00e3o poderia esperar tanto tempo. Meses antes de morrer, Mosquito pedia para juntarem os trapinhos outra vez. A\u00ed ela n\u00e3o quis mais: &#8220;N\u00e3o era homem para fam\u00edlia, gostava de viver isolado&#8221;.<br \/>\nEla conta que os dois se mantiveram bons amigos a vida toda. &#8220;Mosquito era generoso, quando tinha, tudo era de todos&#8221;. N\u00e3o pagava a pens\u00e3o de J\u00falia, mas a m\u00e3e n\u00e3o cobrava &#8220;porque ele mal podia se sustentar&#8221;. Os tr\u00eas almo\u00e7avam juntos quase todos os domingos na casa de Palho\u00e7a.<br \/>\n<span class=\"intertit\">NEOPETISTA<\/span><br \/>\nQuando come\u00e7ou a Era Lula, Mosquito se filiou ao PT. O Havana j\u00e1 n\u00e3o existia mais. Vapt vupt e ele passou seis meses no Nordeste. Tinha avisado aos amigos que trabalharia num dos novos governos petistas &#8211; mas voltou de l\u00e1 duro, desempregado e mais gordo, quase 130 quilos para 1m78.<br \/>\nCome\u00e7ou ent\u00e3o a cavar embaixo dos p\u00e9s: durante o caso do Mensal\u00e3o foi num debate com Jos\u00e9 Dirceu na Assembleia Legislativa\/SC e botou a boca nele. O PT viu no neopetista o mesmo Mosquito err\u00e1tico dos tempos do PMDB.<br \/>\nEndividado, vendeu a casa da Caixa. No Kibel\u00e2ndia, adotado como segundo lar, anunciou planos grandiosos com a grana. Iria abrir um jornal em Palho\u00e7a. Primeiro passo: comprou na cidade a casa onde morreria.<br \/>\nEle disse que o plano furou porque os vizinhos do condom\u00ednio seriam uns &#8220;burgueses ego\u00edstas&#8221; &#8211; isto por n\u00e3o apoiarem seu natimorto jornal.<br \/>\nLogo o dinheiro acabou. De volta ao \u00f3cio no Kibel\u00e2ndia, pediu emprego ao PT, ent\u00e3o j\u00e1 coligado com o PMDB. Ganhou um, para fiscalizar o programa Luz Para Todos, numa empresa terceirizada pela estatal Eletrosul &#8211; se fosse um advers\u00e1rio o beneficiado com o emprego teria sido chamado de aproveitador pelo blog.<br \/>\nAli ele deu uma tijolada no pr\u00f3prio p\u00e9. Denunciou maracutaia na Eletrosul. Como ainda n\u00e3o tinha o blog, enviou para jornais um dossi\u00ea com fotos de propriedades rurais de dirigentes do PMDB que supostamente estariam se beneficiando de liga\u00e7\u00f5es de energia ilegais. Batendo no aliado, mordeu a m\u00e3o dos petistas que o nomearam.<br \/>\nEle foi demitido da Eletrosul. Estava convencido que sua cabe\u00e7a foi pedida pela ent\u00e3o senadora Ideli Salvatti. Recorreu \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho para reintegra\u00e7\u00e3o, dizendo-se perseguido pol\u00edtico \u201cpor ter feito a coisa certa\u201d.<br \/>\nO juiz trabalhista mandou as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o para o Minist\u00e9rio P\u00fablico apurar, mas deram em nada. Mosquito levou s\u00f3 uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 30 mil. Ele achou pouco e por isto brigou feio com a advogada, fechando uma era: Ros\u00e2ngela &#8220;Lel\u00ea&#8221; de Souza era amiga da primeira hora, uma dos sete da Novembrada.<br \/>\nFora da Eletrosul e da pol\u00edtica, recolheu-se de vez ao Kibel\u00e2ndia. Foi ali, no final de 2008, que ele criou seu Tijoladas. Se achou. E se fechou: &#8220;Vinha visitar a m\u00e3e e n\u00e3o saia da droga do notebook&#8221;, diz o irm\u00e3o \u00canio, eletricista. &#8220;N\u00e3o via mais nada, s\u00f3 aquele blog&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">IRREVERENTE<\/span><br \/>\nMosquito adorava o papel de jornalista blogueiro que criara para si mesmo. De sorriso aberto, gestos largos e em voz alta, dominava os ambientes recontando as tijoladas que dava e as que daria nos &#8216;inimigos&#8217; &#8211; seu discurso p\u00fablico era do tipo &#8220;quem n\u00e3o est\u00e1 comigo est\u00e1 contra mim&#8221;.