{"id":13168,"date":"2005-12-02T15:17:06","date_gmt":"2005-12-02T18:17:06","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=184"},"modified":"2005-12-02T15:17:06","modified_gmt":"2005-12-02T18:17:06","slug":"bens-confiscados-um-drama-na-praia-de-cidreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/bens-confiscados-um-drama-na-praia-de-cidreira\/","title":{"rendered":"Bens Confiscados, um drama na praia de Cidreira"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/med_bensconfiscados03.jpg?0.11059198910295054\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"205\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Betty Faria e Werner Sch\u00fcnemann em Bens Confiscados (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Naira Hofmeister<\/p>\n<p align=\"justify\">\nUm vento minuano soprou na noite de quarta-feira (30) em plena primavera de Porto Alegre, mas ao inv\u00e9s de afastar, agregou muita gente. Um vento que permeou muitas hist\u00f3rias, de amor, de cumplicidade, e, principalmente de pris\u00f5es e alforrias. Na parede da sala de cinema, enfileiravam-se os cartazes, anunciando o mais recente longa metragem de Carlos Reichenbach: Bens Confiscados, filmado no outono na praia de Cidreira, no litoral ga\u00facho. Al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o, Reichenbach assina tamb\u00e9m o argumento, roteiriza\u00e7\u00e3o (ao lado de Daniel Chaia) e produ\u00e7\u00e3o, junto com Betty Faria e Sara Silveira.<\/p>\n<p align=\"justify\">Centenas de nativos de Cidreira compareceram \u00e0 sess\u00e3o de pr\u00e9-estr\u00e9ia, no Unibanco Arteplex, em Porto Alegre, para contemplar as belas imagens da praia ga\u00facha\u00a0 onde se desenrola a trama principal. Teve at\u00e9 gente sentada nas escadarias, tamanha a lota\u00e7\u00e3o do cinema. \u201cSenta no ch\u00e3o mesmo, gente! S\u00f3 n\u00e3o deixem de prestigiar o cinema brasileiro\u201d, agradecia, empolgada a produtora Sara Silveira.<\/p>\n<p align=\"justify\">Bens Confiscados ganhou o pr\u00eamio de Melhor Filme de Fic\u00e7\u00e3o, no Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual. O filme come\u00e7a com o suic\u00eddio da renomada estilista Isabela Siqueira, testemunhado por seu filho de 16 anos, Lu\u00eds Roberto. Isabela foi amante do senador Am\u00e9rico Baldani, que \u00e9 pai de Lu\u00eds. Seu gesto foi conseq\u00fc\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o complicada com Am\u00e9rico, que mal conhece o filho, e das den\u00fancias de tr\u00e1fico de influ\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o feitas por Valqu\u00edria Baldani, esposa do senador, contra o marido. O esc\u00e2ndalo vira assunto em toda a m\u00eddia. Paulo Hermes, assessor e bra\u00e7o direito do senador, leva Lu\u00eds \u00e0 for\u00e7a para o sul, para escond\u00ea-lo da imprensa e dos advers\u00e1rios pol\u00edticos do senador, e sobretudo concretizar o sonho do senador, que \u00e9 recuperar seu \u00fanico filho var\u00e3o, a despeito do \u00f3dio que este sente por ele.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sinopse do filme leva o espectador a imaginar uma hist\u00f3ria de poder e corrup\u00e7\u00e3o, mas a narrativa de Reichenbach traz elementos para muito al\u00e9m do Planalto Central do Pa\u00eds e seu cotidiano. Todo o \u00f3bvio ficou de fora, Reichenbach levou para a tela, o obtuso, ou como ele mesmo classifica: \u201cO filme n\u00e3o tem nada a ver com poder&#8230; mostra a situa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds visto da porta da cozinha\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir da personagem Serena (Betty Faria), o diretor tra\u00e7a um paralelo entre a pol\u00edtica e a rela\u00e7\u00e3o que ela pode ter na vida privada. Serena, enfermeira-chefe de um hospital p\u00fablico no Rio de Janeiro, \u00e9 convencida por Paulo Hermes a ir para o Sul. Ela tamb\u00e9m foi amante do senador, numa rela\u00e7\u00e3o nunca formalmente encerrada. Serena chega ao sul, e \u00e9 levada at\u00e9 a cidade litor\u00e2nea de Cidreira.