{"id":12627,"date":"2013-10-16T23:29:24","date_gmt":"2013-10-17T02:29:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12627"},"modified":"2013-10-16T23:29:24","modified_gmt":"2013-10-17T02:29:24","slug":"jango-foi-perseguido-ate-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/jango-foi-perseguido-ate-a-morte\/","title":{"rendered":"Jango foi perseguido at\u00e9 a morte"},"content":{"rendered":"<p>A suspeita de que o ex-presidente Jo\u00e3o Goulart foi assassinado estava presente j\u00e1 no seu enterro, no dia 6 em dezembro de 1976, em S\u00e3o Borja. Fazia muito sentido: em maio daquele ano, dois l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o uruguaia, o senador Zelmar Michelini e o deputado Gutierrez Ruiz, haviam sido seq\u00fcestrados e mortos em Buenos Aires.<br \/>\nEm setembro, Orlando Letelier, ex-ministro do Chile, morreu num atentado em Washington. No Brasil havia ainda a morte do ex-presidente Jucelino Kubtscheck, em agosto, num acidente na via Dutra, fato at\u00e9 hoje cercado de suspeitas.<br \/>\nO risco de Jango era evidente. Ex-presidente no ex\u00edlio, \u201cherdeiro pol\u00edtico de Vargas\u201d, tornara-se um inc\u00f4modo no momento em que o regime militar enfrentava resist\u00eancia cada vez maior no meio civil. Sua vida era vigiada, sua correspond\u00eancia violada. Nos \u00faltimos meses, o cerco parecia se fechar: prenderam sua mulher, um amigo mandou avisar que n\u00e3o dormisse duas noites no mesmo lugar.<br \/>\nTeve que mandar os dois filhos para Londres, por seguran\u00e7a. Depois, as circunst\u00e2ncias de sua morte, num lugar isolado, s\u00f3 com a mulher e um caseiro, com atestado de \u00f3bito de um m\u00e9dico que mal olhou o cad\u00e1ver e declarou que ele morreu de \u201cenfermedad\u201d (doen\u00e7a). Por fim, a maneira como o governo militar<br \/>\nreagiu ao pedido da fam\u00edlia para que o corpo fosse enterrado em S\u00e3o Borja, a terra do presidente morto.<br \/>\nPrimeiro n\u00e3o queriam permitir, depois n\u00e3o podia levar por rodovia, s\u00f3 avi\u00e3o. Por fim, foi liberado, mas n\u00e3o podia ser um cortejo, tinha que ser um carro, em alta velocidade, sem parar na fronteira, direto para o cemit\u00e9rio. N\u00e3o foi permitido \u00e0<br \/>\nfam\u00edlia ver o corpo&#8230;<br \/>\nTudo isso alimentou a suspeita que, desde aquele dia, nunca abandonou as conversas dos antigos correligion\u00e1rios de Jango. A sa\u00fade dele era prec\u00e1ria, era card\u00edaco, tinha sido advertido pelo m\u00e9dico do grave risco que corria se n\u00e3o parasse de beber e fumar (ele<br \/>\nn\u00e3o parava), um enfarto fulminante n\u00e3o seria surpresa.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Envenenamento<\/span><br \/>\nMas nem isso diminuiu as d\u00favidas. Nem mesmo o testemunho de Maria Tereza, sua mulher, que o viu morrer no leito conjugal e sempre rejeitou a hip\u00f3tese do envenenamento.<br \/>\nPassaram-se 15 anos at\u00e9 que a suspeita fosse al\u00e9m das conjeturas. Preso como assaltante, no ano 2000, um ex-policial uruguaio, Mario Neira Barreiro, revelou aos jornais uma suposta Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o, da qual participou, para matar Goulart.