{"id":13190,"date":"2006-03-06T15:58:32","date_gmt":"2006-03-06T18:58:32","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=206"},"modified":"2006-03-06T15:58:32","modified_gmt":"2006-03-06T18:58:32","slug":"cachorrada-das-grandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cachorrada-das-grandes\/","title":{"rendered":"Cachorrada, das grandes"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura\/med_cachorro_grande.jpg?0.5346004131599077\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><br \/>\n<strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">A banda, nas ruas do Bom Fim, com vontade de ganhar o mundo, mas sem perder sua caracter\u00edstica<br \/>\n(Fotos: \u00c0rfio Mazzei\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Que o Bom Fim sempre foi sin\u00f4nimo de bo\u00eamia, e, portanto, s\u00edmbolo da inova\u00e7\u00e3o art\u00edstica porto-alegrense, todo mundo sabe. A novidade \u00e9 que agora o bairro \u201cexporta\u201d talentos aqui constitu\u00eddos, rumo ao mercado pop nacional. \u00c9 o caso da banda Cachorro Grande, formada nos bares, que agora invade as r\u00e1dios com o som que conserva caracter\u00edsticas do underground que os formou.<\/p>\n<p align=\"justify\">Liderados pelo vocalista Beto Bruno, os cinco rapazes moram em S\u00e3o Paulo desde o final de 2004, para manterem-se mais pr\u00f3ximos da gravadora (Deck Discos, a mesma da baiana Pitty) e no centro da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica nacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">A agenda lotada de shows foi conquistada com muito suor, dizem eles: \u201cA gente nunca fez outra coisa, lutamos para sobreviver disso\u201d, conta Beto.\u00a0 Nos bares, a motiva\u00e7\u00e3o para tocar: \u201cAli encontr\u00e1vamos a galera, sempre fic\u00e1vamos falando e fazendo m\u00fasica\u201d, lembra o guitarrista Marcelo Gross.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas a inten\u00e7\u00e3o nunca foi se restringir ao mercado underground local e essa \u00e9 a sua principal cr\u00edtica: \u201cAs bandas da \u00e9poca n\u00e3o tinham essa vis\u00e3o, tocavam por bebida, sem equipamento adequado, fazendo a pr\u00f3pria divulga\u00e7\u00e3o. Assim, acabavam desvalorizando toda a classe musical\u201d, afirma Beto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Talvez tenha sido esse o segredo. Os guris da Cachorro Grande contam que um belo dia, resolveram exigir respeito ao trabalho deles: \u201cPassamos um ano tocando no underground de Porto Alegre, vendo tudo isso, e fic\u00e1vamos com muita raiva\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com vontade de ganhar o mundo, mas sem perder a caracter\u00edstica sonora que lhes agrada. O primeiro CD foi independente, e vendeu. A ga\u00facha Orbeat Music, que empresaria bandas famosas do sul chegou a oferecer contrato. \u201cMas na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o do CD, eles vieram dizer que nossas m\u00fasicas eram pouco radiof\u00f4nicas, ent\u00e3o, recusamos a proposta\u201d. A atitude lhes rendeu prest\u00edgio ainda maior entre os f\u00e3s, que n\u00e3o deixam a banda \u201cse render\u201d \u00e0s exig\u00eancias mercadol\u00f3gicas: \u201cNunca fizemos concess\u00e3o, continuamos sendo os chinel\u00f5es do in\u00edcio\u201d, brinca Pedro Pelotas, o tecladista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mesmo assim, depois de cinco anos na estrada, o sucesso nacional veio com o Ac\u00fastico MTV Bandas Ga\u00fachas, que reuniu outros tr\u00eas expoentes do Rio Grande do Sul \u2013 Vander Vildner, Bid\u00ea ou Balde e Comunidade Nin Jitsu. Bandas ga\u00fachas, n\u00e3o bandas de Rock Ga\u00facho:\u201cO rock \u00e9 universal, e essa hist\u00f3ria do movimento ga\u00facho acaba colocando tudo no mesmo saco&#8230; n\u00e3o d\u00e1 pra misturar Replicantes com TNT\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para al\u00e9m das convic\u00e7\u00f5es, a personalidade da banda est\u00e1 expl\u00edcita nas roupas, inspiradas nos anos 60. Na entrevista, em pleno janeiro de trinta graus, eles usavam cal\u00e7as pretas e botinas. E por baixo das jaquetas, influ\u00eancias de bandas que participaram da g\u00eanese do movimento roqueiro mundial: The Beatles, Kinks e Rolling Stones, que os inspiram at\u00e9 hoje: \u201cQueremos ser como eles, tocar pro resto da vida\u201d, diz o baixista Rodolfo Krieguer, que entrou para trupe h\u00e1 menos de um ano. \u00c9 claro que eles est\u00e3o de mala (e cuia) pronta para o show de Buenos Aires, que acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Antes, por\u00e9m far\u00e3o seu primeiro show \u201cinternacional\u201d: Tocam em Passo de Los Libres, \u201ca parte Argentina de Foz do Igua\u00e7u\u201d, brincam. Mas o que eles querem mesmo, segundo o baterista Gabriel Azambuja, \u00e9 \u201cvoltar para a Cantareira\u201d, frase eternizada pelo Mutante Arnaldo Baptista.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">O Bom Fim n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Crias de um movimento experimental onde o conv\u00edvio e a troca de experi\u00eancias era essencial, os rapazes afiam a l\u00edngua para dizer que o bairro j\u00e1 n\u00e3o supre necessidades art\u00edsticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cAntes era mais cultural. Tomar uma ceva no Jo\u00e3o, depois pegar um cinema no Baltimore. Agora vive uma decad\u00eancia\u201d, lembra Marcelo. Beto vai mais longe: \u201cO Bom Fim foi podado pela Associa\u00e7\u00e3o, acabaram os lugares cl\u00e1ssicos, que agora est\u00e3o na Cidade Baixa\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Eles sentem possess\u00e3o no bairro: \u201cTem gente que nunca foi nossa amiga e hoje acha que \u00e9 nosso dono\u201d, critica Beto. A afirma\u00e7\u00e3o se refere \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo como base da banda, e da agenda, que inclui outros estados nos shows.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Cachorro Grande promete nunca esquecer as\u00a0 cidades do sul. \u201cO interior do estado tem \u00f3timas casas de shows\u201d, diz Marcelo. Em Porto Alegre, eles tocam em mar\u00e7o no Opini\u00e3o, por exemplo.<br \/>\nMas o Bom Fim, apesar de n\u00e3o ser mais o centro da contra-cultura continua vivo na mem\u00f3ria dos cinco guris. \u201cAinda vamos convidar o Lob\u00e3o para tomar uma cerveja na \u2018Lancheria\u2019 com a gente.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A banda, nas ruas do Bom Fim, com vontade de ganhar o mundo, mas sem perder sua caracter\u00edstica (Fotos: \u00c0rfio Mazzei\/J\u00c1) Naira Hofmeister Que o Bom Fim sempre foi sin\u00f4nimo de bo\u00eamia, e, portanto, s\u00edmbolo da inova\u00e7\u00e3o art\u00edstica porto-alegrense, todo mundo sabe. 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