{"id":12522,"date":"2013-09-16T20:29:08","date_gmt":"2013-09-16T23:29:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12522"},"modified":"2013-09-16T20:29:08","modified_gmt":"2013-09-16T23:29:08","slug":"morre-roberto-manera-bom-de-foto-bom-de-texto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/morre-roberto-manera-bom-de-foto-bom-de-texto\/","title":{"rendered":"Morre Roberto Manera, bom de foto, bom de texto"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Jos\u00e9 Antonio Severo<\/span><br \/>\nEle foi um dos integrantes mais destacados da gera\u00e7\u00e3o de jornalistas riograndenses que se mudaram para o centro do Pa\u00eds na d\u00e9cada de 1960, participando do desenvolvimento da imprensa brasileira, numa fase em que surgiram as principais revistas e os jornais tiveram reformas modernizadoras.<br \/>\nManera come\u00e7ou no jornalismo em 1967, como fot\u00f3grafo da Zero Hora. Nesse ano o chefe de fotografia daquele jornal, Assis Hoffmann, recrutou um grupo de jovens ga\u00fachos para formar um departamento de fotografia diferenciado. Esse grupo foi apelidado de gera\u00e7\u00e3o Blow Up, porque eram rapazes recrutados nas universidades, embalados pelo sucesso do filme de Michelangelo Antonioni, Blow Up, em que o fot\u00f3grafo aparecia como uma figura charmosa e irresit\u00edvel. Tamb\u00e9m nesse projeto Assis introduzia no Estado as c\u00e2meras de filmes de 35 mil\u00edmetros, abolia o flash e criava um novo conceito de fotojornalismo.<br \/>\nLogo em seguida, Assis Hoffmann, que era o mais famoso fot\u00f3grafo do Rio Grande do Sul, foi contratado pela Editora Abril para atuar na sucursal ga\u00facha e servir mais diretamente \u00e0 revista Veja, que estava sendo lan\u00e7ada. Manera, ao lado de S\u00e9rgio Arnoud e Leonid Straliev, foi convidado a fazer parte da equipa de free lancers da Abril. Ali ele se revelou.<br \/>\nLogo se destacou com uma foto sobre a competi\u00e7\u00e3o acirrada entre os dois gitgantes da ind\u00fastria de refrigerantes mundial, Coca-Cola e Pepsi-Cola. O Rio Grande do Sul era um teatro singular dessa guerra comercial, pois era o \u00fanico lugar do mundo em que a Pepsi vencia a Cola. Manera fez a foto emblem\u00e1tica: em frente a um bolicho numa estrada remota do Estado, as duas placas, desgastadas e quase caindo, estavam frente a frente, e na imagem se via um burrico magro passando. Era o retrato dessa luta em todos os espa\u00e7os. Manera era o autor da foto que vale mais que mil palavras, como se dizia na \u00e9poca.<br \/>\nComo fot\u00f3grafo free lancer, muitas vezes fazendo coberturas sem rep\u00f3rter, tinha de escrever relat\u00f3rios para a reda\u00e7\u00e3o explicando a imagem. Qual n\u00e3o foi sua surpresa ao ser convidado para integrar a equipe fixa da revista Quatro Rodas e saber que o chefe de reportagem, Nilo Martins, o convidava para ser redator da publica\u00e7\u00e3o. Da\u00ed em diante Manera abandonou o clique pelas \u201cpretinhas\u201d, como se chamavam as letras da m\u00e1quinas de escrever.<br \/>\nDeixou o rio Grande do Sul em 1970 e foi trabalhar como rep\u00f3rter de Quatro Rodas na sucursal do Rio de Janeiro. Transferido para S\u00e3o Paulo, integrou a equipe central da revista. Da\u00ed seguiu sua carreira, que incluiu outras publica\u00e7\u00f5es da Abril, como Guia rural, do qual foi redator-chefe. Tamb\u00e9m trabalhou no jornal O Globo, no Rio, e foi chefe da sucursal de Porto Alegre durante algum tempo. Voltando ao grupo da Abril, foi diretor de reda\u00e7\u00e3o da revista Aero Magazine.<br \/>\nEnt\u00e3o adoeceu, colhido por uma diabetes violenta, e sua carreira foi perdendo o \u00edmpeto. Ainda assim integrou a \u00faltima equipe de S\u00e9rgio de Souza, o Serj\u00e3o, na revista Caros Amigos. Depauperado pela enfermidade, aposentou-se e se mudou para Florian\u00f3polis, onde viveu at\u00e9 a semana passada, longe de seus dois filhos, um em Porto Alegre e outro no Rio, e das muitas ex-mulheres<em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Antonio Severo Ele foi um dos integrantes mais destacados da gera\u00e7\u00e3o de jornalistas riograndenses que se mudaram para o centro do Pa\u00eds na d\u00e9cada de 1960, participando do desenvolvimento da imprensa brasileira, numa fase em que surgiram as principais revistas e os jornais tiveram reformas modernizadoras. 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