{"id":13006,"date":"2014-04-01T09:07:37","date_gmt":"2014-04-01T12:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=13006"},"modified":"2014-04-01T09:07:37","modified_gmt":"2014-04-01T12:07:37","slug":"o-golpe-avanca-sem-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-golpe-avanca-sem-resistencia\/","title":{"rendered":"O golpe avan\u00e7a sem resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 de 1 de abril, os jornais trazem a not\u00edcia: h\u00e1 um golpe em andamento. Mas n\u00e3o se sabe direito o que est\u00e1 acontecendo. As aulas, que j\u00e1 haviam come\u00e7ado, s\u00e3o suspensas. Os bancos, que abririam \u00e0s dez horas, fazem feriado for\u00e7ado. As ruas se enchem de soldados. Brizola fala no r\u00e1dio, pede aos sargentos que \u201cprendam os gorilas que querem dar o golpe\u201d.<br \/>\nO novo comandante do III Ex\u00e9rcito, que chegara a Porto Alegre de madrugada, para organizar a resist\u00eancia, desde cedo tenta requisitar a Brigada Militar, a for\u00e7a estadual que fora decisiva na rea\u00e7\u00e3o ao golpe em 1961. O comandante da Brigada diz que s\u00f3 cumpre ordens do governador.<br \/>\nO governador Ildo Meneghetti, alinhado com o golpe, decide sair de Porto Alegre. Deixa o pal\u00e1cio Piratini pelos fundos e segue num fusca verde. Quem dirige \u00e9 o propriet\u00e1rio do carro, o capit\u00e3o Jesus Linares Guimar\u00e3es, ajudante de ordens da Casa Militar. Sairam antes do meio dia com destino a Passo Fundo.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Apoiando a &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/span><br \/>\nAntes de partir deixou folhas em branco assinadas. Uma delas seria usada para responder ao comandante do III Ex\u00e9rcito, que estava requisitando a Brigada Militar, para ficar sob o comando federal . O secret\u00e1rio do Interior, Mario Mondino, datilografou na folha assinada por Meneghetti uma resposta evasiva e n\u00e3o cumpriu a ordem.<br \/>\nNo fim da tarde, o governador chegava ao 2\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores da Brigada Militar em Passo Fundo. Requisitou a r\u00e1dio local e divulgou notas incitando o povo a \u201capoiar a revolu\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nEm Porto Alegre, no mesmo hor\u00e1rio, os brizolistas faziam um com\u00edcio na frente da prefeitura, chamando o povo para a resist\u00eancia. Os discursos s\u00e3o furiosos, pedem pared\u00f3n para os golpistas. Brizola segue pedindo aos cabos e sargentos que \u201ctomem os quart\u00e9is a unha\u201d. Mas n\u00e3o reuniram mais do que tr\u00eas mil pessoas. O feriado banc\u00e1rio, a suspens\u00e3o das aulas e a trucul\u00eancia da pol\u00edcia reprimindo qualquer aglomera\u00e7\u00e3o, esvaziaram o centro bem cedo.<br \/>\nAl\u00e9m disso, havia a expectativa da chegada de Jo\u00e3o Goulart, o presidente que voara do Rio para Brasilia e era esperado em Porto Alegre no in\u00edcio da noite (acabou chegando \u00e0s 3h15 da madrugada).<br \/>\nUm momento de tens\u00e3o ocorreu no final do com\u00edcio, quando chegou a informa\u00e7\u00e3o de que o Pal\u00e1cio Piratini estava abandonado. Com o governador em Passo Fundo, apenas os guardas na portaria e alguns secret\u00e1rios estavam l\u00e1. Um grupo decidiu tomar o pr\u00e9dio e sa\u00edram pela rua da Praia. Com um megafone, o prefeito Sereno Chaise come\u00e7ou a gritar que era precipita\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podia ser assim&#8230; e o grupo se dispersou antes de chegar \u00e0 Ladeira.<br \/>\n[related limit=&#8221;5&#8243;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 de 1 de abril, os jornais trazem a not\u00edcia: h\u00e1 um golpe em andamento. Mas n\u00e3o se sabe direito o que est\u00e1 acontecendo. As aulas, que j\u00e1 haviam come\u00e7ado, s\u00e3o suspensas. Os bancos, que abririam \u00e0s dez horas, fazem feriado for\u00e7ado. As ruas se enchem de soldados. 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