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-14838\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/muska4.jpg\" alt=\"muska4\" width=\"265\" height=\"176\" \/><br \/>\nUma das primeira tijoladas foi sucesso de audi\u00eancia no blog e reproduzida pela m\u00eddia tradicional. Mosquito postou o v\u00eddeo da desembargadora Rejane Anderson, do TJSC, gravado por um policial de tr\u00e2nsito. Ela aparecia dando carteira\u00e7o para evitar que o carro do filho fosse apreendido.<br \/>\nOs advogados dele acreditam que ali ele fez inimigos poderosos no Judici\u00e1rio: &#8220;As a\u00e7\u00f5es contra Mosquito tramitavam mais r\u00e1pido do que as outras&#8221;, garante Edson Silva Jardim, que v\u00ea no cliente um her\u00f3i.<br \/>\nMosquito bateu tanto em Ideli Salvatti que ela conseguiu uma ordem judicial para impedir que ele citasse seu nome. A mesma decis\u00e3o ordenou ao Google que suprimisse tudo dele.<br \/>\nA\u00ed ele foi para cima do vereador Marcos Souza, aliado de Ideli. Negro, brindado com o cl\u00e1ssico &#8220;n\u00e3o faz na entrada faz na sa\u00edda&#8221;. E disparou a tijolada mentirosa de que Souza empregava filha e genro em seu gabinete na C\u00e2mara de Floripa.<br \/>\n&#8220;Eu o conhecia desde os oito anos e por isso nunca lhe respondi. Ele era um provocador, desbocado e racista. Para crescer, precisava de algu\u00e9m para bater&#8221;, disse o vereador. Souza ganhou na Justi\u00e7a e Mosquito fez acordo para um pedido p\u00fablico de desculpas &#8211; mas morreu antes de se retratar.<br \/>\nEle tamb\u00e9m bateu pesado no ex-governador Leonal Pavan. Denunciado pelo MP \u00e0s v\u00e9speras de tentar reelei\u00e7\u00e3o em 2010, desistiu da candidatura. No dia em que Mosquito morreu, Pavan obteve uma vit\u00f3ria tardia: a Justi\u00e7a rejeitou as den\u00fancias.<br \/>\nQuem ele pegou para Cristo foi o empres\u00e1rio Fernando Marcondes de Mattos, do Cost\u00e3o do Santinho. Mattos foi preso pela PF na Opera\u00e7\u00e3o Moeda Verde, acusado de subornar vereadores e \u00f3rg\u00e3os ambientais para favorecer seu hotel.<br \/>\nMosquito s\u00f3 chamava o empres\u00e1rio de &#8220;meliante&#8221;. Processado, pegou dois anos de cadeia por difama\u00e7\u00e3o &#8211; pena substitu\u00edda por servi\u00e7os comunit\u00e1rios.<br \/>\nA ju\u00edza admitiu que Mattos poderia ser condenado. Mas isto n\u00e3o daria a ningu\u00e9m &#8220;o direito de se arvorar em salvador da p\u00e1tria\u201d. Ela sentenciou: &#8220;O blogueiro confunde liberdade de express\u00e3o com ofender a honra alheia&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">PERSEGUIDO<\/span><br \/>\nMosquito fez a mesma coisa com o prefeito de Florian\u00f3polis D\u00e1rio Berger. Cheio de processos, mas sem nunca ter sido condenado, Berger se considerava ficha limpa. Os dois se enfrentaram na Justi\u00e7a.<br \/>\nAudi\u00eancia, 18 dias antes da morte: ju\u00edza, promotor e advogado viram o blogueiro no banco dos r\u00e9us quase prostrado. Respirava com dificuldades depois de sobreviver a quatro enfartes. Estava pressionado pela condena\u00e7\u00e3o anterior, financeiramente quebrado, com o blog esfacelado por hackers.<br \/>\nO queixoso viu ali uma oportunidade de ouro para dobrar seu algoz. A\u00ed lhe perguntaram candidamente se ele confirmava as afirma\u00e7\u00f5es contidas no blog de que o senhor prefeito era corrupto. O velho Mosquito voltou l\u00e1 do fundo como um vulc\u00e3o. Apontou o dedo para o rosto de D\u00e1rio Berger, manteve o escrito e ainda berrou: &#8220;Corrupto&#8221;!