{"id":12694,"date":"2013-11-08T12:59:45","date_gmt":"2013-11-08T15:59:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12694"},"modified":"2013-11-08T12:59:45","modified_gmt":"2013-11-08T15:59:45","slug":"a-hora-e-a-vez-do-cinema-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-hora-e-a-vez-do-cinema-palestino\/","title":{"rendered":"A hora e a vez do cinema palestino"},"content":{"rendered":"<p>Com a presen\u00e7a do diretor, Kamal Aljafari, 42, a exibi\u00e7\u00e3o de Porto da Mem\u00f3ria, nesta quarta-feira (06\/11), deu in\u00edcio, na Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana, \u00e0 segunda fase da Mostra Cinema e Paz, iniciativa do governo do Estado, agora com a apresenta\u00e7\u00e3o de filmes palestinos.<br \/>\nNatural de Ramallah, Cisjord\u00e2nia, Aljafari era um adolescente quando assistiu nas ruas de Jaffa (que hoje faz parte de Tel Aviv) a rodagem do filme Delta Force (1986), com Chuck Norris e Lee Marvin: \u201cLembro de cenas de persegui\u00e7\u00e3o, das ruas cheias de cartazes do aiatol\u00e1 Khomeini, simulando a periferia de Beirute, L\u00edbano\u201d, recorda o diretor.<br \/>\nA mesma Jaffa que, 24 anos depois, Aljafari \u2013 j\u00e1 formado pela Academia de Artes-M\u00eddias de Col\u00f4nia, Alemanha, onde hoje \u00e9 professor \u2013 voltaria para filmar uma hist\u00f3ria tendo como base um drama familiar: parentes, do lado materno, estavam sendo amea\u00e7ados pelas autoridades israelenses de despejo caso n\u00e3o pudessem comprovar que a casa, comprada h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, era deles. Fato que para Aljafari ilustra o que \u00e9 ser, na atualidade, palestino em Israel: \u201cum estrangeiro no seu pr\u00f3prio pa\u00eds, um exilado, um imigrante, algu\u00e9m indesejado\u201d.<br \/>\nPorto da Mem\u00f3ria, segundo o diretor, n\u00e3o \u00e9 a um filme militante, de propaganda revolucion\u00e1ria, engajado numa luta libert\u00e1ria. Trata-se de uma reflex\u00e3o factual e po\u00e9tica sobre o destino-desaparecimento da comunidade palestina de Jaffa, uma pel\u00edcula que mistura document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o: \u201cN\u00e3o acredito na divis\u00e3o em g\u00eaneros, numa fronteira, narrativas e modos de contar s\u00e3o coisas que se inter-relacionam\u201d, explica Aljafari.<br \/>\nNesse estilo, colabora para enfatizar o drama a utiliza\u00e7\u00e3o de atores n\u00e3o profissionais \u2013 os membros de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia \u2013, cujas for\u00e7as v\u00eam de suas presen\u00e7as, testemunhos, dos seus gestuais repetitivos ou coreogr\u00e1ficos, como a da senhora lavando as m\u00e3os, ritualmente, demoradamente.<br \/>\nPorto da Mem\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 feito de paradoxos. A fam\u00edlia de Aljafari, por exemplo, \u00e9 crist\u00e3, o que a transforma em uma minoria dentro da minoria. Na televis\u00e3o passa uma fic\u00e7\u00e3o sobre a vida de Jesus Cristo dublada em \u00e1rabe. E, noutra inser\u00e7\u00e3o, aparece uma cena de um filme antigo, transformada em clipe, onde um cantor judeu perambula pelas ruelas da velha Jaffa, cantando em hebraico uma m\u00fasica que parece retratar o nost\u00e1lgico estado de esp\u00edrito atual dos palestinos e seu velho porto.<br \/>\nA maior parte do filme denota passividade, depress\u00e3o, decad\u00eancia, casas em ru\u00ednas ou abandonadas. Mas n\u00e3o residiria justamente nisso a den\u00fancia pol\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o dos palestinos em Israel ou nos territ\u00f3rios ocupados? Seria essa passividade, misto de exist\u00eancia e aus\u00eancia, uma forma de resist\u00eancia, um grito silencioso?<br \/>\nAljafari \u00e9 ir\u00f4nico, e a pergunta apenas refor\u00e7a que n\u00e3o fez um filme militante, embora esteja consciente que o tema, imagens e posturas das pessoas envolvidas provoquem, no m\u00ednimo, questionamentos sobre a maneira de Israel tratar os palestinos que habitam o seu territ\u00f3rio, ou seja, que vivem na sua pr\u00f3pria terra.<br \/>\nAljafari \u00e9 um artista com um sentido est\u00e9tico particular de composi\u00e7\u00e3o de imagens e cenas, tem dom\u00ednio t\u00e9cnico do of\u00edcio. Portanto, consciente de sua proposta cinematogr\u00e1fica, cheia de refer\u00eancias, que v\u00e3o de Robert Bresson a Jean-Luc Godard, e, sobretudo, do pr\u00f3prio cinema palestino. Enfim, mostra a coragem e a ousadia de algu\u00e9m que recusa olhar-se apenas como v\u00edtima.<br \/>\n<em>(Por Francisco Ribeiro)<\/em><br \/>\n<strong>Programa\u00e7\u00e3o da Mostra Cinema e Paz, na Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana:<br \/>\n<\/strong><br \/>\n07\/11 &#8211; Quinta-feira<br \/>\n19h30 &#8211; To my Father, de Abdelsalam Shehadeh ;<br \/>\n08\/11 &#8211; Sexta-feira<br \/>\n19h30 &#8211; Sess\u00e3o comentada de The Roof, de Kamal Aljafari ;<br \/>\n09\/11 &#8211; S\u00e1bado<br \/>\n19h30 &#8211; Sess\u00e3o com os tr\u00eas curtas-metragens :<br \/>\nColorful Jouney, de Arab Abu Nasser e Tarzan Abu Nasser ;<br \/>\nArafat and I, de Mahdi Fleifel ;<br \/>\nIzriqaq, de Rama Mari ;<br \/>\n10\/11 &#8211; Domingo<br \/>\n19h30 &#8211; Sess\u00e3o com os tr\u00eas curtas-metragens<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a presen\u00e7a do diretor, Kamal Aljafari, 42, a exibi\u00e7\u00e3o de Porto da Mem\u00f3ria, nesta quarta-feira (06\/11), deu in\u00edcio, na Casa de Cultura M\u00e1rio Quintana, \u00e0 segunda fase da Mostra Cinema e Paz, iniciativa do governo do Estado, agora com a apresenta\u00e7\u00e3o de filmes palestinos. 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