{"id":13161,"date":"2005-11-08T15:01:57","date_gmt":"2005-11-08T18:01:57","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=177"},"modified":"2005-11-08T15:01:57","modified_gmt":"2005-11-08T18:01:57","slug":"wangari-maathai-cientista-e-ativista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wangari-maathai-cientista-e-ativista\/","title":{"rendered":"Wangari Maathai: Cientista e ativista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Roberto Villar Belmonte*<\/strong><br \/>\nA professora Wangari Muta Maathai nasceu em 1940 na cidade de Nveri, no Qu\u00eania, e foi a primeira mulher a obter um t\u00edtulo de Doutora no Leste e no Centro da \u00c1frica. Em 1964 ela graduou-se em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas no Mount St. Scholastica College em Atchison, no Kansas (EUA). Dois anos depois concluiu o mestrado na Universidade de Pittsburgh. Depois de realizar o doutorado na Alemanha, Wangari obteve Ph.D na Universidade de Nairobi onde lecionou anatomia animal.<br \/>\nDe 1976 a 1987, Wangari participou ativamente do Conselho Nacional da Mulher do Qu\u00eania onde come\u00e7ou a mobilizar grupos de mulheres em torno da campanha para o plantio de \u00e1rvores. Mais de 30 milh\u00f5es de \u00e1rvores j\u00e1 foram plantadas atrav\u00e9s do Movimento Cintur\u00e3o Verde (<a href=\"http:\/\/www.greenbeltmovement.org\/\">www.greenbeltmovement.org<\/a>). Em 1998, ela passou a defender o cancelamento da d\u00edvida externa dos pa\u00edses pobres da \u00c1frica. Atualmente, a Pr\u00eamio Nobel da Paz 2004 trabalha no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente do Qu\u00eania.<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\"><strong>Corremos um risco enorme<\/strong> <\/span><br \/>\nA Pr\u00eamio Nobel da Paz de 2004, Wangari Maathai, concedeu uma entrevista coletiva no dia 14 de outubro para jornalistas ambientais de 32 pa\u00edses reunidos em Monte Porzio Catone, a 40 quil\u00f4metros de Roma. A seguir trechos da conversa com os rep\u00f3rteres presentes no III F\u00f3rum Internacional de M\u00eddia Meio ambiente, caminho de paz promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Greenaccord.<br \/>\n<em>O consumo excessivo dos recursos naturais \u00e9 um estilo de vida imposto pela nossa cultura ocidental e refor\u00e7ado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel mudar esta tend\u00eancia de hiper-consumo? <\/em><br \/>\n<strong>Wangari<\/strong>: Eu creio que precisamos elevar o n\u00edvel da nossa consci\u00eancia moral, voltar a ter uma perspectiva \u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos recursos naturais e \u00e0s outras criaturas. O problema \u00e9 que ainda achamos que os nossos recursos durar\u00e3o para sempre. Sem elevar o nosso n\u00edvel de consci\u00eancia \u00e9tica, n\u00e3o poderemos entender que esse n\u00edvel de vida t\u00e3o elevado para poucos em detrimento de muitos n\u00e3o pode seguir adiante. No meu pa\u00eds, o Qu\u00eania, pelo menos 10% das pessoas vivem desperdi\u00e7ando recursos porque querem imitar o n\u00edvel de vida do mundo rico. Os recursos n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Os pa\u00edses ricos exploram os recursos naturais dos pobres, e os poucos ricos dos pa\u00edses pobres fazem o mesmo. A nossa forma de lutar contra a pobreza \u00e9 lutar contra esta forma de hiper-consumo n\u00e3o apenas no mundo industrializado, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses em desenvolvimento onde lamentavelmente estamos copiando o mundo rico em detrimento do nosso povo. Se seguirmos por este caminho, corremos um risco enorme.