{"id":12884,"date":"2013-12-23T11:56:03","date_gmt":"2013-12-23T14:56:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=12884"},"modified":"2013-12-23T11:56:03","modified_gmt":"2013-12-23T14:56:03","slug":"respeito-a-biografia-de-mario-quintana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/respeito-a-biografia-de-mario-quintana\/","title":{"rendered":"Respeito \u00e0 biografia de Mario Quintana"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Carlos Alberto de Souza, jornalista |<br \/>\n<\/span><br \/>\nO 2013 n\u00e3o pode, por quest\u00e3o de justi\u00e7a, cerrar suas pesadas portas sem que se conteste publicamente uma ofensa perpetrada contra a biografia e a mem\u00f3ria de Mario Quintana. A afronta foi cometida por um doutor em Literatura e, lamentavelmente, contou com a coniv\u00eancia da intelectualidade ga\u00facha, que se omitiu e silenciou diante do fato.<br \/>\nCom todos os m\u00e9ritos do t\u00edtulo, o doutor em quest\u00e3o \u00e9 o professor Lu\u00eds Augusto Fischer. Em declara\u00e7\u00e3o de rara infelicidade, em entrevista concedida ao caderno Cultura de Zero Hora de 12 de outubro passado, na condi\u00e7\u00e3o de patrono da Feira do Livro de Porto Alegre que se iniciaria a 1\u00ba de novembro, ele disse que Erico Verissimo, Cyro Martins e Dyonelio Machado n\u00e3o eram habitu\u00e9s da Feira e que Quintana a frequentava \u201cporque ele nos \u00faltimos anos era um velhinho folcl\u00f3rico, e havia trabalhado ali no Correio do Povo, morava no Centro&#8230;\u201d<br \/>\nFischer, nessa sua resposta, sustenta que \u201ca intelectualidade\u201d, \u201cos escritores mesmo\u201d, como o triunvirato citado, n\u00e3o eram atra\u00eddos pela Feira, que reunia \u201cjornalistas, professores\u201d.<br \/>\nReferir-se a Mario Quintana como um \u201cvelhinho folcl\u00f3rico\u201d \u00e9 revelar um ju\u00edzo distorcido da figura do poeta, al\u00e9m de menosprezar e desrespeitar sua hist\u00f3ria de vida. Imaginei que o disparate seria alvo de imediata refuta\u00e7\u00e3o por algum integrante da intelectualidade, mas nenhuma voz se levantou por Quintana que, morto em 1994, aos 87 anos, n\u00e3o pode se defender.<br \/>\nTentei expressar em Zero Hora, por meio de artigo, o sentimento de repulsa que manifesto aqui, mas a contradita n\u00e3o foi acolhida pelo jornal que veiculou a gafe. Al\u00e9m da busca do desagravo, creio que o reparo se imp\u00f5e, entre outras raz\u00f5es, para que a opini\u00e3o de Fischer n\u00e3o transite como uma verdade inconteste e eventualmente seja absorvida por um desavisado pesquisador do mundo acad\u00eamico. Afinal, a pecha foi lan\u00e7ada por um especialista.<br \/>\nPor ironia, n\u00e3o houve escritor mais identificado com a Feira do Livro do que Mario Quintana, que viveu com gra\u00e7a, encantamento, simplicidade e dignidade. N\u00e3o por acaso, ele est\u00e1 eternizado em bronze na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, Centro de Porto Alegre, ao lado da est\u00e1tua de Drummond.<br \/>\nDois gigantes. Patrono da Feira em 1985, Quintana foi sempre uma esp\u00e9cie de atra\u00e7\u00e3o extra do evento, caminhando entre as bancas ou sentado num dos bancos da pra\u00e7a. N\u00e3o s\u00e3o poucas as pessoas que guardam com imenso carinho um livro autografado por ele, com dedicat\u00f3rias po\u00e9ticas e bem-humoradas.<br \/>\nCertamente, Quintana frequentou a Feira, criada em 1955 &#8211; quando Fischer ainda n\u00e3o havia nascido -, desde sempre. Na primeira edi\u00e7\u00e3o, o poeta tinha 49 anos e j\u00e1 trabalhava havia dois anos no Correio do Povo. O evento concentrava tr\u00eas de suas paix\u00f5es: a rua (\u201cOlho o mapa da cidade como quem examinasse a anatomia de um corpo&#8230;\u201d), a pra\u00e7a e a literatura. N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que, al\u00e9m de consagrar-se na arte da poesia, ele marcou no pa\u00eds como tradutor, vertendo, para a lend\u00e1ria Editora Globo, nomes como Marcel Proust, Virginia Woolf, Aldous Huxley, Guy de Maupassant.<br \/>\nA que atribuir o deslize que sugere a exist\u00eancia de um Quintana inconsequente, vazio, indigno de ser levado a s\u00e9rio quando \u201cvelhinho\u201d, pois, afinal, s\u00e3o essas as caracter\u00edsticas de um sujeito dito \u201cfolcl\u00f3rico\u201d? Para deixar barato, digamos que ao paradoxo, uma vez que na sua atividade Fischer mostra zelo pelas coisas de valor do passado, sendo um profundo e respeitado estudioso da obra de Sim\u00f5es Lopes Neto, um dos maiores nomes da literatura rio-grandense, por exemplo.<br \/>\nAt\u00e9 por essa raz\u00e3o \u00e9 que o ep\u00edteto aplicado ao poeta choca e causa perplexidade. Mario Quintana, um \u201cvelhinho folcl\u00f3rico\u201d?! Por favor, professor&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alberto de Souza, jornalista | O 2013 n\u00e3o pode, por quest\u00e3o de justi\u00e7a, cerrar suas pesadas portas sem que se conteste publicamente uma ofensa perpetrada contra a biografia e a mem\u00f3ria de Mario Quintana. 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