{"id":1341,"date":"2004-12-20T13:18:01","date_gmt":"2004-12-20T16:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1341"},"modified":"2026-02-16T20:34:47","modified_gmt":"2026-02-16T23:34:47","slug":"a-tragedia-de-felipe-klein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-tragedia-de-felipe-klein\/","title":{"rendered":"A trag\u00e9dia de Felipe Klein"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"assina\">Renan Antunes de Oliveira<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/Premio-Esso-6.jpg\" alt=\"premio_esso_de_2004\" class=\"wp-image-20848\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Especial para o J\u00c1 &#8211; Vencedor do Pr\u00eamio Esso de Jornalismo \/ 2004 &#8211; Reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na noite do s\u00e1bado 17 de abril, um corpo de apar\u00eancia incomum foi levado pela pol\u00edcia ao necrot\u00e9rio da Avenida Ipiranga. Tinha duas protuber\u00e2ncias esquisitas na testa. O m\u00e9dico-legista abriu o couro cabeludo, abaixou a pele at\u00e9 o nariz e se deparou com algo muito raro: dois chifres implantados na carne, feitos de teflon. Cada um era quase do tamanho de uma barra de chocolate Prest\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p>O cad\u00e1ver estava todinho tatuado. Trazia argolas de metal nos genitais, mamilos, l\u00e1bios, nariz e nas orelhas &#8211; e estas tinham orif\u00edcios da largura de um dedo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-16.jpg\" alt=\"felipe_klein2\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>De entre os chifres sa\u00edam tr\u00eas pinos met\u00e1licos pontiagudos. A l\u00edngua fora alterada: cortada ao meio e j\u00e1 cicatrizada, parecia a de um lagarto.<br>\u00c9 claro que Felipe Augusto Klein, morto aos 20 anos, nem sempre teve uma apar\u00eancia assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasceu uma crian\u00e7a saud\u00e1vel. Era o ca\u00e7ula dos cinco filhos do casal Lili e Odacir &#8211; o pai \u00e9 um pol\u00edtico influente, quatro vezes deputado federal, ministro de FHC e&nbsp;secret\u00e1rio estadual da Agricultura do governo Germano Rigotto.<\/p>\n\n\n\n<p>Fotos de Felipe no \u00e1lbum da fam\u00edlia mostram a crian\u00e7a t\u00edpica da classe privilegiada: um menino de cachinhos loiros, olhos azuis, bochechudo, limpo, bem vestido &#8211; e, \u00e0s vezes, sorridente.<br>Foi na adolesc\u00eancia que ele come\u00e7ou a se mutilar com tatuagens, cirurgias e implantes. Pouco antes de morrer preparava-se para botar nas costas uma pele de lagarto e rasgar sulcos no rosto, para pintar neles uma m\u00e1scara dos maoris, nativos da Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua curta vida Felipe radicalizou em \u2018body modification\u2019, a express\u00e3o inglesa dos adeptos de mudan\u00e7as corporais. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, todo m\u00eas gravou alguma figura nova no corpo, ou se aplicou algum piercing. Para combater as dores provocadas por agulhas e bisturis ele se automedicava.<\/p>\n\n\n\n<p>As dores f\u00edsicas eram fichinha se comparadas ao esp\u00edrito atormentado de Felipe. A m\u00e3e, as duas \u00faltimas namoradas e os dois amigos mais pr\u00f3ximos o descreveram como um jovem patologicamente sens\u00edvel a tudo que o rodeava &#8211; e em especial, ao alcoolismo do pai.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Eu n\u00e3o sou desse mundo\u2019 era sua frase predileta. Felipe disse que se sentia assim para dona Lili, para Helena, seu grande amor, para Karen, sua \u00faltima namorada, para Cristiano e Xande, dois tatuadores t\u00e3o amigos que cada um segurou uma al\u00e7a do caix\u00e3o, e para Virg\u00ednia, uma amiga que foi ao enterro chorar com a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para saber quando foi que ele come\u00e7ou a se sentir desse jeito. A m\u00e3e contou que \u2018cedo\u2019 a fam\u00edlia percebeu nele \u2018alguma coisa diferente\u2019. Por isso, \u2018desde pequeno recebeu tratamento psicol\u00f3gico\u2019. Nos dois \u00faltimos anos esteve \u2018sob o controle de um psiquiatra\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9dicos diagnosticaram um mal que surge na adolesc\u00eancia. O \u2018transtorno afetivo bipolar\u2019, ou \u2018psicose man\u00edaco-depressiva\u2019. Felipe vivia na gangorra entre depress\u00e3o e euforia, quase sempre no lado da baixa. Era tratado com um coquetel de antidepressivos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-20.jpg\" alt=\"felipe_klein3.jpg\" class=\"wp-image-14587\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Na literatura m\u00e9dica, a origem do mal \u00e9 incerta. Pode ser gen\u00e9tica, ou despertada por um trauma. O certo \u00e9 que \u2018ele nunca foi uma crian\u00e7a feliz\u2019, afirmou a m\u00e3e. Ela n\u00e3o sabe explicar como, entre seus cinco filhos, apenas Felipe teve a sina. \u2018O mundo dele era seu quarto e seus bichos, n\u00e3o gostava de jogar futebol, nem de sair\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe passou a inf\u00e2ncia em Bras\u00edlia, onde seu divertimento era colecionar gnomos, seres imagin\u00e1rios de uma lenda n\u00f3rdica. Na adolesc\u00eancia, j\u00e1 em Porto Alegre, onde terminou o secund\u00e1rio no Col\u00e9gio Sevign\u00e9, aumentaram seus sintomas depressivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por alguns meses fez parte da tribo urbana dos g\u00f3ticos, jovens que se vestem de negro, assumem um ar depr\u00ea e desprezam o resto da sociedade &#8211; mas se afastou deles porque o pessoal o considerava excessivamente&#8230; g\u00f3tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando saiu dessa tribo de humanos, ele se voltou mais ainda para seus bichos. Passava dias trancado no confort\u00e1vel quarto que ocupava no amplo ap\u00ea da fam\u00edlia, no edif\u00edcio El Greco, onde morava com a m\u00e3e, uma tia e mais de 20 animais.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Miniz\u00f4o<\/span><br>No seu miniz\u00f4o tinha gatos com pedigree, cobras importadas, filhotes de jacar\u00e9, tartarugas e lagartos. \u2018Ele gostava mais de animais do que de gente\u2019, contou Helena, citando outra frase ouvida dele. Tal paix\u00e3o o levou a estudar Veterin\u00e1ria na Ulbra, mas logo se desinteressou.<\/p>\n\n\n\n<p>Paix\u00e3o permanente s\u00f3 por tattoos. A primeira ele fez aos 11, levado pela m\u00e3e. Era um sol, na coxa direita. Na adolesc\u00eancia evoluiu de tatuagens inocentes para figuras demon\u00edacas e implantes radicais &#8211; j\u00e1 ent\u00e3o contrariando os pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisando na internet, Felipe virou autoridade em body modification. Quando come\u00e7ou a fazer experi\u00eancias no pr\u00f3prio corpo ele apareceu na RBS TV, demonstrando as t\u00e9cnicas. Vaidoso, cortejou cineastas para tentar exibir seu visual em filmes. J\u00e1 na fase da modification total suas imagens acabaram exibidas ao grande p\u00fablico, mas no Ratinho, numa compara\u00e7\u00e3o grotesca com um porco.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu visual o transformou numa celebridade na web. No pequeno c\u00edrculo dos tatuadores ele chegou a jurado de competi\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem o conhecia sabia que era determinado e n\u00e3o temia a dor. Ele mesmo se aplicava alguns piercings, aquelas argolas met\u00e1licas que usava no corpo, cuja fixa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pequeno supl\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-33.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14589\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Quando botava na cabe\u00e7a que faria alguma modification ia em frente. Foi dele pr\u00f3prio a id\u00e9ia dos chifres. \u2018Eu tentei dissuadi-lo dizendo que um dia ele se arrependeria e que ent\u00e3o seria doloroso retir\u00e1-los, mas ele n\u00e3o ouvia ningu\u00e9m\u2019, lembrou dona Lili.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decis\u00e3o tomada, ele estudou os passos da opera\u00e7\u00e3o em livros de Medicina. Depois, orientou o tatuador que fez a cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses Felipe alimentou a bizarra fantasia de se transformar num animal como aqueles que amava &#8211; a id\u00e9ia era virar um lagarto, aplicando sob a pele das costas bolinhas de silicone que lhe dariam um aspecto enrugado. A l\u00edngua j\u00e1 estava pronta, dividida numa opera\u00e7\u00e3o feita por um dentista de Taquara.