{"id":13124,"date":"2014-05-18T19:15:05","date_gmt":"2014-05-18T22:15:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=13124"},"modified":"2014-05-18T19:15:05","modified_gmt":"2014-05-18T22:15:05","slug":"sangue-latino-no-iecine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/sangue-latino-no-iecine\/","title":{"rendered":"Sangue latino no IECINE"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Francisco Ribeiro<\/span><br \/>\nO Instituto Estadual de Cinema (IECINE) tem a frente, desde abril \u00faltimo, um novo diretor, o cineasta colombiano Juan Zapata, 36, que substitui Luiz Alberto Cassol. Radicado h\u00e1 dez anos em Porto Alegre, Zapata tem diante de si o desafio de conduzir at\u00e9 o final do ano um \u00f3rg\u00e3o que poderia ter um papel mais atuante no fomento do audiovisual ga\u00facho, t\u00e3o carente no que tange a produ\u00e7\u00e3o, espa\u00e7os de exibi\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 justamente neste \u00faltimo quesito que a experi\u00eancia de Zapata, principalmente na Am\u00e9rica Latina, poder\u00e1 auxiliar na amplia\u00e7\u00e3o do mercado para as produ\u00e7\u00f5es realizadas no Rio Grande do Sul.<br \/>\nZapata tem do imigrante a \u00edndole batalhadora e pragm\u00e1tica, o desafio de integrar-se numa sociedade que at\u00e9 o in\u00edcio desse s\u00e9culo n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. Chegou aqui no ver\u00e3o de 2004 por paix\u00e3o, n\u00e3o pela terra, mas por uma ga\u00facha que conhecera em Cuba no ano anterior, quando era bolsista da Escuela Nacional de Cine y TV, em San Antonio de los Ba\u00f1os, a 26 quil\u00f4metros de Havana.<br \/>\nA Escuela, como ele define, \u00e9 uma ilha dentro da ilha de Fidel: \u201co curso foi \u00f3timo. Havia gente de tudo que era lugar, de 30 pa\u00edses, respirando cinema o dia inteiro. Fiz muitos amigos e alguns, mais tarde, tornaram-se meus parceiros em projetos. Enfim, uma experi\u00eancia que mudou radicalmente a minha vida, inclusive a minha vinda para Porto Alegre\u201d.<br \/>\nNatural de Medell\u00edn \u2013 segunda cidade mais populosa da Col\u00f4mbia \u2013 Zapata cresceu, devido ao narcotr\u00e1fico (trata-se da cidade de Pablo Escobar, morto em 1993): \u201cnum lugar sangrento, inseguro, onde era comum, na ida para o col\u00e9gio, ver corpos na rua. Bombas explodiam a noite. Ainda guardo um trauma, embora Medell\u00edn, hoje, seja um lugar completamente diferente, e com uma boa qualidade de vida\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">De autodidata \u00e0 professor<\/span><br \/>\nL\u00e1, Zapata teve, inicialmente, uma forma\u00e7\u00e3o autodidata na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, trabalhando, principalmente, em r\u00e1dio e televis\u00e3o. Depois de Cuba percebeu que o jornalismo n\u00e3o daria vaz\u00e3o ao seu desejo autoral e, j\u00e1 tendo Porto Alegre como base, investiu na sua carreira de roteirista, diretor, produtor, e, tamb\u00e9m, como j\u00e1 exercera na Col\u00f4mbia, a de professor universit\u00e1rio.<br \/>\nDez anos depois de sua chegada j\u00e1 tem em seu portf\u00f3lio a realiza\u00e7\u00e3o de quatro longas, o \u00faltimo foi Simone. Apesar disso, continua achando dif\u00edcil para um cineasta estrangeiro trabalhar no Brasil, mas isso n\u00e3o o intimida: \u201cquando cheguei senti certa discrimina\u00e7\u00e3o por ser estrangeiro. Mas encontrei condi\u00e7\u00f5es para me reinventar. D\u00e1 para contar nos dedos os cineastas estrangeiros que atuam no Brasil. Ainda sinto que algumas portas continuam fechadas. Nunca ganhei, por exemplo, um edital\u201d.<br \/>\nPara sobreviver profissionalmente como cineasta em Porto Alegre, o que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, Zapata agregou as suas atividades a tarefa de distribuidor de filmes latino-americanos, principalmente em circuitos alternativos. Trabalho que foi incrementado, consideravelmente, ap\u00f3s o f\u00f3rum de cineclubes na cidade do M\u00e9xico, 2012. Naquela ocasi\u00e3o, sua produtora, a Zapata Filmes, uniu-se ao Centro Cultural Yaneramai, da Bol\u00edvia, e a organiza\u00e7\u00e3o Circo 2.12 A.C, do M\u00e9xico, para criar a Latin\u00f3polis, uma rede de distribui\u00e7\u00e3o focada na produ\u00e7\u00e3o latino-americana.