{"id":1337,"date":"2008-08-05T14:06:31","date_gmt":"2008-08-05T17:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1337"},"modified":"2008-08-05T14:06:31","modified_gmt":"2008-08-05T17:06:31","slug":"veiculo-a-hidrogenio-vai-circular-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/veiculo-a-hidrogenio-vai-circular-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Ve\u00edculo a hidrog\u00eanio vai circular em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Luiza Oliveira Barbosa \/ Ambiente J\u00c1<\/strong><br \/>\nA partir de novembro, \u00f4nibus movidos a hidrog\u00eanio, come\u00e7ar\u00e3o a circular em S\u00e3o Paulo. A cidade mais polu\u00edda do Brasil e a quarta no ranking mundial busca alternativas para diminuir os efeitos das emiss\u00f5es de gases estufa. O projeto &#8220;Estrat\u00e9gia Energ\u00e9tico Ambiental: \u00d4nibus com C\u00e9lula a Combust\u00edvel a Hidrog\u00eanio&#8221;, que est\u00e1 em fase de testes na Marcopolo, foi desenvolvido por uma empresa de chassis de Caxias do Sul, a Tutto Trasporti. O veiculo ser\u00e1 entregue para a EMTU\/SP (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).<br \/>\nO \u00f4nibus est\u00e1 na Marcopolo para os testes finais e, a partir de novembro, ser\u00e1 testado em S\u00e3o Paulo. A pr\u00f3xima etapa \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas desses ve\u00edculos no pr\u00f3ximo ano, j\u00e1 melhorados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o, para em seguida come\u00e7arem a circular.<br \/>\nO presidente da EMTU\/SP, Jos\u00e9 Ign\u00e1cio Sequeira de Almeida, diz que o Brasil foi escolhido pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) por possuir cidades muito polu\u00eddas e com grandes frotas de \u00f4nibus.<br \/>\nAl\u00e9m dos \u00f4nibus, o projeto abrange ainda o abastecimento, cujos postos incluem um projeto futuro. Por enquanto, o projeto \u00e9 para os \u00f4nibus circularem o dia inteiro, cerca de 300 km, e abastecerem \u00e0 noite\u201d. Segundo o presidente da EMTU, h\u00e1 expectativa de que haja uma queda no custo do ve\u00edculos. \u201cPor enquanto, em fase de testes, s\u00f3 prot\u00f3tipo custa tr\u00eas milh\u00f5es e meio de d\u00f3lares. A expectativa no futuro \u00e9 que o custo fique entre os valores do \u00f4nibus el\u00e9trico e do movido a diesel, com muita viabilidade\u201d.<br \/>\nAgenor Boff, diretor da Tutto Trasporti, explica que em 1996, a empresa desenvolveu um veiculo h\u00edbrido, que utiliza combust\u00edveis alternativos. \u201cEncontramos a possibilidade de utilizar \u00e1lcool, g\u00e1s e componentes de fabrica\u00e7\u00e3o do biodiesel, que \u00e9 soja, girassol, dendem, mamona, milho\u201d, diz. Depois disto, \u201cempresas interligadas ao hidrog\u00eanio nos procuraram e demonstraram interesse em que a Tutto fabricasse e gerenciasse todo o projeto da Am\u00e9rica Latina de utiliza\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio\u201d.  Segundo o empres\u00e1rio, a id\u00e9ia era desmistificar e, principalmente, reduzir o custo de fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos que utilizam o hidrog\u00eanio, pois um dos grandes problemas sempre foi o custo referente \u00e0 montagem e a condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas necess\u00e1rias que, at\u00e9 ent\u00e3o, estavam somente em pa\u00edses da Europa e nos Estados Unidos.<br \/>\n\u201cAgora temos a possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio, que \u00e9 encontrado em toda a natureza, \u00e1gua, g\u00e1s natural, aterro sanit\u00e1rio, esgoto, biomassa, que \u00e9 uma fonte inesgot\u00e1vel de energia e com polui\u00e7\u00e3o zero. N\u00e3o h\u00e1 emiss\u00e3o de fuma\u00e7a e sim vapor d\u2019\u00e1gua\u201d, diz Boff, ressaltando que os ve\u00edculos est\u00e3o se tornando fontes ambulantes de \u00e1gua pot\u00e1vel.<br \/>\n<strong>A energia do mundo<\/strong><br \/>\n\u201cA tecnologia est\u00e1 dominada, n\u00e3o tem segredo. N\u00e3o foram utilizadas grandes instala\u00e7\u00f5es, todo mundo pode montar. O mundo pode utilizar essa energia maravilhosa, que com certeza ser\u00e1 a energia do mundo\u201d, diz o diretor da empresa.<br \/>\nO t\u00e9cnico em eletr\u00f4nica da Tutto Trasporti, Em\u00edlio Vaccari Batista, um dos participantes do desenvolvimento da tecnologia, explica como funciona o hidrog\u00eanio como combust\u00edvel. \u201cEle \u00e9 obtido atrav\u00e9s de um eletrolisador. O res\u00edduo gerado \u00e9 oxig\u00eanio e a c\u00e9lula \u00e9 \u00e1gua. Essa \u00e9 uma tecnologia 100% limpa, pega uma energia el\u00e9trica produzida em hidrel\u00e9trica e ela \u2018alimenta\u2019 o eletrolisador, que n\u00e3o libera nada al\u00e9m de oxig\u00eanio e n\u00e3o tem impacto ambiental\u201d.