{"id":13229,"date":"2008-05-28T10:11:49","date_gmt":"2008-05-28T13:11:49","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=61"},"modified":"2008-05-28T10:11:49","modified_gmt":"2008-05-28T13:11:49","slug":"convivio-forcado-no-moinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/convivio-forcado-no-moinhos\/","title":{"rendered":"Conv\u00edvio for\u00e7ado no Moinhos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alexandre Lucchese e Paula Bianchi<\/strong><br \/>\n\u201cN\u00e3o d\u00e1 pra deixar aquele mendigo deitado ali!\u201d, reclama um freq\u00fcentador do Parc\u00e3o ao guarda-parque Luiz Ant\u00f4nio Rodrigues, apontando um senhor que dorme no gramado. Queixas como essa se tornaram comuns e aumentam proporcionalmente com o n\u00famero de habitantes de cal\u00e7adas do Moinhos de Vento.<br \/>\nAl\u00e9m do parque, \u00e9 comum ver gente pedindo esmola ou dormindo na cal\u00e7ada em frente ao muro do Gr\u00eamio N\u00e1utico Uni\u00e3o que d\u00e1 para a 24 de Outubro. O Morro Ricaldone e outras \u00e1reas verdes tamb\u00e9m foram escolhidos por essa popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cAumentou, mas n\u00e3o s\u00f3 aqui. \u00c9 um problema das cidades \u201c, observa o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Moinhos Vive, Raul Agostini, que presenciou a multiplica\u00e7\u00e3o de moradores nas esquinas do bairro.<br \/>\nViver nas ruas do Moinhos de Vento aumenta a possibilidade de conseguir materiais recicl\u00e1veis, fonte de subsist\u00eancia de muitos deles. \u201c\u00c9 pr\u00f3ximo ao Centro, onde o lixo \u00e9 vendido\u201d, completa um senhor de meia idade, que recolhe latas no parque.<br \/>\nO bairro tamb\u00e9m \u00e9 perto do Albergue Municipal e de outros abrigos p\u00fablicos. N\u00e3o t\u00e3o decisivo, mas tamb\u00e9m importante, \u00e9 o fato de que a classe alta que circula no bairro significa maior facilidade de conseguir esmolas.<br \/>\nOs sem-teto provocam inseguran\u00e7a nos demais moradores. S\u00e3o poucos os que ag\u00fcentam a realidade da rua livres de drogas ou \u00e1lcool em excesso e \u00e9 comum deixarem para tr\u00e1s utens\u00edlios sem uso e muito lixo.<br \/>\nPor isso despertam hostilidade da popula\u00e7\u00e3o, que evita passar pelos lugares com medo de assaltos, ataques ou para desviar-se do inc\u00f4modo de testemunhar a situa\u00e7\u00e3o. Muitos preferem chamar a Brigada Militar. Como medida definitiva, pedem o cercamento de \u00e1reas como o Morro Ricaldone, que teve o acesso fechado em 2006. A pr\u00f3xima ser\u00e1 a pra\u00e7a Atos Damaceno Ferreira, no final das ruas Quintino Bocai\u00fava e Coronel Bordini. A iniciativa \u00e9 dos lojistas em aten\u00e7\u00e3o aos moradores, que reclamam da bagun\u00e7a noturna.<br \/>\n<strong>Vers\u00f5es distintas sobre atua\u00e7\u00e3o da Brigada<\/strong><br \/>\nPeriodicamente a Brigada Militar recolhe os sem-teto. \u201cA rela\u00e7\u00e3o \u00e9 p\u00e9ssima\u201d, revela um morador de rua. Ele garante que, ao contr\u00e1rio do que afirma a corpora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 qualquer atividade construtiva depois das abordagens. \u201cA gente fica l\u00e1, sentado, olhando um para a cara do outro e vendo os brigadianos tomar caf\u00e9\u201d.<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o matinal impede que os grupos se organizem para almo\u00e7ar. \u201cPassamos o dia inteiro em jejum\u201d, revela o homem. Al\u00e9m disso, a sa\u00edda s\u00f3 \u00e9 permitida no fim da tarde, quando n\u00e3o h\u00e1 mais tempo de chegar aos albergues. \u201cDeixando sem almo\u00e7o e sem cama, acham que v\u00e3o espantar a gente da rua\u201d, conclui.<br \/>\nA reportagem do J\u00c1 Bom Fim\/Moinhos presenciou a pris\u00e3o de um foragido. Algemado, ele foi conduzido aos gritos para a viatura enquanto um policial o amea\u00e7ava com um peda\u00e7o de madeira. Comandante da 3\u00aa Cia, que policia o Moinhos de Vento, o Major Medina admite a necessidade de um tratamento duro. \u201cSem-teto virou assunto de pol\u00edcia, pois os \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia social n\u00e3o t\u00eam a autoridade da BM\u201d, argumenta.<br \/>\nPara n\u00e3o se confrontar com a Brigada, mudam de local a cada pernoite. \u201cS\u00e3o sazonais\u201d, classifica um Guarda Municipal. Caso de Claudir Silveira, de 71 anos, que migra pelo bairro h\u00e1 trinta anos.<br \/>\nCom ou sem pra\u00e7a, Mata Bacelar j\u00e1 tem morador<br \/>\nEnquanto a Prefeitura n\u00e3o decide o futuro da rua Mata Bacelar, o lugar est\u00e1 sendo habitado por Jos\u00e9 Carlos da Rosa, flanelinha da pra\u00e7a Atos Damasceno Ferreira. \u201cEstou aqui desde janeiro\u201d, conta. A pequena casa de compensado \u00e9 um luxo para o ex-servente de pedreiro, que a herdou depois que os oper\u00e1rios conclu\u00edram o Conduto For\u00e7ado. \u201cEu cuidava das m\u00e1quinas e dos carros dos engenheiros e me convidaram para ficar\u201d, relata.<br \/>\nO relacionamento com os vizinhos \u00e9 bom. \u201cEst\u00e3o me ajudando na aposentadoria\u201d. O pedido j\u00e1 foi solicitado e em junho ele deve receber o primeiro sal\u00e1rio por invalidez.<br \/>\n\u201cSabemos quem ele \u00e9 e n\u00e3o temos medo\u201d, avalia o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Moradores da Auxiliadora (AMA), Jo\u00e3o Violino Corr\u00eaa. Mas a associa\u00e7\u00e3o e a ONG Uni\u00e3o pela Vida solicitam uma audi\u00eancia com a Prefeitura para resolver a situa\u00e7\u00e3o da rua.<br \/>\nEssa reportagem \u00e9 um dos destaques da edi\u00e7\u00e3o 384 do jornal J\u00c1 Bom Fim\/Moinhos. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 quinzenal e circula gratuitamente nos 10 bairros da \u00e1rea central de Porto Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Lucchese e Paula Bianchi \u201cN\u00e3o d\u00e1 pra deixar aquele mendigo deitado ali!\u201d, reclama um freq\u00fcentador do Parc\u00e3o ao guarda-parque Luiz Ant\u00f4nio Rodrigues, apontando um senhor que dorme no gramado. Queixas como essa se tornaram comuns e aumentam proporcionalmente com o n\u00famero de habitantes de cal\u00e7adas do Moinhos de Vento. 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