<br \/>\n<em>Como garantir dignidade aos refugiados ecol\u00f3gicos que cada vez mais migram dos pa\u00edses devastados do Terceiro Mundo para a Europa e Estados Unidos? <\/em><br \/>\n<strong>Wangari<\/strong>: \u00c9 muito dif\u00edcil para um ser humano sentar e ficar sofrendo at\u00e9 a morte. Quando ele percebe que pode procurar uma vida melhor em outro pa\u00eds, ele migra. \u00c9 preciso solidariedade e compaix\u00e3o com estas pessoas que buscam um lugar melhor para viver. Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m garantir condi\u00e7\u00f5es para que estas pessoas possam viver nos seus pr\u00f3prios pa\u00edses com dignidade. \u00c9 por isso que eu defendo o cancelamento da d\u00edvida externa para permitir investimentos locais que possam melhorar a economia dos pa\u00edses pobres dando mais condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e0s popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<em>Como evitar a atual destrui\u00e7\u00e3o florestal na \u00c1frica? <\/em><br \/>\n<strong>Wangari:<\/strong> Recentemente eu fui chamada a ajudar na luta contra a destrui\u00e7\u00e3o da floresta do Congo, a segunda maior do planeta depois da Amaz\u00f4nia. A quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o temos recursos suficientes para impedir a devasta\u00e7\u00e3o. Tem muita pobreza no meu continente, mas a \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 pobre, tem muitas riquezas no solo e nas selvas. Os pa\u00edses desenvolvidos exploram os nossos recursos sem qualquer escr\u00fapulo. A explora\u00e7\u00e3o madeireira no Congo est\u00e1 destruindo a biodiversidade. A culpa \u00e9 tamb\u00e9m dos nossos l\u00edderes africanos. Eles permitem que isto aconte\u00e7a porque querem copiar o mundo desenvolvido. A imprensa n\u00e3o deveria falar s\u00f3 dos aspectos negativos do continente africano, mas nos ajudar a mobilizar a popula\u00e7\u00e3o e os nossos l\u00edderes.<br \/>\n<em>Diante de tantos problemas ambientais, a senhora mant\u00e9m o otimismo? <\/em><br \/>\n<strong>Wangari<\/strong>: Eu sempre sou otimista. Eu acordo pela manh\u00e3 e sinto que tenho muitas raz\u00f5es para viver. Vivemos em um planeta que \u00e9 \u00fanico. O maior problema que temos \u00e9 a ignor\u00e2ncia. Tem muita gente que n\u00e3o sabe nada das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Este fen\u00f4meno \u00e9 geralmente apresentado com dados complicados. Muitos chefes de estado n\u00e3o se convencem que tem que intervir. N\u00f3s n\u00e3o podemos deixar de insistir para que os nossos dirigentes tomem decis\u00f5es. Temos que estar convencidos que podemos fazer algo. Depois que as costas forem invadidas pelo mar e os campos inundados pelos rios, n\u00e3o haver\u00e1 mais o que fazer. \u00c9 fundamental que todos juntos insistam com os nossos l\u00edderes para que tomem consci\u00eancia do risco e da gravidade da situa\u00e7\u00e3o e pensem n\u00e3o apenas nas vantagens de curto prazo, mas em pol\u00edticas de longo prazo.<br \/>\n*Roberto Villar Belmonte participou do III F\u00f3rum Internacional de M\u00eddia Prote\u00e7\u00e3o da natureza, um caminho de paz \u00e0 convite da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Greenaccord. Mat\u00e9ria publicada no jornal Extra Classe<span style=\"font-family: Arial;font-size: x-small\"> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Villar Belmonte* A professora Wangari Muta Maathai nasceu em 1940 na cidade de Nveri, no Qu\u00eania, e foi a primeira mulher a obter um t\u00edtulo de Doutora no Leste e no Centro da \u00c1frica. Em 1964 ela graduou-se em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas no Mount St. Scholastica College em Atchison, no Kansas (EUA). 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