<br \/>\nEle forneceu fatos concretos, plaus\u00edveis. Tinha, de fato, trabalhado como r\u00e1dio-escuta para os \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o pol\u00edtica durante a ditadura uruguaia, eram corretas as informa\u00e7\u00f5es que tinha sobre a rotina e a fam\u00edlia de Jango no Uruguai e Argentina. Mas n\u00e3o ia al\u00e9m de uma boa hist\u00f3ria a ser confirmada.<br \/>\nNo ano seguinte a C\u00e2mara dos Deputados instalou uma CPI para investigar a morte do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart. Cerca de 60 depoimentos foram tomados, mas a CPI encerrou com um relat\u00f3rio contradit\u00f3rio: n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que um \u201cMercosul do terror\u201d operou na regi\u00e3o, mas no caso especifico de Jango, faltavam provas.<br \/>\nUm \u201cromance reportagem\u201d dos jornalistas Carlos Heitor Cony e Anna Lee (O Beijo da Morte, Ed. Objetiva, 2003) retomou o tema do assassinato, associando-o com as mortes do ex-presidente Jucelino Kubitscheck e de Carlos Lacerda, ambas acidentais em circunst\u00e2ncias pouco convincentes.<br \/>\nBarreiro foi uma das fontes de Anna Lee e Cony. Ouvido na Penitenci\u00e1ria de Charqueadas, RS, ele contou novamente a historia da Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o, para eliminar Jango. Conclus\u00e3o de Cony: \u201c\u00c9 um sujeito perigoso,<br \/>\ncom uma tend\u00eancia ao del\u00edrio. Mas seu del\u00edrio tem uma espinha dorsal que supera detalhes assombrosos de seu relato. Prometeu mostrar provas que estavam com outro preso. N\u00e3o tivemos as provas, mas fortes ind\u00edcios de uma opera\u00e7\u00e3o destinada a eliminar o ex-presidente\u201d.<br \/>\nNo final de 2006, uma equipe da TV Senado que prepara um document\u00e1rio sobre Jango, obt\u00e9m permiss\u00e3o para ouvir Barreiro na pris\u00e3o de Charqueadas. Ele exige algu\u00e9m da fam\u00edlia. O filho de Goulart, Jo\u00e3o Vicente, participa da grava\u00e7\u00e3o de duas horas e sai decidido a reabrir as investiga\u00e7\u00f5es sobre a morte do pai. Barreiro conta a mesma hist\u00f3ria: Diz que a ordem para matar Jango foi dada diretamente pelo presidente Ernesto Geisel ao delegado S\u00e9rgio Fleury, do Dops paulista.<br \/>\nQuer pela hierarquia, quer pelas rela\u00e7\u00f5es entre os personagens, quer pelo temperamento de Geisel, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o discut\u00edvel. Mas as recentes revela\u00e7\u00f5es sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor, o esquema terrorista multinacional que operou na Am\u00e9rica Latina, deram mais sentido \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Barreiro. No final do ano<br \/>\npassado, o filho de Jango entrou no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal com o pedido de investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso, anexando c\u00f3pia da entrevista.<br \/>\nNo in\u00edcio de 2008, a rep\u00f3rter Simone Iglesias entrevista Barreiro em Charqueadas e a Folha de S\u00e3o Paulo mancheteia na capa: \u201cBrasil Mandou Matar Jango\u201d. Da Folha o assunto foi ao Jornal Nacional e nos dez dias seguintes, Barreiro deu mais de 30 entrevistas para jornais, r\u00e1dios e tev\u00eas de todo o pa\u00eds.