{"id":1351,"date":"2008-08-08T12:51:10","date_gmt":"2008-08-08T15:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1351"},"modified":"2008-08-08T12:51:10","modified_gmt":"2008-08-08T15:51:10","slug":"audiencia-publica-rechaca-pontal-do-estaleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/audiencia-publica-rechaca-pontal-do-estaleiro\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia p\u00fablica recha\u00e7a Pontal do Estaleiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Galerias estavam divididas meio a meio, mas vereadores que se manifestaram foram contra o empreendimento na beira do Gua\u00edba<\/em>.<br \/>\n<span class=\"assina\">Naira Hofmeister*<\/span><br \/>\nGalerias lotadas e manifestantes segurando faixas e cartazes com dizeres opostos prenunciavam o debate que iria ocorrer na C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre, na noite de 6 de agosto de 2008. Inicado pouco depois das 19h, os \u00faltimos participantes deixaram o legislativo da Capital quase \u00e0 meia-noite.<br \/>\nA audi\u00eancia p\u00fablica sobre a constru\u00e7\u00e3o do Pontal do Estaleiro &#8211; um conjunto habitacional e empresarial a ser erguido na Ponta do Melo, \u00e0s margens do Lago Gua\u00edba &#8211; foi pol\u00eamica, mas terminou com uma sensa\u00e7\u00e3o de vit\u00f3ria aos manifestantes contr\u00e1rios \u00e0 proposta.<br \/>\nMesmo aqueles que defendiam a constru\u00e7\u00e3o dos seis edif\u00edcios &#8211; cada um com 13 andares &#8211; concordaram que talvez sejam necess\u00e1rias modifica\u00e7\u00f5es no projeto, especialmente no que diz respeito \u00e0 sua volumetria (ser\u00e3o 43m de altura, o que, segundo o arquiteto do empreendimento, Jorge Debiagi, corresponde &#8220;ao topo do morro adjacente que circunvizinha a obra&#8221;) e ao tr\u00e2nsito de carros que deve gerar.<br \/>\n&#8220;Sabemos que acarretar\u00e1 problemas no sistema vi\u00e1rio&#8221;, admitiu o representante da Regi\u00e3o do Planejamento 5, Lauro R\u00f6ssler, que ao lado de Maria Madalena R\u00f6ssler, do Clube de M\u00e3es, elogiou o empreendimento que dever\u00e1 abrir novas vias para tr\u00e1fego na regi\u00e3o. Entre vaias e aplausos que se sobrepunham, vereadores e eleitores se revezaram na tribuna para defender ou atacar a obra.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Os contra: preserva\u00e7\u00e3o do ambiente e fraude no leil\u00e3o<\/span><br \/>\nVinte e cinco pessoas subiram \u00e0 tribuna: foram apenas oito vereadores e 17 representantes da sociedade civil. Cada um tinha direito a um discurso de cinco minutos. Os t\u00e9cnicos da C\u00e2mara Municipal fizeram com que os populares que se manifestaram estivessem rigidamente ordenados: um a favor, outro contra.<br \/>\nA maioria dos ambientalistas e l\u00edderes comunit\u00e1rios n\u00e3o queria a constru\u00e7\u00e3o. Entre as justificativas, as de que o projeto privatiza a orla e retira a vista do morro que h\u00e1 pr\u00f3ximo ao local. Mas os argumentos mais importantes lembraram que o local est\u00e1 sob prote\u00e7\u00e3o da lei municipal, por se tratar de uma \u00e1rea de interesse<br \/>\ncultural e da Uni\u00e3o, que o declarou \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente.<br \/>\n&#8220;Se a C\u00e2mara decidir votar o projeto, ser\u00e1 processada por crime ambiental. Eles esquecem que o c\u00f3digo florestal brasileiro tamb\u00e9m vale para os munic\u00edpios&#8221;, atacou o advogado Cristiano Ribeiro, representante<br \/>\nda OAB no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental Muitos manifestantes lembraram tamb\u00e9m que o terreno foi leiloado durante mais de 15 anos consecutivos sem que houvesse interessados, pois a legisla\u00e7\u00e3o determina que o local seja utilizado com fins p\u00fablicos e pro\u00edbe empreendimentos habitacionais na \u00e1rea.<br \/>\n&#8220;Quem comprou esse terreno tr\u00eas anos atr\u00e1s sabia o regime urban\u00edstico vigente para o local&#8221;, avalia a ambientalista K\u00e1tia Vasconcelos, que na audi\u00eancia p\u00fablica representou o Movimento Integridade. Um engenheiro morador do Menino Deus lembrou que a indeniza\u00e7\u00e3o paga aos funcion\u00e1rios do Estaleiro S\u00f3 teve inclusive que ser diminu\u00edda em raz\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es de \u00edndices construtivos.<br \/>\nA BM PAR Empreendimentos Ltda adquiriu a \u00e1rea por R$ 7,2 milh\u00f5es na \u00e9poca. O empreendedor pretende investir RS 165 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o dos 6 hectares do complexo. Mais da metade da \u00e1rea (3,3 h\u00e1) ser\u00e1<br \/>\np\u00fablica, conforme adiantou o arquiteto Debiagi. Abertura de ruas, marinas p\u00fablicas, um p\u00eder com bares e restaurantes e um grande cal\u00e7ad\u00e3o est\u00e3o previstos. Estimativas apontam que o valor dos investimentos em conjunto com a administra\u00e7\u00e3o municipal chegue a R$ 250 milh\u00f5es.