{"id":12492,"date":"2013-09-07T16:16:43","date_gmt":"2013-09-07T19:16:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12492"},"modified":"2013-09-07T16:16:43","modified_gmt":"2013-09-07T19:16:43","slug":"ceus-de-chumbo-sobre-horizontes-de-ferro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ceus-de-chumbo-sobre-horizontes-de-ferro\/","title":{"rendered":"&quot;C\u00e9us de Chumbo sobre Horizontes de Ferro&quot;"},"content":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio Crise da Representa\u00e7\u00e3o e Renova\u00e7\u00e3o da Democracia, realizado em Porto Alegre em 5 e 6 de setembro, reuniu cidad\u00e3os brasileiros de v\u00e1rias tribos profissionais com jornalistas, estudantes e estudiosos de comunica\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias pol\u00edticas e articuladores dos novos movimentos mundiais, como Bernardo Gutierrez, do 15 M da Espanha, e Eirikur Bergmann, professor da Escola de Ci\u00eancias Sociais da Bifr\u00f6st University, na Isl\u00e2ndia e diretor do Centro de Estudos Europeus.<br \/>\nUma fauna humana interessant\u00edssima. Sentiu-se fora da era digital a pessoa que sentou calmamente, desligou o celular para n\u00e3o interferir, n\u00e3o dispersar o pensamento, pegou o silencioso bloquinho de notas e a caneta deslizante.<br \/>\nPelo menos 90% dos presentes fizeram exatamente o contr\u00e1rio, sentaram-se com a aparelhagem dispon\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 mais mesas entre palestrantes e plateia, entre eles h\u00e1 laptops, celulares e androids. Enquanto um palestrante fala, sua imagem, seus textos, as entrevistas que ele deu, saltam na tela das centenas de pessoas, que tamb\u00e9m aproveitam para enviar aos seus contatos de rede social pequenas frases e imagens ao vivo.<br \/>\nEntre os palestrantes n\u00e3o \u00e9 diferente, ficam \u00e0 vontade no palco para manusear seus aparelhos durante a palestra dos colegas. Os antigos rumores e cochichos das velhas reuni\u00f5es foram trocados por bips e um som de fundo, um zuuuuu n\u00e3o ionizante absolutamente incorporado. Mas a proposta n\u00e3o era mesmo discutir sobre o n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o n\u00e3o-ionizante do local, que deve ter sido alt\u00edssimo.<br \/>\nMuitas quest\u00f5es e um debate quente sobre reforma pol\u00edtica e das comunica\u00e7\u00f5es, m\u00eddias digitais como instrumento de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, conceitos e pr\u00e1ticas de democracia, n\u00e3o poderiam ter sido melhor representadas por uma exposi\u00e7\u00e3o do artista pl\u00e1stico Ubirat\u00e3 Braga no mesmo sexto andar da Casa de Cultura Mario Quintana. C\u00e9us de Chumbo sobre<br \/>\nHorizontes de Ferro, o nome-tema da exposi\u00e7\u00e3o, por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, definiu o panorama pol\u00edtico e midi\u00e1tico do momento. Ao final das palestras sobraram quest\u00f5es sobre os c\u00e9us de chumbo que herdamos e os horizontes de ferro previstos e j\u00e1 vistos por a\u00ed.<br \/>\nSergio Amadeu, soci\u00f3logo, professor da UFAB e pesquisador em software livre, avisa que a internet livre est\u00e1 sob ataque: \u201cArrisco dizer que o capital econ\u00f4mico de telecomunica\u00e7\u00f5es em breve abocanhar\u00e1 at\u00e9 a Rede Globo e o ministro Paulo Bernardo integra esse coletivo de ataque contra a liberdade digital.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Estado e corpora\u00e7\u00f5es<\/span><br \/>\nNuma palestra bastante did\u00e1tica, Amadeu trouxe v\u00e1rios temas, como a crise da interven\u00e7\u00e3o, que envolve a ind\u00fastria da m\u00fasica e a propriedade dos bens imateriais, a imprensa, a educa\u00e7\u00e3o e os partidos pol\u00edticos, destacando que o Estado \u00e9 muito perme\u00e1vel \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cAs grandes corpora\u00e7\u00f5es desvirtuam a democracia, andam em corredores e alteram o resultado do jogo.