{"id":13240,"date":"2014-05-26T09:58:54","date_gmt":"2014-05-26T12:58:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=13143"},"modified":"2014-05-26T09:58:54","modified_gmt":"2014-05-26T12:58:54","slug":"plano-diretor-estamos-construindo-o-caos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/plano-diretor-estamos-construindo-o-caos\/","title":{"rendered":"Plano diretor: &quot;Estamos construindo o caos&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Desabafo que arquiteta Eliana Castilhos, delegada da Regi\u00e3o de Planejamento 1, postou nas redes sociais \u00e9 um testemunho do ambiente que se criou no Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre, onde a aprova\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u00e9 empurrada guela abaixo dos conselheiros.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Ao CMDUA<\/span><br \/>\nComo delegada da Regi\u00e3o de Gest\u00e3o de Planejamento 1, encaminho a presente manifesta\u00e7\u00e3o para que possa ser lida pelo Conselheiro da Regi\u00e3o no CMDUA, com o devido apoio dos meus colegas delegados, que est\u00e3o a par da presente manifesta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPe\u00e7o aqui aos senhores um pouco do seu tempo, um pouco mais de 3 minutos. Refere-se \u00e0 falta de esclarecimento que se furtaram a dar ao conselheiro da regi\u00e3o 1.<br \/>\nH\u00e1 tempos ando observando que a pressa vem roubando a qualidade de vida. A pressa na verdade vem roubando a vida das pessoas. Poucas semanas atr\u00e1s, um cobrador de \u00f4nibus esfaqueou 2 passageiros aqui em Porto Alegre. O motivo, os passageiros reclamavam do atraso do \u00f4nibus.<br \/>\nO cobrador, nada tinha o que fazer. O tr\u00e2nsito est\u00e1 ca\u00f3tico. Basta sair \u00e0s ruas para ver. N\u00e3o era culpa dele. Mas ainda sim, as pessoas est\u00e3o doentes. Todos est\u00e3o doentes. Incluindo n\u00f3s aqui do CMDUA, que na pressa de aprovar n\u00e3o estamos nem vendo o que estamos aprovando.<br \/>\nNo \u00faltimo dia 29, em abril de 2014, fui como delegada da Regi\u00e3o de Gest\u00e3o de Planejamento 1 ao Conselho do Plano Diretor, o CMDUA, acompanhar a vota\u00e7\u00e3o do projeto de amplia\u00e7\u00e3o do Shopping Moinhos de Vento. De in\u00edcio estranhei qu\u00e3o poucos membros da comunidade estavam l\u00e1 presentes. Depois viria a compreender, da forma mais decepcionante, o porqu\u00ea.<br \/>\nA vota\u00e7\u00e3o do projeto j\u00e1 tinha sido levada ao CMDUA, quando o relator, representante da Regi\u00e3o 2 de Gest\u00e3o de Planejamento tinha votado contra o projeto. Quando isto acontece, o projeto \u00e9 redistribu\u00eddo&#8230; at\u00e9 aprovar. Em Porto Alegre, n\u00e3o existe o \u201cn\u00e3o d\u00e1\u201d. O conselheiro da Regi\u00e3o 1, que \u00e9 a regi\u00e3o onde se encontra o empreendimento, havia informado que a comunidade n\u00e3o era contra o projeto, mas sim contra as contrapartidas determinadas e a forma de condu\u00e7\u00e3o do processo. E pedia para tanto um estudo de vizinhan\u00e7a. Este sim, nunca regulamentado, apesar da necessidade alarmante de sua implanta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Democracia &#8220;patrolada&#8221;<\/span><br \/>\nNa reuni\u00e3o do dia 29, novo relato, desta vez pela aprova\u00e7\u00e3o, afinal \u201ca CAUGE j\u00e1 havia dado parecer favor\u00e1vel\u201d. Mas se este fosse o par\u00e2metro, ent\u00e3o por que existir o CMDUA? O CMDUA existe justamente para questionar e fiscalizar, e isto eu realmente n\u00e3o vi. Preferia ter ouvido do relator que ele concordava com a CAUGE e n\u00e3o que ele n\u00e3o se julgava capaz de question\u00e1-los.<br \/>\nAp\u00f3s o relato, o presidente do CMDUA (Secret\u00e1rio de Planejamento) sequer deu espa\u00e7o para os poucos representantes do Movimento Moinhos Vive manifestarem sua opini\u00e3o. Seria o m\u00ednimo para uma democracia. Mas no conselho, a democracia foi \u201cpatrolada\u201d pela PRESSA dos conselheiros, para literalmente se \u201clivrarem\u201d dos processos.<br \/>\nO Conselheiro da Regi\u00e3o 1 ingenuamente fez uma pergunta sobre a \u00c1rea Livre Perme\u00e1vel. Na reuni\u00e3o anterior sobre este mesmo assunto, informaram n\u00e3o poder responder pois era assunto da SMAM e seu representante n\u00e3o estava presente. Desta vez, o conselheiro da SMAM estava presente mas informou n\u00e3o ser com ele e sim com o representante da SMURB. A SMURB por sua vez n\u00e3o respondeu&#8230;<br \/>\nEstava fazendo outra coisa&#8230; o representante saiu da sala como se n\u00e3o fosse com ele&#8230; e sequer deram uma justificativa, uma resposta, nem que sim, nem que n\u00e3o, nem que talvez. Simplesmente N\u00c3O RESPONDERAM NADA.