<br \/>\n&#8220;Esse valor equivale a 10 apartamentos de primeira linha que ser\u00e3o vendidos nos pr\u00e9dios&#8221;, observou Franco Werlang, que defendeu um projeto sustent\u00e1vel para o local e disse falar em mem\u00f3ria de Jos\u00e9 Lutzenberger.<br \/>\nO arquiteto Debiagi referiu que o empreendimento foi recomendado pelos \u00f3rg\u00e3os do munic\u00edpio &#8211; Cauge e secretarias do Planejamento, Obras e Via\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Seguran\u00e7a \u00e9 o principal argumento de quem defende<\/span><br \/>\nDo outro lado, a principal raz\u00e3o para defender o projeto \u00e9 a seguran\u00e7a. &#8220;Vou poder levar minha filha a passear de bicicleta e tomar chimarr\u00e3o tranq\u00fcila, pois haver\u00e3o c\u00e2meras de seguran\u00e7a espalhadas pelo local&#8221;,<br \/>\npreviu a moradora do Jardim Isabel, Patr\u00edcia, que fez quest\u00e3o de observar que essa n\u00e3o era uma id\u00e9ia burguesa.<br \/>\nJ\u00e1 Joelcir Wolkmer, que \u00e9 corretor de im\u00f3veis e mora h\u00e1 28 anos na Vila Assun\u00e7\u00e3o, foi politicamente incorreto. &#8220;Eu n\u00e3o quero dizer `vileiros\u00b4&#8230; Mas o pessoal desses locais nos olha com um olhar amea\u00e7ador&#8221;, relatou.<br \/>\nPara o m\u00fasico Alexandre Bruneto, Porto Alegre &#8220;precisa copiar Copacabana e Cambori\u00fa&#8221;, construindo pr\u00e9dios altos \u00e0s margens do Gua\u00edba. &#8220;O rio \u00e9 muito sujo e ningu\u00e9m vai limpa-lo. Pelo menos v\u00e3o urbanizar o espa\u00e7o<br \/>\npara todos os moradores que hoje n\u00e3o podem sequer enxergar o p\u00f4r-do-sol&#8221;, defendeu.<br \/>\nMas foi bem lembrado pelo vereador Professor Garcia, que o projeto socioambiental da Prefeitura &#8211; j\u00e1 em andamento &#8211; dever\u00e1 resgatar a balneabilidade do lago at\u00e9 2012. Tamb\u00e9m estavam do lado dos empreendedores os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, representados pelo seu sindicato, cujo presidente defendeu a obra pela gera\u00e7\u00e3o de empregos.<br \/>\nA figura de um representante da Uni\u00e3o das Vilas da Grande Cruzeiro foi o suficiente para desmantelar a argumenta\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o destruiria a minha casa para gerar dois empregos, nem minha rua, por cem. Muito menos vou destruir minha cidade para gerar mil ou dois mil empregos&#8221;, pregou, sem esquecer de fazer a ressalva de que mais empregos seriam gerados atrav\u00e9s de investimento p\u00fablico em educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO l\u00edder comunit\u00e1rio alertou que a Vila Cruzeiro n\u00e3o participou do debate sobre o Pontal do Estaleiro. &#8220;N\u00e3o circulou nos nossos f\u00f3runs. Fui apresentado a esse projeto hoje!&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Poucos vereadores, mas com opini\u00f5es s\u00f3lidas<\/span><br \/>\nMenos da metade dos 36 parlamentares esteve presente na Audi\u00eancia P\u00fablica e apenas oito opinaram sobre o projeto. Guilherme Barbosa, Sofia Cavedon e Margarete Moraes &#8211; todos do PT &#8211; ao lado do l\u00edder do governo,<br \/>\nProfessor Garcia (PMDB), criticaram os colegas que assinaram embaixo do projeto.<br \/>\n&#8220;Dizem que o projeto \u00e9 um sin\u00f4nimo de modernismo, mas ele traz retrocesso \u00e0 cidade, pois impede o acesso ao rio. N\u00e3o vamos permitir sua implanta\u00e7\u00e3o!&#8221;, bradou o l\u00edder do governo Professor Garcia. Adeli Sell (PT) optou pela media\u00e7\u00e3o: &#8220;Nem oito nem oitenta&#8221;. E o Dr. Goulart (PDT), apesar de achar o projeto &#8220;magn\u00e2nimo&#8221;, fez algumas restri\u00e7\u00f5es. &#8220;Concordo que podemos melhor\u00e1-lo&#8221;.<br \/>\nApoiador convicto do projeto, apenas o progressista Jo\u00e3o Carlos Nedel. &#8220;A orla j\u00e1 \u00e9 privada. Com esse projeto, tornaremos aquele um local de uso p\u00fablico&#8221;, acredita, fazendo refer\u00eancia \u00e0 atual situa\u00e7\u00e3o de<br \/>\nocupa\u00e7\u00e3o por vilas ou casar\u00f5es, em oposi\u00e7\u00e3o ao passeio p\u00fablico inclu\u00eddo no projeto de Debiagi.<br \/>\nAo final do debate, o professor da Uergs Ant\u00f4nio Ruas, anunciou a realiza\u00e7\u00e3o de uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica no s\u00e1bado (9 de agostos), em frente ao Big Cristal.<br \/>\n*<em>Colaborou Carlos Matsubara<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Galerias estavam divididas meio a meio, mas vereadores que se manifestaram foram contra o empreendimento na beira do Gua\u00edba. Naira Hofmeister* Galerias lotadas e manifestantes segurando faixas e cartazes com dizeres opostos prenunciavam o debate que iria ocorrer na C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre, na noite de 6 de agosto de 2008. 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