{"id":13164,"date":"2005-11-18T15:07:17","date_gmt":"2005-11-18T18:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=180"},"modified":"2005-11-18T15:07:17","modified_gmt":"2005-11-18T18:07:17","slug":"fundacao-prepara-catalogo-com-obra-completa-de-ibere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/fundacao-prepara-catalogo-com-obra-completa-de-ibere\/","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o prepara cat\u00e1logo com obra completa de Iber\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/Ibere%20Camargo2.jpg?0.6524675142559217\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"205\" height=\"183\" align=\"left\" \/>Guilherme Kolling<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Depois de cinco anos de pesquisa, a Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo prepara o lan\u00e7amento do primeiro cat\u00e1logo com a obra do artista ga\u00facho que d\u00e1 nome \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. O livro trar\u00e1 a compila\u00e7\u00e3o das gravuras e deve estar pronto em mar\u00e7o de 2006, numa parceria com a Cosac Naify, considerada a melhor editora em artes visuais do pa\u00eds. Est\u00e3o previstas outras duas publica\u00e7\u00f5es, uma dedicada aos desenhos e outra aos \u00f3leos (pinturas).<\/p>\n<p align=\"justify\">Os tr\u00eas m\u00f3dulos formam o conjunto do acervo de Iber\u00ea. \u00c9 o chamado catologue rason\u00e9e, um cat\u00e1logo pensado, que organiza a lista das obras com um determinado enfoque, apresentando a imagem de cada uma com um texto refletindo aspectos do trabalho. \u201cNas gravuras, optei pelo crit\u00e9rio da especificidade t\u00e9cnica\u201d, diz M\u00f4nica Zielinsky, contratada pela Funda\u00e7\u00e3o para comandar o trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">A primeira fase est\u00e1 sendo conclu\u00edda. Foram localizadas 350 gravuras, mas o livro ter\u00e1 330. \u201cEm algumas fiquei com d\u00favida sobre autoria, pode ser trabalho de um aluno, por isso deixamos fora\u201d, explica M\u00f4nica, que tamb\u00e9m \u00e9 professora do Instituto de Artes da UFRGS.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m das pe\u00e7as em poder da Funda\u00e7\u00e3o, 4.200 ao todo, foram mapeadas obras de cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas no Brasil e no exterior, o que inclui desde o Margs at\u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional e institui\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a e dos Estados Unidos. Falta ainda localizar as pe\u00e7as em poder de particulares.<br \/>\nA listagem das gravuras foi facilitada, j\u00e1 que Iber\u00ea guardava um exemplar de cada. Deixou para a vi\u00fava e presidente de honra da Funda\u00e7\u00e3o, Maria Coussirat Camargo. \u201cDe algumas, ela s\u00f3 tinha provas intermedi\u00e1rias, mas conseguimos os originais de quase todas gravuras\u201d, comemora M\u00f4nica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A pr\u00f3xima etapa ser\u00e1 mais trabalhosa. \u00c9 a cataloga\u00e7\u00e3o das pinturas, cerca de 1.300, segundo estimativas da Funda\u00e7\u00e3o, que possui 217. Finalmente, ser\u00e1 feito o trabalho com os desenhos. A institui\u00e7\u00e3o dedicada a Iber\u00ea Camargo possui quatro mil, mas n\u00e3o se tem id\u00e9ia do total \u2013 h\u00e1 centenas, talvez milhares, espalhados pelo Brasil e exterior. S\u00e3o in\u00fameras cole\u00e7\u00f5es, o que inclui n\u00e3o s\u00f3 museus, mas tamb\u00e9m acervo de particulares. \u201cPor isso o cat\u00e1logo \u00e9 muito importante, abre as fontes prim\u00e1rias ao p\u00fablico, estudiosos e ao pr\u00f3prio mercado, garantindo a autenticidade, isto \u00e9, sabe-se que essas s\u00e3o obras leg\u00edtimas do Iber\u00ea Camargo\u201d, define a pesquisadora. No Brasil, apenas o trabalho de C\u00e2ndido Portinari tem um catalogue rason\u00e9e.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/Ibere%20-%20monikazielinsky01_taniameinerz.jpg?0.3389867867260045\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"473\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">M\u00f4nica Zielinsky comemora conclus\u00e3o da primeira etapa\u00a0do cat\u00e1logo <\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O mapeamento da obra de Iber\u00ea Camargo faz parte dos objetivos da Funda\u00e7\u00e3o, que pretende conservar, estudar e divulgar o trabalho do artista ga\u00facho. \u201cO cat\u00e1logo \u00e9 uma difus\u00e3o qualitativa e pensada\u201d, classifica Monica. Tamb\u00e9m ter\u00e1 repercuss\u00e3o no valor de mercado da obra. A publica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 distribu\u00edda para museus, institui\u00e7\u00f5es de arte do mundo. A tiragem inicial ser\u00e1 de 1 mil exemplares. Depois ser\u00e3o impressos mais 2 mil. \u201cCom isso, o status da obra do Iber\u00ea Camargo cresce e solidifica\u201d, acredita a professora da UFRGS.