{"id":13158,"date":"2005-10-31T14:51:17","date_gmt":"2005-10-31T17:51:17","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=174"},"modified":"2005-10-31T14:51:17","modified_gmt":"2005-10-31T17:51:17","slug":"negro-gaucho-ganha-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/negro-gaucho-ganha-historia\/","title":{"rendered":"Negro ga\u00facho ganha hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/feira_livro\/Capa%20Lanceiros%20sem%20itens%20CMYK.jpg?0.15849761837934084\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"255\" height=\"376\" align=\"left\" \/>O movimento negro ga\u00facho intensificou no in\u00edcio do s\u00e9culo\u00a021 o esfor\u00e7o para ter direito \u00e0 hist\u00f3ria. Nos \u00faltimos anos, lideran\u00e7as trabalham pelo reconhecimento de uma das p\u00e1ginas mais sangrentas da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, o epis\u00f3dio da batalha em Cerro dos Porongos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos lan\u00e7amentos da Feira do Livro que aprofunda a discuss\u00e3o \u00e9 <strong>Lanceiros Negros<\/strong> (<strong>J\u00c1 Editores<\/strong>, 144 p\u00e1ginas), dos jornalistas Geraldo Hasse e Guilherme Kolling. Trata-se de mais um livro-reportagem da editora, com pesquisa do tamb\u00e9m jornalista Euclides Torres e do historiador Gilberto Jordan.<\/p>\n<p align=\"justify\">A obra, patrocinada pela Copesul, recupera toda a recente mobiliza\u00e7\u00e3o do movimento negro, abordando a mobiliza\u00e7\u00e3o em Porongos e a tese da refunda\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do negro, defendida por uma corrente de antrop\u00f3logos e historiadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">O trabalho n\u00e3o \u00e9 reposit\u00f3rio de acusa\u00e7\u00f5es e mitifica\u00e7\u00f5es, mas uma criteriosa pesquisa, que inclui a reportagem dos negros reivindicando direito \u00e0 hist\u00f3ria, e o levantamento de documentos e bibliografia que tratam do caso, e da forma\u00e7\u00e3o dos lanceiros negros.<\/p>\n<p align=\"justify\">O ponto de partida n\u00e3o poderia ser outro. A batalha em Cerro dos Porongos. Ali est\u00e1 a vis\u00e3o de historiadores, o que aconteceu de concreto \u2013 um massacre \u2013 e os documentos que apontam para as diferentes vers\u00f5es. O livro tamb\u00e9m remonta o final da guerra, abordando\u00a0as\u00a0diverg\u00eancias entre os comandantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A obra <em>Lanceiros Negros<\/em> mostra ainda uma cronologia dos eventos guerreiros no Cone Sul, e conta a tradi\u00e7\u00e3o do uso de lan\u00e7as no pampa, desde o s\u00e9culo 18, chegando at\u00e9 a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, quando se descreve\u00a0como foi feita a organiza\u00e7\u00e3o e o recrutamento dos lanceiros, e sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para os farrapos. Tudo ilustrado com documentos em que chefes dos dois lados d\u00e3o seu depoimento sobre esses guerreiros. O livro traz ainda um panorama da escravid\u00e3o na \u00e9poca dos Farrapos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Reconhecimento<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O Movimento Negro\u00a0defende que o evento da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha em que tombaram os soldados negros passe a ser chamado de \u201ctrai\u00e7\u00e3o de Porongos\u201d e est\u00e1 organizando a constru\u00e7\u00e3o de dois monumentos para homenagear os lanceiros, um em Pinheiro Machado, no local do massacre, e outro em Porto Alegre, no Parque da Reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O fato n\u00e3o \u00e9 isolado. Paralelamente, os governos municipal (Pinheiro Machado), estadual (Secretaria da Cultura) e federal (Funda\u00e7\u00e3o Palmares) d\u00e3o sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 causa, seja na organiza\u00e7\u00e3o de programa\u00e7\u00f5es alusivas ao fato, como na Semana da Consci\u00eancia Negra, em 2003 e 2004, seja contribuindo em dinheiro para tirar do papel a homenagem aos lanceiros \u2013 a prefeitura de Pinheiro Machado comprou uma \u00e1rea de tr\u00eas hectares em Porongos, e a Funda\u00e7\u00e3o Palmares destinou uma verba para o concurso p\u00fablico de arquitetura que vai escolher a obra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m nas institui\u00e7\u00f5es governamentais da \u00e1rea da Cultura, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o em resgatar a hist\u00f3ria dos afro-brasileiros. Al\u00e9m de um poss\u00edvel tombamento da \u00e1rea do massacre, o IPHAN, Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, est\u00e1 fazendo uma pesquisa para rastrear a heran\u00e7a do epis\u00f3dio de Porongos, e identificar os bens culturais que restaram.<\/p>\n<p align=\"justify\">Eventos recentes, como o que marcou os 170 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, em setembro na Assembl\u00e9ia Legistiva, tamb\u00e9m abordaram o assunto. Na oportunidade, o brazilianista Spencer Leitman reafirmou sua convic\u00e7\u00e3o de que houve trai\u00e7\u00e3o aos negros. Outro historiador que defende a tese, o professor da PUCRS Moacyr Flores, publicou em 2004 mais um livro sobre o assunto: <em>O Negro na Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha<\/em> (EST Edi\u00e7\u00f5es).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento negro ga\u00facho intensificou no in\u00edcio do s\u00e9culo\u00a021 o esfor\u00e7o para ter direito \u00e0 hist\u00f3ria. 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