<br \/>\n\u00c9 essa valiosa experi\u00eancia de comercializa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de filmes que Zapata pretende desenvolver a frente do IECINE: \u201ch\u00e1 muita depend\u00eancia do recurso estatal. Um v\u00edcio em editais, subven\u00e7\u00f5es. No futuro, dependendo do governo que assumir, estas verbas poder\u00e3o n\u00e3o existir. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso pensar numa sustentabilidade de mercado para a produ\u00e7\u00e3o feita aqui\u201d.<br \/>\nPara Zapata, o Rio Grande do Sul, com forte influ\u00eancia platina, \u00e9 o estado brasileiro melhor aparelhado culturalmente para dialogar, atrav\u00e9s de suas pel\u00edculas, com o resto da Am\u00e9rica Latina. E nesse processo \u00e9 necess\u00e1rio divulgar aquilo que j\u00e1 foi realizado: \u201ctem muito filme bom guardado e que, fora os festivais nacionais, n\u00e3o foi para lugar nenhum. Isso me parece injusto.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Vendendo o carro<\/span><br \/>\nAs pessoas, no exterior, precisam saber que aqui se faz cinema de boa qualidade. \u00c9 preciso acabar com essa cultura de ficar sempre esperando o pr\u00f3ximo edital. Vamos criar um mercado para o material que temos\u201d.<br \/>\nSegundo Zapata \u2013 que uma vez j\u00e1 teve que vender o pr\u00f3prio carro para financiar projetos \u2013 n\u00e3o se trata, meramente, de uma quest\u00e3o comercial, embora o retorno financeiro seja importante para custear novas produ\u00e7\u00f5es: \u201c\u00e9 preciso um plano comercial que vise dar sustentabilidade para o que \u00e9 produzido aqui. Caso contr\u00e1rio, vamos continuar patinando em processos que n\u00e3o s\u00e3o vi\u00e1veis ou que n\u00e3o deram resultados em nenhum crit\u00e9rio: pol\u00edtico, cultural ou econ\u00f4mico\u201d.<br \/>\nAssim, Zapata quer compartilhar sua experi\u00eancia como distribuidor no mercado internacional. J\u00e1 fechou acordos com o M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Equador, Bol\u00edvia, Uruguai, Guiana Francesa e, quase certo, com a Argentina: \u201cn\u00e3o h\u00e1 limite para o n\u00famero de filmes. A televis\u00e3o, por exemplo, est\u00e1 pedindo um pacote de dez longas para comercializar. H\u00e1 previs\u00e3o de mostra com seis longas e seis curtas, e pacote de dez longas para as salas.\u201d<br \/>\nTrata-se de uma pol\u00edtica de m\u00e3o dupla, pois filmes destes pa\u00edses tamb\u00e9m ser\u00e3o exibidos em territ\u00f3rio ga\u00facho. Nesse interc\u00e2mbio ainda est\u00e1 previsto, dependendo dos recursos de cada lugar, da ida e da vinda dos realizadores destas pel\u00edculas, fundamental para a troca de experi\u00eancias e conhecimentos. Some-se a isso a expectativa da visita ao estado de uma miss\u00e3o chinesa, que inclui representantes de diversas \u00e1reas culturais. Ser\u00e1 uma \u00f3tima oportunidade de abertura para o audiovisual ga\u00facho daquele imenso mercado que \u00e9 a China.<br \/>\nMais do que desbravador, Zapata \u2013 no pouco mais de um semestre em que, a priori, ficar\u00e1 como diretor do IECINE \u2013 pretende marcar a sua gest\u00e3o pelo incremento da penetra\u00e7\u00e3o do audiovisual ga\u00facho no mercado internacional: \u201cacabou a desculpa de que n\u00e3o se pode vender ou distribuir. Quero deixar as portas do mercado latino-americano abertas. Penso sempre no coletivo, numa maneira de caminharmos juntos, que um filme abra espa\u00e7o para outro. Devemos pensar naquilo que podemos conseguir, e deixar para fazer pol\u00edticas de fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, novos editais, no pr\u00f3ximo governo, pelo futuro diretor do IECINE\u201d.<br \/>\nFrancisco Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Ribeiro O Instituto Estadual de Cinema (IECINE) tem a frente, desde abril \u00faltimo, um novo diretor, o cineasta colombiano Juan Zapata, 36, que substitui Luiz Alberto Cassol. 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