{"id":11773,"date":"2012-03-15T16:10:05","date_gmt":"2012-03-15T19:10:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=11773"},"modified":"2012-03-15T16:10:05","modified_gmt":"2012-03-15T19:10:05","slug":"exibicao-dos-documentarios-pina-e-carta-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/exibicao-dos-documentarios-pina-e-carta-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rios encerram festival"},"content":{"rendered":"<p>Os document\u00e1rios <em>Pina<\/em>, de Wim Wenders, e <em>Carta para o futuro<\/em>, de Renato Martins, est\u00e3o inclu\u00eddos na programa\u00e7\u00e3o de encerramento, nesta quinta-feira (15\/03), da oitava edi\u00e7\u00e3o do <em>Festival de ver\u00e3o do RS de cinema internacional<\/em>, com exibi\u00e7\u00f5es, a partir das 19h30min, no Espa\u00e7o Ita\u00fa de Cinema, no shopping Bourbon Country.<br \/>\nOs longas, finalizados em 2011, tra\u00e7am ins\u00f3litos percursos: art\u00edstico, no caso de Wim Wenders que em 3D retrata aspectos da vida e da carreira da core\u00f3grafa e bailarina Pina Bausch, morta em 2009; antropol\u00f3gico, em <em>Cartas para o futuro<\/em>, no qual Renato Martins, atrav\u00e9s de grava\u00e7\u00f5es de partes do dia-a-dia de tr\u00eas grupos familiares cubanos \u2013 a partir de material audiovisual coletado durante sete anos \u2013 faz um interessante panorama comportamental da sociedade cubana atual.<br \/>\nMartins foge dos estere\u00f3tipos que, desde a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, h\u00e1 mais de 50 anos, acostumou-se, sobretudo em produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, a retratar-se a ilha de Fidel. Ele construiu sua narrativa atrav\u00e9s de depoimentos, concentrados principalmente na fam\u00edlia Torres, onde a professora Miriam \u00e9 o principal elo de quatro gera\u00e7\u00f5es de cubanos que, apesar das dificuldades, seguem fiel ao programa socialista.<br \/>\nA ela, tipicamente de classe m\u00e9dia, somam-se os outros n\u00facleos familiares compostos pela fam\u00edlia de Luiz Alberto, taxista, e de Michel, negro, cujas condi\u00e7\u00f5es de vida se assemelham a de um favelado brasileiro.<br \/>\nApesar dos desn\u00edveis evidentes, do racismo que a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu apagar, do bloqueio econ\u00f4mico, que estrangula a ilha, imposto pelos Estados Unidos, do p\u00e3ozinho di\u00e1rio que cada cidad\u00e3o tem direito, a pergunta: Afinal por que continuamos lutando? Pelo futuro, responde Miriam, cujo filho J\u00falio, emigrou para o pa\u00eds de George Bush, que \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio diabo no imagin\u00e1rio de Diego, o neto.<br \/>\nPortanto, num pa\u00eds onde tudo parece faltar, mas que, segundo Martins, a no\u00e7\u00e3o de tempo \u00e9 completamente diferente, menos estressante, a melhor op\u00e7\u00e3o seja aderir a ALCA, que segundo a professora significa: \u201cal carajo el bloqueo\u201d.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/Pina.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"442\" \/><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/008-ohlsson.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"437\" \/><br \/>\n<span class=\"intertit\">PINA<\/span><br \/>\nUm dos maiores nomes da Dan\u00e7a do s\u00e9culo XX, a alem\u00e3 Pina Bausch morreu h\u00e1 quase dois anos sem poder ver a riqueza de possibilidades que a tecnologia 3D ofereceria ao seu trabalho, da profundidade que daria aos movimentos dos bailarinos da companhia que dirigiu e hoje leva seu nome, a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch.<br \/>\nWim Wenders tem uma maneira muito original de tratar biografias. Em <em>Pina<\/em>, da mesma forma como j\u00e1 havia feito em <em>Tokio-Ga<\/em> \u2013 quando retratou a vida do cineasta japon\u00eas Yasujiro Ozu \u2013 Wenders faz uma excelente mistura imag\u00e9tica de arquivos, depoimentos, e novas encena\u00e7\u00f5es baseadas na heran\u00e7a art\u00edstica do biografado, caso da engra\u00e7ada coreografia das quatro esta\u00e7\u00f5es.<br \/>\nTendo como principal cen\u00e1rio a cidade alem\u00e3 de Wuppertal \u2013 sede do Tanztheater e famosa por seu trem monotrilho, suspenso \u2013 o document\u00e1rio recupera o conjunto da obra da core\u00f3grafa, inclu\u00eddo trechos do espet\u00e1culo <em>Caf\u00e9 Muller<\/em>, um dos raros documentos em que Bausch aparece dan\u00e7ando.<br \/>\nAo agregar a dan\u00e7a elementos do teatro, do cabar\u00e9, Bausch renovou a linguagem corporal. E o cinema, atrav\u00e9s da decupagem em planos, mais a tecnologia 3D, ajuda acentuar os movimentos que sob a dire\u00e7\u00e3o de Wenders se tornam extremamente sensuais, dando a impress\u00e3o, \u00e0s vezes, que se pode tocar no corpo, no sexo da bela bailarina latina.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 apenas sensualidade. O document\u00e1rio, atrav\u00e9s de primeiros planos e closes, capta os elementos narrativos da est\u00e9tica de Bauch feita de puls\u00f5es, que fazia seus bailarinos falarem, chorarem, transmitir express\u00f5es de medo, ang\u00fastia, e tamb\u00e9m de humor, e vigor.<br \/>\nMulti\u00e9tnico e transnacional, o Tanztheater conta em seu quadro com a bailarina brasileira Regina Advento que, apesar de falar alem\u00e3o, no filme d\u00e1 um depoimento em portugu\u00eas, pois uma das propostas de Wenders \u2013 como era da core\u00f3grafa &#8211; \u00e9 a de tornar seus espet\u00e1culos organicamente cosmopolita: falam-se os idiomas ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas, chin\u00eas. Mesmo tratamento dado a trilha, do cl\u00e1ssico ao pop, e onde se pode ouvir <em>O le\u00e3ozinho<\/em> de Caetano Veloso.<br \/>\n<em>Por Francisco Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os document\u00e1rios Pina, de Wim Wenders, e Carta para o futuro, de Renato Martins, est\u00e3o inclu\u00eddos na programa\u00e7\u00e3o de encerramento, nesta quinta-feira (15\/03), da oitava edi\u00e7\u00e3o do Festival de ver\u00e3o do RS de cinema internacional, com exibi\u00e7\u00f5es, a partir das 19h30min, no Espa\u00e7o Ita\u00fa de Cinema, no shopping Bourbon Country. Os longas, finalizados em 2011, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":21789,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-11773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-33T","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11773"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11773\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}