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"216\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-12-300x216.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-72011\" srcset=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-12-300x216.jpg 300w, https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-12.jpg 572w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No final de mar\u00e7o Felipe anunciou a meta de implantar a m\u00e1scara maori e virar lagarto, coisas que o deixariam irreconhec\u00edvel. Ningu\u00e9m duvidou da possibilidade. Mas era tarde. Ningu\u00e9m p\u00f4de mais fazer coisa alguma por ele, exceto assistir sua dolorosa ren\u00fancia \u00e0 humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Pol\u00edcia n\u00e3o consegue depoimento do pai<\/span><br>A primeira pessoa a ver Felipe morto foi Tadeu, porteiro do edif\u00edcio Pal\u00e1cio, onde morava Odacir Klein. Ele contou que estava no sagu\u00e3o quando ouviu \u2018um grito e um baque\u2019. Caminhou at\u00e9 o muro que d\u00e1 para o edif\u00edcio Santa Maria e viu o corpo do rapaz estatelado no dep\u00f3sito de lixo do pr\u00e9dio vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram 18h56min do s\u00e1bado 17 de abril. Tadeu chamou a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase tr\u00eas meses depois, a pol\u00edcia ainda n\u00e3o tinha conclu\u00eddo o inqu\u00e9rito para apurar se Felipe se atirou, ou caiu, ou foi jogado do apto 903, o quarto e sala do pai no nono andar do Pal\u00e1cio, no 888 da Duque de Caxias.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 pai e filho estavam no apartamento na hora da morte &#8211; e o pai n\u00e3o deu depoimento. Alguns jornais divulgaram que algu\u00e9m vira Felipe no parapeito momentos antes da queda. Tal testemunha confirmaria suic\u00eddio, mas ela nunca existiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem esteve muito pr\u00f3ximo da cena, mas tamb\u00e9m nada viu, foi Lucas, um estudante que mora no oitavo andar do pr\u00e9dio vizinho, quase janela com janela com o ap\u00ea onde estava Felipe. Ele apenas ouviu o mesmo grito e baque escutados pelo porteiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-37.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14590\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por determina\u00e7\u00e3o superior, a investiga\u00e7\u00e3o da morte de Felipe n\u00e3o foi para a delegacia do bairro, como sempre acontece com cidad\u00e3os comuns, mas sim para a especializada em homic\u00eddios.<br><br>O delegado M\u00e1rcio Zachello, encarregado do inqu\u00e9rito, disse que \u2018a investiga\u00e7\u00e3o contempla todas as possibilidades\u2019, mas trabalha mais com a hip\u00f3tese de suic\u00eddio. Ele promete concluir a apura\u00e7\u00e3o \u2018em breve\u2019. Tr\u00eas s\u00e3o as principais evid\u00eancias de suic\u00eddio. A primeira \u00e9 que o corpo de Felipe foi encontrado a 11 metros de dist\u00e2ncia do pr\u00e9dio do Pal\u00e1cio, sinalizando que ele teria tomado impulso.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda foi a constata\u00e7\u00e3o de que o pai estava quase inconsciente na hora da trag\u00e9dia, b\u00eabado demais para qualquer a\u00e7\u00e3o violenta. Examinado pelo Departamento M\u00e9dico-Legal, ele tinha 26 decigramas de \u00e1lcool por litro de sangue, numa escala onde seis \u00e9 o limite legal da embriagu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira \u00e9 o depoimento da namorada, a estudante Karen, 20 anos. Ela disse \u00e0s autoridades que os dois tinham um pacto de suic\u00eddio. Karen desistiu da id\u00e9ia quando eles discordaram sobre formas indolores de morrer &#8211; Felipe gostava de se flagelar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda faltam duas pe\u00e7as para a conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito. O laudo da per\u00edcia feita no local pelo Instituto de Criminal\u00edstica e o depoimento do pai. Ele j\u00e1 disse a familiares e amigos que n\u00e3o se lembra de nada do ocorrido naquela noite.