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao longo da pesquisa, que ela considera sua melhor experi\u00eancia de vida, foram encontradas diversas novidades no acervo documental e art\u00edstico do pintor. Exemplo, uma homenagem a Manuel Bandeira, da qual n\u00e3o se sabia, e dedicat\u00f3rias deixadas para Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. \u201cS\u00e3o descobertas incr\u00edveis, as cartas dele, a rela\u00e7\u00e3o dele no meio\u201d, empolga-se M\u00f4nica Zielinsky. O trabalho come\u00e7ou praticamente do zero, pelas pouqu\u00edssimas experi\u00eancias desse tipo no pa\u00eds. Mesmo assim, a cataloga\u00e7\u00e3o da obra de Iber\u00ea j\u00e1 \u00e9 vista como refer\u00eancia, j\u00e1 que recebe contribui\u00e7\u00f5es de t\u00e9cnicos do pa\u00eds e exterior que j\u00e1 trabalharam em outros catalogue rason\u00e9e. A tarefa de catalogar a obra de Iber\u00ea \u00e9 extensa, deve seguir por alguns anos. \u201cO material que existe em cole\u00e7\u00f5es privadas \u00e9 uma coisa intermin\u00e1vel, acho que esse mapeamento s\u00f3 vai terminar daqui a uma d\u00e9cada, \u00e9 um projeto de longo prazo\u201d, acredita o vice-presidente da Funda\u00e7\u00e3o, Justo Werlang.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #cc3300\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/ibere_camargo.jpg?0.36490968261875456\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"242\" \/><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Artista ganhar\u00e1 museu no segundo semestre de 2006<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Autobiografia do artista<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1985, Iber\u00ea Camargo escreveu um esbo\u00e7o autobiogr\u00e1fico, na verdade, respostas a quest\u00f5es do cr\u00edtico e amigo Fl\u00e1vio Aquino para um livro que acabou n\u00e3o saindo. O artista nasceu em 18 de novembro de 1914, em Restinga Seca (RS). Seus pais eram ferrovi\u00e1rios. \u201cComecei a desenhar com quatro anos de idade. Sentado no ch\u00e3o passava horas a fio a rabiscar\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1927, Iber\u00ea foi para a Escola de Artes e Of\u00edcios, em Santa Maria, onde iniciou seu aprendizado de pintura. Em 1936, foi para Porto Alegre, onde trabalhou como desenhista na Secretaria de Obras P\u00fablicas e freq\u00fcentou o curso t\u00e9cnico de Arquitetura do Instituto de Belas Artes. Casou-se em 1939. Depois, conseguiu uma bolsa do Governo para estudar no Rio de Janeiro. Logo foi \u00e0 casa de Portinari. \u201cApesar das recomenda\u00e7\u00f5es dele, ingressei na Escola de Belas Artes\u201d. Mas o ga\u00facho logo encerrou sua atividade l\u00e1, por um incidente com o professor. Tornou-se aluno de Guignard.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1947, Iber\u00ea partiu para Europa, onde ficou at\u00e9 novembro de 1950. Foi aluno de De Chirico em Roma e Lhote em Paris. \u201cEm 1958, uma h\u00e9rnia de disco provocada pela suspens\u00e3o de um quadro no cavalete, obrigou-me a trabalhar quase que exclusivamente no ateli\u00ea. Seja por esta raz\u00e3o ou por motivos inconscientes, meus quadros come\u00e7aram pouco a pouco a mergulhar na sombra. Surgem, ent\u00e3o, os carret\u00e9is. Atrav\u00e9s de suas estruturas, cheguei ao que se chama, no dicion\u00e1rio da pintura, arte abstrata\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Depois de um longo per\u00edodo no Rio, o artista voltou para o Sul. \u201cDevo confessar que, quando corro nas manh\u00e3s de sol no Parque da Reden\u00e7\u00e3o, noto que a minha sombra n\u00e3o acompanha meu \u2018tranco\u2019, ela corre muito devagar. A verdadeira pintura n\u00e3o \u00e9 uma narrativa de fatos, mas o pr\u00f3prio fato\u201d. \u201cRealizei in\u00fameras exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e no exterior e participei de v\u00e1rios sal\u00f5es e bienais. N\u00e3o destaco este ou aquele evento. Todos t\u00eam o mesmo peso, isto \u00e9, pouco\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Iber\u00ea Camargo morreu de c\u00e2ncer, em 31 de julho de 1994, aos 80 anos, em Porto Alegre. Deixou mais de sete mil obras. Grande parte ficou com a esposa, Maria Coussirat Camargo, e hoje integra o acervo da Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo, cujo site (<a href=\"http:\/\/www.uol.iberecamargo.uol.com.br\/\">http:\/\/www.uol.iberecamargo.uol.com.br<\/a>) apresenta a \u00edntegra do texto autobiogr\u00e1fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Kolling Depois de cinco anos de pesquisa, a Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo prepara o lan\u00e7amento do primeiro cat\u00e1logo com a obra do artista ga\u00facho que d\u00e1 nome \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. 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