\u201d<br \/>\nNatalia Viana, jornalista da P\u00fablica.org, destacou que no Brasil existem investiga\u00e7\u00f5es e den\u00fancias contra os partidos, mas n\u00e3o h\u00e1 jornais que investiguem as empresas. Para Joaquim Ernesto Palhares, da<a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Carta Maior<\/a>, \u00e9 na quest\u00e3o de apoio econ\u00f4mico que a m\u00eddia tradicional se sustenta:<br \/>\n\u201cSomos muito fr\u00e1geis diante do poder que essa gente tem\u201d.<br \/>\nNa seq\u00fc\u00eancia, completou que essa mesma m\u00eddia vive seu momento pol\u00edtico de maior fragilidade, chegando ao ponto de se desculpar pelo apoio \u00e0 ditadura:<br \/>\n\u201cSe desculpar n\u00e3o basta, essa empresa deve ir \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade para se explicar, n\u00f3s temos mortos, desaparecidos e n\u00e3o \u00e9 se desculpando que v\u00e3o resolver essa situa\u00e7\u00e3o, essa gente tem que explicar o que \u00e9 o tal do apoio, essa gente ganha bilh\u00f5es e n\u00e3o d\u00e1 nenhuma contrapartida\u201d.<br \/>\nAnt\u00f4nio Castro, do Sul 21, analisou a passeata do dia 20 de junho em Porto Alegre.<br \/>\n\u201cAs pessoas estavam caminhando e de repente ficaram indecisas se optavam ir em dire\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio Piratini, o poder do Estado, ou se caminhavam at\u00e9 o pr\u00e9dio da Zero Hora, que representa a manipula\u00e7\u00e3o do poder\u201d.<br \/>\nPara ele \u00e9 fundamental regulamentar o neg\u00f3cio da comunica\u00e7\u00e3o e isso n\u00e3o deve ser confundido com controle sobre a not\u00edcia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14949\" aria-describedby=\"caption-attachment-14949\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-14949 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/seminario-crise3.jpg\" alt=\"Ant\u00f4nio E. Castro e Lino Bocchini | Democracia em Rede\" width=\"640\" height=\"427\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14949\" class=\"wp-caption-text\">Ant\u00f4nio E. Castro e Lino Bocchini | Democracia em Rede<\/figcaption><\/figure><br \/>\nLino Bocchini, da <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carta Capital<\/a>, falou da import\u00e2ncia das r\u00e1dios comunit\u00e1rias e ainda do jornalismo impresso, exemplificando com o Jornalismo B, que aposta nas pessoas que ainda n\u00e3o acessam internet, embora os acessos no Brasil tenham n\u00fameros significativos, como o da foto do m\u00e9dico cubano sendo vaiado por m\u00e9dicas brasileiras. A foto, segundo ele, teve um milh\u00e3o e setecentos mil acessos e isso \u00e9 muito mais do que a audi\u00eancia de qualquer telejornal.<br \/>\nA internet aparece como fonte de propaga\u00e7\u00e3o importante da not\u00edcia, mas para Bocchini a figura do bom jornalista, do bom editor continua sendo importante. \u201cO jornalismo de qualidade precisa de dinheiro, nem sempre uma not\u00edcia importante d\u00e1<br \/>\naudi\u00eancia, precisa de bons profissionais, precisa ser mantido.<br \/>\n\u201d Ele comparou a dificuldade das quest\u00f5es de audi\u00eancia exemplificando com o Big Brother em alta no momento em que o Egito estava nas ruas e a Carta Capital estava cobrindo, com baixa audi\u00eancia, um fato t\u00e3o relevante na pol\u00edtica mundial.<br \/>\nAnt\u00f4nio Martins, criador do<a href=\"http:\/\/www.diplomatique.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Le Monde Diplomatique Brasil<\/a> e do site <a href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Outras Palavras<\/a>, foi fundo na cr\u00edtica de m\u00eddia sem excluir as alternativas que come\u00e7am a reemergir depois de anos de cansa\u00e7o pelo dom\u00ednio econ\u00f4mico. \u201c<br \/>\nPrecisamos ser capazes de colocar na agenda a Reforma Tribut\u00e1ria, precisamos mostrar para a popula\u00e7\u00e3o como \u00e9 injusto o sistema tribut\u00e1rio, fazer com que as pessoas entendam a possibilidade de uma distribui\u00e7\u00e3o melhor de renda, o jornalismo deveria ser capaz de explicar a gasolina que \u00e9 subsidiada para agradar a classe m\u00e9dia.