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Filho cuidava de Odacir<\/span><br>Era Felipe quem cuidava do pai quando este bebia demais. \u2018Meu filho se preocupava com o que pudesse acontecer com Odacir\u2019, contou dona Lili. \u2018Ele sempre tentava proteg\u00ea-lo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O drama do alcoolismo foi vivido em segredo pela fam\u00edlia durante anos, at\u00e9 ser exposto em rede nacional de TV, em 1996. Odacir, ent\u00e3o ministro dos Transportes, voltava de uma festa com o filho mais velho, Fabr\u00edcio, quando este atropelou e matou um oper\u00e1rio, em Bras\u00edlia. Os dois fugiram sem prestar socorro \u00e0 v\u00edtima, mas algu\u00e9m anotou a placa do carro e eles foram descobertos. O ministro estava embriagado. Com a repercuss\u00e3o do caso ele renunciou ao cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimos anos Odacir fez v\u00e1rios tratamentos, alternando per\u00edodos ruins com outros de sobriedade. No ano passado, se separou da mulher e foi viver na mesma rua, a um quarteir\u00e3o. Quando estava em dia ruim, assessores levavam documentos oficiais para que ele os assinasse em casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-42.jpg\" alt=\"felipe_klein7.jpg\" class=\"wp-image-14591\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><span class=\"intertit\">\u00daltima hora <\/span><br>Passava das 5 da tarde daquele s\u00e1bado quando Felipe saiu do ap\u00ea da m\u00e3e, atravessou a Pra\u00e7a da Matriz e caminhou at\u00e9 o do pai. \u00c0quela hora a fam\u00edlia sabia que Odacir estava alcoolizado &#8211; e o filho cumpriria pela \u00faltima vez a tarefa de cuidar dele.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Quando meu filho saiu eu fiquei rezando o ter\u00e7o libert\u00e1rio. Pedi a Jesus para proteger e libertar os dois\u2019, disse dona Lili &#8211; ela n\u00e3o derramou uma l\u00e1grima sequer durante 40 minutos de entrevista, numa manh\u00e3 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe chegou no edif\u00edcio do pai e o esperou no sagu\u00e3o. Odacir apareceu pouco antes da seis, cambaleando. Caiu no port\u00e3o. O zelador G\u00e9rson e o porteiro Tadeu tiveram que carreg\u00e1-lo.<br>Os dois levaram Odacir para o elevador. Na curta viagem, G\u00e9rson notou que ele se contorceu de dor, provocada por um forte belisc\u00e3o que Felipe lhe aplicara nas costas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Eu disse para ele parar de judiar do doutor Odacir\u2019, contou G\u00e9rson. Felipe rebateu: \u2018Ele s\u00f3 nos faz passar vergonha\u2019. A frase do rapaz com o rosto desfigurado soou estranha para o zelador: \u2018Vinda de quem vinha, parecia piada, mas notei que ele estava muito nervoso e fiquei quieto\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>No ap\u00ea, Felipe ordenou que os dois atirassem o pai no ch\u00e3o, mas G\u00e9rson n\u00e3o aceitou: \u2018Mandei ele abrir a bicama da sala e o deixamos ali\u2019.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-45.jpg\" alt=\"felipe_klein8.jpg\" class=\"wp-image-14592\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O que aconteceu depois n\u00e3o teve testemunhas. Vizinhos ouviram pai e filho discutindo, gritos abafados por portas fechadas. \u00c0s 18h56, a queda.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia chegou logo depois. Odacir aparece sem camisa nas fotos do inqu\u00e9rito, descabelado. Num relat\u00f3rio do SAMU os param\u00e9dicos atestaram que ele estava \u2018com h\u00e1lito et\u00edlico, fala arrastada e movimentos desorientados\u2019, mas sem ferimentos, exceto pequenos arranh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma parente passou pela rua, viu o rebuli\u00e7o, ouviu o zum zum zum e correu para a casa de dona Lili &#8211; ainda sem saber quem tinha morrido. \u2018Eu pensei que tinha sido o Odacir\u2019, disse depois dona Lili. \u2018Quando entrei na sala e o vi de p\u00e9, entendi que era Felipe\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ainda teve coragem para ir \u00e0 janela e olhar para baixo. O filho estava de bru\u00e7os, com as pernas quebradas, os p\u00e9s torcidos para fora e os bra\u00e7os abertos em cruz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-28.jpg\" alt=\"felipe_klein4.jpg\" class=\"wp-image-14594\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Serenidade<\/span><br>Dona