{"id":13180,"date":"2006-01-30T15:44:07","date_gmt":"2006-01-30T18:44:07","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=196"},"modified":"2006-01-30T15:44:07","modified_gmt":"2006-01-30T18:44:07","slug":"historia-gaucha-em-exposicao-ha-mais-de-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/historia-gaucha-em-exposicao-ha-mais-de-100-anos\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria ga\u00facha em exposi\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 100 anos"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cidade\/media2_julio.jpg?0.7726545927437471\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"300\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666\"><span style=\"font-size: xx-small\">O\u00a0museu tem um p\u00fablico predominante de alunos devido \u00e0\u00a0caracter\u00edstica educativa do acervo<br \/>\n<span style=\"color: #666666\">(Fotos: Naira Hofmeister\/J\u00c1)<\/span><\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O Museu J\u00falio de Castilhos completa, nesta segunda-feira (30\/01), 103 anos dedicados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do Estado. Sua rela\u00e7\u00e3o com o passado ga\u00facho come\u00e7a no pr\u00f3prio pr\u00e9dio que ocupa: a antiga casa do Presidente do Estado \u00e0 que rende homenagem. J\u00falio de Castilhos morou na casa rosada at\u00e9 sua morte, em 1903, o mesmo ano em que foi fundado o Museu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao longo dos 103 anos de exist\u00eancia o Museu J\u00falio de Castilhos acumulou um acervo superior aos 11 mil objetos, quase todos relacionados com a identidade ga\u00facha, das Miss\u00f5es \u00e0s Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, passando por personagens como Get\u00falio Vargas e pr\u00f3prio J\u00falio de Castilhos, al\u00e9m do famoso Gigante, cujas botas impressionam os visitantes do museu.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Museu do Estado \u2013 primeira\u00a0denomina\u00e7\u00e3o do atual MJC \u2013 foi fundado por decreto assinado pelo ent\u00e3o Presidente do Estado Borges de Medeiros, com o objetivo de abrigar objetos que vinham sendo coletados desde 1901, e estavam sediados nos pavilh\u00f5es constru\u00eddos para a 1\u00aa Exposi\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria e Industrial do Estado \u2013 no atual Parque da Reden\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a morte de J\u00falio de Castilhos, sua casa foi doada para a institui\u00e7\u00e3o, que em 1907 ganhou o nome que carrega at\u00e9 hoje. Nesse per\u00edodo, do MJC, se desmembraram o Arquivo Hist\u00f3rico, o Museu da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica e o pr\u00f3prio MARGS.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pela caracter\u00edstica educativa de seu acervo, o MJC tem um p\u00fablico predominante de alunos: &#8220;esse tipo de museu tem uma voca\u00e7\u00e3o did\u00e1tica&#8221;, afirma a diretora, Nara Machado Nunes. Sem um c\u00e1lculo preciso, a administra\u00e7\u00e3o do museu estima que, dos mais de 20 mil visitantes contabilizados, cerca de 80% sejam crian\u00e7as e adolescentes de escolas. &#8220;Tamb\u00e9m recebemos muitos turistas e a popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio&#8221;, explica.<\/p>\n<p align=\"justify\">A manuten\u00e7\u00e3o da entidade \u00e9 feita pela Secretaria do estado de Cultura, por\u00e9m, cada vez mais a receita tem sido complementada atrav\u00e9s de projetos para agentes financiadores \u2013 tanto p\u00fablicos como empresas privadas. Entre eles, um rec\u00e9m implantado sistema de seguran\u00e7a eletr\u00f4nica que monitora todas as salas onde h\u00e1 acervo exposto.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cidade\/media1_julio.jpg?0.22898674618226578\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"200\" height=\"300\" \/><br \/>\n<strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">S\u00e3o mais de 11 mil objetos relacionados com a identidade ga\u00facha, das Miss\u00f5es \u00e0s Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">E 2006 promete ser promissor para a administra\u00e7\u00e3o: j\u00e1 em janeiro o MJC foi contemplado com um edital do Minist\u00e9rio da Cultura que ir\u00e1 patrocinar moveis sob-medida para as obras que n\u00e3o est\u00e3o expostas. &#8220;Desde o in\u00edcio dos anos 90, o Poder P\u00fablico se encolheu e nos restringiu aos editais&#8221;, lamenta Nara. Tamb\u00e9m h\u00e1 um projeto para lan\u00e7ar o site na Internet da institui\u00e7\u00e3o: &#8220;Planejamos para o dia 30, aniversario do museu, mas n\u00e3o temos certeza se estar\u00e1 pronto&#8221;, ressalva Nara.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m das exposi\u00e7\u00f5es permanentes \u2013 que incluem o quarto e o gabinete de J\u00falio de Castilhos e as salas Ind\u00edgena e Missioneira \u2013 um c\u00f4modo do museu fica a disposi\u00e7\u00e3o para mostras tempor\u00e1rias \u2013 atualmente, Alegoria Barroca na Arte contempor\u00e2nea \u2013 e abre espa\u00e7os para outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. Sempre na \u00faltima quarta-feira do m\u00eas, h\u00e1 uma apresenta\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos do Instituto de Artes da UFRGS, com composi\u00e7\u00f5es eruditas. H\u00e1 tamb\u00e9m a tradicional oficina de Restauro e Conserva\u00e7\u00e3o em Madeira, a \u00fanica atividade paga no Museu.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Al\u00e9m da hist\u00f3ria, est\u00f3rias do al\u00e9m<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 quem diga que\u00a0o Museu, al\u00e9m do acervo riqu\u00edssimo que possui, tamb\u00e9m abriga os fantasmas de J\u00falio de Castilhos e de seu esposa, Honorina, que morreram na casa. O Presidente faleceu em 1903, v\u00edtima de uma cirurgia para a retirada de um tumor e sua esposa, inconformada com a sua morte, suicidou-se dois anos depois.