\u201d<br \/>\nPara Martins essa \u00e9poca de decl\u00ednio do jornalismo tradicional \u00e9 ideal para resgatar o bom jornalismo. Dif\u00edcil \u00e9 ter uma agenda comum \u2013 o que \u00e9 costumeiro entre gente que pensa, estuda e reflete. Nas quest\u00f5es estritamente jornal\u00edsticas, todos concordam que os investimentos econ\u00f4micos, principalmente os que partem do governo, n\u00e3o est\u00e3o bem distribu\u00eddos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Candidaturas livres<\/span><br \/>\nO governo segue o mercado, acaba sendo um grande investidor da Rede Globo em primeiro lugar e das outras grandes corpora\u00e7\u00f5es privadas de comunica\u00e7\u00e3o, destinando migalhas aos ve\u00edculos que representam os cidad\u00e3os, suas comunidades, seus direitos. Todos querem a regulamenta\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e uma distribui\u00e7\u00e3o mais defens\u00e1vel, mais igualit\u00e1ria, ainda que os horizontes pare\u00e7am de ferro.<br \/>\nNas quest\u00f5es pol\u00edticas o bicho pega. H\u00e1 os que defendem que a Reforma Pol\u00edtica deve vir antes da Regulamenta\u00e7\u00e3o da M\u00eddia, h\u00e1 os que n\u00e3o veem possibilidade de uma Reforma Pol\u00edtica sem que antes a m\u00eddia seja regulamentada.<br \/>\nDiscordam com veem\u00eancia sobre a efic\u00e1cia dos movimentos apartid\u00e1rios, mas concordam que candidaturas livres, sem representa\u00e7\u00e3o coletiva, sem causas espec\u00edficas, viraria facilmente massa de manobra do capital privado.<br \/>\nO jornalista Ven\u00edcio Lima e Celi Pinto, cientista pol\u00edtica, n\u00e3o acreditam em apartidarismo, defendem que o modo convencional de fazer pol\u00edtica via partidos \u00e9 o que funciona. Celi acredita que fazer pol\u00edtica por meio de manifesta\u00e7\u00f5es virtuais n\u00e3o resolve, nunca resolveu, h\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 dispers\u00e3o.<br \/>\n\u201cO que resolve \u00e9 a aproxima\u00e7\u00e3o real, a discuss\u00e3o, o debate de ideias junto aos representantes\u201d.<br \/>\nLima defende a ideia de que o jornalismo sempre foi partid\u00e1rio e a expans\u00e3o do jornalismo, o car\u00e1ter empresarial do jornalismo \u00e9 que acabou fazendo com que se fingisse uma neutralidade, que de neutra n\u00e3o tem nada.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u201cPode ser que eu esteja muito velho, mas n\u00e3o acredito em pol\u00edtica sem partido&#8221;.<br \/>\nCom Ven\u00edcio Lima e Celi Pinto se alinha tamb\u00e9m, com algumas diferen\u00e7as pontuais, Wilson Gomes, da UFBA.<br \/>\n\u201cN\u00e3o acredito em crise da democracia, a democracia \u00e9 isso mesmo, se ela est\u00e1 em crise sempre esteve.\u201d<br \/>\nPara Wilson, democracia \u00e9 processo, direito de manifesta\u00e7\u00e3o de todos e o foco seria encontrar um ponto comum junto aos representantes.<br \/>\nEle ressaltou problemas de clientelismo, colonialismo, mas como coisas a serem tratadas pelo estado democr\u00e1tico.<br \/>\n\u201c\u00c9 preciso fiscaliza\u00e7\u00e3o sempre, e diante do controle aparecem os problemas, \u00e9 o paradoxo da democracia. Se voc\u00ea melhora a transpar\u00eancia e aparecem os problemas, todo mundo se sente pior.\u201d<br \/>\n\u00c9 o caso das den\u00fancias no Brasil:<br \/>\n\u201cDe fato as pessoas se sentiram mal, como se as coisas de maneira geral tivessem piorado, mas elas apenas emergiram porque na hist\u00f3ria a roda n\u00e3o anda para tr\u00e1s. A invisibilidade protege o mais forte, a visibilidade protege os mais fracos.