{"id":12368,"date":"2013-08-08T11:43:00","date_gmt":"2013-08-08T14:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12368"},"modified":"2013-08-08T11:43:00","modified_gmt":"2013-08-08T14:43:00","slug":"caso-alstom-pf-indicia-dez-pessoas-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/caso-alstom-pf-indicia-dez-pessoas-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Caso Alstom: PF indicia dez pessoas em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>O jornal O Estado de S. Paulo de hoje traz reportagem com base em documentos da Pol\u00edcia Federal, mostrando como funcionou o suposto esquema de pagamento de propina a integrantes do governo paulista e ao PSDB pelo grupo franc\u00eas Alstom. Dez pessoas foram indiciadas no inqu\u00e9rito da PF. Entre elas, dois ex-secret\u00e1rios, dois diretores da estatal de energia EPTE (ex-Eletropaulo), consultores e executivos da Alstom.<br \/>\nO rep\u00f3rter Bruno Ribeiro Marcelo Godoy revela que autoridades su\u00ed\u00e7as sequestraram 7,5 milh\u00f5es de euros em uma conta conjunta no Banco Safdi\u00e9 em nome de Jorge Fagali Neto e de Jos\u00e9 Geraldo Villas Boas. Fagali \u00e9 ex-secret\u00e1rio de Transportes Metropolitanos de S\u00e3o Paulo (1994, gest\u00e3o de Luiz Ant\u00f4nio Fleury Filho), ex-diretor dos Correios (1997) e de projetos de ensino superior do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (2000 a 2003), no segundo governo Fernando Henrique Cardoso. Villas Boas \u00e9 dono de uma das offshores acusadas de lavar dinheiro do esquema.<br \/>\nO caso envolvendo a Alstom \u00e9 semelhante ao do cartel metroferrovi\u00e1rio denunciado pela Siemens, do qual a Alstom tamb\u00e9m faria parte. Fagali foi indiciado por forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, lavagem de dinheiro e evas\u00e3o. Acusados de corrup\u00e7\u00e3o passiva, o ex-secret\u00e1rio de Energia e vereador Andr\u00e9a Matarazzo (PSDB), o ex-presidente da EPTE Eduardo Jos\u00e9 Bernini e o ex-diretor financeiro da empresa Henrique Fingermann. Consultores e diretores da Alstom foram indiciados sob as acusa\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, corrup\u00e7\u00e3o ativa, evas\u00e3o e lavagem de dinheiro.<br \/>\nSegundo a reportagem apurou junto \u00e0 PF, os benefici\u00e1rios finais da corrup\u00e7\u00e3o eram &#8220;servidores p\u00fablicos do governo no primeiro semestre de 1998&#8221;, na gest\u00e3o de M\u00e1rio Covas (PSDB). A investiga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou ap\u00f3s a apreens\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a de documentos com diretores da Alstom sobre subornos. No caso da EPTE, o esquema teria atuado na contrata\u00e7\u00e3o, sem licita\u00e7\u00e3o, de um cr\u00e9dito de R$ 72,7 milh\u00f5es no banco Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, subscrita por Fingermann, seu diretor financeiro. Est\u00e1no inqu\u00e9rito: o dinheiro s\u00f3 foi liberado &#8220;porque o grupo Alstom (&#8230;) idealizou um esquema de pagamento de vantagens indevidas para funcion\u00e1rios p\u00fablicos paulistas (&#8230;) pela aprova\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o do contrato de cr\u00e9dito com declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade de licita\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nO dinheiro serviria para a compra de equipamentos para uma subesta\u00e7\u00e3o de energia. Mas, quando foram entregues, o governo n\u00e3o havia nem licitado o pr\u00e9dio para abrig\u00e1-lo.<br \/>\nO dinheiro das propinas teria sido pago por meio de offshore no Uruguai. A PF destacou quatro: a MCA Uruguay, de Romeu Pinto Junior; a Taldos Ltd, de Jos\u00e9 Geraldo Villas Boas; a Splendore Y Associados Desenvolvimento Econ\u00f4mico, de Jean Marie Lannelongue, e a Andros Management Ltd, de Jean Pierre Charles Antoine Courtadon. Para justificar a sa\u00edda do dinheiro, o esquema contrataria empresas de consultoria no Brasil. Entre elas, estariam a Ce-gelec Engenharia e a Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos &#8211; esta \u00faltima de um empres\u00e1rio ligado ao ex-secret\u00e1rio de Governo de Covas e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho.<br \/>\nDono da MCA, Romeu Pinto Junior confessou \u00e0 PF ter &#8220;servido de intermedi\u00e1rio do pagamento de propinas a funcion\u00e1rios p\u00fablicos paulistas a mando da Alstom e por meio da MCA&#8221;. A MCA usaria tr\u00eas contas banc\u00e1rias no UBP Zurich, uma no Banco Audi em Luxemburgo e outra no Bank Audi em Nova York. O consultor teria recebido da Alstom R$ 40,1 milh\u00f5es em 2000 e 2001 e de 2005 a 2007. Villas Boas teria recebido R$ 2,65 milh\u00f5es da Alstom em 2000 e 2002 &#8220;sem justificativa plaus\u00edvel&#8221;. Ele teria feito grandes saques em esp\u00e9cie do dinheiro depositado pela Alstom. Parte foi enviada \u00e0 Sanmoca Foundation, em Liechtenstein, e apareceu na conta banc\u00e1ria 230-566047, no Banco UBS, na Su\u00ed\u00e7a. Ele alega inoc\u00eancia.