{"id":13047,"date":"2014-04-29T19:13:06","date_gmt":"2014-04-29T22:13:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=13047"},"modified":"2014-04-29T19:13:06","modified_gmt":"2014-04-29T22:13:06","slug":"caso-riocentro-em-30-de-abril-de-1981-foi-acao-articulada-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/caso-riocentro-em-30-de-abril-de-1981-foi-acao-articulada-do-estado\/","title":{"rendered":"Caso Riocentro foi &quot;a\u00e7\u00e3o articulada&quot; do Estado"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade apresentou hoje (29) o relat\u00f3rio preliminar sobre o caso do Riocentro, em que um militar morreu na explos\u00e3o de uma bomba dentro de um carro no estacionamento do complexo de eventos, que sediava um show que reuniu mais de 20 mil jovens em 30 de abril de 1981. Para o coordenador da CNV, Pedro Dallari, as conclus\u00f5es deixam claro que autoridades militares recorreram a atentados como pol\u00edtica de Estado e o do Riocentro foi uma &#8220;a\u00e7\u00e3o articulada&#8221; do Estado.<br \/>\n&#8220;Os documentos demonstram que esse atentado [do Riocentro] n\u00e3o foi obra de lun\u00e1ticos nem de agentes que agiram por conta pr\u00f3pria. Foi uma a\u00e7\u00e3o articulada do Estado brasileiro&#8221;, disse Dallari.&#8221;A mesma estrutura que nos anos 70 usou como pol\u00edtica de Estado a tortura e o exterm\u00ednio de pessoas, nos anos 80, patrocinou atentados a bomba. Foram pelo menos 40 nesse per\u00edodo. N\u00famero que mostra que havia uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica, que \u00e9 uso desses atentados para inibir o processo de abertura pol\u00edtica que come\u00e7ava a ocorrer no Brasil&#8221;, disse.<br \/>\nEm um per\u00edodo de 16 meses, entre 1980 e 1981, bombas explodiram em ve\u00edculos de imprensa, livrarias, bancas de jornal, pr\u00e9dios p\u00fablicos, escrit\u00f3rios de advogados que defendiam opositores do regime e at\u00e9 em com\u00edcios pol\u00edticos.<br \/>\nO pr\u00f3prio show, que se repetiu em 1981 no Riocentro, j\u00e1 tinha sido alvo em 1980, quando um artefato foi detonado em uma loja que vendia ingressos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Saiba Mais<\/span><br \/>\nMPF denuncia seis pessoas por atentado no Riocentro<br \/>\nNo atentado do Riocentro, uma bomba explodiu prematuramente entre 21h15 e 21h20 no interior de um ve\u00edculo Puma, matando o sargento Guilherme Pereira Ros\u00e1rio e o capit\u00e3o Wilson Luiz Machado ficou gravemente ferido. O artefato seria instalado no pavilh\u00e3o de eventos, onde ocorria o show com v\u00e1rios nomes da M\u00fasica Popular Brasileira, organizado pelo Centro Brasileiro Democr\u00e1tico, entidade cultural ligada ao Partido Comunista Brasileiro e presidido pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Outra bomba explodiu na subesta\u00e7\u00e3o el\u00e9trica do complexo, e mais duas bombas, que n\u00e3o foram confirmadas, foram citadas por testemunhas.<br \/>\nOs dois militares eram lotados no Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es (DOI) do 1\u00ba Ex\u00e9rcito e foram tratados como v\u00edtimas no primeiro Inqu\u00e9rito Policial Militar, aberto em 1981. Esse inqu\u00e9rito, como consta no relat\u00f3rio, foi acompanhado pelo Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia. O primeiro encarregado pelo inqu\u00e9rito, o coronel Luiz Ant\u00f4nio do Prado Ribeiro, ao tomar provid\u00eancias para apurar o caso, sofreu press\u00f5es e foi substitu\u00eddo ap\u00f3s 15 dias de investiga\u00e7\u00e3o pelo coronel Job Lorena de Sant&#8217;Anna. No novo inqu\u00e9rito, aberto em 1999, Prado Ribeiro afirmou que foi pressionado a conduzir &#8220;direitinho&#8221; o IPM, inclusive com tentativas de influenciar sua linha de racioc\u00ednio.