<br \/>\nNa pressa de votar, a grande maioria aprovou esta amplia\u00e7\u00e3o. O conselheiro da pr\u00f3pria regi\u00e3o 1 parecia n\u00e3o acreditar no fato de que n\u00e3o era merecedor de uma m\u00ednima resposta. Eu mesma n\u00e3o acreditei que esta era a forma de condu\u00e7\u00e3o dos projetos no CMDUA. O grupo do Moinhos Vive tentou se manifestar e recebeu uma solicita\u00e7\u00e3o para que &#8220;ficassem quietos&#8221;. Sinceramente, ultrajante.<br \/>\nChocada pela forma de tratamento, n\u00e3o percebi a velocidade de apresenta\u00e7\u00e3o do empreendimento proposto junto ao Barra Shopping. Apresentado t\u00e3o as pressas que sequer pudemos compreender ao certo o que se quer no local. Deste, s\u00f3 entendi os 80 metros de altura, e perguntei a mim mesma sobre seu impacto sobre a paisagem.<br \/>\nApenas eu, por que os demais pareciam estar l\u00e1 se enganando ao ouvir que seria um empreendimento \u201cecologicamente correto\u201d. E que por isso deveria ser aprovado. H\u00e1 anos atr\u00e1s ouvi este mesmo discurso do projeto Gigante para Sempre do Sport Clube Internacional. E hoje, o que temos l\u00e1? Piso imperme\u00e1vel, entulhos sem nenhum respons\u00e1vel&#8230; ali\u00e1s, parece que ningu\u00e9m mais \u00e9 respons\u00e1vel pelo o que faz.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Caos<\/span><br \/>\nSempre considerei o CMDUA como um espa\u00e7o democr\u00e1tico. Hoje, estou realmente duvidando disto. Aprovam-se projetos de impactos significativos, de grande porte, com maior velocidade do que se aprova uma simples resid\u00eancia. Alguns empreendimentos t\u00eam v\u00e1rias medidas mitigat\u00f3rias ou compensat\u00f3rias, outros, quase nenhuma. O CAOS das ruas \u00e9 o reflexo disto, desta disparidade.<br \/>\nN\u00e3o nos deixam conferir as informa\u00e7\u00f5es, os estudos. Sob a alega\u00e7\u00e3o de incapacidade t\u00e9cnica, nos furtam o nosso direito mais b\u00e1sico de questionar. E quando somos t\u00e9cnicos e questionamos aspectos t\u00e9cnicos, o sil\u00eancio \u00e9 a maior afronta, que passa desapercebida por muitos.<br \/>\nCada um que votou a favor dos grandes empreendimentos sem um estudo decente, cada um que minimiza os impactos de um grande empreendimento, cada um que acha que tudo \u00e9 poss\u00edvel , no fundo, co-autor de todos os crimes e acidentes que ocorrem nesta cidade. Gente morrendo nas cal\u00e7adas, pessoas atropeladas, ciclistas mortos&#8230; estamos promovendo o caos. Cada um de n\u00f3s. Onde est\u00e1 o estudo da Amplia\u00e7\u00e3o do Shopping do Iguatemi?<br \/>\nIsso sem falar as decis\u00f5es antag\u00f4nicas? No centro, vamos aumentar as cal\u00e7adas, e reduzir o tr\u00e1fego de ve\u00edculos. No Moinhos de Vento (lugar lindo pelas suas cal\u00e7adas bem cuidadas), vamos reduzir cal\u00e7adas, vamos destruir a sua ambi\u00eancia. No Petr\u00f3polis, manuten\u00e7\u00e3o de casas antigas com alguma qualidade. No J\u00f3quei, lugar de um dos mais importantes exemplares modernistas, ningu\u00e9m avalia o impacto do novo empreendimento sobre o exemplar. D\u00e1 pra entender? N\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1. E quando eu digo n\u00f3s, \u00e9 por que quando calamos, concordamos. E aqui, no CMDUA, parece que todos concordam.<br \/>\nEst\u00e1 chegando, por\u00e9m, o dia em que a falta de planejamento vai realmente custar caro. Pois at\u00e9 ent\u00e3o est\u00e1vamos falando de obras. E hoje, falamos de vidas. Novamente afirmo, estamos promovendo o caos. Estamos apoiando o gasto de recursos em obras in\u00fateis enquanto o povo sofre sem ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o. Estamos vivendo num mundo de faz-de-conta, mas o faz-de-conta est\u00e1 sumindo pelo aumento da viol\u00eancia. E entre idas e vindas, gasta-se 1 milh\u00e3o de reais em um chafariz seco que ningu\u00e9m v\u00ea, que ningu\u00e9m usa. Esta \u00e9 a nossa Porto Alegre.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span class=\"assina\">\u00a0Eliana Hertzog Castilhos<\/span><br \/>\n<span class=\"assina\"> Delegada da RGP1<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desabafo que arquiteta Eliana Castilhos, delegada da Regi\u00e3o de Planejamento 1, postou nas redes sociais \u00e9 um testemunho do ambiente que se criou no Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre, onde a aprova\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos \u00e9 empurrada guela abaixo dos conselheiros. 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