{"id":12613,"date":"2013-10-11T17:36:17","date_gmt":"2013-10-11T20:36:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12613"},"modified":"2013-10-11T17:36:17","modified_gmt":"2013-10-11T20:36:17","slug":"brancas-jovens-e-descontentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/brancas-jovens-e-descontentes\/","title":{"rendered":"Brancas, jovens e descontentes"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOs jornalistas brasileiros s\u00e3o uma categoria profissional predominante feminina, jovem e branca\u201d. Assim come\u00e7a o livro Perfil do Jornalista Brasileiro (155 pag., Insular, Florian\u00f3polis, 2013), que se baseia numa pesquisa nacional feita no segundo semestre de 2012 junto a 2 731 profissionais da comunica\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nEmbora a pesquisa seja um trabalho acad\u00eamico realizado por estudantes e professores da Universidade Federal de Santa Catarina., o resultado final \u00e9 uma obra engajada na an\u00e1lise das profundas mudan\u00e7as provocadas no mundo do trabalho pela globaliza\u00e7\u00e3o da economia sob os mantras do neoliberalismo. Nunca antes neste pa\u00eds foi feita uma pesquisa t\u00e3o densa e abrangente sobre a categoria dos comunicadores.<br \/>\nJ\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o os autores Jacques Mick, jornalista-doutor em sociologia pol\u00edtica, e Samuel Pantoja Lima, jornalista e doutor em engenharia de produ\u00e7\u00e3o, pegam pesado ao lembrar que nos \u00faltimos 20 anos \u201ca profiss\u00e3o de jornalista sofreu profundas metamorfoses determinadas por transforma\u00e7\u00f5es estruturais do capitalismo que reconfiguraram as possibilidades de atua\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o social\u201d.<br \/>\nPara fundamentar seu trabalho de investiga\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica, Mick e Lima referem-se a tr\u00eas estudos anteriores sobre os jornalistas:<br \/>\n1 &#8211; Em 1993, no livro O Mundo dos Jornalistas (Summus, S\u00e3o Paulo), Isabel Siqueira Travancas mostrou que os jornalistas se identificavam tanto com seu of\u00edcio em jornais e emissoras de r\u00e1dio e TV que aceitariam sacrificar outras rela\u00e7\u00f5es sociais, inclusive a vida familiar, em favor do jornalismo.<br \/>\n2 \u2013 Em 2002, Alzira Alves Abreu (A Moderniza\u00e7\u00e3o da Imprensa: 1970-2000, Zahar, Rio) caracterizou a velha guarda jornal\u00edstica, situada em postos estrat\u00e9gicos da imprensa, como dotada de envolvimento pol\u00edtico e ideol\u00f3gico, estando sempre predisposta a agir em fun\u00e7\u00e3o de valores e utopias. Com as mudan\u00e7as ocorridas a partir dos anos 1970, os jornalistas teriam abandonado o romantismo e a ideologia, passando a reconhecer-se mais como t\u00e9cnicos nas diversas especialidades existentes na profiss\u00e3o.<br \/>\n3 \u2013 Em 2008, Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, em Ind\u00fastria de Not\u00edcias \u2013 Capitalismo e Novas Tecnologias no Jornalismo Contempor\u00e2neo (Editora da UFRGS, Porto Alegre), concluiu estar em curso \u201cuma mudan\u00e7a de perfil, de valores, de identidade e de representa\u00e7\u00e3o do jornalismo e do jornalista na sociedade\u201d. As mudan\u00e7as seriam decorrentes de movimentos de reestrutura\u00e7\u00e3o social condicionados pelo desenvolvimento das tecnologias e pela expans\u00e3o do capital.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Multim\u00eddias<\/span><br \/>\nUma das evid\u00eancias dessa metamorfose seria a cristaliza\u00e7\u00e3o de novos conceitos e denomina\u00e7\u00f5es como:<br \/>\n\u201cjornalista multim\u00eddia\u201d, apto a exercer v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es full time em mais de um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u201cprodutor de conte\u00fado\u201d (em ve\u00edculos impressos ou digitais)<br \/>\n\u201cassessor de imprensa\/gestor de imagem\u201d<br \/>\n\u201cassessor de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\/gestor de crise\u201d<br \/>\n\u201cprofessores de jornalismo\u201d, cujo n\u00famero passou de 1500 (em 1990) para 6000 (em 2010).<br \/>\nAjuda a entender tantas mudan\u00e7as um fen\u00f4meno extraordin\u00e1rio: o n\u00famero de cursos de comunica\u00e7\u00e3o subiu de 18 at\u00e9 1970 para 317 at\u00e9 2010, inundando o mercado com uma massa de profissionais que, al\u00e9m de n\u00e3o encontrar coloca\u00e7\u00e3o e\/ou ter de sujeitar a subempregos ou\/e m\u00faltiplos contratos, escapam \u00e0 capacidade de observa\u00e7\u00e3o dos sindicatos e do minist\u00e9rio do Trabalho. Tanto que n\u00e3o se sabe quantos s\u00e3o os jornalistas brasileiros. Pode-se chutar de 100 mil a 500 mil (veja o lembrete no final).<br \/>\nSegundo a pesquisa, a maioria dos jornalistas brasileiros tem at\u00e9 30 anos. Apenas 0,4% t\u00eam mais de 64 anos. A profiss\u00e3o foi juvenilizada, palavra que poderia ser substitu\u00edda por express\u00f5es referentes \u00e0 falta de preparo e experi\u00eancia.<br \/>\nAs mulheres s\u00e3o 63,7% do total; 75% s\u00e3o filiados a sindicatos; 60% s\u00e3o solteiros\/as; 51% t\u00eam religi\u00e3o; 71% s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o superior, tipo ordem ou conselho profissional; 49% declaram-se de esquerda; 61% recebem at\u00e9 5 sal\u00e1rios m\u00edninos; 60% dos que trabalham na m\u00eddia t\u00eam carteira assinada; 27% s\u00e3o free lancers ou t\u00eam contratos sem carteira profissional; 22,8% trabalham em casa.<br \/>\nAtuam fora da m\u00eddia, usando o conhecimento jornal\u00edstico, 40,3% dos profissionais do ramo.<br \/>\nApenas 9% trabalham na chamada m\u00eddia p\u00fablica.<br \/>\nUm em cada cinco profissionais da m\u00eddia recebe algum tipo de participa\u00e7\u00e3o nos resultados do trabalho.<br \/>\nTr\u00eas quartos dos jornalistas t\u00eam seu trabalho veiculado total ou parcialmente na Internet.<br \/>\nPor fim, a maioria dos jornalistas pesquisados est\u00e1 satisfeita com o trabalho que faz, mas nem tanto com a remunera\u00e7\u00e3o. Os mais insatisfeitos com o sal\u00e1rio s\u00e3o as mulheres, que ganham em m\u00e9dia menos do que os homens para exercer fun\u00e7\u00f5es iguais. O descontentamento \u00e9 maior entre os profissionais com menos de 30 anos.<br \/>\nLEMBRETE DE OCASI\u00c3O<br \/>\nFormam-se por ano no Brasil 12 mil jornalistas, mas apenas uma parte desse contingente encontra lugar no mercado de trabalho remunerado. N\u00e3o se sabe ao certo quantos profissionais exercem o of\u00edcio. Entre 1980 e 2010, segundo estimativa dos autores da pesquisa acima, foram registrados 145 mil jornalistas no Minist\u00e9rio do Trabalho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs jornalistas brasileiros s\u00e3o uma categoria profissional predominante feminina, jovem e branca\u201d. 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