Lili disse que j\u00e1 temia que o filho se matasse e mostrou dois sinais: \u2018Uma semana antes ele me deu uns \u00f3culos que eu gostava e distribuiu os bichos\u2019. Tutankamon, o gato persa preferido, e Corn Snake, uma cobra americana, foram para o amigo Xande, tatuador em Camaqu\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e disse que agora se sente serena porque \u2018ele sempre teve tudo o que queria, toda a ajuda que precisava. N\u00e3o adiantou. Acho que ele estava muito avan\u00e7ado para n\u00f3s, noutra dimens\u00e3o\u2019.<br>Ela buscou apoio num grupo de pessoas que tamb\u00e9m perderam parentes: \u2018Com eles a gente pode falar, explicar e entender tudo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Lili e o resto da fam\u00edlia decidiram armar uma barreira de sil\u00eancio. Todos temem que o incidente possa prejudicar a candidatura do irm\u00e3o Fabr\u00edcio \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores.<br>Recuperado do choque, Odacir retomou o trabalho, at\u00e9 viajou para a China na comitiva do governador. A trag\u00e9dia uniu outra vez Lili e Odacir &#8211; ele voltou para casa, nunca mais pisou no ap\u00ea onde Felipe morreu.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Rebeldia no enterro<\/span><br>Felipe fez parte de um grupo g\u00f3tico freq\u00fcentador do est\u00fadio Tattoo Company, da rua Duque. A musa do pessoal era a pintora S\u00edlvia Motosi, uma Frida Kahlo dos pampas, cujos trabalhos est\u00e3o expostos este m\u00eas na Usina do Gas\u00f4metro &#8211; amiga de Felipe, tatuada no mesmo est\u00fadio e pelo mesmo tatuador, ela se matou em 2002, do mesmo jeito: saltando da janela do ap\u00ea da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando menino Felipe era como um mascote da turma, composta por gente bem mais velha. Na adolesc\u00eancia era cliente compulsivo. Finalmente, quando j\u00e1 estava todo tatuado, virou garoto-propaganda da casa. O pessoal de l\u00e1 elogiava muito seu visual &#8211; ele se sentia estimulado e ia cada vez mais fundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-48.jpg\" alt=\"felipe_klein9.jpg\" class=\"wp-image-14593\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Um tatuador do est\u00fadio era seu confidente. Quando n\u00e3o estava se tatuando, Felipe aparecia com amigos para quem oferecia os servi\u00e7os do est\u00fadio. Por algum tempo a mesma turma se reuniu no atelier da arquiteta Roberta, uma not\u00e1vel na tribo, para discuss\u00f5es sobre body modification, universo g\u00f3tico e a arte da tatuagem, considerada por eles \u2018t\u00e3o ef\u00eamera quanto a vida\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda adolescente ele serviu de modelo num calend\u00e1rio g\u00f3tico. Na \u00faltima p\u00e1gina Felipe exibe o corpo com a palavra \u2018alone\u2019 (sozinho), enquanto abra\u00e7a a arquiteta &#8211; ela hoje tem 32 anos, vive na \u00c1ustria.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de fotos feitas pela produtora de moda Marion Velasco, com a participa\u00e7\u00e3o de modelo Priscila Burman, \u00e9 emblem\u00e1tica do visual chocante de Felipe mesmo antes do implante de chifres.<br>Seu corpo estava coberto por tatuagens aparentemente sem sentido. A mais dram\u00e1tica era uma face demon\u00edaca no peito. Exibia cemit\u00e9rios, drag\u00f5es, flores, m\u00e1scaras, frases completas &#8211; uma delas, em alem\u00e3o, dizia \u2018solid\u00e3o para sempre\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem se sentia sozinho em vida, Felipe teve um enterro superconcorrido. Com a presen\u00e7a do governador Germano Rigotto, do senador Pedro Simon e at\u00e9 de advers\u00e1rios pol\u00edticos do pai, como o ex-governador Alceu Collares, a cerim\u00f4nia acabou atraindo centenas de pessoas e muitos jornalistas &#8211; foi tudo, menos discreta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"214\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-53.