<br \/>\nBafaf\u00e1 na sala de audi\u00eancias. Mosquito foi preso na hora. Pagou fian\u00e7a e saiu gritando da audi\u00eancia, dizendo-se v\u00edtima de um compl\u00f4 legal. Seria &#8220;retalia\u00e7\u00e3o pelo que publico&#8221; &#8211; seus advogados ajudaram na pira\u00e7\u00e3o descrevendo a cena como prova de que o Judici\u00e1rio era contra ele.<br \/>\nO ponto alto da carreira de Mosquito foi uma baixaria e uma maldade. Ele jogou no blog todos os detalhes s\u00f3rdidos de um estupro cometido por dois adolescentes de Floripa &#8211; naquele dia obteve 75 mil acessos e se tornou \u00edcone do jornalismo blogueiro independente.<br \/>\nO Tijoladas escancarou o nome dos estupradores, entre eles o filho de um dos donos da RBS, e o da v\u00edtima, afrontado a lei que protege menores.<br \/>\nNo epis\u00f3dio da RBS Mosquito ganhou o apoio do programa Domingo Espetacular da Rede Record. O jornalista Paulo Henrique ficou alguns dias no Kibel\u00e2ndia para repercutir as den\u00fancias dele contra a afiliada da Globo. Elogiava seu entrevistado como &#8220;um Quixote&#8221; &#8211; Mosquito se sentia supervalorizado e ia mais fundo na briga dos cachorros grandes.<br \/>\n<span class=\"intertit\">SONHADOR<\/span><br \/>\nEm algum momento Mosquito acreditou que seria convidado para ser diretor da Rede Record no Esp\u00edrito Santo. Estaria na etapa de discutir sal\u00e1rios e a contrata\u00e7\u00e3o de duas secret\u00e1rias, tudo testemunhado por dona Cristina, gar\u00e7onete do Kibe. At\u00e9 que ele confidenciou ao compadre Jo\u00e3o Vianney ter demorado demais para acertar. Lamentou-se: &#8220;Perdi a chance&#8221;.<br \/>\nEm 2010 ele entrou noutra briga sonhando grande. Estudantes x pol\u00edcia, no protesto contra o aumento de passagens de \u00f4nibus. Mosquito correu para o terminal e quis assumir a lideran\u00e7a do movimento.<br \/>\nSeria uma novembrada em maio. Os estudantes n\u00e3o entenderam nada. Ent\u00e3o enxotaram do caixote aquele velhinho agitador, barbudo, gordo e careca &#8211; muitos nem sabiam quem era. Ele se achava vereador sem mandato, j\u00e1 sondava o PSOL para concorrer este ano.<br \/>\nPara se sustentar Mosquito passou a vender camisetas do Tijoladas. Ficava furioso quando os amigos n\u00e3o compravam. Achava que era obriga\u00e7\u00e3o deles manter a &#8220;m\u00eddia alternativa democr\u00e1tica&#8221; e ajud\u00e1-lo na luta contra a &#8220;corrup-i-\u00e7\u00e3o&#8221;, como dizia com seu sotaque ilh\u00e9u.<br \/>\n&#8220;Menos&#8221;, diz o ex-presidente da Fenaj S\u00e9rgio Murillo de Andrade, amigo dele por 30 anos. &#8220;Mosquito n\u00e3o era jornalista, foi s\u00f3 um agitador&#8221;.<br \/>\nEle passou ent\u00e3o a viver de achaques. Aos amigos pedia que lhe pagassem contas de luz, telefone, o rango no bar. \u00c0s vezes, n\u00e3o tinha nem o dinheiro da passagem para Palho\u00e7a &#8211; mas, teimoso, recusava-se a vender a casa.<br \/>\nQueixou-se uma vez que &#8220;o blog fez sucesso, ficou famoso, e eu ia levando, sem lastro econ\u00f4mico, minhas roupas acabando&#8221;.<br \/>\nUm certo Jairo Viana postou na internet o extrato da depend\u00eancia dele em 2011: &#8220;&#8230;pude dar a ele uma cordinha de varal, grampos pra varal, comprei uma camiseta e paguei uma di\u00e1ria de hotel quando ele esteve em Crici\u00fama. Dias depois depositei uns cr\u00e9ditos no telefone dele&#8221;. \u00a0E Viana ainda ficou feliz de ter ajudado aquele &#8220;maluco beleza que queria reformar o mundo&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">ATOLADO<\/span><br \/>\nAqui v\u00e3o trechos da \u00faltima correspond\u00eancia de Mosquito com um amigo, onde admitiu que &#8220;a ficha demorou a cair&#8230; outro dia fui ver e tinha passado meses com 500 pila (reais)&#8221;. Logo ele descobriu o que todo mundo sabe: &#8220;N\u00e3o dava para viver apenas pagando \u00e1gua, luz e comida&#8221;.