{"id":12710,"date":"2013-11-11T18:32:06","date_gmt":"2013-11-11T21:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12710"},"modified":"2013-11-11T18:32:06","modified_gmt":"2013-11-11T21:32:06","slug":"mino-carta-no-brasil-ainda-temos-muito-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mino-carta-no-brasil-ainda-temos-muito-medo\/","title":{"rendered":"Mino Carta: &quot;No Brasil ainda temos muito medo&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Ao cair da tarde de domingo (10\/11) no cora\u00e7\u00e3o da Feira do Livro de Porto Alegre o jornalista Mino Carta foi entrevistado pelo radialista Ruy Carlos Ostermann diante de uma plat\u00e9ia de 100 pessoas reunidas no sal\u00e3o oeste do Santander Cultural.<br \/>\nO gancho do papo era o livro O Brasil (Record, 2012) no qual o genov\u00eas Mino, nascido em 1933, repassa sua vis\u00e3o do pa\u00eds ao qual chegou \u00e0s v\u00e9speras da Copa de 1950 como aprendiz de rep\u00f3rter esportivo. \u201cN\u00e3o \u00e9 um livro de mem\u00f3rias, pois n\u00e3o me acho com n\u00edvel para tanto \u2013 mem\u00f3rias s\u00e3o para Churchill ou De Gaulle\u201d, disse o autor, do alto dos seus mais de 60 anos de atua\u00e7\u00e3o na m\u00eddia nativa.<br \/>\nInovador e combativo, ele fundou a revista Veja, criou a Isto\u00e9 e mant\u00e9m o seman\u00e1rio Carta Capital. Marcados por fina ironia \u2013 inclusive em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo, como quando se gaba de ter dirigido a revista Quatro Rodas mesmo sem saber guiar um carro &#8211;, seus coment\u00e1rios e observa\u00e7\u00f5es podem ser assim resumidos:<br \/>\n\u201cDiz-se que a m\u00eddia impressa est\u00e1 em xeque. Discordo. A internet apenas aumentou a avalanche de informa\u00e7\u00e3o a que j\u00e1 est\u00e1vamos submetidos pelo r\u00e1dio, a TV e a imprensa. O que falta \u00e9 qualidade.<br \/>\n\u201cA m\u00eddia nativa sempre serviu ao poder mas antigamente tinha mais qualidade.<br \/>\n\u201cNossa imprensa aposentou o jornalismo investigativo.<br \/>\n\u201cOs 350 anos de escravid\u00e3o pesam muito na cultura brasileira\u201d<br \/>\n\u201c\u00c9 um equ\u00edvoco dizer que a ditadura de 64 foi militar. Foi civil-militar.<br \/>\n\u201cO golpe de 64 veio para interromper um processo que teria sido muito bom. Estava em vias de se criar uma ind\u00fastria que daria origem a um proletariado que poderia ter criado o Brasil moderno. Quando digo moderno, n\u00e3o quero dizer socialista. Moderno \u00e9 ser equ\u00e2nime, igualit\u00e1rio.<br \/>\n\u201cAs elites falam do Bolsa Fam\u00edlia como se fosse uma esmola, mas esse projeto de inclus\u00e3o social \u00e9 admirado na Europa e come\u00e7a a ser imitado em muitos pa\u00edses\u201d<br \/>\n\u201cGetulio Vargas \u00e9 a maior figura pol\u00edtica do Brasil. Ele tinha um projeto nacional que expressou atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas (1934), do sal\u00e1rio m\u00ednimo (1940), da CSN em Volta Redonda (1942) e da Petrobras (1953).<br \/>\n\u201cJK entregou o pa\u00eds ao carro\u201d.<br \/>\n\u201cO verdadeiro partido de oposi\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 a m\u00eddia nativa\u201c<br \/>\n(Respondendo a uma pergunta sobre o comportamento cauteloso da Comiss\u00e3o da Verdade): \u201cNo Brasil ainda temos muito medo\u201d (dos arapongas, dos policiais e dos militares).<br \/>\n\u201cA m\u00eddia nativa torce para que as manifesta\u00e7\u00f5es populares atrapalhem a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma.<br \/>\n\u201cN\u00e3o arrisco um palpite sobre a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma, mas se Lula concorrer no lugar dela, ganha. Lula \u00e9 imbat\u00edvel.<br \/>\n\u201cNo Brasil faltam lideran\u00e7as n\u00edtidas.<br \/>\n(Respondendo a uma pergunta sobre o que acha de Tarso Genro): \u201cN\u00f3s o apoiamos em v\u00e1rios momentos, mas ele fez uma besteira inomin\u00e1vel que interrompeu nossa rela\u00e7\u00e3o: foi quando, como ministro da Justi\u00e7a, junto com o senador Suplicy, cuja sanidade mental \u00e9 discut\u00edvel, resolveu dar asilo pol\u00edtico a um ladr\u00e3ozinho e estuprador\u201d (refere-se ao italiano Ricardo Battisti)<br \/>\n(Sobre a bancada ruralista): \u201cEstamos cansados de saber que a casa grande gosta de trabalho escravo\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao cair da tarde de domingo (10\/11) no cora\u00e7\u00e3o da Feira do Livro de Porto Alegre o jornalista Mino Carta foi entrevistado pelo radialista Ruy Carlos Ostermann diante de uma plat\u00e9ia de 100 pessoas reunidas no sal\u00e3o oeste do Santander Cultural. 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