<\/p>\n<p align=\"justify\">Serena e Luis, em cenas outonais, acabam participando de realidades distintas das suas pr\u00f3prias, numa busca pelo encontro com seu destino. Uma bela historia de uma mulher independente, mas menos auto-suficente do que imagina. De um garoto que n\u00e3o teve possibilidade de escolher, se vendo obrigado a aceitar \u2013 n\u00e3o sem peleia \u2013 a vida que se impunha a ele. Um ambiente po\u00e9tico, digno de dramas existenciais, com atua\u00e7\u00f5es acima da m\u00e9dia e bela fotografia.<\/p>\n<p align=\"justify\">No elenco, al\u00e9m de Betty Faria, Werner Sch\u00fcnemann, Ant\u00f4nio Grassi, Eduardo Dusek, Renan Augusto e Marina Person. M\u00fasica de Ivan Lins.<\/p>\n<p align=\"justify\">Vale a dica do elenco:\u00a0 venham ao cinema, de prefer\u00eancia nas primeiras semanas. \u201cCinema brasileiro, se n\u00e3o emplaca um p\u00fablico m\u00ednimo, logo sai da programa\u00e7\u00e3o\u201d, lembraram. A pr\u00e9-estreia foi uma homenagem ao amigo \u201cmitol\u00f3gico\u201d de Reichenbach: Bira Valdez.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/med_reichenbach.jpg?0.22142648720745461\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Para Reichenbach, cinema tem que refletir a realidade (Foto: Naira Hofmeister\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\nO cinema social de Reichenbach<\/p>\n<p align=\"justify\">O premiado realizador ga\u00facho Carlos Reichenbach,\u00a0 com 21 filmes realizados, \u00e9 tido com um dos poucos diretores autorais no Brasil. Faz cinema desde os anos 60, vivendo per\u00edodos bastante distintos da produ\u00e7\u00e3o audiovisual nacional. Underground, Cinema Novo, Chanchada&#8230; Reichenbach transitou em muitas escolas e estilos. Em 1985 lan\u00e7a Filme Dem\u00eancia, que o consagra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Olhando o cinema brasileiro sob a perspectiva de quem sempre esteve \u00e0 margem do mercado cultural, mas nunca perdeu seu espa\u00e7o, Reichenbach fala com conhecimento de causa sobre a s\u00e9tima arte: \u201cTem que parar com esse neg\u00f3cio de glamourizar o cinema. N\u00e3o \u00e9 um bom neg\u00f3cio, definitivamente\u201d. Ele condena a oscariza\u00e7\u00e3o do cinema nacional, a ind\u00fastria da bilheteria e a imita\u00e7\u00e3o de novelas \u00e0 que a produ\u00e7\u00e3o brasileira t\u00eam se rendido ultimamente.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cEsse cinema de novela das oito, n\u00e3o \u00e9 cinema. \u00c9 um arremedo. A gente tem um compromisso muito maior com certas coisas. Temos que fazer um tipo de cinema que reflita a realidade que estamos vivendo\u201d, acredita. E exemplifica com um recente sucesso brasileiro nas telonas: \u201cEstamos vendendo uma ilus\u00e3o, pois cinema hoje \u00e9 um mau neg\u00f3cio, \u00e9 um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio. N\u00e3o d\u00e1&#8230; n\u00e3o se paga na bilheteria. Pode fazer 10 milh\u00f5es de reais, como Carandiru, que n\u00e3o se pagou at\u00e9 hoje, nem vai se pagar\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">O cinema comercial, segundo o diretor, feito para ganhar Oscar, tende a ser esquecido. \u201cCinema que faz hist\u00f3ria, permanece\u201d. \u00c9 essa via alternativa, de cunho social e realista, que aposta na linguagem, que ele acredita ser a dire\u00e7\u00e3o a tomar. \u201cTem que entender que s\u00f3 h\u00e1 uma forma de resistir a isso, fazendo cultura de ponta. Tem que ter uma fun\u00e7\u00e3o social\u201d, reflete.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Betty Faria e Werner Sch\u00fcnemann em Bens Confiscados (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/J\u00c1) Naira Hofmeister Um vento minuano soprou na noite de quarta-feira (30) em plena primavera de Porto Alegre, mas ao inv\u00e9s de afastar, agregou muita gente. Um vento que permeou muitas hist\u00f3rias, de amor, de cumplicidade, e, principalmente de pris\u00f5es e alforrias. 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