<br \/>\nNo fim: &#8220;Sou um cara que atolou o p\u00e9 na lama e n\u00e3o sabe como sair&#8221;. A turma de fofoqueiros que o conhecia do bar espalhou que o atolado estava sendo sustentado pelo deputado federal Esperidi\u00e3o Amin (PP). Parecia verdade porque Mosquito j\u00e1 tinha declarado voto nele para prefeito.<br \/>\n&#8220;Nunca lhe dei um tost\u00e3o&#8221;, disse Amin. &#8220;Me deve tr\u00eas \u00falceras que deu na minha mulher (a ex-prefeita \u00c2ngela) de tanto bater por causa dos \u00f4nibus&#8221;.<br \/>\nNo Kibel\u00e2ndia, passou a ser levemente hostilizado. O psiquiatra Heitor Br\u00e1ulio de Freitas, que bebe por l\u00e1 todos os dias, disse que viu nele o perfil suicida: &#8220;O ego dele era grande demais, n\u00e3o poderia viver sem o blog&#8221;.<br \/>\nDesesperado em busca de emprego pediu ao compadre para trabalhar como consultor de educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, mas ouviu um n\u00e3o: &#8220;Ele nunca tinha feito isto. As tijoladas assustavam todo mundo e ningu\u00e9m o empregaria&#8221;.<br \/>\nMosquito ent\u00e3o apelou para o amiga\u00e7o de inf\u00e2ncia Paulinho Carreir\u00e3o, s\u00f3cio da Brognoli PrestServ, a maior do ramo na cidade. Ele n\u00e3o lhe faltou. Ofereceu vaga de pintor de paredes ou fiscal de obras, oferta rejeitada.<br \/>\n<span class=\"intertit\">ENCURRALADO<\/span><br \/>\nMosquito anunciou o fim da carreira em 9 de dezembro. Fechou o blog e deletou suas 1298 postagens: &#8220;N\u00e3o tenho mais como enfrentar as amea\u00e7as e retalia\u00e7\u00f5es pelo que publico&#8221; &#8211; fiel ao personagem v\u00edtima de poderosos.<br \/>\nEm seguida, num gesto teatral, destruiu o HD do laptop a marretadas, sumindo com as &#8220;provas de corrup\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios casos\u201d &#8211; quem viu sabe que era uma pilha de recortes digitalizados, alguns documentos ap\u00f3crifos e sua cole\u00e7\u00e3o particular de fofocas recolhidas no Kibel\u00e2ndia.<br \/>\nQuatro dias depois ele estava morto. Por todos os relatos de amigos ele se sentia sem perspectivas. &#8220;Mosquito parecia transtornado quando o encontrei na quarta (7 de dezembro) na esquina da rua Osmar Cunha&#8221;, conta a amigaTatiana Lino, dona do caf\u00e9 Trajano. &#8220;Conversamos bastante, tentei acalm\u00e1-lo, mas ele se despediu de mim dizendo que iria se suicidar&#8221;.<br \/>\nNa manh\u00e3 do s\u00e1bado, 10 de dezembro, ele iniciou a jornada sem volta. Encheu a banheira no andar superior de casa e tentou afogar-se nela.<br \/>\n\u00c0s 16h, chorando, chamou a ex-mulher. No telefonema de uma hora explicou para Elaine que fracassou &#8220;por covardia&#8221;.<br \/>\nEle avisou que tentaria se matar com outro m\u00e9todo. Mosquito ainda disse para Elaine ter destru\u00eddo o HD do computador com o qual erguera seu reino de quase 1200 dias na internet.<br \/>\nAquele telefonema choroso era o lado do Mosquito que poucos conheciam. Elaine fez o de sempre nas depr\u00eas dele: ouviu, confortou, incentivou. No fim do papo, desligou o telefone: &#8220;Achei que seria como das outras vezes&#8221;.