{"id":1355,"date":"2008-08-07T22:04:21","date_gmt":"2008-08-08T01:04:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1355"},"modified":"2008-08-07T22:04:21","modified_gmt":"2008-08-08T01:04:21","slug":"polo-de-celulose-pode-ficar-pela-metade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/polo-de-celulose-pode-ficar-pela-metade\/","title":{"rendered":"P\u00f3lo de celulose pode ficar pela metade"},"content":{"rendered":"<p><em>Aracruz j\u00e1 constr\u00f3i nova unidade em Guaiba<\/em><br \/>\n<strong>Elmar Bones<\/strong><br \/>\nDesde 2003, quando tr\u00eas dos maiores grupos do setor \u2013 Aracruz, VCP e Stora Enso \u2013 apresentaram seus projetos, o Rio Grande do Sul vive na expectativa de US$ 4,5 bilh\u00f5es de investimentos que seriam necess\u00e1rios para construir as tr\u00eas f\u00e1bricas de celulose e plantar cerca de 300 mil hectares de eucalipto, para garantir a mat\u00e9ria prima.<br \/>\nAt\u00e9 agora, o \u00fanico que avan\u00e7ou de acordo com as previs\u00f5es foi o projeto da Aracruz, que partiu da antiga Riocell em Gua\u00edba e j\u00e1 iniciou a constru\u00e7\u00e3o, no mesmo s\u00edtio, de uma nova unidade que vai elevar sua produ\u00e7\u00e3o de 450 mil toneladas\/ano para 1,25 milh\u00e3o de toneladas ano. A previs\u00e3o \u00e9 de que entra em produ\u00e7\u00e3o  em 2011.<br \/>\nA VCP por enquanto limitou-se a comprar terras e a produzir mudas para o plantio dos eucaliptos. J\u00e1 tem cerca de 100 mil hectares adquiridos, boa parte j\u00e1 plantados, mas a f\u00e1brica ainda n\u00e3o tem projeto preciso. Nem o local est\u00e1 definido. Sabe-se que ser\u00e1 na Zona Sul, provavelmente em Rio Grande.<br \/>\nNo meio, comenta-se que a real prioridade da VCP \u00e9 a unidade de Tr\u00eas Lagoas, no Mato Grosso do Sul, onde adquiriu um projeto que era da International Paper.<br \/>\nCom o controle da Aracruz, a VCP ganha autom\u00e1ticamente uma grande f\u00e1brica no Rio Grande do Sul, cujas obras j\u00e1 est\u00e3o em andamento. Haver\u00e1 espa\u00e7o para outra f\u00e1brica do mesmo grupo no Estado?<br \/>\nQuanto \u00e0 Stora Enso, ainda n\u00e3o conseguiu vencer a etapa da compra de terras. J\u00e1 comprou 46 mil hectares, mas n\u00e3o conseguiu regularizar pois  s\u00e3o terras em \u00e1rea de fronteira, sob uma legisla\u00e7\u00e3o especial, com restri\u00e7\u00f5es \u00e0 propriedade de estrangeiros.<br \/>\nCome\u00e7ou o plantio de eucaliptos, mas n\u00e3o chegou aos 20 mil hectares plantados e teve que suspender em virtude das dificuldades com o licenciamento e com a legaliza\u00e7\u00e3o das terras compradas.<br \/>\nUma fonte ligada \u00e0 empresa diz que a disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 deslindar a situa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final deste ano. Caso contr\u00e1rio, o projeto pode ficar comprometido.  Al\u00e9m das quest\u00f5es ambientais, que geram cr\u00edticas fortes, as den\u00fancias de compra ilegal de terras tem repercutido internacionalmente, gerando inclusive protestos na Finl\u00e2ndia, sede da empresa.<br \/>\n<strong>Setor fica na m\u00e3o de dois gigantes<\/strong><br \/>\nA concentra\u00e7\u00e3o de empresas no setor de celulose\/papel \u00e9 uma tend\u00eancia mundial, assim como j\u00e1 ocorreu na Petroqu\u00edmica, onde Braskem e Quattor engoliram os concorrentes e  passaram a dividir o mercado nacional.<br \/>\nA competi\u00e7\u00e3o internacional exige escala e por conta disso h\u00e1 um movimento de incorpora\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es que, no caso brasileiro, se define em torno de dois grupos: o grupo Suzano que abriu m\u00e3o de suas posi\u00e7\u00f5es na petroqu\u00edmica para concentrar investimentos na celulose; e agora a Votorantim, que com o controle da Aracruz, torna-se a maior do setor no pa\u00eds, uma das maiores do mundo.<br \/>\nAo comprar as a\u00e7\u00f5es dos herdeiros de Erling Lorentzen, empres\u00e1rio noruegu\u00eas, um dos fundadores da empresa, a VCP fica com 56% do capital votante da Aracruz e passa a responder por uma produ\u00e7\u00e3o total de 4,6 milh\u00f5es de toneladas de celulose por ano.<br \/>\nSomados os investimentos, incluindo os plantios florestais no Rio Grande do Sul e a implanta\u00e7\u00e3o de duas f\u00e1bricas no Estado, o grupo ser\u00e1 o maior do pa\u00eds, ultrapassando a Suzano Celulose, mesmo com as duas novas unidades anunciadas no Piau\u00ed e Maranh\u00e3o.