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que tenha havido um plano para eliminar Jango. O infarto pode ter chegado antes. Entre os amigos mais chegados, o que o matou, mesmo, foi o \u201cdesgosto\u201d. Ele queria voltar ao Brasil, tentara renegociar seu retorno in\u00fameras vezes. Cumprira dez anos de cassa\u00e7\u00e3o, passara por dezenas de inqu\u00e9ritos, mantinha-se distante da pol\u00edtica brasileira, queria cuidar de suas fazendas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Homem amargurado<\/span><br \/>\nMas o regime militar havia lhe negado at\u00e9 o passaporte, viajava com passaporte paraguaio. Manoel Le\u00e3es, que por 30 anos foi piloto de Jango, em seu livro de mem\u00f3rias diz que o expresidente era \u201cum homem amargurado com o fato de n\u00e3o poder voltar ao Brasil\u201d. Um amigo de inf\u00e2ncia contou que ele vinha para a beira do rio Uruguai, do lado argentino, e ficava olhando os campos de S\u00e3o Borja na outra margem.<br \/>\nDois meses antes de morrer declarou que estava disposto a arriscar a travessia. O ministro do Ex\u00e9rcito deu ordem para que fosse preso imediatamente e posto incomunic\u00e1vel pela Pol\u00edcia Federal.<br \/>\nQuando a not\u00edcia de sua morte chegou ao Brasil, as reda\u00e7\u00f5es receberam a seguinte nota: \u201cDe ordem superior, fica proibida a divulga\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do r\u00e1dio e da televis\u00e3o, de coment\u00e1rios sobre a vida e a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do sr. Jo\u00e3o Goulart. A simples not\u00edcia do falecimento \u00e9 permitida, desde que n\u00e3o seja repetida sucessivamente\u201d.<br \/>\nFoi negado luto oficial e, no Congresso, a bandeira, hasteada a meio pau, foi depois arriada. Dias depois de sua morte, aos 57 anos, a diretoria do Internacional decidiu que o ex-atleta ilustre (ele jogara nos juvenis do clube) merecia um minuto de sil\u00eancio no jogo com o Atl\u00e9tico mineiro, no domingo seguinte no Beira Rio. O assunto chegou \u00e0 c\u00fapula militar e o minuto de sil\u00eancio foi proibido.<br \/>\n<span class=\"intertit\">&#8220;N\u00e3o sou inimigo de voc\u00eas&#8221;<\/span><br \/>\nO que Mario Neira Barreiro revela \u00e9 o embri\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Condor, grande a\u00e7\u00e3o conjunta dos aparelhos repressivos do Cone Sul para eliminar inimigos dos regimes militares da regi\u00e3o. Ele conta que entrou aos 18 anos para o Grupo de A\u00e7\u00f5es Militares Anti-Subversivas (Gamma). Foi escolhido para espionar Jango porque sabia portugu\u00eas.<br \/>\n\u201cEu monitorei tudo o que falava atrav\u00e9s do telefone, de escuta ambiental e em lugares p\u00fablicos, de meados de 1973 at\u00e9 sua morte em 6 de dezembro de 1976\u201d.<br \/>\nUma vez Barreiro falou com Jango. Ele e um colega, estavam rondando a casa. Jango convidou para entrar, disse que sabia que estavam espionando. \u201cN\u00e3o sou inimigo de voc\u00eas\u201d, teria dito. Segundo Barreiro, o delegado S\u00e9rgio Fleury, do Dops em S\u00e3o Paulo, fazia a liga\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia uruguaia.<br \/>\nPartiu dele a ordem para que Jango fosse morto. A equipe que monitorava Jango se chamava Centauro (em Montevid\u00e9u outra equipe, Antares, se encarregava de Brizola). A opera\u00e7\u00e3o para matar Jango chamou-se Escorpi\u00e3o, segundo Barreiro, e foi acompanhada e apoiada pela CIA.