<br \/>\nA menina tamb\u00e9m falou com ele. Apesar da pouca idade, deu conselho de gente grande: &#8220;Pai, sai dessa, parte pra outra&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">TRA\u00cdDO<\/span><br \/>\nMas, Mosquito estava sem perspectivas. &#8220;Ele fez muitas escolhas erradas na vida, inclusive a \u00faltima&#8221;, analisa o ex-senador Wedekin, decepcionado com o cliente que tanto ajudou.<br \/>\nO professor Fontana v\u00ea uma tr\u00e1gica coer\u00eancia na trajet\u00f3ria dele. Em grava\u00e7\u00e3o de 50 minutos do jovem estudante para o livro Novembrada, em 1980, recolheu a bravata de que Mosquito nunca iria &#8220;integrar-se ou entregar-se&#8221; ao sistema: &#8220;Foi se inviabilizando como pessoa, mas atacava alguns caras que mereciam. Fez mais bem do que mal \u00e0 sociedade&#8221;.<br \/>\nMosquito tentou explicar suas atividades num dos \u00faltimos posts. Eram quase como abra\u00e7ar o mundo com as pernas: &#8220;O blog foi constru\u00eddo com o objetivo de denunciar corrup\u00e7\u00e3o, tratar de assuntos ligados \u00e0 cidadania e versar sobre os mais diversos temas da blogosfera&#8221;. \u00a0E postou sua presta\u00e7\u00e3o de contas: &#8220;Contribui para tentar sanear a pol\u00edtica catarinense&#8221;.<br \/>\nDe Bras\u00edlia, o poeta Emanuel Medeiros Vieira botou o cara nas alturas. Eis trechos de &#8220;Mosquitadas&#8221;, para &#8220;os amigos dos sonhos de antigamente&#8221;, criticando o sistema &#8211; sistema que teria provocado a morte dele:<br \/>\n<em>Em sil\u00eancio, eu sei, muitos se rejubilam com a tua morte.<br \/>\nEram inimigos fort\u00edssimos, de v\u00e1rios matizes \u2013 fortes n\u00e3o pelo humanismo (s\u00e3o carecedores dele), mas pelo poder mesquinho e pela pec\u00fania.<\/em><br \/>\n<em>Mais do que os processos, a falta de dinheiro, era insuport\u00e1vel enxergar quase todos fechados em si mesmos, a m\u00eddia imbecilizante, o ego\u00edsmo velhaco, o mundo dirigido pelos financistas, o pa\u00eds dos nossos sonhos na lata de lixo.<\/em><br \/>\n<span class=\"intertit\">CARENTE<\/span><br \/>\nCacau Menezes, colunista mais popular do Estado, escreveu no Di\u00e1rio Catarinense que reconhecia o direito dele de se indignar com tudo e todos.<br \/>\nOs dois foram amigos na juventude, mas advers\u00e1rios na web. Ele viu Mosquito dizendo &#8220;coisas que a grande m\u00eddia n\u00e3o tem coragem&#8230; m\u00eddia e pol\u00edtica est\u00e3o cada vez mais juntos no que eles querem&#8221;.<br \/>\nO colunista deu a entender que Mosquito cometeu suic\u00eddio como sua \u00faltima tijolada, de um jeito que deixaria os desafetos como suspeitos de crime &#8211; crime que n\u00e3o aconteceu, de acordo com o perito policial Milton Silva, autor do laudo de suic\u00eddio.<br \/>\nAs d\u00favidas surgiram porque vizinhos invadiram a cena antes da chegada da pol\u00edcia, logo depois que o padre Elizandro descobriu o corpo. A simples presen\u00e7a do padre na casa do ateu confesso j\u00e1 provocara especula\u00e7\u00f5es entre os que acreditavam em assassinato.<br \/>\nO padre chegou l\u00e1 por acaso. Um amigo comum, o blogueiro religioso Nahor Lopes, distante 100 km, pediu para Elizandro, da par\u00f3quia do Aririu, a dois quil\u00f4metros da Pedra Branca, para dar uma checada em Mosquito, j\u00e1 quando ele n\u00e3o atendia mais o telefone nem emails.<br \/>\nDepois do susto de ver Mosquito morto o padre correu para a rua pedindo socorro aos vizinhos. Um psic\u00f3logo e um funcion\u00e1rio da Brasil Telecom que consertava fones no peda\u00e7o entraram na casa. Deram uma de CSI. Notaram que um dos p\u00e9s do morto estava no ch\u00e3o. Foi o psic\u00f3logo que espalhou na vizinhan\u00e7a a teoria do assassinato.