<br \/>\n<strong>Mercado j\u00e1 esperava o an\u00fancio <\/strong><em><strong>*Por Carlos Matsubara<\/strong><\/em><br \/>\nO an\u00fancio de que a VCP pretende comprar 28% do capital votante da Aracruz pertencentes \u00e0 Arapar, holding da fam\u00edlia Lorentzen, n\u00e3o chegou a causar surpresa no meio. O neg\u00f3cio j\u00e1 era comentado nos bastidores h\u00e1 algum tempo.<br \/>\nEm abril, quando caiu o poder de veto do BNDES para venda a estrangeiros,  come\u00e7aram as conversas de uma poss\u00edvel absor\u00e7\u00e3o da Aracruz Celulose por um dos seus s\u00f3cios. A Suzano tamb\u00e9m aparecia como uma das prov\u00e1veis compradoras da Aracruz.<br \/>\nA VCP j\u00e1 integrava o bloco de controle da Aracruz, com 28% das a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias e investiu R$ 2,71 bilh\u00f5es para comprar a parte da fam\u00edlia Lorentz. O desfecho, por\u00e9m, ainda depende da Arainvest Participa\u00e7\u00f5es, do Grupo Safra, que tamb\u00e9m integra o bloco de controle da Aracruz com 28% das a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias.<br \/>\nE \u00e9 por esta posi\u00e7\u00e3o que a VCP aguarda para se pronunciar, segundo afirmou a assessoria de imprensa.<br \/>\n<strong>Empresa nasceu \u00e0 sombra dos incentivos fiscais<\/strong><br \/>\nA Aracruz, que nasceu Aracruz Florestal,  foi uma das primeiras empresas nascidas \u00e0 sombra os incentivos fiscais para reflorestamento, criados depois de 1964. O Tesouro Nacional abria m\u00e3o de uma parcela do Imposto de Renda de Pessoas F\u00edsicas para criar neg\u00f3cios diretamente gerados pela iniciativa privada.<br \/>\nAs primeiras quotas da Aracruz Florestal foram subscritas por dirigentes de grandes empresas: Walter Moreira Sales (Unibanco), Fernando Portela (Banco Boa Vista), Oscar Americano Filho (CBPO, construtora), Otavio Lacombe (Construtora Paranapanema) Olivar Fontenelle (Casa Slooper) e Erling Lorentzen (Norsul, navega\u00e7\u00e3o).<br \/>\nBoa parte do capital inicial foi aplicada na compra de cerca de 7 mil hectares de terras no munic\u00edpio de Aracruz, no Esp\u00edrito Santo. As terras pertenciam \u00e0 Companhia de Ferro e A\u00e7o de Vit\u00f3ria (Cofavi) que nunca havia conseguido explorar convenientemente os eucaliptos ali plantados muitos anos antes, para produzir carv\u00e3o vegetal.<br \/>\nO armador Erling Lorentzen aderiu \u00e0 Aracruz Florestal n\u00e3o apenas para se tornar s\u00f3cio de um empreendimento sem riscos, mas porque viu ali a grande oportunidade para um emigrante vindo da Noruega.<br \/>\nAl\u00e9m de navios, o dono da Norsul, tinha canais direto de acesso \u00e0s fontes de tecnologia nos pa\u00edses escandinavos, a vanguarda mundial da industria de transforma\u00e7\u00e3o da madeira. Em 1978, saiu a primeira carga de celulose da Aracruz. Com uma produ\u00e7\u00e3o anual de 400 mil toneladas, era a maior ind\u00fastria de celulose do Brasil e uma das maiores do mundo, desenvolvendo avan\u00e7ada tecnologia para produ\u00e7\u00e3o de eucalipto para celulose.<br \/>\nEra um projeto tripartite, envolvendo capital estrangeiro, capitais nacionais e dinheiro p\u00fablico. Como outros grandes projetos implantados pelos governos militares no per\u00edodo 1964\/81, a Aracruz teve inspira\u00e7\u00e3o, incentivo e apoio da Uni\u00e3o. O BNDES entrou com 42% do capital do empreendimento, no qual mant\u00e9m at\u00e9 hoje uma participa\u00e7\u00e3o de 12,5%.  (Do livro Eucalipto:Hist\u00f3rias de Um Migrante Vegetal, Geraldo Hasse, J\u00c1 Editores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aracruz j\u00e1 constr\u00f3i nova unidade em Guaiba Elmar Bones Desde 2003, quando tr\u00eas dos maiores grupos do setor \u2013 Aracruz, VCP e Stora Enso \u2013 apresentaram seus projetos, o Rio Grande do Sul vive na expectativa de US$ 4,5 bilh\u00f5es de investimentos que seriam necess\u00e1rios para construir as tr\u00eas f\u00e1bricas de celulose e plantar cerca [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[146,227,206,264,265],"class_list":["post-1355","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas","tag-aracruz","tag-celulose","tag-economia","tag-empresas","tag-investimentos"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-lR","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1355","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1355\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}