<br \/>\nO plano consistia em colocar comprimidos envenenados nos frascos de medicamentos que Jango tomava para o cora\u00e7\u00e3o. O efeito seria semelhante a um ataque card\u00edaco. \u201cEle tomava Isordil, Adelfam e Nifodin. O primeiro ingrediente veio da CIA e foi testado com cachorros e doentes terminais.<br \/>\nColocamos os comprimidos em v\u00e1rios lugares: no escrit\u00f3rio, na fazenda, no porta-luvas do carro, no Hotel Liberty, em Buenos Aires\u201d. Fleury deu a palavra final, disse que Jango era um conspirador. Ouviu uma conversa de Fleury com militares uruguaios dizendo que conversara com Geisel. \u201cFa\u00e7a e n\u00e3o me diga mais nada sobre Goulart\u201d, teria dito o general.<br \/>\nBarreiro foi expulso do servi\u00e7o de intelig\u00eancia uruguaio em 1980, por raz\u00f5es que n\u00e3o revela. Morou em cidades da fronteira, depois fixou-se em Gravata\u00ed, na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre. Em 1999 foi preso pela primeira vez no Brasil.<br \/>\nEm sua casa a pol\u00edcia encontrou granadas, pistolas e fuzis. Foi recolhido \u00e0 penitenci\u00e1ria de seguran\u00e7a m\u00e1xima de Charqueadas, em 2000. Em maio de 2003,<br \/>\nem regime de semi-aberto, fugiu mas foi recapturado em seguida.<br \/>\nAos 54 anos, cumpre pena de 17 anos por tr\u00e1fico de armas, falsidade<br \/>\nideol\u00f3gica, roubo e forma\u00e7\u00e3o de quadrilha.<br \/>\n<span class=\"intertit\">&#8220;Eu vi quando ele faleceu&#8221;<\/span><br \/>\nMaria Tereza Goulart, a menina do interior que casou com o mo\u00e7o bonito e milion\u00e1rio, viveu ao lado de Jango trinta anos. Estava sozinha com ele na noite de sua morte e, desde o in\u00edcio, rejeitou a hip\u00f3tese de assassinato.<br \/>\nHoje ela evita o assunto, certamente para n\u00e3o contradizer filhos e netos que sustentam a tese do atentado. Uma das \u00faltimas vezes em que falou sobre o assunto foi neste depoimento ao programa Teledomingo, da RBS TV, em 2003.<br \/>\n<em>\u201dN\u00f3s chegamos em Libres, almo\u00e7amos, e fomos embora para a fazenda. No caminho, vi que ele estava meio cansado&#8230; com olheiras, cansado\u2026 Eu falei: \u201cJango, voc\u00ea n\u00e3o quer que eu dirija um pouco?\u201d Ele disse: \u201cN\u00e3o, estou bem ainda, se eu precisar, te digo\u201d.<\/em><br \/>\n\u201cA fazenda era muito bonita, mas era um buraco. N\u00e3o tinha ningu\u00e9m por perto. Eu estava sozinha\u2026 \u201c<br \/>\n\u201cEra um casar\u00e3o enorme, um horror\u2026 S\u00f3 n\u00f3s dois, tinha uma casa de caseiro l\u00e1 do lado\u2026 A\u00ed, come\u00e7ou a bater uma janela. O Jango disse: \u201cVou dormir, porque estou cansado\u201d. Eu disse: \u201cVou apagar a luz, ent\u00e3o\u2026 Ele falou: \u201cN\u00e3o, pode ficar lendo\u201d. Fiquei lendo uma<br \/>\nrevista, e a janela batendo, batendo\u2026 E eu louca de medo de ir fechar esta janela, porque a casa era assim um neg\u00f3cio que ia daqui at\u00e9 aquela outra esquina, de t\u00e3o grande. Pensei: ah n\u00e3o vou me levantar, n\u00e3o; sair por essa casa, com essa janela batendo\u2026 A essa hora da noite\u2026\u201d<br \/>\n\u201cA\u00ed, eu apaguei a luz e fiquei algum tempo acordada. De repente, vi que o Jango estava respirando diferente. Acendi a luz de novo e comecei a chamar: Jango, Jango. Mas quando chamei, eu vi que tinha virado o corpo assim (sabe, quando segura com uma for\u00e7a incr\u00edvel o travesseiro\u2026 ). E ele nunca dormia assim de lado\u2026 A\u00ed, fui para o outro lado da cama dele e comecei a chamar, chamar. A\u00ed, ele soltou o corpo, assim\u2026 Eu vi quando ele faleceu.