\u201d<br \/>\nBernardo Guti\u00e9rrez literalmente pulou da cadeira para defender os movimentos apartid\u00e1rios explicando o que ocorreu na Espanha com o 15M, esp\u00e9cie de guarda-chuva de v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es populares. Ele explicou que a \u00e1gua estava para ser privatizada na Espanha, a popula\u00e7\u00e3o se uniu, discordou, o governo n\u00e3o concordou e ainda assim n\u00e3o teve legitimidade, a popula\u00e7\u00e3o venceu, a \u00e1gua \u00e9 livre.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Movimentos populares livres<\/span><br \/>\nO coletivo 15M abarca hoje muitos movimentos sociais que n\u00e3o se veem representados por partidos pol\u00edticos convencionais e unem-se em representa\u00e7\u00f5es populares diversas, como a Mar\u00e9 Verde, da educa\u00e7\u00e3o, a Mar\u00e9 Branca, da \u00e1gua, e outros.<br \/>\n\u201cNa Espanha hoje o que temos s\u00e3o movimentos populares livres que defendem os imigrantes no meio da rua.\u201d<br \/>\nFalando um portugu\u00eas fluente, ele, que viveu no Brasil, defende as ocupa\u00e7\u00f5es das C\u00e2maras nas capitais.<br \/>\n\u201cN\u00e3o tem nada mais subversivo do que alterar o c\u00f3digo, vamos limpar isso a\u00ed e depois vamos ver o que fazer\u201d.<br \/>\nPara Bernardo essa movimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 horizontal, plural e profundamente pol\u00edtica, s\u00e3o converg\u00eancias de coletivos, de lideran\u00e7as rotativas e sem personalismos.<br \/>\n\u201cN\u00f3s vamos em um ponto comum para ver a pauta e depois a gente dispersa\u201d.<br \/>\nNa Espanha foi criado um novo termo, a extitui\u00e7\u00e3o, que se op\u00f5e ao modelo institucional comum e pouco operativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas reais e urgentes da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nRenato Rovai, da revista F\u00f3rum, questiona o sistema democr\u00e1tico e lan\u00e7a no ar uma pergunta: n\u00e3o seria o caso de uma plurocracia? Andr\u00e9 Rubi\u00e3o, do Centro de Estudos Sociais da America Latina\/UFMG, pin\u00e7ou v\u00e1rios exemplos de democracia com participa\u00e7\u00e3o popular direta, quando segmentos da popula\u00e7\u00e3o bem distribu\u00eddos s\u00e3o escolhidos por sorteio para estudar um tema e decidir sobre ele.<br \/>\nEm alguns casos, dentro do sistema democr\u00e1tico, quando h\u00e1 a necessidade de serem referendados pela representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, acabam n\u00e3o dando certo.<br \/>\nEirirkur Bergmann falou da Isl\u00e2ndia, pa\u00eds com 300 mil habitantes que conseguiu por meio de uma reforma pol\u00edtica popular derrotar a democracia aristocr\u00e1tica. Ponderando, ressaltou que na Europa crescem os movimentos de partidos populistas conservadores e ultraconservadores, s\u00e3o as chamadas ondas democr\u00e1ticas. \u201cVemos isso ocorrendo na Hungria e at\u00e9 em pa\u00edses escandinavos, como a Finl\u00e2ndia e a Su\u00e9cia\u201d.<br \/>\nAs respostas para essas quest\u00f5es s\u00e3o corpos participativos, como o que ocorreu na Austr\u00e1lia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 monarquia. Na Isl\u00e2ndia h\u00e1 corpos participativos via cidad\u00e3os de v\u00e1rias idades e segmentos sociais. \u201cAcredito que temos um tempo s\u00e9rio pela frente em que as alternativas que conhecemos, esses corpos e pr\u00e1ticas podem ser reativos a esses movimentos de partidos populistas.\u201d<br \/>\nBenedito Tadeu Cesar, cientista pol\u00edtico, favor\u00e1vel \u00e0 Reforma Pol\u00edtica antes da Reforma das Comunica\u00e7\u00f5es, destacou que a crise das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 mundial, que a roda da hist\u00f3ria pode sim andar para tr\u00e1s, que o momento \u00e9 de transforma\u00e7\u00e3o e isso gera perplexidade e n\u00e3o se deve deixar de levar em considera\u00e7\u00e3o que os partidos se burocratizaram, todos eles.<br \/>\n\u201cEu fui um dos fundadores do PT, militei e estudei o PT, mas n\u00e3o posso deixar de dizer que esse partido tamb\u00e9m se burocratizou.