{"id":13182,"date":"2006-02-06T15:46:40","date_gmt":"2006-02-06T18:46:40","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=198"},"modified":"2006-02-06T15:46:40","modified_gmt":"2006-02-06T18:46:40","slug":"marcha-lembra-morte-de-lider-guarani","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/marcha-lembra-morte-de-lider-guarani\/","title":{"rendered":"Marcha lembra morte de l\u00edder guarani"},"content":{"rendered":"<div class=\"RTE\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/forumsocialmundial\/med_sepe2.jpg?0.766406291141779\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/div>\n<div class=\"RTE\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">\u00cdndios rezam pelos mortos na Coxilha do\u00a0Caiboat\u00e9 \u00a0(Foto: Daniel Cassol)<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Nesta ter\u00e7a-feira (7\/02) , no munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel, a cerca de 320 quil\u00f4metros de Porto Alegre,\u00a0 uma marcha ir\u00e1 lembrar os 250 anos da morte do l\u00edder guarani Sep\u00e9 Tiaraju, que lutou contra a domina\u00e7\u00e3o espanhola e portuguesa na regi\u00e3o. A caminhada marcar\u00e1 o encerramento da Assembl\u00e9ia Continental do Povo Guarani, iniciada na sexta-feira (3\/02). Os participantes sair\u00e3o da entrada de S\u00e3o Gabriel at\u00e9 o local onde Sep\u00e9 foi morto, conhecido como Sanga da Bica.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">A Assembl\u00e9ia est\u00e1 reunindo aproximadamente quatro mil representantes de povos ind\u00edgenas e de movimentos sociais. Est\u00e3o presentes cerca de 1,2 mil \u00edndios guarani, kaingang e charrua de todo o Brasil e de pa\u00edses como Paraguai, Uruguai e Argentina. O evento tamb\u00e9m conta com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de mil agricultores que fazem parte da Via Campesina, de 200 quilombolas, de 700 jovens do campo e da cidade, al\u00e9m de catadores de material recicl\u00e1vel.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Ap\u00f3s a marcha, ser\u00e1 inaugurada a pedra fundamental do monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em homenagem ao l\u00edder guarani. A previs\u00e3o do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) \u00e9 que, al\u00e9m dos quatro mil participantes, cerca de seis mil pessoas, entre moradores de S\u00e3o Gabriel e agricultores familiares que vivem em assentamentos da regi\u00e3o, acompanhem as atividades.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Sep\u00e9 Tiaraju \u00e9 considerado um s\u00edmbolo de resist\u00eancia e de luta para preservar a cultura e o territ\u00f3rio onde os guaranis viviam. &#8220;Esse encontro \u00e9 um acontecimento important\u00edssimo, a figura do Sep\u00e9 aparece como um s\u00edmbolo de for\u00e7a, de resist\u00eancia guarani&#8221;, diz Leonardo Wer\u00e1tup\u00e3, que vive na aldeia Morro dos Cavalos, em Santa Catarina.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\n<strong>A edi\u00e7\u00e3o especial de janeiro e fevereiro do Jornal J\u00c1 reconstr\u00f3i a trajet\u00f3ria do \u00edndio guarani.<\/strong><\/div>\n<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/forumsocialmundial\/med_sepe.jpg?0.07298761640475543\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"376\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Massacre em Caiboat\u00e9<\/span><\/strong><\/p>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\"><em>Portugueses e espanh\u00f3is se uniram para produzir um dos epis\u00f3dios mais infames da hist\u00f3ria latino-americana.<\/em><\/div>\n<div class=\"RTE\"><em><\/em><\/div>\n<div class=\"RTE\"><strong>Elmar Bones<\/strong><\/div>\n<div class=\"RTE\"><strong><\/strong><\/div>\n<div class=\"RTE\">Autores ufanistas dizem que foram os bandeirantes, paulistas e lagunistas que, \u201cenfrentando o sert\u00e3o bruto\u201d, conquistaram o Sul do Brasil para Portugal. Conv\u00e9m n\u00e3o esquecer o papel de uma mulher \u2013 Maria B\u00e1rbara de Bragan\u00e7a, filha de Jo\u00e3o V, rei de Portugal, que casou com Fernando VI, da Espanha.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Ela era \u201cfeia mal encarada e tinha o rosto picado de var\u00edola\u201d. O marido s\u00f3 a conheceu no dia do casamento e os cronistas registraram o desagrado estampado no rosto dele, quando a viu \u2013 \u201ccomo se estivesse convencido de que o haviam logrado\u201d.