{"id":12418,"date":"2013-08-20T11:17:11","date_gmt":"2013-08-20T14:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12418"},"modified":"2013-08-20T11:17:11","modified_gmt":"2013-08-20T14:17:11","slug":"a-populacao-esta-vendo-o-que-voces-estao-fazendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-populacao-esta-vendo-o-que-voces-estao-fazendo\/","title":{"rendered":"&quot;A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vendo o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo&quot;"},"content":{"rendered":"<p>O fot\u00f3grafo paulista Mauro Donato conversou com a garota da capa da revista <em>Veja <\/em>desta semana.<br \/>\nEla estava indignada com a mat\u00e9ria, apontou os erros de informa\u00e7\u00e3o e disse que vai escrever uma carta aberta \u00e0 revista da editora Abril. Ela \u00e9 uma das manifestantes acampadas no Ocupa Cabral, no Rio de Janeiro, e adepta do black bloc.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Mauro Donato relatou a conversa com ela no site Di\u00e1rio do Centro do Mundo.<\/span><br \/>\nEmma, de 25 anos, integrante dos black blocs no Rio\u201d, conforme legenda que identifica o rosto coberto por uma camiseta na capa da Veja, est\u00e1 indignada. E afirmou que ir\u00e1 redigir uma \u201cCarta aberta \u00e0 Veja\u201d.<br \/>\nNa tarde de s\u00e1bado, logo ap\u00f3s a revista chegar \u00e0s suas m\u00e3os, Emma, acampada no Ocupa Cabral, apoderou-se do celular que fazia transmiss\u00e3o ao vivo pelo TwitCasting e passou mais de uma hora vociferando contra a publica\u00e7\u00e3o (v\u00eddeo aqui).<br \/>\nRevoltada, demonstrava discordar de A a Z da mat\u00e9ria. Ainda na capa, ela aponta um erro que considera prim\u00e1rio ao inseri-la como membro de um grupo. \u201cBlack bloc n\u00e3o \u00e9 grupo e sim uma t\u00e1tica de manifesta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho como ser integrante de uma coisa que n\u00e3o existe.\u201d A chamada (O bando dos caras tapadas) tamb\u00e9m desperta ira quanto ao trocadilho que ela diz ser \u201cdigno do Zorra Total\u201d e que jornalistas deveriam se envergonhar de trabalhar numa revista como aquela.<br \/>\nAuxiliada por um mascarado que a ajuda a folhear a revista cujas p\u00e1ginas est\u00e3o rebeldes por causa do vento da praia, Emma vai analisando e xingando trechos preconceituosos e moralistas. Sua revolta (e dos que est\u00e3o ao redor) aumenta diante do relato sobre consumo de drogas e sexo prom\u00edscuo. \u201cEntre um baseado e um gole de vodka, (\u2026) vinho barato e coca\u00edna ! Onde isso?\u201d<br \/>\nEla segue jogando molotovs na Veja at\u00e9 chegar ao quadro de fundo cinza, parte que considera ter sido feita especialmente para si. Abaixo de uma foto em que aparece lendo Hist\u00f3ria da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, o texto procura atingi-la de modo a reduzir suas insatisfa\u00e7\u00f5es a desvarios adolescentes. Emma ridiculariza a tentativa da revista de expor intimidades e frases soltas apenas para diminu\u00ed-la.<br \/>\nO mascarado tamb\u00e9m faz seu desabafo: \u201cIsso foi tudo inventado. A grande m\u00eddia faz assim, ela conta a hist\u00f3ria que ela quer. Essa mat\u00e9ria aqui \u00e9 completamente mentirosa, n\u00e3o \u00e9 nem falaciosa, \u00e9 mentirosa mesmo. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manipular a opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, diz ele.<br \/>\nEmma aponta a c\u00e2mera para as barracas: \u201cOlha l\u00e1, todo mundo transando e se drogando.\u201d Ela se enfurece com o golpe baixo ao ser chamada de namoradeira e suspeita que gente infiltrada a delatou na passagem em que \u201cfica\u201d com dois acampados num mesmo dia.