<br \/>\nAs tentativas de inverter os fatos foram contadas tamb\u00e9m pelo ministro aposentado do Superior Tribunal Militar (STM) J\u00falio de S\u00e1 Bierrenbach, hoje com 94 anos. Quando o caso chegou ao STM, o almirante Bierrenbach se op\u00f4s ao arquivamento, pediu vista do processo e foi criticado publicamente pelos representantes do Ex\u00e9rcito que compunham o colegiado. &#8220;Eles escolheram a dedo em qual auditoria deveria cair, e n\u00e3o apuraram&#8221;, disse em um depoimento gravado em v\u00eddeo pela CNV. O magistrado disse que &#8220;o inqu\u00e9rito foi uma vergonha&#8221;. &#8220;O capit\u00e3o [Machado] n\u00e3o foi ouvido nem como testemunha e acabou promovido e mandado para o Col\u00e9gio Militar de Bras\u00edlia. Com o ferimento que ele tinha, n\u00e3o seria promovido a major da ativa de jeito nenhum&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Imprescrit\u00edvel<\/span><br \/>\nA comiss\u00e3o tentou convocar hoje o coronel reformado Wilson Luiz Machado, por meio da condu\u00e7\u00e3o coercitiva, mas, ao chegar a sua casa, a Pol\u00edcia Federal constatou que ele havia viajado. O general reformado Newton Cruz, ex-chefe da Ag\u00eancia Central do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m foi convocado a depor, mas alegou motivos m\u00e9dicos para n\u00e3o ir. Ele teria tomado conhecimento do plano antes de ser executado. Os dois est\u00e3o entre os seis denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal este ano. A puni\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 discutida porque o caso ocorreu depois do per\u00edodo inclu\u00eddo na Lei da Anistia, que vai at\u00e9 1979, e, como crime contra os direitos humanos, \u00e9 imprescrit\u00edvel.<br \/>\nO relat\u00f3rio aponta a movimenta\u00e7\u00e3o nos dias antes do atentado: um m\u00eas antes do show, o coronel Dickson Grael foi demitido da diretoria do Riocentro; um dia antes do show, o coronel do 18\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia Militar \u00e9 substitu\u00eddo, e o policiamento do Riocentro \u00e9 suspenso por ordem do comandante-geral da PMERJ, que estava em viagem a Bras\u00edlia; horas antes da apresenta\u00e7\u00e3o, a chefia de seguran\u00e7a do show \u00e9 trocada, assumindo uma suposta agente do SNI, que determina o fechamento de 28 dos 30 port\u00f5es do complexo de eventos antes do show.<br \/>\n&#8220;Seria uma trag\u00e9dia de propor\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas, com uma multid\u00e3o de 20 mil jovens assistindo a um show com a explos\u00e3o de bombas &#8211; uma explodiu prematuramente, outras que a gente investiga e que n\u00e3o explodiram, possivelmente sob o pr\u00f3prio palco do show, e uma na casa de for\u00e7a que chegou a explodir e n\u00e3o teve o efeito desejado de causar a queda de energia. Isso sem o policiamento da PM e com port\u00f5es fechados por uma ordem daquele dia&#8221;, disse o delegado da Pol\u00edcia Federal, Daniel Lerner, que \u00e9 assessor da CNV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade apresentou hoje (29) o relat\u00f3rio preliminar sobre o caso do Riocentro, em que um militar morreu na explos\u00e3o de uma bomba dentro de um carro no estacionamento do complexo de eventos, que sediava um show que reuniu mais de 20 mil jovens em 30 de abril de 1981. 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