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-72020\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os amigos do lado g\u00f3tico dele n\u00e3o gostaram de ver tantos pol\u00edticos no vel\u00f3rio. Virg\u00ednia contou que um grupo de tatuadores, ela junto, \u2018se posicionou entre o caix\u00e3o e os pol\u00edticos durante alguns minutos, tenho certeza que Felipe gostaria do que fizemos para proteg\u00ea-lo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as entre fam\u00edlia e tatuadores apareceram tamb\u00e9m no convite para enterro, com dois textos. Um falando que o menino foi acolhido por Jesus e Maria. O outro dizendo que \u2018no mundo de Felipe n\u00e3o pode haver maldade\u2019. Houve um pequeno momento de constrangimento entre as duas turmas, epis\u00f3dio relatado por Virginia. A irm\u00e3 dele, Fernanda, estava fazendo um agradecimento p\u00fablico aos tatuadores, dizendo \u2018voc\u00eas eram sua verdadeira fam\u00edlia\u2019, quando foi brecada pela m\u00e3e: \u2018N\u00e3o filha, ele nos amava, n\u00f3s \u00e9 que \u00e9ramos sua fam\u00edlia\u2019 &#8211; dona Lili falou com a autoridade de quem mais o conhecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe levou consigo algumas de suas bizarrices. No dedo anular direito, um anel em forma de esqueleto. No pesco\u00e7o, uma corrente com seu insepar\u00e1vel bisturi. Virg\u00ednia meteu um broche no caix\u00e3o, em sinal de amizade eterna. Karen, a \u00faltima namorada, botou uma vaquinha nas m\u00e3os dele, certa de que seu amor s\u00f3 estaria feliz na companhia de algum animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe foi enterrado no cemit\u00e9rio S\u00e3o Miguel e Almas. Virg\u00ednia reclamou da apar\u00eancia prosaica do t\u00famulo, queria \u2018alguma coisa medieval\u2019, que ela julgava seria mais ao gosto g\u00f3tico do morto.<\/p>\n\n\n\n<p>A tumba acabou adornada por um singelo bibel\u00f4 de gesso, com a figura de um anjo montado num escorpi\u00e3o. A m\u00e3e mandou gravar uma frase na l\u00e1pide, citando o mart\u00edrio de Jesus no Calv\u00e1rio: \u2018Nos precedestes na luz\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"intertit\">Amor no Rio de Janeiro foi raro momento de paz<\/span><br>Felipe conheceu o amor. Foi em outubro de 2001, numa conven\u00e7\u00e3o de tatuadores, em S\u00e3o Paulo. Aos 18 anos, branquelo e magro, 1m80 e ombros largos, ele atraiu Helena, sete anos mais velha, branquela e cheinha, 1m66. Ela s\u00f3 se aproximou dele dias depois, no protocolo jovem: via email.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em Porto Alegre, ele respondeu dizendo que tamb\u00e9m a tinha notado. Pediu uma imagem para conferir. E gostou da mulher que n\u00e3o fazia o tipo depr\u00ea. Carioca criada no Leblon, filha de uma professora de Literatura Francesa e formada em Publicidade, ela trabalhava numa produtora de filmes.<\/p>\n\n\n\n<p>Superocupada, s\u00f3 teve tempo de vir a Porto Alegre na virada de 2002. Na noite de Ano Novo os dois ficaram. Ela jura que \u2018foi um sonho\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Helena se disse atra\u00edda \u2018porque ele era muito bonito antes das modifica\u00e7\u00f5es\u2019, al\u00e9m de ser \u2018mais s\u00e9rio do que muita gente mais velha\u2019. Ela o achou ent\u00e3o \u2018longe de ser depr\u00ea\u2019 e que seu figurino \u2018era menos extremo\u2019. No carnaval Felipe foi pro Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por alguns dias Helena ia trabalhar com Felipe a tiracolo. Ele ficava rolando nas loca\u00e7\u00f5es, esperando pelo tempo livre dela. Os dois tomavam muito sorvete na lanchonete Chaika, em Ipanema. Ela engordou alguns quilinhos, ele n\u00e3o, ela acha que \u00e9 porque ele \u2018era magro de ruim\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Helena estava apaixonada. Elogiou Felipe como \u2018tudo, menos um amador\u2019. Ela topou mudar-se para Porto Alegre. Em mar\u00e7o de 2002, veio morar com ele, a m\u00e3e, a tia e a bicharada dele. \u2018Foi um tempo legal. A gente via desenhos animados, assistia filmes sobre Medicina no Discovery. \u00c0s vezes, ele inventava coisas na cozinha, era bom em massas\u2019, recorda a mo\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O relacionamento foi crescendo e as diferen\u00e7as aparecendo. Helena: \u2018Ele dizia que queria ser cada vez menos humano. Sentia \u00f3dio da