{"id":12396,"date":"2013-08-11T18:52:57","date_gmt":"2013-08-11T21:52:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12396"},"modified":"2013-08-11T18:52:57","modified_gmt":"2013-08-11T21:52:57","slug":"dilma-e-os-nos-da-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/dilma-e-os-nos-da-economia-brasileira\/","title":{"rendered":"Dilma j\u00e1 sonha com a primavera"},"content":{"rendered":"<p>Na sua passagem por Porto Alegre, a presidenta Dilma Rousseff retomou as r\u00e9deas do seu governo, abalado recentemente pelas manifesta\u00e7\u00f5es populares que varreram o pa\u00eds de norte a sul.<br \/>\nFalante e otimista, a presidenta garantiu que o drag\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o finalmente se acalmou e que a recente queda de 0,1% do n\u00edvel do emprego n\u00e3o \u00e9 nada nesse momento de mar\u00e9 baixa da economia mundial.<br \/>\nOlhando por outro lado, a taxa de desemprego em torno de 6% seria um fen\u00f4meno quando comparada, por exemplo, aos 25% da Espanha ou aos 12% dos EUA. Pois bem, retomando o fio da meada econ\u00f4mica \u2013 sem a emerg\u00eancia marqueteira que ronda os passos da presidenta \u2013, devemos reconhecer que ainda estamos longe de um bom diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o, pois os dados s\u00e3o muito contradit\u00f3rios.<br \/>\nNuma entrevista coletiva \u201cimprovisada\u201d no sagu\u00e3o do edif\u00edcio em que se hospeda em Porto Alegre, a presidenta Dilma Rousseff retomou as r\u00e9deas do seu governo, abalado pelas manifesta\u00e7\u00f5es populares, mas dando sinais de recupera\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas pesquisas (o \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o subiu 8 pontos no Ibope).<br \/>\nAos rep\u00f3rteres que tentaram extrair-lhe uma declara\u00e7\u00e3o t\u00edpica de quem est\u00e1 em campanha pela reelei\u00e7\u00e3o, Dilma disse estar com todo o g\u00e1s para trabalhar \u201cat\u00e9 o dia 31 de dezembro de 2014\u201d.<br \/>\nFalante e otimista, a presidenta garantiu que o drag\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o finalmente se acalmou e que a recente queda de 0,1% do n\u00edvel do emprego n\u00e3o \u00e9 nada nesse momento de mar\u00e9 baixa da economia mundial.<br \/>\nOlhando por outro lado, a taxa de desemprego em torno de 6% seria um fen\u00f4meno quando comparada, por exemplo, aos 25% da Espanha ou aos 12% dos EUA.<br \/>\nPois bem, retomando o fio da meada econ\u00f4mica \u2013 sem a emerg\u00eancia marqueteira que ronda os passos da presidenta \u2013, devemos reconhecer que ainda estamos longe de um bom diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o, pois os dados s\u00e3o muito contradit\u00f3rios.<br \/>\nPrimeiro, onde a coisa vai mal? Como sempre, o maior n\u00f3 aparece no fronte externo: d\u00f3lar em alta, exporta\u00e7\u00f5es em queda, importa\u00e7\u00f5es crescendo, d\u00edvida governamental realimentando os juros b\u00e1sicos da economia.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Desconex\u00e3o<\/span><br \/>\nNo front interno, marcado pela estagna\u00e7\u00e3o do consumo e o aumento do endividamento das pessoas, a press\u00e3o inflacion\u00e1ria recolocou no horizonte o risco do desemprego, mas nesse campo o jogo se encaminha para o empate. Mesmo com a supersafra 2012\/13, o aquecimento do mercado da constru\u00e7\u00e3o civil e a desonera\u00e7\u00e3o fiscal de v\u00e1rios setores, a ind\u00fastria brasileira viu cair o volume de encomendas. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o desconexa. At\u00e9 parece que de nada valeu o refresco da redu\u00e7\u00e3o das tarifas de energia em fevereiro.<br \/>\nRefresco? Nada disso, a redu\u00e7\u00e3o das tarifas el\u00e9tricas foi vitamina na veia, mas parece n\u00e3o ter funcionado, pois a economia havia sofrido o aumento dos derivados de petr\u00f3leo. Mas \u00e9 l\u00f3gico pensar que sem as redu\u00e7\u00f5es de tarifas e impostos a situa\u00e7\u00e3o teria ficado muito pior. Isso s\u00f3 vamos saber depois que baixarem totalmente as \u00e1guas do tsunami de junho\/julho.<br \/>\nO que sabemos \u00e9 que, combinando descontentamento pol\u00edtico com inseguran\u00e7a econ\u00f4mica, as manifesta\u00e7\u00f5es populares comandadas pelas redes sociais levaram 30 pontos percentuais da credibilidade de Dilma Rousseff, que j\u00e1 vinha disparando os primeiros tiros eleitorais contra Aecio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva.