{"id":13206,"date":"2006-05-17T12:27:05","date_gmt":"2006-05-17T15:27:05","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=223"},"modified":"2006-05-17T12:27:05","modified_gmt":"2006-05-17T15:27:05","slug":"porto-alegrona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/porto-alegrona\/","title":{"rendered":"Porto Alegrona"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/med_jaime_lerner.jpg?0.05702736154751209\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"227\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Diretores utilizaram o olhar de diversos porto-alegrenses para compor a narrativa da obra (Foto: Naira Hofmeister)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Contar e fazer hist\u00f3ria ao mesmo tempo, uma premissa do jornalismo que foi aproveitada por C\u00edcero Aragon e Jaime Lerner na montagem do longa-metragem <em>Porto Alegre, meu canto do mundo<\/em>, que teve pr\u00e9-estr\u00e9ia esse ano mas s\u00f3 deve ser lan\u00e7ado comercialmente em 2007. \u201c\u00c9 um tema muito vasto e n\u00e3o quer\u00edamos fazer um filme institucional nem um almanaque da cidade. Mas tinha que ser numa linha, que acabou sendo um olhar especial sobre a cidade, que \u00e9 constru\u00eddo pelos depoentes\u201d, define Lerner.<\/p>\n<p align=\"justify\">A produ\u00e7\u00e3o cativou o p\u00fablico mostrando criatividade na hora de falar sobre um tema que tem tudo para cair no clich\u00ea. J\u00e1 nas primeiras cenas, o espectador \u00e9 surpreendido por uma narrativa emocionante de Saint Hilaire, que, l\u00e1 pelos idos de 1835, anotava a tomada da cidade pelo ex\u00e9rcito Farroupilha. As imagens por\u00e9m, focam o gramado do Beira-Rio, o est\u00e1dio lotado e as torcidas gremista e colorada disputando a batalha contempor\u00e2nea do futebol. Passado e presente se unem na polaridade ga\u00facha.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cTemos uma hist\u00f3ria de confrontos dram\u00e1ticos em que a cidade foi o palco. Fomos ligando esses conflitos, que, hoje, gra\u00e7as a Deus, se decidem muito mais no campo de futebol\u201d, brinca Lerner.<br \/>\nAs bel\u00edssimas imagens a\u00e9reas captadas por uma lente olho-de-peixe s\u00e3o um dos destaques da obra \u2013 a fotografia do filme \u00e9 com certeza um ponto alto. \u201c\u00c9 uma perspectiva muito diferente, a qual as pessoas n\u00e3o est\u00e3o acostumadas\u201d, compara Lerner, que, al\u00e9m de dividir a dire\u00e7\u00e3o com C\u00edcero Aragon, assina tamb\u00e9m a fotografia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A narrativa ganhou ares experimentais, intercalando poesias, m\u00fasicas e a voz de personalidades locais \u2013 com textos relacionados \u00e0s imagens. A panor\u00e2mica sobre a avenida Osvaldo Aranha, por exemplo, dispensa explica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a trilha sonora escolhida \u00e9 \u201cBerlim, Bom Fim\u201d, de Nei Lisboa. \u201cOs velhos nos caf\u00e9s\/O Bar Jo\u00e3o em plena Kriegstrasse\/A saga violenta desse parque\/O cinza da cidade partido verde ao meio (&#8230;) E depois da meia-noite\/A fauna ensandecida do Ocidente\/Digitando em frente ao Metropol\/Berlim, Bom Fim\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entre cenas documentais e de fic\u00e7\u00e3o, imagens de arquivo se misturam com o perfil atual da cidade e comparam mais de dois s\u00e9culos de hist\u00f3ria, costurados por depoimentos de moradores sobre os lugares que constru\u00edram a cultura e a sociedade porto-alegrense. Entre os entrevistados est\u00e3o Luiz Antonio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Luis Fernando Verissimo, S\u00e9rgio da Costa Franco, Arthur de Faria e Sandra Pesavento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tem ainda Eva Sopher e seu Theatro S\u00e3o Pedro e Giba-Giba no Areal da Baronesa, com uma paradinha estrat\u00e9gica no Beco do Mijo. Os 234 de Porto Alegre s\u00e3o permeados pela tradi\u00e7\u00e3o de uma cidade sempre provinciana mas hoje (ser\u00e1?) tamb\u00e9m cosmopolita. \u201cO filme \u00e9 honesto por n\u00e3o mostrar uma imagem marginal ou oficial. Simplesmente d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es que permitem v\u00e1rias percep\u00e7\u00f5es da mesma historia\u201d, opina C\u00edcero Aragon, que tamb\u00e9m produziu o document\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">A primeira montagem teve quatro horas de dura\u00e7\u00e3o, mas o corte final resultou num filme com pouco mais de 60 minutos. \u201cEsse per\u00edodo do trabalho foi cruel. Depoimentos precios\u00edssimos ficaram fora\u201d, lamenta Lerner. O famoso Lambe-Lambe do Brique, por exemplo n\u00e3o figura no material final.<br \/>\nO resultado \u00e9 um filme que, sem ser generalista nem extremamente pessoal, mostra a constru\u00e7\u00e3o da cidade e sua popula\u00e7\u00e3o, retomando momentos hist\u00f3ricos, como o movimento da Legalidade. Porto Alegre, meu canto do mundo recria a identidade da Capital. \u201cAs pessoas que conversaram com a gente acharam realmente uma radiografia da cidade, com seus pontos altos e baixos, ricos e pobres\u201d, orgulha-se Aragon.<\/p>\n<p align=\"justify\">A c\u00f3pia exibida nos cinemas ainda n\u00e3o \u00e9 definitiva, e o atual formato digital deve ser passado para pel\u00edcula com a ades\u00e3o de uma nova leva de apoiadores. Al\u00e9m do cinema, o filme deve ser exibido na TV por assinatura e ter\u00e1 c\u00f3pias distribu\u00eddas em escolas e embaixadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretores utilizaram o olhar de diversos porto-alegrenses para compor a narrativa da obra (Foto: Naira Hofmeister) Naira Hofmeister Contar e fazer hist\u00f3ria ao mesmo tempo, uma premissa do jornalismo que foi aproveitada por C\u00edcero Aragon e Jaime Lerner na montagem do longa-metragem Porto Alegre, meu canto do mundo, que teve pr\u00e9-estr\u00e9ia esse ano mas s\u00f3 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-3r0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}