ra\u00e7a humana. Detestava pessoas gananciosas e as que buscam notoriedade\u2019. A ex-namorada lembra que \u2018uma coisa muito dele era sofrer quando via gente fazendo coisas ruins, uns passando por cima de outros para aparecer\u2019. Ela dizia \u2018esquece isso, vamos nos divertir\u2019, mas parece que ele \u2018n\u00e3o era disso, levava as coisas at\u00e9 o fim\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais Helena: \u2018Eu acho que \u00e9 por isso que ele se matou. Ele queria ser o menos humano, mas ao mesmo tempo encarava todos os problemas. Se voc\u00ea encara, como \u00e9 que vai sobreviver ? O suicida \u00e9 aquele que n\u00e3o v\u00ea uma sa\u00edda. E Felipe era assim\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela disse que ele demonstrava \u2018grande preocupa\u00e7\u00e3o com o pai. Quando ele sofria suas crises de alcoolismo, Felipe era o mais prestativo. Tomava a iniciativa de ajud\u00e1-lo, mas na volta se via que ele sofria. Ficava quieto num canto, muito triste\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Num momento de depress\u00e3o Felipe disse a Helena que gostaria de ser internado. \u2018O psiquiatra n\u00e3o concordou e receitou Lexotan\u2019, conta a ex-namorada. Depois de um ano trancada no quarto com Felipe, ela foi embora: \u2018Nenhuma hist\u00f3ria de amor dura para sempre\u2019 e \u2018eu precisava trabalhar\u2019 foram suas raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros meses separados ele foi muito ciumento. \u2018Eu passei a ficar em casa, no Rio, para n\u00e3o desagrad\u00e1-lo. Mas depois ele entendeu e me disse para desencanar, n\u00e3o queria nada ruim assim no nosso relacionamento\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe tamb\u00e9m seguiu adiante. No in\u00edcio, queixou-se para Cristiano da separa\u00e7\u00e3o. Depois arrumou outra namorada, mas reclamava que ela \u2018pegava no p\u00e9 por picuinhas\u2019. N\u00e3o queria ficar sozinho e seu lema passou a ser \u2018antes mal acompanhado do que s\u00f3\u2019. Nunca escondeu sua paix\u00e3o e a falta que Helena lhe fazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da morte, Helena foi chamada pela fam\u00edlia &#8211; ela n\u00e3o o vira durante a fase final de modifica\u00e7\u00f5es corporais. Um carro oficial foi esper\u00e1-la no aeroporto e o enterro atrasado para sua chegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Virg\u00ednia disse que a viu no caix\u00e3o, serena, repetindo baixinho para o morto, com ternura: \u2018Me desculpe. Se eu n\u00e3o tivesse ido embora voc\u00ea ainda estaria vivo\u2019.<br>Agora \u00e9 tarde, Felipe Augusto foi na frente. Nos precedeu na luz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014<br><a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/news\/view\/premio_esso_entre_vaias_e_aplausos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pr\u00eamio Esso entre vaias e aplausos<\/a> | Post\/entrevista no Observat\u00f3rio da Imprensa sobre a entrega do Pr\u00eamio Esso de Jornalismo \u00e0 Renan Oliveira e ao J\u00e1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renan Antunes de Oliveira Na noite do s\u00e1bado 17 de abril, um corpo de apar\u00eancia incomum foi levado pela pol\u00edcia ao necrot\u00e9rio da Avenida Ipiranga. Tinha duas protuber\u00e2ncias esquisitas na testa. O m\u00e9dico-legista abriu o couro cabeludo, abaixou a pele at\u00e9 o nariz e se deparou com algo muito raro: dois chifres implantados na carne, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":72010,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[14,15,16,4],"class_list":["post-1341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens","tag-a-tragedia-de-felipe-klein","tag-felipe-klein","tag-premio-esso","tag-renan-antunes-de-oliveira"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/FelipeKlein-foto-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-lD","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1341"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72381,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1341\/revisions\/72381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72010"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}