<br \/>\nDepois deles, um delegado aposentado da pol\u00edcia ga\u00facha deu seu pitaco: \u201cO len\u00e7ol estava amarrado como quem tem caxumba, apenas no queixo&#8221;, portanto, seria crime. Mais: &#8220;A panturrilha esquerda dele tocava num banquinho, se fosse suic\u00eddio teria esperneado e o derrubaria&#8221;. Segundo a per\u00edcia, as teorias do psic\u00f3logo e do delegado s\u00e3o furadas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">SEM SA\u00cdDA<\/span><br \/>\nAntes de morrer, Mosquito tamb\u00e9m falou com o irm\u00e3o. \u00canio fez mais do que Elaine: o convidou para voltar \u00e0 casa da m\u00e3e, onde nada lhe faltaria: &#8220;A gente tinha diferen\u00e7as, mas eu o amava&#8221;, disse, com os olhos marejados, sentindo-se culpado por n\u00e3o ter notado que daquela vez era s\u00e9rio.<br \/>\nOs \u00faltimos contatos dele foram com o blogueiro Canga. Pediu emprego, numa mensagem desesperada. Queria que o amigo encontrasse a oportunidade entre gente que ele teria ajudado com suas tijoladas, a quem &#8220;nunca pedira nada em troca&#8221; \u2013 enfim o blog apresentava sua fatura.<br \/>\nCanga n\u00e3o tem d\u00favida de que o amigo se suicidou. Levou sua opini\u00e3o ao delegado Attilio Guaspari &#8211; encarregado do inqu\u00e9rito e autor da singular tese de suic\u00eddio porque o homem estava muito pesado: &#8220;Precisamos de cinco para baix\u00e1-lo do len\u00e7ol, logo, teriam que ser cinco ou mais para pendur\u00e1-lo&#8221;.<br \/>\nDepois que a pol\u00edcia retirou o corpo da casa dona Elaine foi l\u00e1 e queimou os arquivos do blog. &#8220;Ele era muito organizado com pap\u00e9is, tinha at\u00e9 o manual de uma batedeira que n\u00e3o existia mais&#8221;.<br \/>\nNum momento de ternura e fraqueza, ela balan\u00e7a a cabe\u00e7a e tenta negar o suic\u00eddio. Pergunta ao rep\u00f3rter se n\u00e3o teria sido poss\u00edvel algu\u00e9m ter for\u00e7ado Mosquito a se matar mediante amea\u00e7as \u00e0 filha \u2013 ela lembra que meses atr\u00e1s a menina foi seguida por um desconhecido que se dizia fot\u00f3grafo.<br \/>\nEla mesma responde \u201cposs\u00edvel, mas improv\u00e1vel\u201d. Elaine pareceu levemente paranoica com a seguran\u00e7a da filha: \u201cTenho medo que algu\u00e9m queira vingar-se nela\u201d.<br \/>\nElaine n\u00e3o quer mais voltar na rua Maracan\u00e3s. Deu o dog Ventania para uma amiga e botou a casa para alugar na Imobili\u00e1ria Brognoli.<br \/>\nAmilton Alexandre foi sepultado no cemit\u00e9rio do Itacorubi. E ali deu a prova definitiva de nunca ter se integrado no sistema: os amigos tiveram que fazer uma vaquinha pelos R$ 2.600 devidos \u00e0 funer\u00e1ria S\u00e3o Joaquim.<br \/>\nUm videomaker gravou o enterro para um document\u00e1rio. O corpo do filho inquieto foi entregue ao infinito na mesma carneira do pacato seu Amadeu.<br \/>\nA vi\u00fava e a filha jogaram flores na cova. Amigos fizeram discursos emocionados. A \u00faltima a falar foi Lel\u00ea, enfim reconciliada. Ela o descreveu como sendo &#8220;do bem&#8221;.<br \/>\nE algu\u00e9m fez a homenagem s\u00edmbolo do personagem: jogou um tijolo no caix\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renan Antunes de Oliveira Ilustra\u00e7\u00e3o de Enio Squeff | Fotos de Celso Martins e TV UFSC A porta j\u00e1 estava aberta quando o padre Elizandro procurou pelo blogueiro Mosquito na rua dos Maracan\u00e3s. Ele entrou e deu de cara com o corpo dele pendurado na escada, enforcado num len\u00e7ol. A cena parecia de suic\u00eddio. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":20653,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-32j","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}