{"id":12815,"date":"2013-12-10T19:24:55","date_gmt":"2013-12-10T22:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12815"},"modified":"2013-12-10T19:24:55","modified_gmt":"2013-12-10T22:24:55","slug":"o-motorista-de-juscelino-foi-baleado-na-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-motorista-de-juscelino-foi-baleado-na-cabeca\/","title":{"rendered":"&quot;O motorista de Juscelino foi baleado na cabe\u00e7a&quot;"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade Vladimir Herzog, da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, apresentou hoje (10) relat\u00f3rio que contradiz a vers\u00e3o oficial da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, na qual consta que ele foi v\u00edtima de um acidente de carro. Segundo as investiga\u00e7\u00f5es da comiss\u00e3o,<br \/>\nJuscelino foi v\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o durante o per\u00edodo da ditadura militar, e sua morte foi planejada. O ex-presidente morreu em um acidente no dia 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, que liga S\u00e3o Paulo ao Rio de Janeiro.<br \/>\nConforme o relat\u00f3rio sobre as circunst\u00e2ncias da morte do ex-presidente, o motorista de Juscelino, Geraldo Ribeiro, estava debru\u00e7ado, com a cabe\u00e7a ca\u00edda entre o volante e a porta do ve\u00edculo, quando o carro perdeu o controle em uma curva e bateu na frente de uma carreta.<br \/>\nO relato foi feito pelo motorista aposentado Ademar Jahn, que conduzia um caminh\u00e3o igual ao do amigo Ladislau Borges, no qual o carro bateu.<br \/>\nO acidente ocorreu cerca de tr\u00eas minutos depois que Juscelino e Ribeiro deixaram o Hotel-Fazenda Villa-Forte, do brigadeiro Newton Junqueira Villa-Forte, um dos criadores do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), em Engenheiro Passos, Resende, no Rio de Janeiro.<br \/>\nO autom\u00f3vel ia no sentido Rio de Janeiro, quando houve o acidente. Em depoimento na Comiss\u00e3o da Verdade, Josias Nunes de Oliveira, motorista do \u00f4nibus da Via\u00e7\u00e3o Cometa, que ultrapassou o Opala antes da batida, contou que, logo depois, o carro de Juscelino surgiu pela direita do \u00f4nibus, ultrapassando-o em velocidade excessiva e com manobra arriscada, descontrolado e desgovernado.<br \/>\nAl\u00e9m desses relatos, a Comiss\u00e3o da Verdade encontrou ind\u00edcios de que os laudos de per\u00edcia do acidente e dos corpos das v\u00edtimas foram alterados. Um dos motivos pelos quais a comiss\u00e3o acredita nisso \u00e9 o fato de o perito criminal Alberto Carlos de Minas ter dito que foi impedido por policiais e agentes de Estado de fotografar o cr\u00e2nio de Geraldo Ribeiro durante a exuma\u00e7\u00e3o da ossada, em 14 de agosto de 1996.<br \/>\nO perito contou que viu um furo no cr\u00e2nio de Ribeiro, com caracter\u00edsticas de perfura\u00e7\u00e3o por proj\u00e9til, e que foi amea\u00e7ado para n\u00e3o vincular o acidente a um atentado pol\u00edtico.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Prego do caix\u00e3o<\/span><br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m relatos sobre um objeto met\u00e1lico dentro do cr\u00e2nio, que os agentes disseram ser um prego do caix\u00e3o.<br \/>\nO relat\u00f3rio mostra ainda que peritos foram substitu\u00eddos, testemunhas sofreram amea\u00e7as e tentativas de suborno e que houve den\u00fancias de que um tiro foi disparado de um autom\u00f3vel emparelhou com o Opala.<br \/>\nDe acordo com o relat\u00f3rio, testemunhas n\u00e3o foram procuradas para contribuir com as investiga\u00e7\u00f5es na \u00e9poca e houve den\u00fancia de que os telefones de Juscelino e de pessoas ligadas a ele estavam grampeados e, por isso, agentes do governo militar sabiam de todos os seus passos. Al\u00e9m disso, traz relatos da pr\u00f3pria fam\u00edlia do ex-presidente, que tinha informa\u00e7\u00f5es sobre as suspeitas de assassinato.<br \/>\nO presidente da Comiss\u00e3o Municipal da Verdade, Gilberto Natalini, disse que o documento \u00e9 oficial e ser\u00e1 encaminhado \u00e0s principais autoridades do pa\u00eds para que essa vers\u00e3o seja assumida como a verdadeira hist\u00f3ria do Brasil. \u201cSe estiverem vivos, os que fizeram t\u00eam que ser punidos. Ningu\u00e9m pode matar e ficar impune.<br \/>\nO crime prescreve com 20 anos, mas h\u00e1 alguns que defendemos que n\u00e3o seja assim, e esse foi um assassinato cruel de um dos presidentes da Rep\u00fablica mais queridos pelo povo.\u201d<br \/>\nNatalini ressaltou que v\u00e1rios pontos do relat\u00f3rio s\u00e3o relevantes e indicam que o documento deve ser acatado pelas autoridades como a vers\u00e3o verdadeira da morte do ex-presidente. Entre esses pontos, ele destaca o depoimento do motorista que vinha atr\u00e1s da carreta em que o carro bateu.<br \/>\n\u201cTemos v\u00e1rios outros pontos relevantes, mas o orif\u00edcio no cr\u00e2nio do motorista, que foi visto pelo perito, \u00e9 importante; o fragmento de metal que estava no cr\u00e2nio ser descrito como prego do caix\u00e3o. Como pode um prego ir parar dentro do cr\u00e2nio? N\u00f3s n\u00e3o acreditamos nisso. E [havia] toda a conjuntura pol\u00edtica do Brasil, com Juscelino indo para uma candidatura indesejada por muitos.\u201d<br \/>\nO vereador disse esperar que as autoridades entendam que o trabalho foi s\u00e9rio, porque a comiss\u00e3o enviar\u00e1 uma quantidade enorme de provas de tudo o que est\u00e1 escrito no relat\u00f3rio. O documento deve ser enviado para a presidenta Dilma Rousseff, entre outras autoridades.<br \/>\n\u201cVamos aguardar o relacionamento com as autoridades federais, que t\u00eam autoridade legal para fazer essa mudan\u00e7a. N\u00f3s temos autoridade moral pela forma como conduzimos a investiga\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu Natalini.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o da Verdade Vladimir Herzog, da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo, apresentou hoje (10) relat\u00f3rio que contradiz a vers\u00e3o oficial da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, na qual consta que ele foi v\u00edtima de um acidente de carro. 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