<br \/>\nA c\u00e9lula a combust\u00edvel \u00e9 uma tecnologia que utiliza a combina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica entre os gases oxig\u00eanio (O2) e hidrog\u00eanio (H2) para gerar energia el\u00e9trica, energia t\u00e9rmica (calor) e \u00e1gua. \u201cO hidrog\u00eanio \u00e9 um mero meio de transfer\u00eancia de energia. Resumidamente, de um lado da c\u00e9lula entra o hidrog\u00eanio e do outro entra o oxig\u00eanio. No meio, entre os eletrodos, existem o eletr\u00f3lito e o catalisador, que s\u00e3o a l\u00f3gica de todo o funcionamento da c\u00e9lula a combust\u00edvel\u201d.<br \/>\nMar\u00e7al Pires, professor de qu\u00edmica da PUCRS, especialista em Qu\u00edmica Anal\u00edtica Ambiental, afirma que a vantagem desta tecnologia \u00e9 que a emiss\u00e3o de poluentes \u00e9 praticamente nula. \u201cO que temos que ver \u00e9 o ciclo de vida completo, pois a c\u00e9lula cont\u00e9m platina atualmente. Precisamos saber qual ser\u00e1 o destino ao final do ciclo de vida desta c\u00e9lula&#8221;. Por\u00e9m, o professor ressalta que h\u00e1 algumas desvantagens em rela\u00e7\u00e3o a esta tecnologia: \u201cO hidrog\u00eanio \u00e9 um g\u00e1s explosivo. \u00c9 preciso tomar muito cuidado em rela\u00e7\u00e3o ao armazenamento e \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disto, at\u00e9 onde verificamos \u00e9 uma tecnologia que ainda apresenta muitos custos. Mas, como qualquer nova tecnologia, em uma escala de produ\u00e7\u00e3o maior \u00e9 prov\u00e1vel que o custo caia\u201d, ensina Pires.<br \/>\nLuiz Carlos Martinelli Junior, doutor em energia mec\u00e2nica, professor da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Uniju\u00ed), diz que existem v\u00e1rias formas de se produzir o hidrog\u00eanio. Os processos iniciais de produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio utilizavam o carv\u00e3o como primeira mat\u00e9ria-prima. Ap\u00f3s esta fase, a eletr\u00f3lise da \u00e1gua foi utilizada, sendo suplementada por processos que consomem g\u00e1s natural e derivados de petr\u00f3leo. \u201cNa \u00faltima d\u00e9cada os processos e tecnologias para a manufatura do hidrog\u00eanio t\u00eam obtido muitos avan\u00e7os\u201d, diz.<br \/>\nEle diz que a eletr\u00f3lise \u00e9, ainda, o processo mais comum, mas classifica como muito \u201coneroso\u201d, sendo poss\u00edvel apenas quando se tem energia el\u00e9trica abundante. \u201cQuanto aos produtos do hidrog\u00eanio, tem-se somente vapor de \u00e1gua\u201d.<br \/>\n<strong>Um combust\u00edvel leve<\/strong><br \/>\nA t\u00e9cnica existe h\u00e1 mais de 150 anos. A primeira c\u00e9lula a combust\u00edvel foi desenvolvida em 1839 por um f\u00edsico ingl\u00eas chamado William Grove. Ele sabia que passando eletricidade atrav\u00e9s da \u00e1gua podiam-se obter os gases hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio, constituintes da \u00e1gua.<br \/>\nEle tentou fazer o processo reverso, combinando hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio para produzir eletricidade e \u00e1gua. Mas a sua inven\u00e7\u00e3o, chamada por ele de \u201cbateria a g\u00e1s\u201d, n\u00e3o tinha muita aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica naquela \u00e9poca. Anos depois, em 1889, o nome \u201cc\u00e9lula a combust\u00edvel\u201d foi criado por dois cientistas, Ludwig Mond e Charles Langer. Eles queriam tornar a c\u00e9lula a combust\u00edvel uma inven\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, mas n\u00e3o tiveram muito \u00eaxito.<br \/>\nA c\u00e9lula a combust\u00edvel s\u00f3 come\u00e7ou a ganhar vida no final dos anos 30, quando o ingl\u00eas Francis Thomas Bacon desenvolveu c\u00e9lulas a combust\u00edvel de eletr\u00f3lito alcalino. Em 1959, ele demonstrou um sistema de c\u00e9lula a combust\u00edvel de 5kW para fazer funcionar uma m\u00e1quina de solda. No entanto, somente com a Ag\u00eancia Espacial dos EUA, a NASA, a c\u00e9lula a combust\u00edvel come\u00e7ou a decolar. Tudo que a NASA precisava era de um equipamento que gerasse energia com efici\u00eancia, e que utilizasse um combust\u00edvel leve e com grande densidade de energia \u2013 o hidrog\u00eanio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiza Oliveira Barbosa \/ Ambiente J\u00c1 A partir de novembro, \u00f4nibus movidos a hidrog\u00eanio, come\u00e7ar\u00e3o a circular em S\u00e3o Paulo. A cidade mais polu\u00edda do Brasil e a quarta no ranking mundial busca alternativas para diminuir os efeitos das emiss\u00f5es de gases estufa. O projeto &#8220;Estrat\u00e9gia Energ\u00e9tico Ambiental: \u00d4nibus com C\u00e9lula a Combust\u00edvel a Hidrog\u00eanio&#8221;, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[253,254,255],"class_list":["post-1337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-hidrogenio","tag-poluicao-atmosferica"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-lz","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}