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Depois de casado, por\u00e9m, Fernando VI tornou-se \u201cmarido apaixonado, d\u00f3cil e submisso\u201d. Ela, ent\u00e3o, orientada pelo ministro Alexandre Gusm\u00e3o, nascido no Brasil, passou a usar sua influ\u00eancia para favorecer Portugal nas disputas com a Espanha.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Assim nasceu o tratado assinado a 3 de janeiro de 1750, em Madrid. Portugal cederia \u00e0 Espanha a Col\u00f4nia do Sacramento, um reduto perdido perto de Buenos Aires, em troca das Miss\u00f5es Orientais do Uruguai, os chamados Sete Povos que ocupavam mais de um ter\u00e7o do territ\u00f3rio do atual Rio Grande do Sul.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">\u201cA Espanha entregava a Portugal uma \u00e1rea que lhe pertencia e recebia em troca outra que tamb\u00e9m j\u00e1 era de sua propriedade\u201d, diz o historiador Rubens Vidal Ara\u00fajo.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Seis meses depois da assinatura do tratado, morreu o rei portugu\u00eas. Assumiu Jos\u00e9 I, irm\u00e3o de D. Maria B\u00e1rbara, que nomeou Jos\u00e9 Carvalho de Melo, seu primeiro ministro. Com o t\u00edtulo de Marqu\u00eas do Pombal, ele iria dirigir Portugal com m\u00e3o de ferro por quatro d\u00e9cadas.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nInimigo dos Jesu\u00edtas, disposto a bani-los de Portugal, Pombal viu naquele tratado o instrumento que precisava para golpe\u00e1-los mortalmente.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">A civiliza\u00e7\u00e3o que haviam constru\u00eddo na Am\u00e9rica, organizando os \u00edndios guarani nas redu\u00e7\u00f5es, lhes dava prest\u00edgio aos jesu\u00edtas em toda a Europa. Pombal n\u00e3o poupou esfor\u00e7os para destru\u00ed-la<br \/>\n.<br \/>\n(&#8230;)\u00a0 O primeiro mandamento de um jesu\u00edta \u00e9 a obedi\u00eancia absoluta aos seus superiores. Por isso os padres das redu\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o apenas espanh\u00f3is, mas franceses, alem\u00e3es, poloneses \u2013 n\u00e3o tiveram alternativa, apesar do absurdo da ordem que era remover toda a popula\u00e7\u00e3o das redu\u00e7\u00f5es \u2013 cerca de 30 mil pessoas para \u201cotras tierras de Espanha\u201d.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Portugal receberia o territ\u00f3rio com as povoa\u00e7\u00f5es, com suas casas, igrejas, pr\u00e9dios comuns, celeiros, lavouras, est\u00e2ncias (os guaranis poderiam levar o gado, cerca de 700 mil cabe\u00e7as).<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nEm 15 de agosto de 1752, chegou \u00e0 regi\u00e3o, o padre Luis Altamirando, comiss\u00e1rio eclesi\u00e1stico, para fazer os jesu\u00edtas obedecerem a decis\u00e3o do rei, acatada por seus superiores em Roma.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\">Foi avisado que os \u00edndios n\u00e3o aceitariam a mudan\u00e7a. Em abril, ele teve que fugir para n\u00e3o ser morto pelos guaranis revoltados, que o consideravam traidor.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nPouco depois, os demarcadores espanh\u00f3is e portugueses que assinalavam os novos limites, tamb\u00e9m tiveram que abandonar a regi\u00e3o por causa da rebeli\u00e3o que se ampliava.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nPressionado por Portugal, o rei espanhol ordena que a remo\u00e7\u00e3o seja feita pela for\u00e7a. O rei portugu\u00eas ajuda com tropas para aniquilar a resist\u00eancia dos missioneiros.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\n(&#8230;)\u00a0 Os tapes demoraram uns meses para aplainar as suas dissen\u00e7\u00f5es internas. Finalmente foi criada uma esp\u00e9cie de confedera\u00e7\u00e3o que abrangia os Sete Povos mais algumas redu\u00e7\u00f5es de Corrientes, isto \u00e9, da margem direita do rio Uruguai.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nO contingente de San Miguel foi o primeiro a ser organizado. Compunha-se de 400 cavaleiros, armados de lan\u00e7as, boleadeiras e uns poucos canh\u00f5es de taquaru\u00e7u revestidos de couro amarrado com bra\u00e7adeiras de ferro. Podiam dar dois ou tr\u00eas tiros no m\u00e1ximo. O comandante era o corregedor de San Miguel, Jos\u00e9 Sep\u00e9 Tiaraju.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nEle organizou os \u00edndios em pequenos grupos a cavalo para os ataques \u00e0 montonera. Montonera \u00e9 uma pequena for\u00e7a de cavalaria um pouco maior que uma patrulha montada. \u00c9 uma unidade aut\u00f4noma, que age por conta pr\u00f3pria, obedecendo apenas a uma ordem geral.