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Assunto pol\u00eamico<\/span><br \/>\nAs fotos nas quais ela aparece (capa e miolo) s\u00e3o assunto pol\u00eamico. Ainda que atrav\u00e9s de uma el\u00edptica fenda apenas se revelem os olhos azuis, sobrancelhas finas e um pouco do nariz, todos de tra\u00e7os sugestivamente m\u00e9dio-orientais e de ar misterioso, fica evidente que Emma mexe com a curiosidade. Enquanto conta que o fot\u00f3grafo se fez passar por membro de ag\u00eancia internacional, Emma recebe um elogio \u00e0 sua beleza atrav\u00e9s do chat interativo.<br \/>\n\u201cObrigada, mas a reportagem n\u00e3o mexeu com meu ego. N\u00e3o adianta nada a foto estar bonita se o conte\u00fado \u00e9 escroto\u201d, disse. \u201cN\u00e3o vendi foto nenhuma, publicaram isso sem minha autoriza\u00e7\u00e3o\u201d. Uma senhora que estava ao lado pergunta se ela pode processar a revista por uso indevido de imagem. \u201cSim\u201d, responde Emma.<br \/>\nUm outro espectador bem humorado diz ter sentido falta de um poster central na revista. \u201cPoster o caralho, j\u00e1 falei para parar com a idolatria. N\u00e3o vim aqui para mostrar a bunda, vim mostrar o que tenho no c\u00e9rebro.\u201d<br \/>\nEmma diz ter sido procurada no acampamento por uma rep\u00f3rter da Veja e tamb\u00e9m pelo Globo. D\u00e1 a entender que recusou ambos os convites por n\u00e3o concordar com a grande m\u00eddia. Afirmou ter dito \u00e0 rep\u00f3rter da Veja que n\u00e3o conversaria com ela pois o editor manipularia tudo conforme seu interesse. Contudo, enquanto lia a reportagem, por diversas vezes declarou: \u201cEu n\u00e3o disse isso, desse jeito.\u201d<br \/>\nAl\u00e9m dos equ\u00edvocos denunciados por Emma, a mat\u00e9ria afirma que os blacks blocs s\u00e3o um grupo pequeno e n\u00e3o chegariam a duzentos miilitantes. Apenas na frente da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, na semana passada, havia um grupo de aproximadamente cem indiv\u00edduos. Comunidades black blocs no Facebook s\u00e3o encontradas em S\u00e3o Paulo, Caxias do Sul, Minas, Cear\u00e1, Niter\u00f3i, Rio de Janeiro. S\u00f3 a do Rio possui mais de 23 mil \u201ccurtidores\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 verdade quando a revista afirma que black blocs haviam queimado uma catraca durante uma manifesta\u00e7\u00e3o (o ato \u00e9 simb\u00f3lico e religiosamente proporcionado pelo MPL, n\u00e3o teve nada a ver com black blocs) ou quando alega que nenhum McDonald\u2019s ou Starbucks escapem ilesos de protestos em que haja pelo menos um mascarado (na noite de sexta-feira, novamente na Assembleia, nenhuma guerra de spray ou g\u00e1s ocorreu mesmo na presen\u00e7a de 60 ou 70 black blocs).<br \/>\nCriticando professores universit\u00e1rios admiradores do movimento, a Veja incita a pol\u00edcia a enquadrar os \u201carruaceiros\u201d pelo crime de forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, algo ainda n\u00e3o feito, obviamente, por n\u00e3o ser poss\u00edvel juridicamente (como foi dito por um membro dos Advogados Ativistas aqui no Di\u00e1rio).<br \/>\nNa Carta ao Leitor da mesma edi\u00e7\u00e3o, l\u00ea-se que \u201cVEJA sempre se pautou pela busca da informa\u00e7\u00e3o correta em nome do interesse p\u00fablico.\u201d Ao encerrar sua participa\u00e7\u00e3o no Twitcasting, Emma diz para a Editora Abril: \u201cA popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vendo o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fot\u00f3grafo paulista Mauro Donato conversou com a garota da capa da revista Veja desta semana. 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