<br \/>\nAt\u00e9 Jos\u00e9 Serra saiu da cova para dizer que n\u00e3o morreu, como havia ficado mais ou menos claro em novembro de 2010. A\u00ed veio o Papa pra dar uma folga ao bumba-meu-boi petista. Depois de lan\u00e7ar alguns projetos logo queimados pelos aliados e opositores de plant\u00e3o, a presidenta volta ao ponto de origem, em Porto Alegre, em busca de uma primavera ainda distante.<br \/>\nUm dos diagn\u00f3sticos da crise diz que o governo federal errou ao apostar no consumo f\u00e1cil. Esses cr\u00edticos vinculados \u00e0 ortodoxia acad\u00eamica acham que na economia n\u00e3o pode haver r\u00e9dea frouxa. Mas qual seria a alternativa? Os manuais da economia n\u00e3o t\u00eam receita para situa\u00e7\u00f5es an\u00f4malas.<br \/>\nEm artigo recente, o jornalista (formado tamb\u00e9m em economia) Luis Nassif atribuiu ao ministro Guido Mantega a culpa pela atual \u201ccrise\u201d econ\u00f4mica brasileira. \u00c9 muita crise para uma s\u00f3 pessoa. Sem brilho pessoal, Mantega n\u00e3o age sozinho, embora pare\u00e7a bastante isolado na Fazenda.<br \/>\nNo fundo, no fundo, vem sendo fritado em pouca gordura, mas o PT n\u00e3o disp\u00f5e de nenhum economista realmente equipado para exercer o cargo mais pesado do Planalto, depois da Presid\u00eancia. O veterano Paul Singer, por exemplo, \u00e9 muito respeitado, mas n\u00e3o tem interlocu\u00e7\u00e3o com as c\u00fapulas empresariais nem se sujeita a usar gravata.<br \/>\nComo solu\u00e7\u00e3o para a \u201ccrise\u201d, recomenda-se (ao governo) aumentar os investimentos em infraestrutura, como se \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de ter uma pol\u00edtica econ\u00f4mica austera a Presid\u00eancia devesse somar o encargo de orientar e financiar os empreendedores privados.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Estatal ou liberal<\/span><br \/>\nA estes bastaria entrar com a gest\u00e3o e, depois, desfrutar dos lucros, numa repeti\u00e7\u00e3o de outros ciclos de crescimento da economia brasileira \u2013 lembremos apenas os governos militares, o tempo de JK e a longa \u00e9poca de Vargas. E acabamos na velha lenga-lenga: se o governo comanda, \u00e9 estatizante; se deixa rolar, \u00e9 liberal demais.<br \/>\nO Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento est\u00e1 devagar n\u00e3o apenas porque faltam recursos, mas porque n\u00e3o h\u00e1 projetos executivos e demoram as licen\u00e7as ambientais. Recursos, projetos e licen\u00e7as: o trip\u00e9 de ouro do desenvolvimentismo roussefiano funciona precariamente, mas a culpa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do governo federal.<br \/>\nE aqui entramos numa discuss\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica aquecida pelas recentes manifesta\u00e7\u00f5es populares: qual o modelo que queremos?<br \/>\nUma economia comandada por grandes investimentos p\u00fablico-privados em usinas, aeroportos, pontes, estradas, ferrovias \u2013 tudo isso com escasso controle ambiental?<br \/>\nOu uma economia ecologicamente sustent\u00e1vel centrada nos pequenos neg\u00f3cios?<br \/>\nOs grandes empres\u00e1rios, os professores de economia e os pol\u00edticos acham gra\u00e7a dessa \u00faltima hip\u00f3tese, mesmo sabendo que o capitalismo predat\u00f3rio n\u00e3o tem futuro. Mais 50, 100, 200 anos e o planeta estar\u00e1 na \u00faltima lona. Quem vive preso no tr\u00e2nsito das grandes cidades sabe intuitivamente que \u201co carro est\u00e1 pegando\u201d.<br \/>\nO mais l\u00f3gico seria parar de enxugar gelo, mas ningu\u00e9m tem coragem de levantar as m\u00e3os e dizer: \u201cMinha gente, est\u00e1 na hora de pormos a m\u00e3o na consci\u00eancia e iniciar um programa de desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento.\u201d<br \/>\nSendo ela a inventora do PAC, n\u00e3o ser\u00e1 Dilma Rousseff quem provavelmente propor\u00e1 esse pacto pela sustentabilidade. Quem est\u00e1 teoricamente mais pr\u00f3ximo desse \u201cbasta ao crescimento predat\u00f3rio\u201d \u00e9 Marina Silva, que tenta construir uma nova alternativa partid\u00e1ria para um novo salto eleitoral em 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua passagem por Porto Alegre, a presidenta Dilma Rousseff retomou as r\u00e9deas do seu governo, abalado recentemente pelas manifesta\u00e7\u00f5es populares que varreram o pa\u00eds de norte a sul. 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