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\n(&#8230;)\u00a0 Na primeira tentativa de invadir o territ\u00f3rio das miss\u00f5es, as tropas portuguesas e espanholas foram recha\u00e7adas pelas guerrilhas de Sep\u00e9, com a ajuda do inverno rigoroso e das chuvas que impediam a movimenta\u00e7\u00e3o dos soldados. Empreenderam, ent\u00e3o, um recuo t\u00e1tico, para se reorganizar.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nSeis meses depois, em dezembro de 1755, os dois ex\u00e9rcitos se juntaram novamente nas proximidades de Bag\u00e9, para o ataque final.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nFormavam uma fila de cinco l\u00e9guas, que se movia vagarosamente. Eram mais de 4 mil soldados, com 550 carretas de mantimentos armas e muni\u00e7\u00f5es, 30 mil animais, entre bois mansos, reses para consumo, cavalos e mulas, al\u00e9m de 20 canh\u00f5es e 40 pe\u00e7as de artilharia.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nPara defesa dos Sete Povos, Sep\u00e9 contava com 1.700 \u00edndios, armados de lan\u00e7as, boleadeiras e uns poucos canh\u00f5es r\u00fasticos, feitos de taquara grossa recoberta com couro, que podiam dar dois ou tr\u00eas tiros no m\u00e1ximo.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nEle, ent\u00e3o, dividiu novamente seus guerreiros em pequenos grupos a cavalo, para embara\u00e7ar o avan\u00e7o do ex\u00e9rcito com ataques guerrilheiros, de surpresa.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\n(&#8230;)\u00a0 A t\u00e1tica de Sep\u00e9 estava dando certo, as tropas avan\u00e7avam penosamente, fustigadas por suas montoneras.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nNum desses ataques, o pr\u00f3prio Sep\u00e9 estava a frente de 200 \u00edndios, que sa\u00edram do mato para atacar alguns soldados que se afastaram do grosso da tropa.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nN\u00e3o perceberam uma outra for\u00e7a de 800 homens, comandada pelo governador de Montevid\u00e9u, Joaquim Viana, que estava perto. Massacraram os soldados dispersos, mas quando retornavam ao mato, os homens de Viana ca\u00edram sobre eles.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nNa corrida, o cavalo de Sep\u00e9 mete a pata dianteira num buraco. O cavalo roda, Sep\u00e9 vai ao ch\u00e3o. Historiadores mais entusiasmados dizem que ele, ex\u00edmio cavaleiro, caiu em p\u00e9. O certo \u00e9 que um soldado que vinha na persegui\u00e7\u00e3o o atingiu com um golpe de lan\u00e7a. Ele ainda tentou fugir. O pr\u00f3prio Viana veio dar-lhe o tiro de miseric\u00f3rdia.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\nEram\u00a0oito horas da noite do dia 7 de fevereiro de 1756. Os \u00edndios ainda lutaram at\u00e9 escurecer e tiveram que se refugiar no mato, deixando o corpo de Sep\u00e9, o \u00fanico morto entre eles. Vieram busc\u00e1-lo de madrugada, para enterr\u00e1-lo \u00e0 beira de uma sanga \u2013 hoje, \u00e1rea urbana da cidade de S\u00e3o Gabriel.<\/div>\n<div class=\"RTE\">\n(&#8230;)\u00a0Com a morte de Sep\u00e9, os \u00edndios ficaram desarvorados. Al\u00e9m disso foram enganados pelos invasores que acenaram com uma tr\u00e9gua, apenas para ganhar tempo e apanhar os \u00edndios desprevenidos. Dois dias depois, tr\u00eas mil soldados, com todo seu poderio de fogo, ca\u00edram sobre os \u00edndios acampados na localidade de Caiboat\u00e9. O combate durou pouco mais de uma hora. Morreram mais de 1.500 \u00edndios. Praticamente acabou a resist\u00eancia. O ex\u00e9rcito invadiu as miss\u00f5es, seus moradores se dispersaram pelos campos.<\/div>\n<div class=\"RTE\"><\/div>\n<div class=\"RTE\"><strong><em>Leia reportagem na \u00edntegra no Jornal J\u00c1 Porto Alegre, que est\u00e1 nas bancas<\/em><\/strong>.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndios rezam pelos mortos na Coxilha do\u00a0Caiboat\u00e9 \u00a0(Foto: Daniel Cassol) Nesta ter\u00e7a-feira (7\/02) , no munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel, a cerca de 320 quil\u00f4metros de Porto Alegre,\u00a0 uma marcha ir\u00e1 lembrar os 250 anos da morte do l\u00edder guarani Sep\u00e9 Tiaraju, que lutou contra a domina\u00e7\u00e3o espanhola e portuguesa na regi\u00e3o. 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