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desde a d\u00e9cada de 70, quando se intensificaram as visitas ao Museu, at\u00e9 a atualidade, depoimentos atestam a vis\u00e3o de fantasmas circulando pelo ambiente. Um dos casos mais conhecidos \u00e9 de um vigilante noturno que, ap\u00f3s fazer a guarda no Museu, pediu demiss\u00e3o, apavorado com a companhia indesej\u00e1vel que tivera na noite anterior. Luzes que acendem e apagam sozinhas, correntes arrastando e gritos tamb\u00e9m s\u00e3o relatos comuns entre os funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">J\u00falio de Castilhos: o nome e o personagem<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00falio Prates de Castilhos nasceu em 29 de junho de 1860, na Fazenda da Reserva, atual munic\u00edpio de Julio de Castilhos. Formou-se pela Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo, onde conheceu a filosofia positivista, da qual tornou-se adepto. Al\u00e9m da advocacia, exerceu a pol\u00edtica e o jornalismo.<\/p>\n<p align=\"justify\">L\u00edder Republicano, Castilhos participou, em 1882, da funda\u00e7\u00e3o do Partido Republicano Rio-grandense (PRR).\u00a0\u00a0 Em 1884, assumiu o cargo de editor-chefe do jornal A Federa\u00e7\u00e3o, tornando-se, mais tarde, o diretor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como deputado federal, participou da Constituinte de 1891 \u2013 a primeira constitui\u00e7\u00e3o ga\u00facha foi baseada em projeto de sua autoria. No final de 1892, assumiu, pela segunda vez, a presid\u00eancia do Estado \u2013 cargo ao qual havia renunciado em 1891. Em 1893, na revolu\u00e7\u00e3o federalista, derrotou os &#8220;maragatos&#8221; (federalistas e monarquistas, liderados por Gaspar Silveira Martins, que usavam len\u00e7os vermelhos) como l\u00edder dos &#8220;pica-paus republicanos&#8221; (adeptos do Estado local forte e aut\u00f4nomo, que usavam len\u00e7os brancos).<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1898 transmitiu o cargo de Presidente do Estado a Borges de Medeiros, mantendo-se na dire\u00e7\u00e3o do PRR at\u00e9 a sua morte, em 24 de outubro de 1903. Na Pra\u00e7a da Matriz, no centro de Porto Alegre, um monumento presta homenagem a Julio de Castilhos, considerado um dos nomes mais c\u00e9lebres da hist\u00f3ria pol\u00edtica do Estado.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Acompanhe as exposi\u00e7\u00f5es permanentes do Museu Julio de Castilhos<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Gabinete de J\u00falio de Castilhos<\/strong> \u2013 Mostra a trajet\u00f3ria do pol\u00edtico J\u00falio de Castilhos, por meio de objetos pessoais, mobili\u00e1rio, imagens e textos hist\u00f3ricos com dados biogr\u00e1ficos. As imagens remetem o visitante a Porto Alegre do final do s\u00e9culo 19, mais precisamente o entorno da Pra\u00e7a da Matriz, com os pr\u00e9dios do Executivo e do Legislativo.\u00a0\u00a0\u00a0<strong> <\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Sala Missioneira<\/strong> \u2013 Re\u00fane exemplares da estatu\u00e1ria Missioneira, com idade superior a trezentos anos, que foram usadas pelos padres jesu\u00edtas na evangeliza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios Guarani. As esculturas em madeira, representando santos cat\u00f3licos, se constituem nas primeiras doa\u00e7\u00f5es recebidas pelo Museu J\u00falio de Castilhos, logo ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1903. Destacam-se as esculturas de S\u00e3o Francisco Xavier e de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de bancos em formato de animais e sinos que pertenceram a capelas jesu\u00edticas.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Sala Ind\u00edgena<\/strong> \u2013 Enfoca a diversidade cultural existente entre os grupos ind\u00edgenas que habitaram o Rio Grande do Sul. Est\u00e3o representados desde os povos ca\u00e7adores-coletores, n\u00f4mades, at\u00e9 os dos sambaquis, que viveram na regi\u00e3o litor\u00e2nea. Tamb\u00e9m est\u00e3o expostos instrumentos de trabalho, adornos, artesanato e cer\u00e2micas dos grupos ligados \u00e0 agricultura, estabelecidos, posteriormente, no Estado &#8211; entre eles os Guaranis e os Kaingang.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Escravatura<\/strong> \u2013 Exibe instrumentos de tortura, utilizados contra os negros escravos no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha<\/strong> \u2013 Exp\u00f5e pinturas, em \u00f3leo sobre tela, retratando os l\u00edderes Bento Gon\u00e7alves e David Canabarro. Al\u00e9m das obras, armas usadas na revolu\u00e7\u00e3o e objetos de uso pessoal da \u00e9poca.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Canh\u00f5es Farroupilhas<\/strong> \u2013 No p\u00e1tio do Museu, integrado em 2003 aos espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, os visitantes podem conhecer canh\u00f5es que pertenceram \u00e0 esquadra de Garibaldi. Por longo tempo eles permaneceram no fundo do arroio Santa Izabel, na cidade ga\u00facha de Camaqu\u00e3, onde foi travado um embate pelos Farrapos. Em 1926, os canh\u00f5es foram resgatados e levados para a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0museu tem um p\u00fablico predominante de alunos devido \u00e0\u00a0caracter\u00edstica educativa do acervo (Fotos: Naira Hofmeister\/J\u00c1) Naira Hofmeister O Museu J\u00falio de Castilhos completa, nesta segunda-feira (30\/01), 103 anos dedicados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do Estado. 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