\u201d<br \/>\n\u201c A\u00ed abri a porta e sai correndo e comecei a gritar pelo caseiro: J\u00falio, J\u00falio. E o cara veio armado, porque ele pensou que algu\u00e9m tinha invadido a casa. Foi uma cena horr\u00edvel. Voc\u00eas j\u00e1 imaginaram, perder uma pessoa, dentro de uma casa que n\u00e3o tem a ver contigo, sem ningu\u00e9m por perto, e o caseiro&#8230; Que nem sabia falar direito&#8230;.\u201d<br \/>\n\u201cO m\u00e9dico veio, um m\u00e9dico de algum lugar dali, que n\u00e3o sei bem. Nem vi a cara dele direito. Ele me falou: \u201cDona Maria Teresa, ele teve um enfarte total: aquele que parte o cora\u00e7\u00e3o\u201d. Em seguida, ficou uma mancha assim\u2026\u201d<br \/>\n\u201c A\u00ed, come\u00e7aram as pessoas: porque o Jango morreu assim, porque Jango morreu assado. Porque foi enterrado assim; porque estava de pijama&#8230; Quem disse que Jango estava de pijama? Ele estava vestido com uma camisa branca, uma cal\u00e7a jeans, que era o que tinha ali, na hora. Arrumamos ele, fizemos o vel\u00f3rio ali na casa. N\u00e3o, mas as pessoas ficam inventando umas coisas que n\u00e3o t\u00eam explica\u00e7\u00e3o. A\u00ed veio o tal do envenenamento&#8230;\u201d<br \/>\n\u201cDisseram que eu impedi a aut\u00f3psia.\u2026 Eu nem sabia que se fazia aut\u00f3psia, nunca tinha visto ningu\u00e9m morrer na minha vida&#8230;\u201d<br \/>\n\u201cEles disseram que o Jango n\u00e3o podia sair\u2026 Se quisesse trazer o Jango para S\u00e3o Borja, tinha de sair de barco pelo Rio Uruguai, mas era um calor de n\u00e3o sei quantos graus. O corpo teria que ser embalsamado. Mas em um buraco daqueles quem \u00e9 que saberia fazer<br \/>\nisto? Ent\u00e3o, fomos de carro para S\u00e3o Borja, passando por Libres\u201d.<br \/>\n\u201cEles mandaram descer o corpo; depois disseram que n\u00e3o podia descer; que n\u00e3o podia isso, que n\u00e3o podia aquilo\u2026 Mas o Almino Afonso j\u00e1 estava l\u00e1 e ligou para o Presidente, ou para sei l\u00e1 quem, e disse: \u201cN\u00e3o podemos fazer uma coisa dessas. Estou aqui com a<br \/>\nfam\u00edlia, Dona Maria Teresa est\u00e1 sozinha, os filhos est\u00e3o na Inglaterra, o corpo est\u00e1 mal-embalsamado e tem de seguir para S\u00e3o Borja para ser enterrado\u201d. Ent\u00e3o, eles liberaram. Mas, at\u00e9 liberar, foi uma cena\u201d.<br \/>\n\u201dMeus filhos estavam em Londres. Quando chegaram n\u00e3o puderam ver o Jango porque o caix\u00e3o j\u00e1 estava fechado por causa do calor, n\u00e3o chegaram a ver o Jango\u201d.<br \/>\n<em>Texto publicado originalmente na Revista J\u00c1 de abril de 2008<\/em><br \/>\n[related limit=&#8221;5&#8243;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suspeita de que o ex-presidente Jo\u00e3o Goulart foi assassinado estava presente j\u00e1 no seu enterro, no dia 6 em dezembro de 1976, em S\u00e3o Borja. 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