<br \/>\nPromotores su\u00ed\u00e7os descobrem propina no Brasil<br \/>\nO correspondedo Estad\u00e3o em Genebra, Jamil Chade, relata que investiga\u00e7\u00e3o na Su\u00ed\u00e7a revelou pagamento de propinas no Brasil. Um caso explicitado em depoimento a que o Estado teve acesso foi o da Usina Hidroel\u00e9trica de It\u00e1, em Santa Catarina, com contrato vencido pela Alstom. Outros 20 casos podem ter seguido o mesmo padr\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o faz parte do processo da Promotoria contra Oskar Holenweger, julgado por diversos crimes e chamado de &#8220;o banqueiro da Alstom&#8221;. Holenweger foi inocentado em 2011, depois de insistir que fazia pagamentos &#8220;em nome&#8221; da empresa.<br \/>\nUm dos casos mencionados pelos promotores su\u00ed\u00e7os foi o envolvimento de uma empresa de consultoria com base no Panam\u00e1 e conta nas Bahamas. Entre janeiro e outubro de 1999, a Janus Holding seria usada em tr\u00eas ocasi\u00f5es para transferir mais de R$ 1 milh\u00e3o para benefici\u00e1rios do projeto em It\u00e1. A usina entraria em funcionamento em 2001 e teria custado US$ 700 milh\u00f5es. No cons\u00f3rcio que ganhou a licita\u00e7\u00e3o estava a Alstom.<br \/>\nA suspeita \u00e9 de que a empresa de consultoria serviria para justificar a emiss\u00e3o de notas de contraltos falsos que, em seguida, eram alvo de pagamento pelos servi\u00e7os. O contrato entre a Janus e a Hidroel\u00e9trica de It\u00e1 foi fechado no dia 5 de janeiro de 1999. Dez dias depois, o primeiro dep\u00f3sito, de US$ 350 milh\u00f5es, foi feito. No total, mais de US$ 2 milh\u00f5es podem ter sido usados para permitir a obten\u00e7\u00e3o de contratos, em pelo menos 20 transfer\u00eancias a esquemas no Brasil.<br \/>\nEm 2011, o Estado revelou que, a partir da mesma acusa\u00e7\u00e3o, a Promotoria su\u00ed\u00e7a indicou que, no dia 28 de outubro de 1999, por exemplo, um valor de 41,5 mil teria servido como um aditivo para o projeto Gisel, com o benefici\u00e1rio final sendo Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de S\u00e3o Paulo e chefe da Casa Civil do governador M\u00e1rio Covas entre 1995 e 1997.<br \/>\nOutro benefici\u00e1rio teria sido Jos\u00e9 Geraldo Villas Boas, que teria ficado com 1 milh\u00e3o, de acordo com a acusa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico su\u00ed\u00e7o. Villas Boas foi presidente da Cesp nos anos 1980 e, segundo o Estado apurou, j\u00e1 teria indicado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico no Brasil que de fato prestava consultorias. Nos pagamentos ao Brasil, o nome Jean Marie Lannelongue tamb\u00e9m surge cada vez que Villas Boas ou Marinho recebiam dinheiro.<br \/>\nAlstom \u00e9 condenada por corrup\u00e7\u00e3o nos EUA<br \/>\nO grupo franc\u00eas Alstom acaba de ser condenado nos Estados Unidos, reporta Andrei Netto. A acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma pela qual \u00e9 investigado no Brasil: pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos durante licita\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA condena\u00e7\u00e3o foi na semana passada. De acordo com o Departamento de Justi\u00e7a, Lawrence Hoskins, de 62 anos, ex-vice-presidente do grupo industrial Alstom para a \u00c1sia, foi considerado culpado por viola\u00e7\u00e3o da Lei de Pr\u00e1ticas de Corrup\u00e7\u00e3o no Exterior durante negocia\u00e7\u00f5es para a venda de uma usina de carv\u00e3o para a Indon\u00e9sia. \u00c0 \u00e9poca, a Alstom era cotada na bolsa de valores de Nova York, o que a tornava sujeita \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o americana.<br \/>\nHoskins foi o quarto executivo da empresa sentenciado pelo caso. No dia anterior \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de Hoskins, um outro executivo da empresa, Fr\u00e9d\u00e9ric Pierucci, preso em abril em Nova York, j\u00e1 havia admitido a culpa durante audi\u00eancia da Justi\u00e7a americana. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, a empresa subornou pelo menos um deputado com US$ 300 mil e uma viagem a Paris, com o objetivo de obter vantagens no contrato, cujo valor chegava a US$ 212 milh\u00f5es.<br \/>\nO grupo franc\u00eas \u00e9 apontado por ONGs anticorrup\u00e7\u00e3o como a empresa francesa mais visada no mundo em processos por subornos de agentes p\u00fablicos em licita\u00e7\u00f5es internacionais. A empresa foi &#8220;indicada&#8221; ao &#8220;pr\u00eamio&#8221; de mais corrupta de 2013 pela Focus Association for Sustainable Development, uma ONG que classifica a pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o da empresa como &#8220;estrat\u00e9gia deliberada de neg\u00f3cios&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal O Estado de S. 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