\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">DO FUND\u00c3O<\/span><br \/>\nNa plateia diversas manifesta\u00e7\u00f5es e questionamentos sobre o modus operandi do semin\u00e1rio. Veio \u00e0 baila a quest\u00e3o de g\u00eanero, em cada mesa apenas uma mulher, uma delas moderadora, palestrantes s\u00f3 duas num total de 23 convidados. O espa\u00e7o para debate com a plateia foi curto, com forma\u00e7\u00e3o de cadeiras no palco e tom formal.<br \/>\nA galera reclamou ainda do personalismo caracter\u00edstico de um velho tempo, da falta de horizontalidades, mas no final correu para buscar seus certificados de presen\u00e7a, algo que representa no m\u00ednimo um desejo de se adequar ao sistema do jeitinho que ele \u00e9.<br \/>\nO coquetel de encerramento foi aberto aos palestrantes e participantes sem distin\u00e7\u00e3o e isso parece ter contentado a todos, foi o diferencial desse tipo de evento.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O QUE FICOU NO AR<\/span><br \/>\nSe sabemos que o Facebook elimina p\u00e1ginas, entrega IPs de acordo com a conveni\u00eancia pol\u00edtica e de capital, se sabemos que existe um alto controle de acessos via Estado ou at\u00e9 mesmo por meio de cidad\u00e3os, se existem possibilidades de manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica pelos meios digitais, se \u00e9 poss\u00edvel rastrear, espionar e manipular, como podemos crer que a participa\u00e7\u00e3o popular via novas tecnologias ser\u00e1 respeitada?<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<br \/>\nO Semin\u00e1rio Crise da Representa\u00e7\u00e3o e Renova\u00e7\u00e3o da Democracia foi promovido pelo Gabinete Digital- Democracia em rede. Criado em maio de 2011, \u00e9 um canal digital \u2013 <a href=\"www.gabinetedigital.rs.gov.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.gabinetedigital.rs.gov.br<\/a> &#8211; de participa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre a sociedade civil e o Governo do Rio Grande do Sul.<br \/>\nO objetivo \u00e9 permitir que os cidad\u00e3os influenciem na gest\u00e3o p\u00fablica e exer\u00e7am maior controle social sobre o Estado por meio de mecanismos relacionados \u00e0s novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nApoiaram o evento a Casa de Cultura Digital, a Alter Brasil \u2013Instituto de Ideias, a Granpal, as Universidades Unisinos, UFRGS, PUC, Feevale, a Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, a Funda\u00e7\u00e3o Maur\u00edcio Grabois, Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Mangabeira e o jornal <em>A Hora do Povo<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio Crise da Representa\u00e7\u00e3o e Renova\u00e7\u00e3o da Democracia, realizado em Porto Alegre em 5 e 6 de setembro, reuniu cidad\u00e3os brasileiros de v\u00e1rias tribos profissionais com jornalistas, estudantes e estudiosos de comunica\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias pol\u00edticas e articuladores dos novos movimentos mundiais, como Bernardo Gutierrez, do 15 M da Espanha, e Eirikur Bergmann, professor da Escola [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":14950,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[233,439,181,1109],"class_list":["post-12492","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-comunicacao","tag-democracia","tag-jornalismo","tag-reforma-politica"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":5440,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/casarao-da-venancio-destino-permanece-incerto\/","url_meta":{"origin":12492,"position":0},"title":"Estado ainda n\u00e3o sabe o que fazer com casar\u00e3o abandonado h\u00e1 20 anos","author":"Elmar Bones","date":"6 de julho de 2009","format":false,"excerpt":"O casar\u00e3o amarelo, numa esquina nobre de Porto Alegre (Ven\u00e2ncio Aires com Jo\u00e3o Pessoa), j\u00e1 abrigou uma escola. 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